Elenco de Strange New Worlds encara o fim de uma era na SDCC

O painel Star Trek Universe na San Diego Comic-Con, realizado no último fim de semana no Hall H, reuniu o elenco e os produtores executivos de Star Trek: Strange New Worlds em um encontro que misturou nostalgia, revelações dos bastidores e um sutil tom de despedida.

Ali estavam Anson Mount (Pike), Rebecca Romijn (Una Chin-Riley), Ethan Peck (Spock), Christina Chong (La’an Noonien-Singh), Celia Rose Gooding (Nyota Uhura), Melissa Navia (Erica Ortegas) e Paul Wesley (James T. Kirk), ao lado dos produtores executivos e co-showrunners Akiva Goldsman e Henry Alonso Myers, e do produtor executivo Alex Kurtzman. Além do novo teaser da quarta temporada, exibido durante a sessão, o grupo revisitou os cinco anos da série, cuja quinta e última temporada teve as gravações encerradas em dezembro passado.

Um dos pontos altos foi a conversa sobre a amizade entre Kirk e Spock, que a quarta temporada começa a desenvolver com mais força. Questionados sobre como construíram essa química, Paul Wesley concorda que ela nasceu de uma cumplicidade real fora das câmeras.

Não marcamos um café para conversar sobre o Spirk quando cheguei em Toronto? Sentamos lá fora e batemos um papo… Eu e o Ethan estávamos em situações parecidas, embora ele já interpretasse o personagem há muito mais tempo. Quando cheguei aqui, pensei: ‘Nossa, como é que eu interpreto esse personagem icônico? O que eu faço?’ Então, recorri bastante ao Ethan em busca de apoio, e ele me apoiou… Eu e o Ethan temos essa sensibilidade e esse tipo de camaradagem na vida real. E às vezes você tem que fingir até conseguir. Eu e o Ethan éramos amigos fora das telas. Saíamos juntos. Mandávamos mensagens. Conversávamos por telefone… Tínhamos essa camaradagem e acho que é por isso que transparece na tela.

Peck contou que a conexão veio quase sem esforço:

Não sei se houve muita tentativa e erro propriamente dita. Nós simplesmente nos demos bem desde o início. Tivemos uma conversa muito boa quando ele chegou a Toronto e falamos um pouco sobre nossas ambições e nossos medos em relação a esses personagens. E acho que estamos muito alinhados em nossa verdade e dedicação a ela. E encontramos muitas situações incríveis para nos darmos bem ou não. Acho que Spock é bastante cético em relação à sua impulsividade, Kirk, e às decisões que você tomou. Isso gera alguns conflitos, e isso também faz parte da química entre nós

Wesley também falou sobre a trajetória de Kirk rumo ao capitão que os fãs conhecem da Star Trek clássica, dizendo que a série precisa mostrar por que ele se tornou o Kirk que todos conhecemos e amamos:

O personagem é tão obviamente onipresente, tão conhecido. Sabe, para mim… Eu pensei sobre isso e me perguntei: ‘Bem, o que posso fazer de diferente? O que posso fazer? Como posso trazer uma perspectiva diferente para Kirk que nos leve ao Kirk que conhecemos?’ Sim, temos cinco anos de desenvolvimento, sabe, e ele precisa amadurecer para se tornar esse homem. Queremos entender por que ele se tornou o Kirk que todos conhecemos e amamos da Série Clássica, e queremos ver esse crescimento e essa metamorfose, ou, na falta de uma palavra melhor. E acho que conseguimos isso, e estou animado para que as pessoas vejam a culminação de tudo isso, a quinta temporada, o episódio final da série, que, espero, será o Kirk que todos reconhecemos e vemos amadurecer

Rebecca Romijn, questionada pelo moderador Scott Mantz sobre o crescimento de Una Chin-Riley, incluindo uma cena cantando em klingon, respondeu que teve de se familiarizar bastante com o klingon.

Só de poder desenvolver essa personagem, que foi criada para o episódio piloto original há 60 anos, interpretada pela incrível Majel Barrett Roddenberry, e não havia muito material disponível, ela só teve 13 minutos de tempo de tela. E para conseguir desenvolver essa personagem, essas mentes fabulosas (apontando para os showrunners) continuaram adicionando e me ajudando a encontrar essas camadas. E aqui estamos, com Una finalmente vivendo sua vida autêntica na 4ª temporada. E podemos ver uma Una mais livre, assumindo papéis de liderança, comandando missões no planeta e pedindo mais tempo no planeta, então é realmente ótimo.

Celia Rose Gooding falou da honra de herdar o papel de Uhura, chamando-a de conquista compartilhada com a comunidade trekkie, e adiantou que a quarta temporada aproxima ainda mais a personagem da tenente clássica.

