O primeiro dia da convenção de Star Trek Las Vegas foi dedicado a Star Trek: Discovery. O painel principal contou com os produtores e escritores Ted Sullivan, Kirsten Beyer e Akiva Goldsman. Eles falaram sobre várias questões e responderam às perguntas dos fãs.

O cânon e Discovery

Goldsman falou sobre os temas e metáforas da série e como elas se encaixam no cânon:

Está nos permitindo ser tematicamente profundos. Estamos tentando ser atentos e realmente tentando explorar os tipos de questões que achamos que Jornada sempre explorou. Não fazer gracinha sobre isso. Para ser pensativo e sério sobre as questões de raça, inclusão, aliança e alienação. E também explodir algumas naves espaciais de uma ótima maneira. Também é épica no âmbito e amplitude como um objeto de produção. Não é como um programa de TV quando se trata das representações de naves. É como os filmes. É uma estética diferente, mas é nesse âmbito e amplitude.

Sullivan foi mais específico:

Isso me deixa louco e é super emocionante. Mas Star Trek nunca foi sobre naves, cenários, figurinos e adereços para mim. É sobre qual metáfora eles estão explorando nesse episódio ou naquele filme. Não me desconsertou quando assisti Star Trek: O Filme e parecia diferente da série de TV. Não me incomodei quando A Ira de Khan parecia diferente de Star Trek: O Filme. Eu apenas gostava do que eles estavam fazendo criativamente e eu entendia a história que eles estavam dizendo e, especialmente, os temas.

O que me deixa mais orgulhoso é que estamos lidando com esta versão de Jornada e um seriado para que possamos realmente explorá-lo, em cima do que está acontecendo no mundo agora. Temos estado em guerra há mais de quinze anos e isso muda você e desafia você a ser a sua melhor versão de si mesmo e às vezes você nem sempre será assim quando encontrar o seu caminho de volta. Para mim, isso é um uso muito importante do que Jornada pode ser. Então sim, eu surto quando estou de pé sobre a ponte com Michelle Yeoh (Capt. Georgiou). Eu surto quando estou em uma ilha de edição. Nós estávamos falando sobre um episódio que acabamos de assistir e é incrível como AIra de Khan é bom, é muito bom. Assim que é incrível, mas não é só por isso que eu amo Jornada.

 

Encontrando os limites do cânon

Respondendo sobre como é escrever para Discovery, tendo um profundo conhecimento de Jornada, Goldsman observou que às vezes há desvantagens:

Eu acho que às vezes fica no caminho. Penso no que Bruce Tim disse uma vez sobre como fazer a Liga da Justiça em desenho animado. Ele veio com um caminho de onde eles quebram o anel de Lanterna Verde. Todo mundo disse: “Você não pode fazer isso, é indestrutível”. Ele disse: “Eu acho que nós podemos, e vai ser bom para a história.” … Às vezes você precisa saber quando quebrar o anel, e às vezes você precisa saber quando você não pode fazer isso. Felizmente, temos um monte de pessoas na sala que nos dirá quando quebrar o anel e quando não.

Beyer adicionou:

Eu acho que é uma boa maneira de descrevê-lo. Tanto quanto você quer honrar tudo o que veio antes. Tanto quanto você quer tudo o que estão fazendo sentir parte desse universo, mas, ao mesmo tempo, você quer surpreender as pessoas. Você não quer inibir o processo criativo que está acontecendo na sala constantemente, lembrando a todos onde estão os limites. É divertido deixar as pessoas passarem por cima das fronteiras e bobiná-las de volta.

Goldsman fez notar que isto não significa violar o cânon:

A suposição operacional é que você não pode violar o que sabemos ser cânon, então é melhor você descobrir como trabalhar dentro dele. Acontece que há um monte de maneiras de ser indutivo e criativo. É a diferença entre tornar-se e adaptar-se. E optando por um período de tempo que está dentro do cânon ele transforma histórias em adaptações.

