DS9 2×06: Melora

Episódio não consegue explorar bem tema pela falta de química e sutileza

Sinopse

Data Estelar: 47229.1.

Bashir dita o seu diário, no qual informa os preparativos para a chegada de uma nova cartógrafa estelar, alferes Melora Pazlar. Ela é elaysiana (a primeira na Frota) e, devido à baixa gravidade do seu planeta natal, comporta-se de modo similar a uma pessoa tetraplégica em um ambiente de gravidade padrão da Federação.

Devido à incompatibilidade técnica da tecnologia antigravitacional da Federação com a tecnologia cardassiana, Bashir fabrica e modifica uma cadeira de rodas e adiciona rampas de acesso em lugares estratégicos da estação, de forma a facilitar a vida da alferes.

O médico está claramente entusiasmado com a chegada da alferes e, no caminho para a escotilha de ar, diz a Dax que Melora não aceita (desde os seus dias na academia) nenhum tratamento especial, como, por exemplo, usar o teletransporte, de forma a facilitar a sua locomoção. Os aposentos dela também foram modificados de forma a permitir o desligamento do sistema de gravidade artificial.

Bashir e Dax chegam à escotilha de ar e encontram Melora vestindo (sobre o uniforme) uma espécie de exoesqueleto metálico (que facilita a sua locomoção) e uma bengala de madeira. Ela mal os cumprimenta, agradece a cadeira, comenta sobre as modificações feitas nela e dispensa a presença de Dax para acompanhá-la em uma próxima missão com um explorador no Quadrante Gama, apesar de esta ser uma designação de Sisko. Bashir e Dax a acompanham até os seus aposentos e ela se tranca neles, despedindo-se bruscamente.

No bar de Quark, um alienígena de nome Fallit Kot, interrompe uma negociação do ferengi com um também alienígena Ashrock, para graciosamente informar que veio matá-lo. Quark não vê Kot faz oito anos e, aparentemente, existem negócios inacabados entre eles.

Sisko, Dax, Bashir e Melora (que chega após o início da conversa) discutem sobre a possibilidade de a alferes ser enviada sozinha na missão com o explorador. Melora se comporta de forma extremamente defensiva, chegando a extremos como dizer ao comandante “… ninguém pode entender até sentar naquela cadeira”. Claramente, ela prefere trabalhar sozinha, mas Sisko mantém a decisão de enviar Dax e Melora juntas na missão.

Bashir faz uma visita à alferes e, intrigado, pergunta quem é o homem com ela em uma foto. Ela ignora a pergunta e pede desculpas por seu  comportamento prévio. Ele comenta que ela tem essa atitude defensiva com todos e a convida para jantar e, depois de alguma boa conversa, ela aceita ir com ele ao novo restaurante klingon no Promenade.

Quark tenta “amaciar” Kot, mas com resultados incompletos. Kot brinda a “velhos débitos” e olha direto para Quark.

No restaurante klingon, uma surpreendente Melora pede que o “chef” troque o prato, falando em klingon. Bashir conta como tomou a decisão aos dez anos de que iria se tornar um médico e sobre sua carreira abortada no tênis. Ela diz que se divertiu muito.

Dax vai procurar Melora na manhã seguinte e não a encontra em seus aposentos. Ela finalmente a encontra em um corredor próximo a uma área de armazenagem. A alferes havia caído da cadeira e não conseguia se levantar. Dax a leva para a enfermaria e Bashir trata dela. Depois, os dois discutem sobre a interdependência do pessoal na estação.

Bashir fala em uma rudimentar tecnologia surgida 30 anos antes que visava a adaptação de espécies de baixa gravidade a ambientes como os da Frota Estelar (naquela época sem muito êxito). Se tal tratamento vier a funcionar, ela poderá abandonar completamente a cadeira de rodas, ou equivalente. Ela o convida a entrar em seus aposentos, desliga a gravidade artificial e os dois começam a flutuar. Melora diz que o homem na foto é seu irmão e os dois se beijam, flutuando em pleno ar.

Finalmente, Melora e Dax partem em missão com o explorador ao Quadrante Gama e discutem a bordo o importante tópico “romance na Frota Estelar”.

Quark vai até o escritório de Odo pedir proteção. O comissário diz que já sabe da presença de Kot na estação e que ele e o ferengi estiveram envolvidos em um roubo de um suprimento de cerveja romulana oito anos antes e que Quark só não foi preso também por que vendeu o seu cúmplice. Quark, obviamente, nega tudo. Quando ele diz que Kot pretende matá-lo, Odo faz graça.

Bashir diz a Melora que ele andou trabalhando naquela antiga tecnologia que havia mencionado e, aparentemente, ele pode obter resultados práticos com ela.

Odo avisa Kot que não permitirá nenhum tipo de violência contra Quark. Ele lhe responde que o que passou, passou. Depois, Odo diz a Quark que não tem razão legal para prender Kot, mas ficará de olho nele. O comissário dá um comunicador ao ferengi e pede que o chame se houver sinal de algum problema.

