LDS 1×06: Terminal Provocations

Ransom observa grupo de alferes

Alferes da Cerritos enfrentam o conceito de Tela Azul da Morte

Sinopse

Data estelar: 57663.9.

Enquanto a Cerritos viaja em dobra, Boimler e alguns outros alferes debatem a respeito dos vários sons que motores de dobra de naves produzem, o que os leva a iniciar uma sinfonia de sussurros para ver quem imita melhor os ruídos. Passando por aquele deque, Ransom suspeita de alguma situação sinistra pela doidice da cena e já enquadra Boimler à ponta de feiser para saber do que se trata o rolo.

Fletcher e T'Ana

Mais tarde, já em seu destino, um ponto do espaço com uma nuvem de destroços de um antigo cargueiro federado da classe Antares, a Cerritos se vê frente a uma nave de sucateiros drookmanis. Freeman está argumentando com eles que a Federação pode pagar uma recompensa básica pelo achado, mas o capitão drookmani não quer abrir mão de recolher a carga para si mesmo, o que faz ambas as naves iniciarem um cabo-de-guerra de raios tratores com diversos itens no local.

No refeitório, um grupo de tripulantes acompanha o alferes Fletcher em seu desafio de comer purê diretamente do replicador. A atividade acaba interrompida quando Mariner esbarra em T’Ana, deixando a caitiana nervosa por já saber da reputação da alferes, mas Fletcher desescala a situação oferecendo um prato de nachos recém-replicados para a médica, e Mariner agradece a ele por resolver a situação.

Badgey com Rutherford e Tendi

Depois do rolo, os três estão trabalhando na troca de chips isolineares dos núcleos do computador da Cerritos. Vendo que Boimler e Mariner estão desapontados por aquela tarefa não os permitir conferir o show das Irmãs Zebulon no bar, onde vão fazer a dança do Chu Chu, Fletcher se oferece para cobri-los e terminar o serviço sozinho.

No bar panorâmico, considerando a necessidade da missão, Tendi confessa a Rutherford que nunca realmente completou seu treinamento em gravidade zero, e o alferes se oferece para ajudá-la a praticar no holodeck. Nele, Rutherford apresenta a Tendi sua criação, Badgey, um emblema da Frota antropomórfico que serve de assistente virtual para treinamento. Rutherford requisita a Badgey o exercício apropriado, no que ele dá várias travadas mas no fim carrega o cenário correto, e os alferes começam a treinar.

Alferes do Turno Delta na Cerritos

Depois de terem conferido a tal carreta furacão sobre a qual estavam tão animados, Boimler e Mariner encontram Fletcher desmaiado próximo aos núcleos do computador. No que acorda, ele diz que foi tonteado, e percebem que um dos núcleos do computador está faltando, parte do controle dos escudos da nave. Os três especulam que alguém queria comprometer Fletcher com isso e já vão tirar satisfação com o turno Delta. Ao encontrarem os alferes do turno Delta, Fletcher já os confronta a respeito do núcleo desaparecido e quase sai na mão com a alferes Karavitus, mas um deles confirma que também estavam na dança do Chu Chu na hora do incidente.

A confrontação com os drookmanis escala quando eles começam a arremessar destroços na direção da Cerritos usando o raio trator. Os escudos da Cerritos seguram o tranco, mas começam a degradar mais rapidamente do que o normal para esse tipo de impacto. Shaxs insiste em revidar fogo, mas Freeman continua teimando em evitar uma confrontação direta, apenas ordenando manobra evasiva, para frustração do bajoriano.

J.G. Hertzler como capitão drookmani

Os impactos provocam uma falha em vários sistemas da nave, incluindo os holodecks, que para variar têm problemas com o sistema de segurança e impedem que se encerre o programa. Badgey começa a ficar violento contra Rutherford e Tendi, que trocam o cenário para uma feira bajoriana e saem correndo na direção de um templo para fugir de Badgey.

