DSC 3×08: The Sanctuary

Visita a planeta de Book revela trama simplória em galáxia sem lei

Sinopse

O doutor Culber investiga a condição médica de Georgiou, cada vez mais instável. Book recebeu uma mensagem de seu irmão. Kwejian, seu planeta natal, está em perigo. Vance autoriza a Discovery a ajudar, mas de forma limitada, evitando confrontar a Corrente Esmeralda.

No laboratório da engenharia, um avanço: a Queima deve ter partido da nebulosa Verubin. Um sinal de áudio está sendo transmitido de lá: a mesma música tocada pela família barzan na nave-semente e por Gray. Codificada junto, uma mensagem de socorro da Federação.

A Discovery salta para Kwejian. Bunrham e Book descem ao planeta e são rendidos pelo irmão dele. Era tudo parte de uma armadilha da Corrente Esmeralda para capturar Ryn, o andoriano. Osyraa faz suas exigências ao capitão Saru. Ryn não quer revelar por que ela deseja recapturá-lo.

Saru não pode atacar diretamente, mas ordena Detmer e Ryn a usarem a nave de Book. A ação é um sucesso, mas obviamente não livra a Federação da responsabilidade. Osyraa parte, prometendo vingança.

No planeta, Book e seu irmão usam seus poderes empáticos para combater a praga dos gafanhotos. A Discovery amplifica o sinal deles, para dar fim à crise ambiental.

Enquanto isso, Stamets e Culber se entrosam com Adira, que se revela não binárie. Ryn revela a Tilly que a Corrente Esmeralda está ficando sem dilítio. E Book diz a Burnham que deseja continuar na Discovery e servir à Federação.

Comentários

“The Sanctuary” tenta ser uma aventura “solo” ao mesmo tempo em que se entrelaça com diversas tramas que avançam ao longo da temporada. Apesar de trazer lampejos interessantes, acaba abraçando mais do que consegue sustentar, e o resultado é aquele que possivelmente é o mais fraco episódio deste sólido terceiro ano.

O foco principal, evidentemente, é a visita a Kwejian, o planeta de Cleveland Booker. A trama é simplória: aquele mundo enfrenta uma praga ambiental, e a Federação desapareceu. A Corrente Esmeralda foi o que restou, e ela oferece uma solução a um “preço”: a subserviência do povo de Book e seus transvermes, criaturas que podem ser dóceis, mas também são capazes de colocar em transe suas presas, para devorá-las com mais facilidade. Agora, Osyraa quer de volta Ryn, o andoriano resgatado por Book. Para isso, decide ameaçar seu planeta.

É um retrato fiel e interessante de como o poder paralelo tende a tomar conta de uma região, e a que preço, se o poder oficial não se faz presente. A Corrente Esmeralda, aprendemos aqui, não passa de uma milícia rasteira, mas poderosa. O ângulo trazido para a trama é interessante. Mas não disfarça a falta de elementos mais envolventes para esta história. E nada exemplifica isso melhor do que a ação da Discovery durante a crise: primeiro mandando Detmer bancar a rebelde com a nave de Book, depois simplesmente amplificando o sinal eletromagnético dos poderes empáticos de Book e seu irmão (o que, se a gente para e pensa, é algo muito mais simples de dizer que de fazer).

O enredo é tão ralo que é inevitável acharmos mais interessante o tempo que passamos na Discovery, em contraposição ao que acontece no planeta. E lá temos apenas um arrazoado de penduricalhos, com sabor de “um dia na vida da nave”.

Duas dessas linhas são basicamente esforços para manter a audiência ligada nos arcos maiores da temporada. Na primeira delas, reforça-se a noção de que algo está muito errado com a imperatriz Georgiou, e, na segunda, aprendemos onde começou a Queima, a misteriosa nebulosa Verubin, e que há um sinal emanando de lá, além da transmissão da música enigmática da temporada, já ouvida na nave-semente e no violoncelo de Adira.

Ambos são desenvolvimentos interessantes (mais a parte da Queima que a de Georgiou), mas sua função aqui é menos fazer as coisas andarem e mais dizer “não se esqueçam disso, ainda vamos tratar deste tema mais adiante”. Acaba sendo pouco satisfatório.

Em paralelo, vemos Saru e sua primeira oficial interina, Tilly, tratando dos assuntos da nave, dentre eles a escolha de um “bordão” para o novo capitão – algo que até é divertido, mas soa quase como uma paródia. A mesma coisa foi vista en passant na primeira temporada de Lower Decks, mas lá, pelo tom de comédia, a coisa se assentou melhor. Aqui, é uma escolha mais controversa.

O melhor trabalho do episódio vem com Adira, e a relação delu (recém-revelade como não binárie) com Stamets e Culber. De forma muito gentil e empática, a série vai construindo aqui um núcleo familiar harmônico, com os personagens todos se assentando em um relacionamento confortável de confiança e apoio mútuo. É uma versão moderna e com uma bem-vinda vibe LGBTQI+ do que tivemos com núcleos familiares em Deep Space Nine, nos alojamentos dos O’Briens e na relação entre Ben Sisko e seu filho Jake. Uma excelente adição, feita com muita sensibilidade. E Blu del Barrio segue excelente no papel.