Bashir ministra o primeiro tratamento em Melora e ela já consegue andar com apenas o auxílio da bengala naquele mesmo dia. Quando o efeito do tratamento começa a passar, ele a leva para os seus aposentos. O médico informa que ela não deve mais desligar a gravidade pois irá confundir o seu sistema motor. Quando ele vai embora, Melora percebe o quanto já sente saudade de voar.

Quark chega aos seus aposentos e, antes que possa chamar por ajuda, é pego em um estrangulamento por Kot. Quark oferece 199 barras de ouro paralatinum por sua vida. Kot fica interessado.

Após completar mais uma sessão do tratamento, Melora pergunta a Bashir a partir de que momento os efeitos serão irreversíveis. Ele diz que, dentro de mais alguns dias, ela estará totalmente adaptada a um ambiente com gravidade padrão da Federação. Bashir sente que ela está em dúvida se deve realmente ir até o fim com o tratamento.

De volta ao explorador, Melora conversa com Dax sobre a perspectiva de ganhar total independência com o tratamento, porém se tornar uma estranha entre os de sua espécie.

Ashrock retorna à estação com o latinum para comprar os aneis de Quark como combinado e se encontra na escotilha de ar com o ferengi e Kot, que fica com o latinum. No entanto, em um movimento não combinado, este decide ficar com os aneis também. Instaura-se uma confusão e Kot acaba arrastando Quark para outra escotilha de ar, que vem a ser a mesma escotilha por onde estão entrando Melora e Dax, vindas de sua missão.

Kot faz com que as duas voltem ao explorador, juntamente com Quark. Quando Dax é forçada a tentar fazer a nave partir, Sisko aciona um raio trator e os prende. Quando Sisko tenta abrir negociações com Kot, ele atira em Melora, que cai sem vida. O comandante parte com Bashir e O’Brien no Rio Grande e, logo após, libera o outro explorador.

O Rio Grande atravessa a fenda espacial atrás do explorador roubado. No interior deste, Melora recupera a consciência e desativa o sistema de gravidade artificial, conseguindo, com sua habilidade na ausência de gravidade, pôr Kot fora de combate. Bashir e Sisko se transportam para encontrar Quark mirando um feiser em Kot.

De volta à estação, no restaurante klingon, Melora pergunta a Bashir por que o tiro feiser não a matou. Ele responde que, provavelmente, foi um efeito colateral do seu tratamento. Melora agora está decidida a desistir do tratamento por completo. Bashir está um pouco desapontado. Ela lhe diz que a independência custaria a sua alienação em relação aos de sua espécie, em especial aos de sua família. Melora o agradece por tê-la ajudado a abrir a porta dos seus aposentos e permitir alguém em sua vida.

Comentários

E, para os que estavam pensando que “Invasive Procedures” havia sido um “tombo”, pensem de novo. “Melora” é o ponto mais baixo desta segunda temporada de Deep Space Nine e um dos mais baixos da história da televisão.

O episódio coloca em sua trama principal dois dos pontos mais criticados (com propriedade) da história de Jornada: a total falta de sutileza e espaço para reflexão do espectador, de uma típica “mensagem trekker da semana” e a arbitrariedade e a total falta de química de mais um “relacionamento trekker da semana”.

Tudo aqui é executado com a sutileza de um estouro de rinocerontes: os comentários iniciais de todos sobre a brava jornada por independência de Melora; um ENORME monólogo da alferes (no escritório de Sisko) sobre os motivos que a fizeram deixar sua terra natal e conhecer o universo; ela tomando por ofensa e “pena” qualquer oferta de ajuda; sua aproximação com Bashir, que, de tão rápida e tão inconsistente com o que fora estabelecido, momentos antes, sobre a personagem, chega a ser engraçada; a forma como o médico acaba “tirando do bolso” um tratamento que poderá fazê-la andar em um ambiente de gravidade normal, uma ideia que é dramaticamente muito óbvia e que não oferece nenhum insight interessante sobre a personagem; uma PAVOROSA discussão sobre relacionamentos entre Melora e Dax no explorador e a patética cena final em que (por essencialmente razão alguma),  ela chega à “brilhante conclusão” que ninguém é de fato totalmente independente, PELO AMOR DE DEUS!

Ao menos (PELO MENOS ISSO), a história reconhece que o tratamento acabaria por tornar Melora uma estranha entre os seus pares e, além disso, acaba por dar uma escolha a ela. Mas a cena em que ela toma essa decisão, no explorador, com Dax, com direito a um estabelecimento de paralelos com a história da “Pequena Sereia” é VERGONHOSA. Chega a dar pena da ótima Terry Farrell tentando salvar as cenas.