Enquanto isso, Boimler, Mariner e Fletcher continuam procurando o núcleo com um senso maior de urgência devido à confrontação fora da nave. No que eles estavam para escanear a nave por eventuais intrusos, encontram o núcleo sobre a cama de Fletcher, que confessa ter desejado dar uma de Tron tentado conectar o equipamento a sua mente, com resultados desapontadores (para dizer o mínimo). Ele implora para que ambos o ajudem, mas nisso o núcleo do computador danificado começa a dar sinais de vida consciente, baseado na personalidade de Fletcher, e ataca os três. Os alferes se dão conta de que criaram um borg de pobre com aquele treco, começando a absorver equipamento adicional e, embora Boimler e Mariner queiram chamar ajuda, Fletcher insiste em arrumarem um jeito de esconder a encrenca.

Tripulação de ponte na Cerritos

Fugindo de Badgey, Rutherford e Tendi percebem que os parâmetros do cenário em que estão também afetam Badgey, e Rutherford pede ao holodeck um cenário glacial, na esperança de congelar o maluco. Ele deixa Tendi se afastar e resolve atacar Badgey, conseguindo finalmente congelá-lo, no que os sistemas de energia da nave se estabilizam e o controle regular do holodeck é reestabelecido. Badgey reboota, e os alferes conseguem escapar.

Depois de darem um jeito em Fletcher, que não parava de propor asneiras para se livrar da responsabilidade, Boimler e Mariner conseguem arrastar a coisa até uma comporta de ar e mandá-la para fora da Cerritos. O núcleo flutua até a cabine de comando da nave drookmani, que continuava a jogar tralhas contra o escudo da Cerritos. Freeman finalmente decidira responder ao ataque, mas as armas da nave já estavam desativadas. Contudo, não demora muito e o borg de pobre que os alferes criaram danifica seriamente a nave drookmani, resolvendo o impasse.

Rutherford luta com Badgey

Ransom e um grupo de seguranças confrontam Fletcher, Mariner e Boimler, e Mariner inventa uma cascata elaborada o bastante para dar a Fletcher o crédito por ter salvado a nave usando o núcleo do computador como arma. Isso dá ao alferes uma promoção a tenente e uma transferência para a USS Titan, onde, menos de uma semana depois, Boimler e Mariner ficam sabendo que ele pisou na bola novamente e foi dispensado do serviço na Frota.

Comentários

Como inúmeras série modernas de animação, Lower Decks continua a expansão de seu elenco terciário com “Terminal Provocations”, ao nos ofertar dois personagens adicionais na trama do episódio. Começamos com o alferes Fletcher, sendo que esta não foi realmente a primeira aparição dele: como a série está sendo bem uniforme ao ilustrar personagens de fundo, Fletcher já havia dado as caras em vários episódios, o primeiro deles foi “Envoys”, tendo sido um dos tripulantes no bar ouvindo Boimler contar como Mariner teria sido uma tonta com o ferengi que encontraram.

Terminal Provocations title card

Aqui, ele estava no centro da trama com Boimler e Mariner, ao se mostrar um sujeito extremamente prestativo, mas também alguém bem liso em querer se desviar das consequências de seus atos. Em si, a trama foi simples: Fletcher cobre tarefa dos alferes, pisa na bola e sequência catastrófica de eventos segue daí. Um dos núcleos do computador desenvolve consciência — pois é claro que sim, sendo Jornada — e acaba por resolver o problema da Cerritos por tabela.

A temática geral sublinhada aqui foi que, embora Mariner dobre regulamentos ao bel prazer, ela tem consciência de certo e errado e o faz na medida que suas ações serão para benefício da tripulação, enquanto Fletcher quer usar essa prerrogativa somente para evitar as consequências das asneiras que provoca. Isso foi um comportamento sugerido no teaser, com Boimler comentando a respeito, mas aqui vemos as piores consequências desse tipo de ação. Também tivemos uma interação que claramente reforçou o vínculo entre Mariner e Boimler, com eles trabalhando juntos desde o início e reconhecendo um no outro os seus melhores valores.

