Qual nosso lugar no mundo?
Sinopse
Data estelar: Desconhecida
Um mês após a morte de B’Avi, a Academia tem um período de folga. Tarima ainda está em recuperação em Betazed. A maioria dos cadetes deixa o campus durante o recesso. SAM segue para um spa-holográfico em Denver para corrigir falhas em seus sistemas, enquanto Genesis viaja para encontrar o pai, um almirante da Frota Estelar, em Mumbai. Antes da partida, a chanceler Nahla Ake informa Genesis que ela foi recomendada para o programa de pré-comando.
Ake consegue uma família para receber Caleb durante a folga, mas ele recusa a oferta e convence a chanceler a permitir que permaneça na Academia. Jay-Den programa uma viagem com Kyle para Ibiza, porém, antes de viajar, Jay-Den presencia o que parece ser um sequestro de Darem por pessoas que o arrastam através de um portal e decide ir atrás dele.
Jay-Den chega a uma lua sagrada khioniana. O local faz parte de uma tradição cultural conhecida como “abdução matrimonial”. Darem havia sido levado para participar de um casamento arranjado com Kaira, uma princesa khioniana prestes a assumir o trono. Jay-Den é nomeado Ko’Zeine, como se fosse o padrinho. Darem entra em conflito interno ao admitir que não deseja abandonar a Academia, mas se sente na obrigação de cumprir promessas familiares e assumir o papel político esperado dele. A tensão aumenta quando Jay-Den questiona suas motivações, levando Darem a reagir de forma agressiva. Jay-Den decide retornar à Terra após a briga.
De volta a Academia, Genesis retorna inesperadamente ao campus e encontra Caleb sozinho. Os dois passam o tempo em um laboratório científico, zoando, até que uma criatura escapa da contenção. Jett Reno surge no local, e eles se escondem, conseguindo escapar. Caleb se abre com Genesis e diz que ainda evita falar com Tarima desde o incidente telepático na Miyazaki, enquanto Genesis admite sentir-se pressionada pela expectativa de seguir os passos do pai na Frota.
Genesis convence Caleb a acessar clandestinamente a ponte da USS Athena para sentar-se na cadeira de capitão. Ao ativar sistemas avançados da nave, ela consegue criar uma chave especial. Caleb percebe que o plano de Genesis era acessar seus próprios registros acadêmicos antes de uma avaliação oficial do conselho de comando. Genesis admite que alterou cartas de recomendação que a descreviam como alguém movido pelo medo. Reno descobre os dois na ponte e diz que estão encrencados.
Na lua khioniana, a cerimônia de união entre Darem e Kaira acontece. Jay-Den retorna a tempo de realizar o discurso tradicional do Ko’Zeine, reconhecendo a relação com Darem na Academia e descrevendo ele como alguém disposto a servir a algo maior. Durante a cerimônia, Kaira percebe que Darem participa apenas por obrigação e decide anular o casamento. Ela abdica da união e escolhe governar sozinha, permitindo que Darem retorne à Academia.
Jay-Den e Darem voltam à Terra, onde reencontram Kyle. Enquanto isso, Genesis assume a responsabilidade pelas ações na ponte da Athena e impede que Caleb seja punido por suas decisões. A chanceler Ake recusa a tentativa de Genesis de abandonar a Academia, mas retira sua candidatura ao programa de comando.
Durante as tarefas disciplinares, Genesis aconselha Caleb a enfrentar seus sentimentos e parar de evitar Tarima, então ele finalmente envia uma mensagem sincera para ela. Se abrindo para Tarima.
Comentários
Depois da intensidade quase sufocante do episódio anterior, a série opta por desacelerar. Nada que não tenhamos visto em Star Trek já. “Family” após toda a loucuragem dos Borgs em “The Best of Both Worlds”, ou mesmo o casamento de Worf e Dax após o arco da Guerra do Dominion em DS9. De fato, não é um episódio de ação, de sci-fi nem com grandes questões éticas, mas a pergunta que fica é: todos precisam ser?
