VOY 2×06: Twisted

História totalmente sem inspiração faz tripulantes de bobos a bordo da Voyager

Sinopse

Data estelar: desconhecida

A Voyager encontra uma estranha onda de distorção espacial que desativa seus sistemas primários, incluindo comunicações e motores de dobra. Além disso, a anomalia parece alterar a estrutura da nave. Como resultado, a capitão não consegue chegar à ponte, B’Elanna não encontra o caminho para a engenharia e os demais tripulantes ficam confusos e frustrados.

Ao localizar alguns membros de sua tripulação, Janeway convoca uma reunião no holodeck a fim de discutir a situação. Tom e B’Elanna juntam-se para encontrar a engenharia; Chakotay, Neelix, Harry e a capitão tentam chegar à ponte. Enquanto isso, Kes e o Doutor aguardam no programa ativo do holodeck. Tom e B’Elanna alcançam seu objetivo, mas os outros não têm a mesma sorte. Chakotay encontra Tuvok, mas perde Neelix. Janeway quase é engolida para a anomalia por uma estranha força magnética.

Kim a socorre e a leva de volta para o Doutor no holodeck, onde a capitão fica inconsciente. O fenômeno continua a distorcer a nave, e Tuvok estima que a destruição ocorrerá em menos de uma hora.

Chakotay assume o comando, já que Janeway está incapacitada. B’Elanna, então, tenta um pulso no reator de dobra para salvar a Voyager, mas, ao invés de dispersar o anel que os envolve, acelera e intensifica sua atuação. Dadas as circunstâncias, Tuvok aconselha seus colegas a deixarem a anomalia se manifestar naturalmente. Sem opções adicionais, os oficiais têm de enfrentar o destino passivamente.

Depois que a nave é totalmente tomada, tudo volta misteriosamente ao normal e descobre-se que a anomalia era uma forma de vida tentando se comunicar. Ela absorveu várias informações no computador de Voyager e deixou outras tantas lá, em um intercâmbio de conhecimento.

Comentários

Falta de inspiração — trocando em miúdos, essa é a tônica de “Twisted”.

Um episódio se equilibra em duas bases — uma boa história e a boa interação entre os personagens. Os melhores são aqueles que conseguem combinar os dois elementos de forma equilibrada. Em “Twisted”, os roteiristas apostaram todas as suas fichas nos personagens — e perderam feio.

Os diálogos até que seguram a atenção até o primeiro bloco. Uma cena engraçadinha aqui, outra ali, Neelix se mordendo de ciúmes, oficiais perdidos, e por aí vai. Mas, quando o fenômeno se repete, ato após ato, nada interessante acontece e a história não se desenrola, o telespectador começa a sentir que está sendo enganado. Ao fim de 45 minutos, ele se arrepende de ter assistido ao episódio.

Isso prova uma coisa: é impossível sustentar um episódio em bases tão pouco sólidas. A história é tão frágil que, no fim, a solução para o dilema é simplesmente ficar parado assistindo a anomalia espacial tomar conta de toda a nave! É ridículo!

Não que exista um problema em reconhecer que existem situações contra as quais não se pode lutar. Muito pelo contrário, é um conceito extremamente salutar — mas não da forma que foi apresentado. No caso, a solução foi apresentada simplesmente por falta de criatividade — os roteiristas não conseguiram bolar uma conclusão melhor para o episódio. Como consolo, pelo menos a solução não veio da proposta “tecnobaboseira da semana” apresentada por B’Elanna Torres, o que seria ainda pior do que o desfecho escolhido.

O fato de a anomalia ser uma forma de vida, sem problemas. Mas não há nenhuma boa razão para aquele ser tumultuar a Voyager daquele modo. O arremedo de explicação — o suposto intercâmbio de informações — certamente poderia ser feito de modo menos traumático. Aliás, nem se explica o que aconteceu após a Voyager ter sido completamente distorcida, nem como o banco de dados foi enriquecido daquele modo. Não pode ter levado mais que cinco minutos para bolar e escrever esse final.

De todas as dúvidas que o episódio deixa, a mais incrível é entender, em meio a tantos roteiros especulativos e sugestões de histórias mandadas por escritores freelances, como uma premissa desses consegue chegar a ser produzida.

Diante da pífia proposta, até que o roteiro consegue salvar alguma coisa, inserindo algumas cenas engraçadinhas. Exemplos dela são as interações do Doutor holográfico com a “moça” do boteco de Tom Paris em Marselha e as já mencionadas reações contidas de Neelix aos agrados do piloto da Voyager a Kes.

Também é ligeiramente acima da média do episódio a cena em que Chakotay dá uma entortada em Tuvok, dizendo que, com a capitão desabilitada, quem manda na nave agora é ele. A cena fica especialmente divertida quando a estratégia do indígena se mostra equivocada. A cara de tacho de Chakotay e a expressão triunfal (no melhor estilo vulcano) de Tuvok são impagáveis.

Avaliação

Citações

“When every logical course of action is exhausted, the only logical course that remains is inaction.”
(Quando todo curso de ação lógico é esgotado, o único curso que sobra é a inação.)
Tuvok

Trivia

  • Neste episódio, nota-se a postura “maternal” de Janeway com relação ao alferes Kim. Em meio a uma situação fora de controle e desesperadora aos olhos de um oficial novato, a capitão o consola, dizendo o quanto está satisfeita com seu desempenho na Voyager.
  • Terry Corell faz sua segunda aparição como tripulante anônima de Voyager. A primeira foi no episódio “Elogium”. Na verdade, se levarmos em conta a ordem de produção, está é a primeira aparição da oficial, já que “Twisted” foi filmado ainda durante o primeiro ano, embora só tenha sido exibido na temporada seguinte.

Ficha Técnica

História de Arnold Rudnick & Rich Hosek
Roteiro de Kenneth Biller
Dirigido por Kim Friedman

Exibido em 02 de outubro de 1995

Título em português: “Distorções”

Elenco

Kate Mulgrew como Kathryn Janeway
Robert Beltran como Chakotay
Roxann Biggs-Dawson como B’Elanna Torres
Robert Duncan McNeill como Tom Paris
Jennifer Lien como Kes
Ethan Phillips como Neelix
Robert Picardo como Doutor
Tim Russ como Tuvok
Garret Wang como Harry Kim

Elenco convidado

Larry Hankin como ‘Gaunt’ Gary
Judy Geeson como Sandrine
Tom Virtue como Baxter
Terry Correll como tripulante

Enquete

Edição de Stéphanie Cristina
Revisão de Nívea Doria

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