Fletcher desmaiado no corredor

O final onde Mariner optou por provocar um Protocolo Freeman de chutar ele para cima foi uma maneira totalmente a cara dela de resolver a questão, sabendo que, com corda suficiente, Fletcher iria se enforcar, e pelo menos isso aconteceu longe deles, às custas da eficiência da tripulação do capitão William Riker. Isso mitiga um pouco o elemento “desenvolver elenco terciário”, considerando que ele saiu da Cerritos, mas a tripulação tem inúmeras opções adicionais também para mais desenvolvimento com eles. Ademais, ele saiu da nave, mas não da série.

Adicionalmente a isso, tivemos Badgey. Lower Decks tem sido bem contida e não apela para a muleta fácil da “referência cultural pop de fins do século 20 e início do 21”, pois, além de evitar ficar datada, nesse aspecto tem o luxo de ter suas próprias referências desse tipo ao fazer parte de Star Trek, afinal de contas. Quando a referenciação ocorre, como neste caso, é com o elemento sendo mais integrado ao contexto do universo de Jornada. É evidente que a inspiração principal a Badgey foi o infame “Clippy” criado pela Microsoft no final dos 1990 para ser o assistente no Microsoft Office, e, se Rutherford tivesse estudado desenvolvimento de software desta época, saberia que nada que prestasse resultaria daquilo.

Boimler e Mariner no Chu Chu

Paus no holodeck não são novidade, sendo que a primeira coisa que dá piripaque são as travas de segurança. O conceito foi introduzido na franquia praticamente com isso em mente, para termos nele situações diferentes em que os roteiristas podiam trabalhar. Aqui, Badgey já era bugado de largada, travando em barras de progresso o tempo todo e, ao termos a falha geral do holodeck, o primeiro instinto do troço já foi sair barbarizando.

Observar um psicótico emblema antropomórfico da Frota tocar o terror no holodeck foi divertido, e tivemos mais nuances da relação entre Rutherford e Tendi, para alegria dos shippeiros. Aqui, ele admite para Badgey (em essência para si mesmo) que foi prematuro usar o software antes de estar pronto apenas para impressionar Tendi, ao se oferecer para ajudá-la a superar a falta de habilidade com atividade extraveicular. No final, temos a dica de que Badgey pode se manter como uma incógnita nos meandros do holodeck. E imagino que o próximo projeto de Rutherford possa ser criar uma interface para o holodeck inspirado no Microsoft Bob. Embora o conceito em si do holodeck já seja meio um treco como o Bob de saída.

Borg de pobre captura Boimler e Mariner

Em uma nota adicional, vale dizer que ainda não tivemos nenhuma oportunidade com Tendi para ilustrar algum aspecto de sua descendência órion, exceto pela cena do holodeck no piloto. Claro, seis episódios não são tanto em um todo de uma série inteira, mas eventualmente será bem interessante ver elementos de sua cultura serem adicionados em alguma trama envolvendo a moça, pois, se não for esse o caso, é só como se tivéssemos uma humana pintada de verde ali.

A missão central foi interessante, mas com vários elementos que achei frustrantes. Freeman estava resistente demais a apelar logo para alguma demonstração de força. Apesar de os catadores de lixo terem algum mérito em sua reclamação sobre a carga, se ela desejava realmente movê-los para uma mesa de negociação a fim de ajustar o direito de recompensa deles a algo compatível com o equivalente do quadrante Alfa de leis marítimas, uma mão mais pesada teria sido necessária. Seja como for, isto tudo foi escrito da forma que foi para dar a Shaxs a sua impaciência e para provocar a situação a ser resolvida no clímax, é claro. E não terem elaborado mais sobre a natureza daquela carga me decepcionou um pouco no que diz respeito a mais referências, mas não é como se houvesse falta delas.

Boimler e Mariner arrastam o borg de pobre pelo corredor da Cerritos

De protagonistas com alguma importância na missão, tivemos apenas uma combinação dos tipos vistos em “Second Contact” e “Envoys”: Boimler e Mariner foram centrais apenas de modo acidental vindo de atividade tangente que não tinha nada a ver com os eventos na ponte, devido a uma encrenca que eles mesmos foram responsáveis em criar em primeiro lugar.