Foi perguntado se havia alguma relação com os recentes filmes de Star Trek. Akiva Goldsman observou que havia elementos semelhantes de produção, mas não em termos do cânon:

Muito suave, de várias maneiras. Jornada por si só já é complicada. Enterprise que recebeu uma má reputação tem a sua própria estória, como é Deep Space Nine, como é a série original, como é a Série Animada. Somos maiores do que qualquer uma das séries, dessa forma estamos mais parecidos com os filmes. Nossos cenários são gigantes e muito mais cinematográficos. Temos efeitos visuais muito pesados. Você não pode apontar a câmera sem estar apontando para uma tela verde. É grandioso! Então, dessa forma, somos como os filmes. Só posso dizer isso, não estamos na linha do tempo Kelvin. Estamos na linha de tempo da série original. E em ressonância com essas histórias. Nós somos os precursores. Estamos a dez anos antes da Série Clássica, por isso estamos contando esses tipos de histórias.

Uma estória serializada e a ‘Regra Roddenberry’

O painel também discutiu sobre a série estar ou não adotando a “Regra Roddenberry” (de não ter nenhum conflito dentro do elenco principal). Goldsman comentou:

O que estamos tentando fazer é sugerir que a visão da Federação, que é uma visão utópica do futuro, é realmente vital, tão vital hoje como era na década de 60. Nós não estamos muito indiferentes a isso. Nossa ponte se parece com a nossa ponte não por acidente. Estamos orgulhosos de sermos o herdeiro do primeiro beijo interracial na televisão. Estamos orgulhosos de sermos um objeto que tem a intenção de falar sobre como povos e culturas vivem juntos e como nós forjamos laços. Isso é o que Jornada é. Jornada é para mim sobre empatia. Então, fundamentalmente, a ideia de que não há conflito no caminho para utopia é absurdo e não seria bom contar histórias.

Ele então entrou em detalhes sobre como a Regra de Roddenberry não iria trabalhar com histórias em série:

A ideia da Regra Roddenberry que mais uma vez eu acho que encontrou sua própria vida, mais ainda, após a série original – não funciona em tudo na narrativa seriada. Jim Kirk poderia assistir Edith Keeler morrer e ficar literalmente arruinado por isso e ficar bem na semana seguinte, porque ele tinha que estar. E isso não é a verdade da narrativa seriada hoje. Nossos personagens carregam suas perdas com eles de episódio para episódio. Eles carregam o amor que começam a sentir ou animosidade ou a confiança ou desconfiança. Todos esses são os caminhos para forjar uma comunidade tanto de uma forma fractal como o personagem de Sonequa Martin-Green e de uma forma global, como a Federação é testada e esses ideais no contexto da guerra.

Comparando com outras séries

Goldsman fez uma comparação com seu trabalho anterior no seriado da Fox, Fringe, ao falar sobre a dimensão de Discovery:

Não chega aos pés do que estamos fazendo. A complexidade, a ambição narrativa, e a dimensão do objeto. E esse trailer não mostra todos os efeitos da filmagem, que realmente é a série. A maioria das cenas vem dos três primeiros episódios. É muito grande.

E Ted compara Discovery ao seu trabalho em Revenge :

Eu trabalhei em Revenge para um monte de temporadas e que é uma série muito serializada. Foi incrivelmente difícil de escrever. Foi muito de bastidores e cada episódio tivemos de construir sobre o outro e tentar fazer sentido de um quebra-cabeça gigante. Isso é o que fazemos com essa série e há uma enorme quantidade de carga extra sobre ela porque é Star Trek.

A technobabble estará presente

Com toda a conversa sobre o desenvolvimento da guerra e dos personagens Discovery não poupará a ciência, explicou Beyer:

Star Trek sempre tenta ser fiel a ciência, tanto quanto ela pode, mas algumas coisas do que fazemos estão além do nosso alcance neste momento. Mas o que ela tem é uma lógica interna muito específica. Então, enquanto nós entendemos o que o Compensador de Heisenberg (usado no teletransporte) é e o que ele faz podemos aceitá-lo sem romper com esse material. O papel da ciência no que estamos fazendo não é tanto explorar novos conceitos que vão estar quebrando todos os tipos de novos caminhos. Mas certificando-se que tudo o que estamos construindo faz sentido.

