ESPECIAL 60 ANOS | A força dos fãs e a reviravolta a partir do fiasco na dublagem de Jornada IV

Star Trek foi rotulada, desde os anos 1970, como a série que se recusava a morrer. Com seu interesse cada vez mais vivo, a despeito de anos sem novos episódios, ela promoveu uma revolução no movimento que se convencionou chamar de fandom – a reunião de aficionados por um mesmo tema – e criou o que veio a ser conhecido mais tarde como uma franquia de entretenimento. Com efeito, nos anos 1990, era referida nos corredores da Paramount como o franchise, por sua capacidade contínua de se reinventar sem depender de personagens ou astros específicos.

Anúncio da primeira convenção de Star Trek, em Nova York, com uma confirmação de última hora da presença de Gene Roddenberry. (Crédito: Reprodução)

Com isso, a série quebrou um padrão na organização dos fãs, que antes tendiam a se organizar mais ao redor de atores ou gêneros de produção do que em propriedades específicas. Nos Estados Unidos, esse movimento começou muito cedo, e a primeira convenção específica sobre Star Trek foi realizada em janeiro de 1972, por um grupo conhecido apenas como The Committee. Uma outra organização, conhecida como Star Trek Welcommittee, é fundada mais tarde naquele ano, não como um fã-clube propriamente dito, mas como um grupo dedicado a conectar fãs espalhados pelos Estados Unidos e pelo mundo. As convenções logo se tornariam lucrativos eventos anuais e acabariam passando a organizadores profissionais. A Creation Entertainment, principal organizadora de eventos desse tipo ligados a Star Trek e atualmente responsável pela gigantesca STLV: Star Trek Las Vegas, foi fundada em 1971.

No Brasil, as coisas demoraram mais a decolar. É verdade que já havia fã-clubes no sentido mais tradicional antes mesmo de Star Trek, que seguiam atores famosos (os mais destacados deles talvez tenham sido os das “rainhas do rádio” Emilinha Borba e Marlene, sucessos dos anos 1930 a 1950. Mas séries de televisão, por sua própria natureza, eram produtos que tinham seu tempo e lugar – fã-clubes apareciam e desapareciam por aqui. Ocorre que Jornada nas Estrelas, como Star Trek, era a série que se recusava a morrer. O surgimento de um movimento mais consistente de fãs começa nos anos 1980.

Em 1983, o jornalista Sérgio Figueiredo (o conhecido Figa) funda o pioneiro Star Trek Fã-Clube do Brasil, que perdura até 1986, sem causar muito impacto – imagine o desafio de encontrar e reunir outros fãs numa época em que não havia internet; o recurso possível era publicar cartas em jornais e revistas, frequentar locais que pudessem reunir outros fãs e tentar convencê-los a se juntarem em causa comum. Nada fácil. Foi nessa mesma toada que surgiu e sumiu, por essa mesma época, o S.A.S.T., Sociedade Amigos de Star Trek.

Star Trek Fã-Clube Brasil, fundado por Sérgio Figueiredo, em 1983 (Crédito: Arquivo/Carlos Amorim)

Contudo, era questão de tempo até que alguma dessas borbulhantes organizações atingissem massa crítica para se manter funcionais e conseguissem de fato arregimentar os fãs desgarrados pelo Brasil. O raio finalmente caiu em São Paulo, em 1989, graças a uma grande sacada de marketing.

FROTA ESTELAR E JETCOM
Um grupo de professores liderados por Luiz Ambrósio (que mais tarde viria a ser conhecido como Luiz Navarro) decidiram tentar de novo o que outros não haviam conseguido: montar um fã-clube de Star Trek no Brasil, a ser usado para divulgar ciência por meio da ficção científica. Coube ao professor universitário Mário Sérgio Galvão Bueno a ideia que distinguiria essa iniciativa das anteriores, algo que possivelmente o coloca como pai da cultura cosplayer no país. Ele sugeriu que os membros do grupo usassem uniformes da Frota Estelar em aparições em ruas movimentadas como forma de chamar atenção para o evento inaugural do grupo, ainda com data e local por definir. Uma costureira de Guarulhos foi contratada para preparar o figurino, e lá foram eles, num final de semana, caminhando pela Avenida Paulista como se fossem um grupo avançado que havia acabado de se teletransportar da USS Enterprise.

Sérgio Sato, Mário Sérgio Galvão Bueno, Luiz Navarro e Cássio Lemos: os uniformizados da Frota Estelar Brasileira entram em ação em 1989. (Crédito: Arquivo/Carlos Amorim)

A palavra cosplay nem existia em 1989, e não era comum manifestações temáticas de cultura pop acontecerem assim, em plena luz do sol, ainda mais em uma das principais avenidas da capital paulista. O truque deu certo. A revista Veja, o Jornal da Tarde e a Folha de S.Paulo se interessaram em contar aos seus leitores quem eram aqueles “malucos”, e o que eles pretendiam com o desfile inusitado.

A primeira convenção de Star Trek no Brasil foi marcada para o Cineclube Bixiga, no dia 3 de junho, um sábado. A entrada custaria 4,50 cruzados novos, que valeria também como inscrição no novo clube.

