PRO 1×08: A Moral Star, Part 1

Episódio traz ponto de virada importante e momento icônico

Sinopse

Data estelar: Desconhecida

Rok-Tahk está contando a todos como conseguiu conectar a matriz de dobra com a ajuda de Janeway. Eles estão felizes por estarem juntos novamente e terem conseguido achar uma maneira de trabalhar juntos, apesar de separados em um tempo fraturado. Mas, ao mesmo tempo, estão preocupados com a invasão de Drednok e o fato de o Adivinho sempre poder encontrá-los. Nisso, a cabeça da cópia de Drednok começa a emitir uma mensagem do Adivinho. Ele pede que Gwyn retorne a Tars Lamora e que a Protostar seja devolvida. Dessa forma, ele libertará os indesejados, do contrário os mineiros pagarão o preço. Eles têm apenas um dia.

Todos entendem que não podem entregar a Protostar para o Adivinho, mas, por outro lado, não podem deixar os mineiros sofrerem as consequências. Eles poderiam ir ao encontro da Federação para pedir ajuda, mas não seria possível que a Federação chegasse a Tars Lamora em menos de um dia. Sobra, então, apenas a opção de pular até Tars Lamora. Dal está tendo dificuldade em assumir uma posição como capitão. Pela primeira vez ele não está preocupado consigo mesmo, mas com a sua tripulação. Gwyn conversa com ele, que diz estarem num cenário sem vitórias, ou seja no Kobayashi Maru deles. Dal conclui, então, que, se vão arriscar, eles precisam de um plano em conjunto.

Todos vestem o uniforme de cadetes e se apresentam na ponte para levar a cabo os planos delineados. Eles entram em dobra e, na sequência, ativam o protomotor. Chegando a Tars Lamora, o Adivinho desliga a camuflagem e começa a rebocar a Protostar. A tripulação começa a se preparar. Zero está muito quieto e é questionado por Gwyn. Ele diz que está preocupado com ser capturado e usado novamente pelo pai dela como arma. Todos descem da nave com os nervos à flor da pele.

Eles questionam o Adivinho sobre como irão sair dali se ele pegar a nave. O Adivinho diz que a oferta era a Protostar pelos indesejados, e que o asteroide é tudo o que eles merecem. E ainda se irrita com Gwyn por estar usando o uniforme da Frota Estelar. Ela diz que ele representa um compromisso de lutar por um futuro melhor. Por outro lado, o Adivinho rebate, dizendo que o uniforme representa mentiras e hipocrisia. E ainda emenda dizendo que a filha irá com ele. Dal diz que ela não fazia parte do acordo, mas, no fim, Gwyn cede, dizendo que irá com o pai, desde que ele deixe o REV-12 para a tripulação. Dal não quer deixá-la ir de jeito algum, mas no fim essa é a decisão dela. O Adivinho concorda com a proposta e entrega a REV-12 a eles.

Na Protostar, o Adivinho manda Drednok alterar o código da holograma Janeway e atirar nos geradores de energia, desabilitando a REV-12. Isso causa a perda da gravidade no asteroide. Dal e cia se seguram uns nos outros. Se a energia não for restaurada em breve, eles ficarão sem oxigênio. Ainda na Protostar, Gwyn insiste com o pai para saber os motivos dele, especialmente quanto à importância da nave. Quando finalmente concorda em contar mais para ela, e ambos fazem um elo mental, o Adivinho percebe que Gwyn está enrolando para ganhar tempo. Ele demanda que Drednok ative a protodobra, e finalmente percebem que o protonúcleo não está respondendo, dado que nem dentro da nave ele se encontra.

No asteroide, após a tripulação se certificar de que o Adivinho está longe, eles param de fingir estarem apavorados. Apesar das dificuldades de terem ficado sem energia, já era algo esperado. Murf era quem estava dentro de uma carcaça replicada de Zero, e o protonúcleo está dentro dele, já que ele é indestrutível. Zero chega com os pacotes de propulsores de evacuação de emergência para facilitar no deslocamento. Eles esperam que Gwyn possa lhes dar tempo suficiente para que coloquem o plano maluco em ação.

