ENT 2×20: Horizon

Mayweather com seu irmão Paul e mãe Rianna

Drama familiar oferece uma ‘alma’ para o sumido Travis Mayweather

Sinopse

Data: 10 de janeiro de 2153

A Enterprise é ordenada a investigar um espetacular fenômeno planetário, em que a migração de um astro está provocando intensa atividade vulcânica em sua superfície. Aproveitando a oportunidade gerada pela volta temporária da Enterprise a território já familiar, Travis Mayweather pede autorização para uma pequena licença, já que a nave de sua família, a ECS Horizon, estaria naquelas redondezas. Levando em conta que o pai do alferes está muito doente, Archer não hesita em conceder.

Antes mesmo de Mayweather ir a bordo, entretanto, ele recebe más notícias pelo canal subespacial — seu pai falecera. A notícia havia sido despachada tempos atrás, mas, graças à lentidão dos serviços civis de comunicação, só agora chegava à Enterprise. Travis está especialmente abalado pelo fato de não ter tido a chance de se reconciliar com seu pai, que havia rompido com ele desde o momento em que o alferes decidiu entrar para a Frota Estelar.

Mayweather no 'sweet spot' da Enterprise

Archer revela que, apesar da rusga, o pai de Mayweather tinha profunda admiração pelo filho. Travis não acredita muito, até o capitão contar que recebeu uma mensagem de recomendação do pai dele quando ainda estava por decidir quem chamaria para piloto da Enterprise. Um pouco mais consolado, Mayweather finalmente vai à Horizon, enquanto Archer e cia. partem para investigar o fenômeno astronômico.

Em sua antiga nave, Travis é recebido por sua mãe Rianna. Ela conta que as coisas estão caminhando e que Paul, irmão mais novo de Mayweather, assumiu o comando da nave após a morte do pai. Travis tem a chance de se hospedar em seus antigos aposentos e fica feliz em rever o irmão, embora Paul não pareça muito contente ou particularmente orgulhoso dele.

Mayweather com sua mão Rianna

Ansioso por ser útil, Travis começa a conduzir algumas atualizações nos sistemas da Horizon, mas é hostilizado por Paul, que despreza todo e qualquer conhecimento que tenha vindo da Frota Estelar. Apesar disso, o alferes insiste em conduzir as melhorias, o que o leva a um forte conflito com o irmão. Ciente das dificuldades a bordo com o novo capitão, Travis comenta com sua mãe que talvez devesse abandonar a Frota e ficar com a Horizon, mas é dissuadido.

Tudo isso acaba indo para segundo plano, entretanto, quando a Horizon é vítima de um ataque. A nave mal consegue se defender e se torna um alvo fácil, depois que os inimigos conseguem plantar uma boia sinalizadora numa das naceles da nave. Por conta disso, os tripulantes logo identificam os atacantes como os mesmos que já haviam pilhado outros cargueiros recentemente. Seu procedimento era mandar uma nave pequena para “marcar” o inimigo e, depois, uma nave maior viria rendê-los e roubar-lhes a carga.

Cargueiro civil Horizon sendo atacado

Um explosivo impedia a extração da boia sinalizadora do casco e Paul decide que a melhor opção é entrar em dobra máxima e atingir o sistema Deneva, destino da carga, antes que a Horizon possa ser abordada pela outra nave. Travis, entretanto, pensa diferente. Pela configuração da nave inimiga, ele acha que seria possível desabilitar seus motores com algumas modificações nos canhões laser. Paul está decidido a evitar uma luta, mas Travis insiste e, a despeito das ordens, começa a realizar as modificações necessárias. Paul entra num confronto final com seu irmão e ordena que ele pare de modificar os sistemas, mas Travis se recusa.

Ao final das contas, as ações do alferes acabam se mostrando cruciais. Os inimigos não parecem dispostos a negociar e querem levar não só a carga, mas também a própria nave. Diante da necessidade de um combate, Paul instrui Travis a colocar suas modificações em operação e consegue desabilitar a nave pirata. Finalmente, os dois irmãos conseguem se reconciliar, justo quando já é hora de Travis voltar à Enterprise, que realizou com sucesso sua missão científica.

Comentários

“Horizon” é uma surpresa agradável por duas razões. Em primeiro lugar, aposta num personagem pouquíssimo explorado na série até este momento, o normalmente figurante Travis Mayweather. Em segundo lugar, mostra que não é preciso premissas estrambólicas para conduzir uma boa história.

Em outras palavras, fica comprovado que Enterprise pode ter uma “alma”, se assim o quiser e se for capaz de apostar na capacidade de seus personagens de conduzir uma boa história.

