VOY 2×05: Non Sequitur

Harry Kim e Tom Paris se beneficiam de uma providencial volta à Terra

Sinopse

Data estelar: 49011.0

O alferes Harry Kim acorda em São Francisco, na Terra. Embora sua memória dos eventos ocorridos em Voyager até esta data estejam intactas, a realidade à sua volta indica que ele nunca se apresentou para servir a bordo da USS Voyager e, logo, não está preso no Quadrante Delta.

Em vez disso, Kim trabalha como especialista em design para a divisão de engenharia da Frota Estelar e está para casar com sua antiga namorada, Libby. Checando os bancos de dados da Federação, Harry descobre que, além dele, Tom Paris também não embarcou na Voyager e vai à procura do parceiro (que obviamente não o conhece nessa realidade alternativa).

Porém, ao fazer isso, Kim é apontado como suspeito de ser um espião maqui, agindo em parceria com Paris. Além de tentar provar sua inocência, Harry Kim procura uma maneira de voltar para sua própria realidade.

Harry Kim e Cosimo

Durante essa investigação, Kim descobre que o padeiro Cosimo na verdade, é um alienígena, responsável pela anomalia que causou as mudanças no espaço-tempo e o consequente envio de Kim à Terra. Cosimo explica que está lá para acompanhar a adaptação do alferes à nova vida, mas Harry se recusa a aceitar a nova realidade.

Disposto a restaurar os eventos originais e de posse de informações dadas por Cosimo, ele e Tom Paris roubam um explorador e voltam à anomalia, onde conseguem restaurar a linha do tempo original, devolvendo os dois à Voyager.

Comentários

“Non Sequitur” mostra como é bom estar de volta à Terra. O episódio não só ganha força por mostrar um pouco mais da personalidade de Harry Kim, como tira muito de seu carisma por ofertar ao telespectador uma visita à San Francisco do século 24.

Non Sequitur title card

Não que seja um verdadeiro tour da Terra do futuro, mas, só pela paisagem da janela de Kim, já vale a visita. O reaproveitamento de cenas do quartel-general da Frota Estelar e da ponte Golden Gate, ambas tiradas de trechos dos filmes de Jornada para o cinema, também aumentam o valor nostálgico de se estar de volta ao lar.

Sentimentos de “revival” à parte, ninguém escreve um episódio ambientado na Terra com um dos personagens principais no planeta em uma série em que todos supostamente deveriam estar isolados do outro lado da Via Láctea e sai impune. Como penalidade, a história precisa ser recheada com tecnobaboseira.

Só esse método pode explicar a ida do pobre Harry Kim à Terra, as mudanças históricas decorrentes dessa viagem e o meio que o alferes possui para voltar à realidade de onde veio, contrariando todas as probabilidades. Nenhum deles pareceu totalmente convincente, mas a interessante premissa do episódio perdoa quaisquer desculpas que tiveram de ser inventadas no caminho.

Embora a história seja quase 100% Harry Kim, a mensagem que fica é a do sentimento de família que está se formando a bordo da Voyager. Mesmo estando de volta à Terra, com um bom emprego e uma boa mulher, Kim decide arriscar tudo para tentar voltar à realidade à qual ele pertence, mesmo sabendo que as chances de sucesso são mínimas. Tudo para dar uma chance a Tom Paris de se redimir, voltando a fazer parte da tripulação da Voyager e retornar ao lugar onde o alferes deveria estar, mesmo sendo a 70 mil anos-luz de casa.

Aliás, Paris ganha um destaque especial nesse episódio — com um insight até maior que o de Kim no quesito “vida que poderia ter tido e não teve”. O conflito entre os dois amigos no bar em Marselha é memorável — um dos diálogos mais cortantes da série e uma rara oportunidade de ver dois personagens principais em conflito. Grande atuação de Garrett Wang e, especialmente, de Robert Duncan McNeill.

A redenção do Paris alternativo, que decide ajudar Kim mesmo depois do quebra-pau entre os dois, é pouco convincente, mas bastante eficiente em termos de dar alguma emoção à história. A fuga dos dois com o explorador é a sequência “adrenalina” do segmento e cumpre sua função enquanto tal.

Tom Paris e Harry Kim

Por fim, a introdução do elemento alienígena do episódio, trazida à tona pelo personagem Cosimo — um extraterrestre que se faz passar por um padeiro italiano só para poder ver a adaptação de Harry Kim às mudanças no espaço-tempo — é bem executada, não porque a história que ele conte seja verossímil, mas pela simpatia e pelo carisma do personagem. É impossível imaginar que haja alguma intenção hostil partindo dele.

Por todas essas razões e apesar dos tropeços, “Non Sequitur” acaba se firmando como um dos bons segmentos da segunda temporada de Voyager, não só pelo grau de entretenimento que proporciona, mas pela oportunidade, rara na série, de oferecer aos personagens a chance de evoluírem. Os beneficiados da vez foram Paris e Kim.

Avaliação

Citações

“Harry, you better be dying.”
(Harry, é melhor estar morrendo.)
Lasca

“Why does everyone say ‘relax’ when they’re about to do something terrible?”
(Por que todo mundo diz ‘relaxa’ quando estão prestes a fazer algo terrível?)
Kim

Trivia

  • Em uma medida de contenção de custos, uma cena do episódio “Relics” da Nova Geração foi reutilizada. Repare que, quando Tom Paris e Harry Kim fogem a bordo de um explorador (“runabout“), eles passam pelo portal da Esfera Dyson de “Relics”, que aqui é utilizada como porta da doca espacial da Frota.
  • O ator Jack Shearer, que aqui interpreta o almirante Strickler, apareceu em “Jornada nas Estrelas – Primeiro Contato” como o almirante Hayes. Esse mesmo personagem (Hayes) esteve presente nos episódios “Hope and Fear” e “Life Line”, de Voyager. Shearer também participou dos episódios de Deep Space Nine “The Forsaken”, como o embaixador Vadosia, e “Visionary”, como Ruwon. Jack Shearer é veterano da televisão americana, e além de Jornada, já fez participações em séries como Seinfeld, Murphy Brown, Mad About You, O Desafio, Ally McBeal e Arquivo-X.
  • Repare em uma cena em que Harry Kim acessa sua ficha de serviço. Lá, consta que o nome do alferes é Harry S. L. Kim. Nunca foi revelado o que esse “S. L.” quer dizer, mas Garrett Wang, o ator que interpreta Kim, sugeriu que fosse algo como “Sexy Lips“…

Ficha Técnica

Escrito por Brannon Braga
Dirigido por David Livingston

Exibido em 25 de setembro de 1995

Título em português: “Non Sequitur”

Elenco

Kate Mulgrew como Kathryn Janeway
Robert Beltran como Chakotay
Roxann Biggs-Dawson como B’Elanna Torres
Robert Duncan McNeill como Tom Paris
Jennifer Lien como Kes
Ethan Phillips como Neelix
Robert Picardo como Doutor
Tim Russ como Tuvok
Garret Wang como Harry Kim

Elenco convidado

Louis Giambalvo como Cosimo
Jennifer Gatti como Libby
Jack Shearer como almirante Strickler
Mark Kiely como tenente Lasca

Enquete

Edição de Stéphanie Cristina
Revisão de Nívea Doria

Episódio anterior | Próximo episódio