A estrutura do episódio é fragmentada por natureza, acompanhando dois núcleos separados. Ainda assim, tudo converge para uma mesma ideia central: o peso das expectativas familiares, institucionais e pessoais sobre jovens que ainda estão tentando entender quem são e qual é seu lugar no mundo. E outra ideia muito forte no episódio é a importância da amizade. A frase por si só já parece clichê. Até pode ser, mas não está errada. Não é aquela amizade para sair, beber todas e fazer festa, é amizade de verdade, aquela de olhar no olho e ter coragem para dizer onde o outro está errado e por que está errado. Jay-Den, principalmente, cumpre esse papel aqui, sendo o padrinho de Darem.
A história dele lembra bastante a de Spock em “Amok Time”, da Série Clássica, onde ele também volta ao planeta natal para um casamento arranjado. Darem, que claramente tem muita coisa reprimida dentro de si, tem um arco que vai ressoar com muitos jovens. Ele era um jovem quieto no seu mundo natal e, quando foi para a Academia, se soltou, virou confiante, virou destemido. Na Academia, longe das expectativas que sufocam qualquer jovem e dos rótulos que carregava dentro de si, ele encontrou espaço para descobrir quem realmente era.
O conflito central de Darem não é o casamento, nem Kaira, nem o planeta natal, mas a sensação de estar vivendo uma vida que ele não quer viver. Quando ele admite que não quer abandonar a Academia, o episódio fala com os jovens em algo muito universal, que é o medo de decepcionar. No entanto, o roteiro opta com muito acerto por não transformar isso em uma ruptura mega dramática, com ele fugindo do casamento. Não há confronto direto com os pais nem um grande discurso de independência. Tudo acaba silenciosamente, com uma decisão de Kaira.
A trama de Genesis rima totalmente com a de Darem, já que ela também tem um pai projetando uma grande sombra sobre sua vida. Ele é almirante, e ela é a filha perfeita. Academy parece tentar atingir todos os arquétipos reais dos jovens com cada cadete. Genesis é a filha perfeita que precisa fazer tudo certo, e aparentemente estava conseguindo, mas aqui conhecemos o esqueleto no armário dela. Caleb faz par com ela (se cuida, Tarima) o episódio todo, e, diferente da outra trama, eles alternam quem diz as verdades na cara do outro.
As cenas dos dois são especialmente bonitas visualmente, com eles sozinhos em um cenário grande, com aquele clima romântico sem romance, com destaque para a cena em que estão deitados, conversando e se abrindo um para o outro, muito bonita no roteiro e visualmente.
O episódio conta, na verdade, a história de jovens lidando com problemas que eles mesmos criaram. Darem poderia ter resolvido o dilema do seu casamento ele mesmo, porque, como ficou provado, não houve nenhum abalo sísmico no planeta nem Kaira ficou destroçada, era uma projeção da cabeça dele. No caso de Genesis isso fica ainda mais evidente: suas recomendações não eram tão desastrosas assim, ela não precisava ter falsificado os registros nem criar confusões maiores para tampar o erro. A vida dela virou uma bola de neve por projeções da cabeça dela. Caleb ficou viajando na maionese e não mandou a mensagem óbvia que deveria mandar para Tarima, também por confusões internas. No fim, essa é a história do episódio: um capítulo sobre jovens criando problemas para si mesmos e tendo que resolvê-los.
O fato é que é um episódio sobre jovens em formação, o que não é surpresa nenhuma em uma série sobre jovens em formação. Certamente ressoará menos em fãs que não gostam tanto dessas histórias e preferem narrativas trekkers mais clássicas, mais diretas, mas, por outro lado, vai ressoar muito em jovens que estão descobrindo a franquia, porque eles se veem na tela, se veem nos personagens tentando descobrir seu lugar no mundo. Por tudo isso, é óbvio que é um episódio que vai dividir opiniões. Mas isso fala muito mais sobre o estágio da vida do espectador e suas expectativas do que necessariamente sobre a qualidade do segmento.
Nem tudo são flores no episódio. Ele tem alguns problemas. As resoluções, sobretudo a de Darem, são muito rápidas, falta aquele momento em que ele realmente pensa sobre suas escolhas e reflete sobre o que as pessoas esperam dele. Sem esses momentos, o arco termina com a sensação de que as coisas foram apressadas demais. A decisão de Kaira é um bom exemplo,s em nenhum momento ela parece entender plenamente o deslocamento de Darem e toma uma decisão que muda o destino do planeta com base apenas no discurso do Ko’Zeine.
