Após muitos atrasos, IDW finalmente lança o livro The Art of Star Trek: Lower Decks

The Art of Star Trek: Lower Decks chega mais de um ano após o encerramento da série animada criada por Mike McMahan (e após meses de atraso em razão do tarifaço imposto pelo governo americano e a impressão do material na China), funcionando menos como complemento e mais como registro definitivo de uma das produções mais queridas da terceira era televisiva de Star Trek. Escrito por Megan Treviño, que também trabalhou na produção da série, o volume de 344 páginas reúne artes conceituais, estudos de personagens, cenários, naves e comentários de bastidores sobre as cinco temporadas da série.

Antes de mergulhar em cada episódio, o material dedica capítulos específicos ao desenvolvimento visual da USS Cerritos, da tripulação principal e da identidade estética da série. Fica mais evidente como Lower Decks encontrou um equilíbrio raro entre homenagem e personalidade própria, respeitando décadas de iconografia de Star Trek enquanto construía um estilo mais exagerado e cartunesco.

Clique na imagem para ampliar

Mais do que reunir artes bonitas, o livro ajuda a entender o quanto Lower Decks acumulou identidade visual própria ao longo de cinco temporadas. Em seu estilo, ele constrasta muito com os livros de bastidores da segunda era televisiva, que priorizavam mais textos e detalhes que ilustrações. Diferente de muitos artbooks que selecionam apenas momentos mais conhecidos ou episódios “prestigiados”, The Art of Star Trek: Lower Decks tenta abraçar toda a trajetória da série sem transformar capítulos ou temporadas em meros coadjuvantes.

Cada episódio recebe ao menos algum destaque, seja com designs inéditos, storyboards, variações de figurino ou estudos de criaturas e cenários. Existe quase uma satisfação arqueológica em observar conceitos descartados e versões alternativas de personagens que apareceram por segundos na série. E é justamente aí que o livro talvez funcione melhor: a quantidade de piadas visuais de fundo, detalhes de painel e pequenas referências espalhadas pelas artes ajuda a perceber como Lower Decks era mais detalhista do que parecia no ritmo acelerado dos episódios.

Clique na imagem para ampliar

Folhear o livro acaba lembrando uma revisita, episódio a episódio, às aventuras da tripulação da USS Cerritos. Os comentários espalhados pelas páginas não servem apenas para complementar o lado artístico da produção, mas também ajudam a esclarecer decisões narrativas e escolhas de roteiro que passaram quase despercebidas durante alguns episódios.

É fácil perder tempo demais observando os fundos. Algumas páginas parecem existir só para o leitor ficar encarando detalhes por vários minutos. Para fãs atentos, a leitura acaba virando uma espécie de caça ao tesouro. É o tipo de material que inevitavelmente faz o leitor parar mais vezes do que pretendia em páginas aleatórias. E, sinceramente, algumas artes mereciam páginas ainda maiores.

Clique na imagem para ampliar

Os comentários dos artistas e produtores ajudam a contextualizar as imagens sem transformar a experiência em algo técnico demais. O livro evita cair na armadilha de virar apenas um catálogo de concept arts. Há boas explicações sobre processos criativos, decisões de design e adaptações feitas para transformar ideias absurdas do roteiro em algo visualmente coerente dentro do universo de Star Trek. Em vários momentos, fica claro como a equipe encarava a série simultaneamente como comédia e como produção legítima da franquia. Isso foi essencial para o sucesso de Lower Decks.

Por outro lado, o livro também carrega algumas limitações típicas desse tipo de material. Embora existam bastidores interessantes espalhados ao longo das páginas, quem espera entrevistas longas ou análises aprofundadas sobre a produção talvez sinta falta de textos mais robustos. Nem toda legenda acrescenta muita coisa, mas as artes em geral compensam isso. O foco principal continua sendo a parte visual, e em certos trechos a quantidade de imagens é tão grande que algumas páginas passam rápido demais sem muito contexto adicional.

Clique na imagem para ampliar

No fim das contas, é difícil sair da leitura sem a sensação de que Lower Decks recebeu o artbook que merecia. Para quem acompanhou a jornada da USS Cerritos, é uma despedida à altura. Para quem talvez nunca tenha dado uma chance à animação, o livro acaba servindo também como lembrete de quanto criatividade existia por trás de uma série que, durante muito tempo, foi subestimada à primeira vista.


Descubra mais sobre Trek Brasilis

Assine para receber nossas notícias mais recentes por e-mail.