Tivemos alguns conceitozinhos adicionais divertidos inseridos aqui e ali pelo episódio. Revelarem que o turno Delta tem “equivalente babacas” do elenco principal foi uma forma engraçada de sugerir universo Espelho sem realmente apelar para o universo Espelho, e não ficou muito claro do que se tratava exatamente a dança do Chu Chu, mas deu a impressão de ser algo forte na cultura federada em fins do século 24, com as Irmãs Zebulon sendo alguma duplinha pop prestando serviços para a Frota equivalentes aos que a USO (United Service Organizations) faz nos dias de hoje para as forças dos EUA. Elementos como esse sempre são bons para não dar aquela impressão de que o pessoal no futuro só escuta música do século 19 para trás.

Festa de promoção de Fletcher na Cerritos

No todo, um episódio com bons momentos isolados, mas que, no seu resultado final geral, acabou sendo apenas mediano, quando muito.

Avaliação

Citações

“You want to goof around? Go work on Starbase 80.”
(Você quer ficar zoando por aí? Vai trabalhar na Base Estelar 80.)
T’Ana para Mariner

“You break rules all the time.”
“Only dumb rules that shouldn’t be there so I can do a better job — I would never put anyone in danger. Except sometimes maybe Boimler.”

(Você quebra regras o tempo todo.)
(Só regras bestas que não deviam existir para eu conseguir fazer um trabalho melhor — eu nunca colocaria ninguém em perigo. Exceto algumas vezes talvez Boimler.)
Fletcher e Mariner

“Please, please let me shoot their warp core. I have been very good this month.”
(Por favor, por favor, me deixe disparar no núcleo de dobra deles. Eu tenho estado bem comportado este mês.)
Shaxs para Freeman

“After I gut you, I’m gonna slit your little green friend’s throat and take a bath in her blood.”
(Depois de degolar você, eu vou cortar a garganta da sua amiguinha verde e me banhar em seu sangue!)
Badgey para Rutherford

“It’s like, who says you’re not supposed to empty trash into the warp core? It all burns up anyway.”
(É tipo, quem disse que não se deve tacar lixo no núcleo de dobra? Vai queimar tudo mesmo.)
Fletcher para Boimler e Mariner

Trivia

  • Para Fletcher realizar o seu “feito” de comer purê direto do replicador, este é mostrado replicando o purê como uma torrente, em vez de uma travessa pronta do produto como normalmente é feito.
  • Mariner usa o alojamento A12001 e Boimler usa o A12003, e vimos que o turno Delta usa alojamentos iniciando com A13. Ou seja, por mais deques inferiores que sejam, pelo menos cada um deles tem seu próprio alojamento e não usam o conceito de “cama-quente” de submarinos, com revezamento do mesmo local para dormir.
  • J.G. Hertzler, que aqui faz a voz do capitão drookmani, é mais conhecido como o ator que interpreta o general Martok, em Deep Space Nine.
  • Não foi explicitamente dito no episódio, mas o cargueiro federado destruído era uma variante da classe Antares sem tripulação, com operação automatizada.
  • A promoção de Fletcher foi para tenente direto, pulando a graduação de tenente júnior, tal qual foi a de Mariner em “Moist Vessel”.
  • Você pode conferir todas as referências e easter eggs do episódio neste artigo de Maria-Lucia Racz no Trek Brasilis.

Ficha Técnica

Escrito por John Cochran
Dirigido por Bob Suarez

Exibido em 10 de setembro de 2020

Elenco

Tawny Newsome como Beckett Mariner
Jack Quaid como Brad Boimler
Noël Wells como D’Vana Tendi
Eugene Cordero como Sam Rutherford
Dawnn Lewis como Carol Freeman
Jerry O’Connell como Jack Ransom
Fred Tatasciore como Shaxs
Gillian Vigman como T’Ana

Elenco convidado

Jack McBrayer como Badgey
Tim Robinson como alferes Fletcher
J.G. Hertzler como capitão drookmani
Artemis Pebdani como alferes Karavitus
Asif Ali como alferes do turno Delta

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