O uso meio indiscriminado do WR Wall também incomoda. Cria cenários gigantescos artificiais, mas reduz as cenas a poucos ambientes. Em alguns momentos, o uso é descarado, os enquadramentos não ajudam a esconder o fundo falso, e o que era para ser épico acaba parecendo genérico, quase teatral, com profundidade falsa e pouca variação. Na cena do discurso do Ko’Zeine, isso fica particularmente aparente, com a direção pouco cuidadosa com os pouquíssimos figurantes, quebrando um pouco a suspensão da descrença.
Além disso, o episódio é um pouco previsível. Todos imaginavam desde o começo que o fim não terminaria com Darem casado. Porém, isso não é exatamente algo que depõe contra o episódio, porque ele não é sobre isso, é sobre a jornada até as resoluções. A marca do sucesso de uma série é você se importar com os personagens nas pequenas coisas. O desfecho de Darem era previsível? Era. O de Genesis também? Também. Mas a jornada ainda assim importa e nos emociona. Se não nos importássemos com os personagens, um episódio desses naufragaria logo no começo, porque ele é totalmente baseado nas relações e nas construções individuais deles. O conflito do episódio é interno, em vez de olhar para os dramas da galáxia, ele olha para dentro.
Ko’Zeine é um episódio que cumpre um papel importante dentro da temporada: olhar para dentro dos personagens e fazer isso sem trazer uma falsa encrenca só para dizer que não é apenas drama. Ele está aqui para reforçar a ideia de que a jornada desses cadetes não é apenas aprender a salvar o universo, mas sobre descobrir seu lugar no mundo.
Avaliação




Citações
“I wish I could fix all the mistakes I made with you. Everyone else around here seems to be able to do it: people who lie, people who doubted themselves, people who just wanted to get better, people who ran. I spent my whole life just running from things. I don’t want to run anymore.”
(Gostaria de poder consertar todos os erros que cometi com você. Todos os outros aqui parecem ser capazes de fazer isso: pessoas que mentem, pessoas que duvidaram de si mesmas, pessoas que só queriam melhorar, pessoas que fugiram. Passei toda a minha vida fugindo das coisas. Não quero mais fugir.)
Caleb Mir escrevendo para Tarima Sadal
“Leadership is a battle within yourself, They identified a target within you.”
(A liderança é uma batalha dentro de você mesmo. Eles identificaram um alvo dentro de você.)
Ake para Genesis
Trivia
- Esta é a quinta vez que Andi Armaganian assume a direção de Star Trek, tendo anteriormente dirigido dois episódios de Discovery (“Rubicon” e “Jinaal”) e dois episódios de Strange New Worlds (“Lift Us Where Suffering Cannot Reach” e “Through the Lens of Time”).
- Alex Taub já havia coescrito o episódio “Vitus Reflux”, enquanto Eric Anthony Glover havia contribuído para o episódio “Vox in Excelso”, centrado nos klingons.
- Sam ainda está com problemas após os eventos em Miyazaki e vai passar o feriado do Dia de Todos os Mundos em Denver, no Holo-Tech Rehab Spa.
- Pela quarta vez nesta temporada, ouvimos o Reitor Digital (Stephen Colbert) pelo interfone solicitando que o especialista Krebs cuide de sua mosca talaxiana peluda
- A música tocando durante a chuva de meteoros era a apropriadamente chamada “We Watch the Stars – Berlin Session”, do cantor e compositor inglês Fink (Fin Greenall).
- Caleb realmente disse “dadmiral”, então agora isso é oficial.
- Não foi especificado, mas a chuva de meteoros provavelmente seria a Lyrids Shower, que pode ser vista no hemisfério norte em abril; no entanto, o reitor digital a descreveu como uma “chuva de meteoros galácticao que é imcompreensível.
- Genesis diz que seu pai teve um simpósio sobre “Ursa Nowhere”, provavelmente se referindo à constelação Ursa Maior.
- O Doutor (Robert Picardo) não aparece neste episódio, mas foi mencionado; a comandante Thok (Gina Yashere) pode ser ouvida (falando com Reno), mas não é vista.
- Reno tem alguns problemas com a cidade de Duluth, Minnesota, tentando convencer uma cadete a não ir para lá nas férias. No entanto, Tig Notaro foi a atração principal de um festival de comédia lá.