Quanto à trama secundária envolvendo Quark e um antigo “parceiro de negócios”, palavras como “óbvia” e “mecânica” vêm rapidamente à cabeça. A única coisa que se pode recomendar são as cenas com Odo, em especial uma em que ele faz um sorriso “todo especial” quando Quark o informa que Kot planeja matá-lo e, em outra, na qual Odo promete comprar um pedaço de Quark se o pior vier a acontecer com o ferengi. E, como era esperado, os acontecimentos de “Invasive Procedures” não tiveram nenhum impacto no status de Quark na estação.

Foi interessante conhecer alguns pequenos detalhes sobre o passado de Bashir (o único personagem regular realmente enfocado no episódio), mas a claudicante atuação de El Fadil não conseguiu vender as cenas (românticas ou não) com Melora.

Abundam problemas de trama:

Melora deveria se sentir em casa em um ambiente com uma gravidade em que ela pudesse andar normalmente, não em um em que ela pudesse voar;

Bashir (um oficial da Frota Estelar) não deveria sentir nenhum tipo de “senso de novidade” com uma experiência em “Zero-G”.

A forma risível e arbitrária de como as duas tramas (TOTALMENTE NÃO-RELACIONADAS) do episódio se conectam ao final, pra cumprir a tabela da falsa encrenca;

O horroroso Deus-ex-machina no final, que faz Melora “à prova de feiser” como um “efeito colateral” do tratamento;

A forma “esperta” (para não dizer o contrário) de como Melora consegue pôr Kot a nocaute no explorador, sem gravidade, ao final do episódio;

E, para terminar este martírio:

A direção de Kolbe é falha, para dizer o mínimo. Em particular as três cenas a bordo do Orinoco são vergonhosas de se assistir. As partes envolvendo falta de gravidade tiveram uma execução MUITO ruim.

O elenco regular esteve em sua maior parte pouco inspirado. Farrell sofreu um bocado com o péssimo material, Auberjonois foi o destaque, apesar do mínimo tempo de tela e El Fadil parecia estar com o botão de liga/desliga solto, pois, às vezes, parecia estar focado no episódio, enquanto em outras aparentava estar totalmente alheio a este.

Ashbrook fez o que pôde com o material recebido. Um ator deveria receber dobrado para reproduzir falas como, “ninguém pode entender até sentar naquela cadeira” e outras similares. Seu melhor momento, e também o melhor momento do episódio, foi a primeira conversa de Melora com o “chef klingon”. Os demais atores convidados foram medonhos, parecia novela mexicana de baixo orçamento.

A explicação para a utilização de uma cadeira de rodas convencional e não utilização dos transportes por parte de Melora, foi “OK”, mas, DE NOVO, contribuiu para a falta de classe do episódio.

Aparentemente, tivemos algum problema de edição (pelo menos) ao final do episódio, em que os diálogos parecem acabar, a letra da canção klingon também e os personagens Melora e Bashir ficam lá olhando um para o outro. Ele parece um completo zumbi nessa cena final. PAVOROSO!

“Melora” é uma ABOMINAÇÃO, absolutamente NADA se salva, que mistura duas das maiores pragas continuadas da história de Jornada, com uma execução bizarra, inúmeras situações embaraçosas de se assistir e mais furos de roteiro do que um queijo suíço de boa qualidade. Em resumo: medonho.

Avaliação

Citações

“Am I missing a choice here, Fallit?”
(Eu estou esquecendo uma escolha, Fallit?)
Quark

“There’s nothing worse than half-dead rakht.”
(Não há nada pior do que rakht semi-morto.)
Melora

Trivia

  • Era intenção inicial dos criadores da série, Rick Berman e Michael Piller, ter um personagem regular com exatamente as mesmas características da alferes Melora, mas considerações de ordem prática eliminaram completamente essa ideia. Mas, apesar de tudo, resolveram fazer um episódio solo com um personagem desse tipo.
  • O escritor da história deste episódio, Evan Carlos Somers, é um paraplégico que utiliza uma cadeira de rodas.
  • As cenas em que Bashir e Melora flutuam foram feitas com auxílio de cabos, que foram removidos da imagem posteriormente, na pós-produção.

Ficha Técnica

História de Evan Carlos Somers
Roteiro de  Evan Carlos Somers, Steven Baum e Michael Piller & James Crocker
Dirigido por Winrich Kolbe

Exibido em 01/11/1993

Elenco

Avery Brooks como Benjamin Lafayette Sisko
René Auberjonois como Odo
Nana Visitor como Kira Nerys
Colm Meaney como Miles Edward O’Brien
Siddig El Fadil como Julian Subatoi Bashir
Armin Shimerman como Quark
Terry Farrell como Jadzia Dax
Cirroc Lofton como Jake Sisko

Elenco convidado

Daphne Ashbrook como alferes Melora Pazlar
Peter Crombie como Fallit Kot
Don Stark como Ashrock
Ron Taylor como o “chef klingon”

Enquete

Edição de Muryllo Von Grol
Revisão de Nívea Doria

Episódio anterior | Próximo episódio

Be the first to comment on "DS9 2×06: Melora"

Leave a comment

Your email address will not be published.


*