Por falar em relacionamentos, outro que parece ir se alinhando muito bem é o de Burnham e Book. Eles formam uma boa dupla e mostram isso mais uma vez neste episódio. Uma das coisas que “The Sanctuary” fez de forma muito bem feita foi preservar o protagonismo de Michael sem precisar escantear os demais personagens. Ela claramente está no banco do passageiro para esta aventura, numa terra estranha a ela, enquanto Book se sente em casa. A fórmula lembra muito a do primeiro episódio deste terceiro ano, “That Hope Is You, Part 1”. Funcionou lá, funcionou aqui.

Com um pé em cada lado do episódio, a sequência de Detmer com Ryn na nave de Book também é bem divertida, com um inegável sabor de Star Wars. Não é costumeiro vermos isso em Star Trek, onde as grandes naves estelares emulam mais batalhas navais que dogfights, mas, com a nave de Book, tudo faz sentido. E é sempre bom ver Discovery flexionando os músculos em termos da paleta estilística que tem à disposição (vem à mente o faroeste de “Far From Home” como outro bom exemplo disso).

E, no fim das contas, este episódio estabelece que a Corrente Esmeralda tende a ser um vilão recorrente, com a revelação de Ryn de que eles estão ficando sem dilítio e a sensação de que a Discovery, pouco a pouco, está estimulando a Federação a reocupar seu lugar na galáxia como uma entidade galáctica capaz de proteger mundos ameaçados com uma rede de proteção mútua – algo que parecia estar fazendo muito timidamente desde a tragédia da Queima.

Avaliação

Citações

“Discovery saved my planet from something that had us for a century. What you’ve done– what the Federation’s done– for us, for other worlds like ours… I want in. I want what means something.”
(A Discovery salvou meu planeta de algo que nos deteve por um século. O que vocês fizeram – o que a Federação fez – por nós, por outros mundos como o nosso… Quero fazer parte disso. Quero algo que tenha significado.)
Cleveland Booker

Trivia

  • “The Sanctuary” foi o segundo episódio nesta temporada a ser dirigido por Jonathan Frakes, depois de “People of Earth”.
  • Os corredores transdobra são mencionados neste episódio. Eles originalmente eram usados pelos borgs, no século 24.
  • A amplificação do sinal empático de Book e seu irmão evoca o que a Discovery fez em “The Sound of Thunder”. Mas aqui sem a ajuda dos pilares de Kaminar.
  • Osyraa é interpretada por Janet Kidder, sobrinha da atriz Margot Kidder, que fez a Lois Lane nos filmes do Superman estrelados por Christopher Reeve.
  • No começo do episódio, Osyraa segura uma insígnia antiga da Frota Estelar. Modelo igual foi visto na primeira temporada de Star Trek: Picard.
  • Nos flashbacks de Georgiou, ela parece lamentar a perda de uma pessoa chamada San. O personagem aparece num dos romances da série, Die Trying.
  • Detmer usa aqui um controle manual para pilotar a nave de Book. Algo parecido aconteceu em Jornada nas Estrelas: Insurreição, com William Riker.
  • A batalha espacial evoca filmagens de dogfights, combates aéreos em proximidade, que se tornaram populares na cinessérie Star Wars.
  • Segundo Erin Macdonald, consultora científica da série, a nebulosa Verubin ganhou este nome em homenagem à astrofísica Vera Rubin (1928-2016).
  • Confira mais curiosidades e easter eggs deste episódio, em artigo de Maria-Lucia Racz, clicando aqui.

Ficha Técnica

Escrito por Kenneth Lin & Brandon A. Schultz
Dirigido por Jonathan Frakes

Exibido em 3 de dezembro de 2020

Título em português: “O Santuário”

Elenco

Sonequa Martin-Green como Michael Burnham
Doug Jones como Saru
Anthony Rapp como Paul Stamets
Mary Wiseman como Sylvia Tilly
Wilson Cruz como Hugh Culber
David Ajala como Cleveland “Book” Booker
Michelle Yeoh como Philippa Georgiou

Elenco convidado

Oded Fehr como Charles Vance
Noah Averbach-Katz como Ryn
Blu del Barrio como Adira Tal
Ache Hernandez como Kyheem
Janet Kidder como Osyraa
Ian Lake como Tolor
Emily Coutts como Keyla Detmer
Patrick Kwok-Choon como Gen Rhys
Oyin Oladejo como Joann Owosekun
Ronnie Rowe Jr. como R.A. Bryce
Sara Mitich como Nilsson
Ross Carter como Haj
Raven Dauda como Tracy Pollard
Luca Doulgeris como Leto
Fabio Tassone como computador da nave de Book
David Benjamin Tomlinson como Linus
Jhaleil Swaby como San

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