- O ato de quebrar clavículas durante um casamento klingon, conforme declarado por Jay-Den, foi originalmente mencionado pelo Doutor no episódio “Blood Fever” de Voyager.
- O fato de os klingons não terem uma alta tolerância ao frio, mencionado por Jay-Den, foi originalmente estabelecido no episódio “Displaced” de Voyager.
- Os klingons tem aversão a roupas de praia, conforme mostrado no episódio “Let He Who Is Without Sin…” de Deep Space Nine e por Jay-Den neste episódio.
- Jett Reno menciona que deveria ter seguido a carreira médica. Quando foi apresentada pela primeira vez em “Brother”, Reno conseguiu manter os tripulantes feridos da USS Hiawatha durante dez meses e onze dias, apesar de não ter formação médica nem recursos, antes de serem resgatados pela USS Discovery.
Ficha Técnica
Escrito por Alex Taub e Eric Anthony Glover
Dirigido por Andi Armaganian
Exibido em 19 de fevereiro de 2026
Título em português: “Ko´Zeine”
Elenco
Holly Hunter como Nahla Ake
Sandro Rosta como Caleb Mir
Karim Diané como Jay-Den Kraag
Kerrice Brooks como SAM
George Hawkins como Darem Reymi
Bella Shepard como Genesis Lythe
Gina Yashere como Lura Thok
Brit Marling como Computador principal (voz)
Stephen Colbert como reitor digital dos estudantes (voz)
Tig Notaro como Jett Reno
Elenco convidado
Dale Whibley como Kyle Jokovich
Jaelynn Thora Brooks como Kaira
Alexa Yaphe como Quill (individual)
Chris Lightfoot como pai de Darem
Carla Deverish como mãe de Darem
Wyatt Lamoureux como sacerdote khioniano
Carlos Pinder como pai de Kaira
Kelly Fanson como mãe de Kaira
Angelica Lisk-Hann como guarda real khioniana
Dillon Jagersky como guarda real khioniano
TB ao Vivo
Enquete
Código da enquete aqui (Leandro irá inserir isto)
Citações, Trivia, Ficha Técnica, Elenco e Elenco Convidado por Maria Lucia Rácz
Episódio anterior | Próximo episódio
Qual nosso lugar no mundo?
Sinopse
Data estelar: Desconhecida
Um mês após a morte de B’Avi, a Academia tem um período de folga. Tarima ainda está em recuperação em Betazed. A maioria dos cadetes deixa o campus durante o recesso. SAM segue para um spa-holográfico em Denver para corrigir falhas em seus sistemas, enquanto Genesis viaja para encontrar o pai, um almirante da Frota Estelar, em Mumbai. Antes da partida, a chanceler Nahla Ake informa Genesis que ela foi recomendada para o programa de pré-comando.
Ake consegue uma família para receber Caleb durante a folga, mas ele recusa a oferta e convence a chanceler a permitir que permaneça na Academia. Jay-Den programa uma viagem com Kyle para Ibiza, porém, antes de viajar, Jay-Den presencia o que parece ser um sequestro de Darem por pessoas que o arrastam através de um portal e decide ir atrás dele.
Jay-Den chega a uma lua sagrada khioniana. O local faz parte de uma tradição cultural conhecida como “abdução matrimonial”. Darem havia sido levado para participar de um casamento arranjado com Kaira, uma princesa khioniana prestes a assumir o trono. Jay-Den é nomeado Ko’Zeine, como se fosse o padrinho. Darem entra em conflito interno ao admitir que não deseja abandonar a Academia, mas se sente na obrigação de cumprir promessas familiares e assumir o papel político esperado dele. A tensão aumenta quando Jay-Den questiona suas motivações, levando Darem a reagir de forma agressiva. Jay-Den decide retornar à Terra após a briga.
De volta a Academia, Genesis retorna inesperadamente ao campus e encontra Caleb sozinho. Os dois passam o tempo em um laboratório científico, zoando, até que uma criatura escapa da contenção. Jett Reno surge no local, e eles se escondem, conseguindo escapar. Caleb se abre com Genesis e diz que ainda evita falar com Tarima desde o incidente telepático na Miyazaki, enquanto Genesis admite sentir-se pressionada pela expectativa de seguir os passos do pai na Frota.