Sullivan observou que a equipe incluiu muitos conceitos com ajuda da ciência, incluindo Ph.Ds, e assim haverá alguma tecnologia em Discovery:

Todos nós temos um amor pela ciência e um respeito pela ciência e infunde em nossos roteiros e infunde em nossas histórias.

Ele também confirmou que ainda haverá technobabble. Ele observou que a maioria dos atores nem sempre gostam de despejar os termos de tecnologia, mas Anthony Rapp (oficial de ciências Stamets) é “incrível para isso.”

Detalhes dos personagens Stamets e Saru

Os escritores também deram mais alguns detalhes sobre os personagens oficial de ciências tenente Paul Stamets e Saru.

Stamets é um cara que se apresenta com um certo exterior que tende a afastar as pessoas, então o que é divertido é encontrar as maneiras de achar um lado mais suave, mais amável do que está lá. O que eu acho incrível sobre Saru é o que Doug [Jones] trouxe a ele. Eu acho que todos nós fomos à procura de quem esse cara iria ser. Doug tem trazido à vida esta pessoa com este incrível brilho, mas também esse calor e compaixão, senso de humor e sagacidade seca que está fazendo a evolução deste personagem divertido de assistir.

Sullivan acrescentou:

Saru faz você rir e ele faz você chorar no mesmo episódio. Eu acho que é um aspecto muito, muito importante de Star Trek. Você precisa ter humor e você certamente precisa ter compaixão. Doug é certamente um portador da tocha digno de Spock a Data.

Ele também descreveu um episódio focado em Saru e escrito por Beyer:

Você vai sentir como o mais tradicional Star Trek, o mais bonito. O que Doug faz é simplesmente de cair o queixo. Você vai descobrir muito sobre sua cultura e há tantas surpresas sobre ele.

Goldsman acrescentou que é difícil de descrever os personagens porque cada um tem seu próprio arco:

Os personagens apresentam de uma forma particular – todos e cada um deles – no início da série. O título não é um acidente. Esta é longa forma de contar histórias com base no personagem. Isso não quer dizer que não temos enredo porque Deus temos enredo. Fundamentalmente a nossa história é focada no desenvolvimento do personagem.

 Novas formas de Klingons (e vulcanos também)

Falando sobre os aspectos dos Klingons, Beyer confirmou que eles estão trabalhando com especialistas em linguagem Klingon, e ela falou de sua experiência com a cultura Klingon:

Tem sido super divertido pegar uma espécie que em alguns aspectos acha-se bem estabelecida, mas em muitas maneiras quando você aprofunda, eles têm sido monolíticos. Seu dever e sua honra. E a imagem que um certo período em sua história poderia ter produzido tem sido incrivelmente divertido e deu-nos todos os tipos de novas maneiras de falar e experimentar os Klingons.

Goldsman acrescentou uma nota sobre a guerra Federação-Klingon:

Uma das forças motrizes desta guerra foi a de não acusar nenhum dos lados. A série é muitas vezes contada a partir de dois pontos de vista. É, certamente, sobre a Federação, mas há parte significativa da narrativa que é puramente do ponto de vista Klingon e em Klingon. Isso permite ao público participar no debate de quem está certo e quem está errado.

Foi perguntado se a série iria mergulhar em outras culturas mais conhecidas de Jornada. Goldsman disse:

Klingons são o foco, mas é definível um mergulho médio nos Vulcanos e o que significa ser Vulcano. E há alguns velhos favoritos dos fãs, mas não veremos com qualquer profundidade real.

Fique ligado no TB para mais informações sobre Discovery em Star Trek Las Vegas.

Fonte: TrekMovie