Title Card Enterprise Horizon

Desde “Fortunate Son”, os telespectadores aguardavam mais sobre o modo de vida dos cargueiros terrestres, como o ECS Horizon, em que Mayweather nasceu e viveu sua infância e adolescência. Aqui, eles têm uma excelente oportunidade. Não só temos uma chance de passar “alguns dias” a bordo, como pegamos um momento de crise e de transição na nave.

Adicionalmente, o episódio oferece uma tragédia pessoal para Travis e, com ela, a chance de mostrar mais sua personalidade à audiência. E, diferentemente de “Fortunate Son”, em que o piloto acaba desperdiçando a oportunidade de se fazer interessante, aqui sua aparição parece muito mais realista, centrada e suportada por um propósito.

Mayweather com o irmão Paul

É basicamente uma história humana e quem tem irmãos pode se identificar facilmente com ela (falo por experiência própria), o que torna o episódio ainda mais interessante. Mas não é pré-requisito ter um irmão ou irmã para entender o que se passa por aqui. Os elementos são todos bastante familiares e simples, o que nos deixa com a tarefa de apenas observar como Travis lida com essa situação.

O tema de antagonismo entre os cargueiros e a Frota Estelar volta a aflorar, desta vez fortalecido pelo aspecto pessoal da disputa entre Travis e seu irmão Paul, recém-colocado no comando da Horizon após a morte do pai dos dois.

Cargueiro civil Horizon e a Enterprise

O segmento também é uma boa oportunidade para vermos o que Travis andou aprendendo a bordo da Enterprise e o quanto ele é privilegiado por estar na missão. E, por incrível que pareça, o episódio serve igualmente para reforçar sua posição na NX-01. O diálogo final entre ele e Archer demonstra o senso de família que começa a ser criado a bordo, fazendo um paralelo com um diálogo semelhante, ocorrido entre Travis e sua mãe na Horizon.

Pontos negativos são o uso mais uma vez da velha desculpa dos piratas espaciais, mote que já alimentou a outra trama a envolver os cargueiros terrestres, em “Fortunate Son”, e a aparente inverossimilhança de a Enterprise, após dois anos de viagem, estar tão perto do lento transporte comercial da família de Mayweather.

Os efeitos especiais cumprem seu papel, mas não consistem no grande destaque do episódio. O forte aqui, felizmente, é o coração — algo que não acontece com muita frequência em Enterprise. Andre Bormanis acertou em cheio o tom no roteiro e temos certamente o episódio mais forte de Travis Mayweather até agora e um bom segmento desta segunda temporada. Longe de uma obra-prima, mas agradável e sensível. Uma boa pedida.

Avaliação

Citações

“Starfleet should think of letting families on board starships.”
“You must be joking!”
“No one would ever get homesick.”
“Yes? Well, they had better post a psychologist on board because I’d need one if my parents were roaming the corridors.”
(A Frota Estelar deveria pensar em permitir famílias a bordo de naves estelares.)
(Você só pode estar brincando!)
(Ninguém nunca teria saudades de casa.)
(Ah é? Bem, é melhor que eles coloquem um psicólogo a bordo, porque eu precisaria de um se meus pais estivessem andando pelos corredores.)
Mayweather e Reed

“Columbus, Magellan, Travis Mayweather.”
(Colombo, Magalhães, Travis Mayweather.)
Nora

Trivia

  • O episódio marca as primeiras aparições de alguns dos familiares de Mayweather — sua mãe, Rianna, e seu irmão, Paul.
  • As filmagens principais de “Horizon” ocorreram de 28 de janeiro a 5 de fevereiro de 2003. O episódio marca o retorno do ‘sweet spot‘, em que a gravidade da nave se inverte, visto apenas no piloto “Broken Bow”.
  • Vários dos personagens ganharam outros nomes na versão final do roteiro. Inicialmente, Rianna era chamada Sarah, Nora era Laurie e Juan era Daniel.
  • Nicole Forester interpretou uma garota do dabo em “Distant Voices”, de Deep Space Nine.
  • Rick Berman: “Um episódio bastante tocante, que lida em parte com Mayweather voltando à nave dos seus pais e com uma tragédia familiar.”

Ficha Técnica

Escrito por Andre Bormanis
Dirigido por James A. Contner

Exibido em 16 de abril de 2003

Títulos em português: “Horizon”

Elenco

Scott Bakula como Jonathan Archer
Jolene Blalock como T’Pol
John Billingsley como Phlox
Anthony Montgomery como Travis Mayweather
Connor Trinneer como Charlie ‘Trip’ Tucker III
Dominic Keating como Malcolm Reed
Linda Park como Hoshi Sato

Elenco convidado

Philip Anthony-Rodriguez como Juan
Ken Feinberg como capitão alienígena
Nicole Forester como Nora
Corey Mendell Parker como Paul
Adam Paul como Nichols
Joan Pringle como Rianna

Enquete

Edição de Mariana Gamberger
Revisão de Nívea Doria

Episódio anterior | Próximo episódio