Comentários

Desde o início da saga de Prodigy, fomos apresentados a mistérios aventuras e desafios de nossos intrépidos personagens. Nessa jornada, que podemos considerar épica até aqui, esses meninos passaram por grandes desafios, que, episódio a episódio, moldaram seu caráter e criaram um sentido de coesão para esse grupo, inicialmente formado de fugitivos desconhecidos, tornando-os em algo mais próximo de um grupo de amigos, e cada episódio da série teve um papel importante nessa construção até aqui.

Mas toda jornada tem momentos únicos, de especial relevância e, nesse sentido, “A Moral Star, Part 1” é um episódio emblemático para os nossos heróis. Passados os eventos de “Time Amok”, a equipe da Protostar se encontra frente a frente com uma grande decisão que certamente definirá seus destinos, uma decisão moral, ou melhor, ética.

Muito se fala da tal “essência” de Jornada nas Estrelas e, embora esse elemento seja, na maior parte das vezes, abstrato, em alguns momentos ele parece se solidificar de forma cristalina e, aqui, mais uma vez podemos encontrar um desses momentos. É comovente e, ao mesmo, tempo inspirador quando vemos esse grupo de “indesejáveis” abrir mão de seus interesses pessoais, algo que, no contexto dos eventos que conhecemos, seria natural, para ajudar aqueles que mais precisam.

Mas esse poderia ser apenas um momento piegas e falso, se não fosse a habilidade dos roteiristas de construir segmento a segmento uma narrativa que nos fizesse acreditar no crescimento e evolução de seus personagens. E, se nosso coração aquece ao ouvir a trilha original de Star Trek quando Dal decide junto com Gwyn que direção tomar, não é somente pela habilidade de colocar a música certa no momento certo, mas porque cada tijolo colocado nessa construção foi assentado de forma meticulosa, cada um a seu tempo.

E um dos tijolos mais importantes neste segmento é Gwyn. Como filha do Adivinho, ela esteve ao lado dos opressores e, ainda que não fosse a pessoa que decidia pela sorte dos indesejáveis, também nunca ofereceu real resistência ou mesmo tentou se interessar por aquelas pessoas em Tas Lamora. É significativo que venha justamente dela a ponderação necessária para a decisão que será tomada, decisão que salvará a vida de muitos e que coloca a personagem firme no caminho de sua redenção, ao se tornar a Estrela Moral que dá nome ao segmento.

Também é significativo que agora, e apenas agora, Dal e seus amigos vistam o uniforme da Frota Estelar, quando eles decidem retornar unidos por um senso de propósito maior que suas próprias necessidades. Apenas vestir o uniforme em outro contexto seria um ato corriqueiro, mas aqui essa ação cria um simbolismo de grande significado, bem como o salto de Prodigy de volta a Tas Lamora, numa bela cena igualmente carregada de significado.

Mas nem só de filosofia vive Prodigy, mas de toda aventura que vier de cada roteiro, e aqui temos também um episódio competente. O grande problema de episódios duplos é que o primeiro sempre funciona como setup (preparação) de eventos que serão concluídos na segunda parte. Levando isso em conta, “A Moral Star” funciona como uma boa preparação.

A volta da Protostar a Tas Lamora é cercada de um clima sombrio, pesado e de pouca esperança. Para isso, a trilha sonora colabora de forma fundamental, calibrando o tom do segmento. Sim, a sequência de retorno da nave abre com uma tradicional fanfarra heroica, sobrepondo ordens e comandos heroicos com uma bela música que emoldura os belo efeitos da nave entrando em protodobra, mas a transição no corte para a chegada a Tas acerta o timing para colocar o espectador no clima certo para a sequência, tudo executado com brilhante competência.  Embora a decisão do Adivinho de deixar a sua nave para trás exija a um pouco de suspensão de descrença, pois não parece fazer muito sentido, ele é claramente uma pessoa psicologicamente desequilibrada, logo podemos colocar tal decisão nessa conta.

Mais difícil é aceitar que Dal e seus amigos tenham conseguido antecipar tão bem os passos do Adivinho, visto que eles não têm a menor ideia do que o vilão deseja fazer com a nave. De qualquer forma, nada que não possa estar no escopo de uma série de ficção e que pode até precisar de um pouco de boa vontade do público, mas que ainda assim vale muito o investimento.