Genesis convence Caleb a acessar clandestinamente a ponte da USS Athena para sentar-se na cadeira de capitão. Ao ativar sistemas avançados da nave, ela consegue criar uma chave especial. Caleb percebe que o plano de Genesis era acessar seus próprios registros acadêmicos antes de uma avaliação oficial do conselho de comando. Genesis admite que alterou cartas de recomendação que a descreviam como alguém movido pelo medo. Reno descobre os dois na ponte e diz que estão encrencados.
Na lua khioniana, a cerimônia de união entre Darem e Kaira acontece. Jay-Den retorna a tempo de realizar o discurso tradicional do Ko’Zeine, reconhecendo a relação com Darem na Academia e descrevendo ele como alguém disposto a servir a algo maior. Durante a cerimônia, Kaira percebe que Darem participa apenas por obrigação e decide anular o casamento. Ela abdica da união e escolhe governar sozinha, permitindo que Darem retorne à Academia.
Jay-Den e Darem voltam à Terra, onde reencontram Kyle. Enquanto isso, Genesis assume a responsabilidade pelas ações na ponte da Athena e impede que Caleb seja punido por suas decisões. A chanceler Ake recusa a tentativa de Genesis de abandonar a Academia, mas retira sua candidatura ao programa de comando.
Durante as tarefas disciplinares, Genesis aconselha Caleb a enfrentar seus sentimentos e parar de evitar Tarima, então ele finalmente envia uma mensagem sincera para ela. Se abrindo para Tarima.
Comentários
Depois da intensidade quase sufocante do episódio anterior, a série opta por desacelerar. Nada que não tenhamos visto em Star Trek já. “Family” após toda a loucuragem dos Borgs em “The Best of Both Worlds”, ou mesmo o casamento de Worf e Dax após o arco da Guerra do Dominion em DS9. De fato, não é um episódio de ação, de sci-fi nem com grandes questões éticas, mas a pergunta que fica é: todos precisam ser?
A estrutura do episódio é fragmentada por natureza, acompanhando dois núcleos separados. Ainda assim, tudo converge para uma mesma ideia central: o peso das expectativas familiares, institucionais e pessoais sobre jovens que ainda estão tentando entender quem são e qual é seu lugar no mundo. E outra ideia muito forte no episódio é a importância da amizade. A frase por si só já parece clichê. Até pode ser, mas não está errada. Não é aquela amizade para sair, beber todas e fazer festa, é amizade de verdade, aquela de olhar no olho e ter coragem para dizer onde o outro está errado e por que está errado. Jay-Den, principalmente, cumpre esse papel aqui, sendo o padrinho de Darem.
A história dele lembra bastante a de Spock em “Amok Time”, da Série Clássica, onde ele também volta ao planeta natal para um casamento arranjado. Darem, que claramente tem muita coisa reprimida dentro de si, tem um arco que vai ressoar com muitos jovens. Ele era um jovem quieto no seu mundo natal e, quando foi para a Academia, se soltou, virou confiante, virou destemido. Na Academia, longe das expectativas que sufocam qualquer jovem e dos rótulos que carregava dentro de si, ele encontrou espaço para descobrir quem realmente era.
O conflito central de Darem não é o casamento, nem Kaira, nem o planeta natal, mas a sensação de estar vivendo uma vida que ele não quer viver. Quando ele admite que não quer abandonar a Academia, o episódio fala com os jovens em algo muito universal, que é o medo de decepcionar. No entanto, o roteiro opta com muito acerto por não transformar isso em uma ruptura mega dramática, com ele fugindo do casamento. Não há confronto direto com os pais nem um grande discurso de independência. Tudo acaba silenciosamente, com uma decisão de Kaira.
A trama de Genesis rima totalmente com a de Darem, já que ela também tem um pai projetando uma grande sombra sobre sua vida. Ele é almirante, e ela é a filha perfeita. Academy parece tentar atingir todos os arquétipos reais dos jovens com cada cadete. Genesis é a filha perfeita que precisa fazer tudo certo, e aparentemente estava conseguindo, mas aqui conhecemos o esqueleto no armário dela. Caleb faz par com ela (se cuida, Tarima) o episódio todo, e, diferente da outra trama, eles alternam quem diz as verdades na cara do outro.
