O veterano diretor e ator Jonathan Frakes, eternizado como o comandante William Riker em Star Trek: A Nova Geração, voltou à franquia para dirigir o episódio 9 da primeira temporada de Star Trek: Starfleet Academy, intitulado “300th Night” — um capítulo carregado de revelações familiares, tensão dramática e momentos de ação que colocam à prova os cadetes da Academia da Frota.
Em entrevista exclusiva ao TrekMovie, Frakes compartilhou detalhes sobre sua abordagem à direção nesse retorno.
A estrutura de direção em Starfleet Academy segue um modelo semelhante ao de Picard, com diretores responsáveis por blocos de dois episódios — exceto nos finais de temporada, como destaca Frakes:
Eu fiz isso com o Tunde [Olatunde Osunsanmi] em Discovery, onde eu fiz a primeira metade do episódio final e ele fez a segunda. Aqui foi a mesma coisa: eu preparei o terreno e o episódio final ficou… fenomenal. Ele é um diretor visual incrível e já trabalhamos juntos em outros episódios finais. É um prazer fazer parte disso.
Frakes enfatiza como a série manteve a essência do que torna Star Trek especial: o equilíbrio entre emoção profunda e toques de leveza e humor:

O estilo e o tom foram estabelecidos por Alex [Kurtzman], especificamente para esta série, e todos nós, como diretores, mantivemos isso da melhor maneira possível, e a intimidade faz parte disso. Ele projetou uma série de lentes esféricas que também eram anamórficas, e usamos lentes muito longas nos rostos dessas pessoas de uma forma que dá um ar… emotivo. É muito eficaz. Eu acho.
O ponto alto do episódio, para Frakes, foi a reunião entre a mãe Anisha (interpretada pela premiada Tatiana Maslany) e o filho Caleb (Sandro Rosta). Ele acompanhou o desenvolvimento do personagem ao longo da temporada e viajou ao set para assistir aos primeiros cortes:
Eu precisava me concentrar na reunião da mãe e do filho. Fazer com que isso tivesse impacto, já que eu só os tinha visto juntos quando ele era basicamente um bebê, e Tatiana [Maslany] apareceu muito pouco no episódio piloto. Então, ela era minha arma secreta. Eu era um grande fã dela, ainda sou, obviamente, e ainda mais depois de trabalhar com ela. E eu acompanhei o desenvolvimento do Sandro ao longo da temporada, enquanto visitava o set e eles compartilhavam os primeiros episódios enquanto estavam sendo editados, então, eu sabia o estilo de filmagem que Alex e Noga [Landau] queriam, o tema com esses closes bem fechados, comoventes e emotivos. E como este episódio é repleto desses momentos emocionantes, isso se encaixou perfeitamente… Quer dizer, a ação é ótima, as acrobacias são ótimas e os efeitos visuais são ótimos, mas para mim, é sempre uma combinação de elementos emocionais com um pouco de leveza, que tivemos um pouco quando os cadetes estavam roubando a nave. Tem as camadas que fazem um bom Star Trek.
Ele destacou ainda o trabalho com Holly Hunter, que interpreta uma líder complexa, excêntrica, engraçada e durona. Hunter se impõe naturalmente e participou de ensaios aos domingos, o que agilizou as filmagens.
Então, a Holly é ótima… Ela sabe se impor em qualquer situação. E quando cheguei, tínhamos ensaios aos domingos. Então, quando eu, ela e todos os outros atores da cena podíamos trabalhar juntos, isso economizava um tempão na segunda-feira ou quando íamos gravar as cenas, porque conseguíamos resolver tudo. Aí eu mandava mensagem para ela com as marcações que eu queria testar. Então, ela conquistou a posição por causa dela — e ela é maravilhosa, obviamente, mas também é uma líder incrível. Essa personagem é uma líder complexa, engraçada, inteligente e durona. Excêntrica.
O episódio apresenta o cenário elaborado de Ukeck, construído no modelo chamado The Volume, uma tecnologia de parede de LEDs de alta resolução, com sistema de renderização em tempo real (Unreal Engine), que usado com a parede de realidade aumentada (ARWall) expandiu o mercado alienígena para um ambiente mais amplo e profundo do que o cenário físico sozinho poderia proporcionar. Frakes comparou ao trabalho utilizado em Picard e notou a evolução:

Esse é o The Volume, essa é a nova magia do cinema… E achei que o resultado foi excelente. Foi emocionante estar lá. Reutilizamos, obviamente, os cenários e redecoramos. Mas parecia que não acabava nunca.
Estamos descobrindo como filmar quase em 360 graus agora, o que tem sido… Estamos aprendendo. Na verdade, todos nós — (diretor) Tunde mais do que os outros, obviamente — estamos aprendendo a usar o Volume de forma eficaz. E neste set em particular, ele ficou com muita inveja de eu ter tido a oportunidade de estrear o Ukeck, devo dizer.
Questionado sobre seus projetos atuais e o que viria a seguir no universo Star Trek, Jonathan Frakes foi direto: o episódio que dirigiu para Starfleet Academy — o penúltimo da primeira temporada, “300th Night” — marcou o fim, por enquanto, de sua trajetória como diretor na franquia.
“Esse foi o último Star Trek que dirigi”, confirmou na entrevista ao TrekMovie. Em seguida, mencionou seu trabalho mais recente:
Acabei de fazer alguns episódios desse novo spin-off de The Big Bang Theory, Stewart Fails to Save the Universe, certo? É algo relacionado a Star Trek… ou, digamos, Trek-adjacent.
Perguntado se ainda haveria espaço para mais trabalhos de Frakes, seja na frente das câmeras (como o eterno comandante Riker) ou atrás delas, na direção, a resposta veio acompanhada de otimismo exagerado:
Absolutamente, claro, sou um otimista incorrigível. Não estou pronto para olhar para trás.
E fechou com um tom leve e confiante: “Por que não?”.
Os episódios de Starfleet Academy estão disponíveis no Paramount+
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