“A Moral Star” é mais um segmento de Prodigy que traz um bom desenvolvimento dos personagens, embarcado em uma intrigante aventura que parece que deve revelar mais alguns de seus segredos em sua conclusão.

Avaliação

Citações

“If it was just me, sure. In a heartbeat. But I can’t risk losing…us. Don’t look at me like that. I meant all of us.”
(Se fosse só eu, com certeza. Num piscar de olhos. Mas não posso arriscar perder… a gente. Não me olhe assim. Eu quis dizer todos nós.)
Dal falando com a Gwyn

“This is a no-win scenario, Gwyn. This is our Kobayashi Maru.”
(Este é um cenário sem vitória, Gwyn. Este é o nosso Kobayashi Maru.)
Dal falando com a Gwyn

“I just wanna say, I know you never thought you were Starfleet material, but today, you’re risking everything on a seemingly impossible mission to save others, to bring hope to a hopeless cause. Nothing’s more Starfleet than that.”
(Eu só quero dizer, eu sei que vocês nunca pensaram que fossem material da Frota Estelar, mas hoje vocês estão arriscando tudo em uma missão aparentemente impossível para salvar os outros, para trazer esperança a uma causa sem esperança. Nada é mais Frota Estelar do que isso.)
Janeway holográfica

“Go fast.”
(Vá rápido.)
Dal

Trivia

  • “A Moral Star” é um anagrama para Tars Lamora.
  • A equipe inteira da temporada 1 da sala dos roteiristas foi creditada pelo roteiro, tendo se tornado o episódio com mais escritores na história de Star Trek, num total de nove nomes.
  • Os irmãos Kevin & Dan Hageman falaram sobre o uniforme utilizado pela primeira vez pela tripulação da Protostar: “Nós sabíamos que nessa pausa de meio de temporada nós queríamos que a tripulação retornasse para Tars Lamora para salvar o resto dos mineradores”, explicam os Hageman. “E como diz Janeway, ‘Não tem nada mais Frota Estelar do que isso’. Então, que melhor momento que não esse para a nossa tripulação usar o uniforme?” Os Hageman também revelaram que eles “nunca quiseram que eles usassem os uniformes da Frota tão cedo na temporada,” porque quando uma tripulação coloca um uniforme o momento “significa algo”. E ainda complementaram: “Dado que a USS Protostar é uma nave experimental, nós sentimos que isso nos deu uma liberdade para criar nosso próprio design de uniforme, contanto que ele se encaixasse com os uniformes dessa era. Nós, Ben Hibon e nosso time de design, gastamos um bom tempo discutindo as insígnias e os uniformes. Nós tínhamos que balancear o estilo da nossa série, mas também reconhecendo que essas crianças não são realmente nada perto de oficiais da Frota, e é por isso que escolhemos um design despojado”. E, por fim, finalizaram dizendo que, através das temporadas, eles querem que os uniformes evoluam com os personagens.
  • Quando questionado no Twitter sobre uma salvaguarda para evitar a corrupção do programa do holograma Janeway, da mesma forma que a Sete fez para o Doutor em Voyager, Aaron J. Waltke respondeu: “Uma excelente questão…😉”

Ficha Técnica

Escrito por Kevin & Dan Hageman, Julie Benson, Shawna Benson, Lisa Schultz Boyd, Nikhil S. Jayaram, Diandra Pendleton-Thompson, Chad Quandt, & Aaron J. Waltke
Dirigido por Ben Hibon

Exibido em 27 de janeiro de 2022

Título em português: “Uma Estrela Moral, Parte 1”

Elenco

Brett Gray como Dal
Ella Purnell como Gwyn
Jason Mantzoukas como Jankom Pog
Angus Imrie como Zero
Rylee Alazraqui como Rok-Tahk
Dee Bradley Baker como Murf
Jimmi Simpson como Drednok
John Noble como Solum (The Diviner)
Kate Mulgrew como holograma Janeway/Janeway corrompida

Elenco convidado

Bonnie Gordon como computador da nave

TB ao Vivo

Enquete

Edição de Mariana Gamberger
Revisão de Nívea Doria

Episódio anterior | Próximo episódio