As cenas dos dois são especialmente bonitas visualmente, com eles sozinhos em um cenário grande, com aquele clima romântico sem romance, com destaque para a cena em que estão deitados, conversando e se abrindo um para o outro, muito bonita no roteiro e visualmente.
O episódio conta, na verdade, a história de jovens lidando com problemas que eles mesmos criaram. Darem poderia ter resolvido o dilema do seu casamento ele mesmo, porque, como ficou provado, não houve nenhum abalo sísmico no planeta nem Kaira ficou destroçada, era uma projeção da cabeça dele. No caso de Genesis isso fica ainda mais evidente: suas recomendações não eram tão desastrosas assim, ela não precisava ter falsificado os registros nem criar confusões maiores para tampar o erro. A vida dela virou uma bola de neve por projeções da cabeça dela. Caleb ficou viajando na maionese e não mandou a mensagem óbvia que deveria mandar para Tarima, também por confusões internas. No fim, essa é a história do episódio: um capítulo sobre jovens criando problemas para si mesmos e tendo que resolvê-los.
O fato é que é um episódio sobre jovens em formação, o que não é surpresa nenhuma em uma série sobre jovens em formação. Certamente ressoará menos em fãs que não gostam tanto dessas histórias e preferem narrativas trekkers mais clássicas, mais diretas, mas, por outro lado, vai ressoar muito em jovens que estão descobrindo a franquia, porque eles se veem na tela, se veem nos personagens tentando descobrir seu lugar no mundo. Por tudo isso, é óbvio que é um episódio que vai dividir opiniões. Mas isso fala muito mais sobre o estágio da vida do espectador e suas expectativas do que necessariamente sobre a qualidade do segmento.
Nem tudo são flores no episódio. Ele tem alguns problemas. As resoluções, sobretudo a de Darem, são muito rápidas, falta aquele momento em que ele realmente pensa sobre suas escolhas e reflete sobre o que as pessoas esperam dele. Sem esses momentos, o arco termina com a sensação de que as coisas foram apressadas demais. A decisão de Kaira é um bom exemplo,s em nenhum momento ela parece entender plenamente o deslocamento de Darem e toma uma decisão que muda o destino do planeta com base apenas no discurso do Ko’Zeine.
O uso meio indiscriminado do WR Wall também incomoda. Cria cenários gigantescos artificiais, mas reduz as cenas a poucos ambientes. Em alguns momentos, o uso é descarado, os enquadramentos não ajudam a esconder o fundo falso, e o que era para ser épico acaba parecendo genérico, quase teatral, com profundidade falsa e pouca variação. Na cena do discurso do Ko’Zeine, isso fica particularmente aparente, com a direção pouco cuidadosa com os pouquíssimos figurantes, quebrando um pouco a suspensão da descrença.
Além disso, o episódio é um pouco previsível. Todos imaginavam desde o começo que o fim não terminaria com Darem casado. Porém, isso não é exatamente algo que depõe contra o episódio, porque ele não é sobre isso, é sobre a jornada até as resoluções. A marca do sucesso de uma série é você se importar com os personagens nas pequenas coisas. O desfecho de Darem era previsível? Era. O de Genesis também? Também. Mas a jornada ainda assim importa e nos emociona. Se não nos importássemos com os personagens, um episódio desses naufragaria logo no começo, porque ele é totalmente baseado nas relações e nas construções individuais deles. O conflito do episódio é interno, em vez de olhar para os dramas da galáxia, ele olha para dentro.
Ko’Zeine é um episódio que cumpre um papel importante dentro da temporada: olhar para dentro dos personagens e fazer isso sem trazer uma falsa encrenca só para dizer que não é apenas drama. Ele está aqui para reforçar a ideia de que a jornada desses cadetes não é apenas aprender a salvar o universo, mas sobre descobrir seu lugar no mundo.
Avaliação




Citações
“I wish I could fix all the mistakes I made with you. Everyone else around here seems to be able to do it: people who lie, people who doubted themselves, people who just wanted to get better, people who ran. I spent my whole life just running from things. I don’t want to run anymore.”
(Gostaria de poder consertar todos os erros que cometi com você. Todos os outros aqui parecem ser capazes de fazer isso: pessoas que mentem, pessoas que duvidaram de si mesmas, pessoas que só queriam melhorar, pessoas que fugiram. Passei toda a minha vida fugindo das coisas. Não quero mais fugir.)