Até agora, a maior honra da minha carreira tem sido poder reprisar uma personagem tão querida. Uhura é tão minha quanto da comunidade Trekkie. E poder compartilhar minha compreensão dela com pessoas que a amam desde antes mesmo de eu dar meu toque pessoal tem sido incrível. Acho que na quarta temporada a vemos dar mais um passo em direção à Tenente Nyota Uhura que todos conhecemos e amamos

Ela também comentou o próprio teaser exibido no painel, destacando a evolução emocional de Uhura, que passa de insegura a confiante:

Vimos partes desse teaser que eu não esperava que fossem mostradas. Mas chegamos lá de uma forma muito visual e estética. Estamos nos aproximando cada vez mais. E em termos de personalidade, acho que no começo ela era muito segura, muito insegura de si mesma. E agora a vemos literalmente se soltando. Ela está se encontrando. Ela está confiante e brilhante. Tem sido um prazer interpretá-la durante seu crescimento, e mal posso esperar para vocês verem exatamente para onde ela está indo, porque estou realmente muito impressionada com ela, comigo, nós três juntas, porque éramos só duas naquela época. Então, sim, estou honrada, grata e animada para vocês verem o que está por vir.

Anson Mount, por sua vez, resumiu a essência de Pike com uma comparação direta a outros capitães da franquia:

Se Kirk representava o machismo e Picard o intelecto, então, eu queria que Pike representasse o coração.

O ator reforçou que via a série como coral, com a Enterprise, não os tripulantes, como verdadeira protagonista:

Tentei infundir isso (o coração) ao longo das quatro temporadas, e estou muito orgulhoso desta série, principalmente porque é uma série coral (história entre vários personagens). Sinto que não sou o protagonista. Sinto que o protagonista da nossa série é a Enterprise, e nos esforçamos para deixar isso claro. Quer dizer, desde os créditos de abertura, você vê que não somos nós que estamos nos créditos de abertura. A nave é a protagonista.

Melissa Navia, que interpreta Erica Ortegas, parafraseou Leonard Nimoy para descrever o vínculo com a personagem:

Erica Ortegas é minha melhor amiga. Eu a conheço tão bem, por dentro e por fora e é o maior elogio que um ator pode receber e ouvir dos fãs e da audiência que eles querem ver mais daquela personagem, e não menos…

A atriz destacou que viver um episódio centrado em Erica Ortegas na terceira temporada, foi a realização de um sonho:

O episódio solo da Erica [“Terrarium”] na terceira temporada foi um sonho realizado. Mas poder fazer isso ao lado de personagens clássicos, ao lado de novos personagens incríveis, tem sido uma alegria, uma experiência fantástica, o sonho de todo ator, e mal posso esperar para que todos vejam a quarta temporada. E também temos a quinta temporada chegando. Então, muitas novidades por vir.

Ela também celebrou a crescente rivalidade entre Ortegas e o engenheiro Scotty, vivido por Martin Quinn, descrevendo o confronto entre pilotos e engenheiros como um contraponto bem-vindo à rotina da personagem na ponte da nave, e elogiou o trabalho do colega de elenco.

Acho que Martin Quinn fez um trabalho fantástico com o Scotty e ver o Ortegas e o Scotty se enfrentando… Estou muito animada para que os fãs vejam isso. Sempre que a Erika interage com alguém com quem ela não costuma conviver na ponte, né? Porque a casa dela é a ponte. Mas sempre que ela está fora da ponte, você a vê interagindo com outros personagens. E os roteiristas me disseram que ouviram falar dessa antiga rivalidade entre engenheiros e pilotos, então, contracenar com o Martin como Scotty durante toda a temporada foi uma alegria absoluta, e ele é incrível em todos os sentidos.

Do lado da produção, Akiva Goldsman disse que uma das maiores qualidades do elenco é saber ouvir. Para ele, essa é uma verdadeira “superpotência”, já que a série é feita de forma muito colaborativa e tudo muda rápido durante o processo. Goldsman também agradeceu aos fãs por acompanharem a jornada da série e lembrou que Star Trek sempre criou um forte sentimento de pertencimento entre as pessoas que se identificam com seu jeito único.

Já Henry Alonso Myers falou sobre os desafios de produzir a quarta e a quinta temporadas. Segundo ele, a equipe tentou colocar de tudo um pouco nas histórias, sem deixar boas ideias de fora, até mesmo marionetes, que, brincou ele, deram um trabalhão para serem usadas.

Alex Kurtzman, que comanda a franquia Star Trek na TV há dez anos, preferiu não falar sobre seu futuro nem sobre o contrato que termina este ano. O silêncio chama atenção porque tanto Strange New Worlds quanto Starfleet Academy devem encerrar suas histórias em 2027, sem novas séries anunciadas até o momento e com os ativos de produção sendo leiloados. Ao comentar o trabalho ao lado dos showrunners, Kurtzman disse que o maior desafio foi reinventar personagens clássicos e contar histórias conhecidas de uma forma diferente. Para ele, a maior satisfação foi ver a sintonia do elenco crescer ao longo das temporadas, mantendo a essência da Série Clássica enquanto a série seguia novos caminhos.

A quarta temporada de Strange New Worlds apresenta novos episódios todas as quintas no Paramount+.

Fonte: TrekMovie


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