Caleb Mir escrevendo para Tarima Sadal
“Leadership is a battle within yourself, They identified a target within you.”
(A liderança é uma batalha dentro de você mesmo. Eles identificaram um alvo dentro de você.)
Ake para Genesis
Trivia
- Esta é a quinta vez que Andi Armaganian assume a direção de Star Trek, tendo anteriormente dirigido dois episódios de Discovery (“Rubicon” e “Jinaal”) e dois episódios de Strange New Worlds (“Lift Us Where Suffering Cannot Reach” e “Through the Lens of Time”).
- Alex Taub já havia coescrito o episódio “Vitus Reflux”, enquanto Eric Anthony Glover havia contribuído para o episódio “Vox in Excelso”, centrado nos klingons.
- Sam ainda está com problemas após os eventos em Miyazaki e vai passar o feriado do Dia de Todos os Mundos em Denver, no Holo-Tech Rehab Spa.
- Pela quarta vez nesta temporada, ouvimos o Reitor Digital (Stephen Colbert) pelo interfone solicitando que o especialista Krebs cuide de sua mosca talaxiana peluda
- A música tocando durante a chuva de meteoros era a apropriadamente chamada “We Watch the Stars – Berlin Session”, do cantor e compositor inglês Fink (Fin Greenall).
- Caleb realmente disse “dadmiral”, então agora isso é oficial.
- Não foi especificado, mas a chuva de meteoros provavelmente seria a Lyrids Shower, que pode ser vista no hemisfério norte em abril; no entanto, o reitor digital a descreveu como uma “chuva de meteoros galácticao que é imcompreensível.
- Genesis diz que seu pai teve um simpósio sobre “Ursa Nowhere”, provavelmente se referindo à constelação Ursa Maior.
- O Doutor (Robert Picardo) não aparece neste episódio, mas foi mencionado; a comandante Thok (Gina Yashere) pode ser ouvida (falando com Reno), mas não é vista.
- Reno tem alguns problemas com a cidade de Duluth, Minnesota, tentando convencer uma cadete a não ir para lá nas férias. No entanto, Tig Notaro foi a atração principal de um festival de comédia lá.
- O ato de quebrar clavículas durante um casamento klingon, conforme declarado por Jay-Den, foi originalmente mencionado pelo Doutor no episódio “Blood Fever” de Voyager.
- O fato de os klingons não terem uma alta tolerância ao frio, mencionado por Jay-Den, foi originalmente estabelecido no episódio “Displaced” de Voyager.
- Os klingons tem aversão a roupas de praia, conforme mostrado no episódio “Let He Who Is Without Sin…” de Deep Space Nine e por Jay-Den neste episódio.
- Jett Reno menciona que deveria ter seguido a carreira médica. Quando foi apresentada pela primeira vez em “Brother”, Reno conseguiu manter os tripulantes feridos da USS Hiawatha durante dez meses e onze dias, apesar de não ter formação médica nem recursos, antes de serem resgatados pela USS Discovery.
Ficha Técnica
Escrito por Alex Taub e Eric Anthony Glover
Dirigido por Andi Armaganian
Exibido em 19 de fevereiro de 2026
Título em português: “Ko´Zeine”
Elenco
Holly Hunter como Nahla Ake
Sandro Rosta como Caleb Mir
Karim Diané como Jay-Den Kraag
Kerrice Brooks como SAM
George Hawkins como Darem Reymi
Bella Shepard como Genesis Lythe
Gina Yashere como Lura Thok
Brit Marling como Computador principal (voz)
Stephen Colbert como reitor digital dos estudantes (voz)
Tig Notaro como Jett Reno
Elenco convidado
Dale Whibley como Kyle Jokovich
Jaelynn Thora Brooks como Kaira
Alexa Yaphe como Quill (individual)
Chris Lightfoot como pai de Darem
Carla Deverish como mãe de Darem
Wyatt Lamoureux como sacerdote khioniano
Carlos Pinder como pai de Kaira
Kelly Fanson como mãe de Kaira
Angelica Lisk-Hann como guarda real khioniana
Dillon Jagersky como guarda real khioniano
TB ao Vivo
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