Um dia antes, a Folha de S.Paulo reservou uma página inteira para falar sobre o nascimento da tal Frota Estelar Brasileira. Em 2 de junho de 1989, a página G-6 do caderno de Ciência veio com o título “Enterprise volta para ensinar as novas gerações”. No texto do jornalista Carlos Antônio Rahal, a filosofia do fã-clube já estava clara: “…os membros adoram ficção científica e se propõem a ensinar ciência por meio dela”. “Na escola se ensina ciência de uma forma tradicional chata, que não motiva o aluno. Queremos aproveitar a fantasia e a ciência que existe em filmes como Jornada nas Estrelas e explicar por que aquilo é ou não possível”, disse o professor Mário Sérgio ao repórter.

Reportagem de uma página na Folha de S.Paulo em 2 de junho de 1989 anunciava o evento com o surgimento da Frota Estelar Brasileira. (Crédito: Reprodução/Folha)

Foto da primeira convenção de Star Trek do Brasil. Na mesa, da direita para a esquerda, Nobert Novotini, Sérgio Figueiredo, Sérgio Sato, Mário Sérgio Galvão Bueno, Luiz Navarro, Cássio Lemos e Gumercindo Dória. (Crédito: Reprodução/Frota Estelar Brasil)

“Os ‘tripulantes’ da Frota Estelar Brasileira entrarão no clube nas patentes mais baixas”, continua a matéria, “e serão promovidos através de cursos.” Aí a ideia da emulação de uma versão da Frota Estelar de Star Trek como fã-clube começava a tomar forma. Os fundadores seriam uma espécie de “alto comando”, composto por postos como capitão, por exemplo, e por meio de cursos, testes, gincanas, contribuições e brincadeiras, os associados que começavam como cadetes iriam subindo de graduação. Uma atividade lúdica inédita no Brasil.

No sábado, a lotação da Sala Paulo Emílio Salles Gomes, no Cineclube Bixiga, era de 120 pessoas. Cerca de 300 apareceram. A movimentação foi tão grande que uma viatura da Polícia Militar que passava por ali parou para que os policiais verificassem o que estava acontecendo. Os trekkers, finalmente, se encontravam e tinham uma voz. Eles repetiriam a dose dali a duas semanas, e outros eventos se seguiriam com sucesso crescente, acompanhados pela publicação de boletins e da revista Diário de Bordo, fanzine oficial do clube.

Diário de Bordo número zero, informativo feito para o lançamento da Frota Estelar Brasileira, hoje uma raridade. (Crédito: Reprodução/Frota Estelar Brasil)

Cristina Nastasi

Naquele mesmo ano, no Rio de Janeiro, o grupo Jornada nas Estrelas, sob a liderança da jornalista Cristina Nastasi, também começava a se reunir para ver episódios juntos e discutir temas relacionados à série. Acabaram barrados no uso do nome, propriedade intelectual da Paramount, e, em 1991, converteram-se no que se tornaria o lendário Jetcom (Jornada nas Estrelas – Terminal de Comunicações), que começa como um fanzine, mas depois assume na prática as funções de um fã-clube, realizando encontros periódicos e mantendo viva a chama de Star Trek na Cidade Maravilhosa pelos anos seguintes.

Bjo Trimble, a fã que salvou Star Trek, fez uma ponta em Jornada nas Estrelas: O Filme; aqui ela aparece em foto ao lado de William Shatner e David Gerrold. (Crédito: StarTrek.com)

Na mesma época, Nastasi também mantinha contato com Bjo Trimble (sem dúvida a mais célebre fã-raiz de Star Trek, responsável, com o marido do John, pela campanha de cartas que salvou a série do cancelamento ao fim da segunda temporada, em 1968) e se converteu na referência mais influente do fandom brasileiro em 10 de outubro de 1989, ao ver sua carta publicada em vários jornais diferentes, dentre eles o Jornal do Brasil, por ocasião da chegada de Jornada nas Estrelas IV: A Volta para Casa (então chamado A Volta para a Terra) à TV aberta.

Sempre admirei a dublagem brasileira e quando esta profissão é atacada, principalmente no meio em que trabalho (jornalismo), sempre fiz questão de defender a qualidade do trabalho dos dubladores nacionais. Mas agora, como telespectadora, cinéfila e representante de duas entidades de fãs de Star Trek, sou obrigada a escrever para protestar contra o trabalho lamentável que a dubladora VTI Rio realizou com o filme Jornada nas Estrelas IV: A Volta para a Terra, exibido recentemente na Tela Quente da TV Globo, no último dia 2.

Lamentável é eufemismo da minha parte, pois temo que as definições ridículo e amador possam ser por demais ofensivas. A VTI simplesmente destruiu um filme que foi sucesso de público, no geral, e é cultuado por uma legião de fãs, em particular, realizando uma das piores dublagens que já ouvi nos últimos tempos, com um nível de interpretação mínimo e uma escolha de elenco das mais infelizes. É visível, ultimamente, que o nível das dublagens vem decaindo, mas neste filme em questão chegou às raias do absurdo, a ponto dos fãs (trekkers) e não fãs, mas que viram o filme e adoraram no cinema, terem desistido de assisti-lo diante do trabalho insuportável que foi realizado.

Um dos leitores da missiva foi Victor Berbara, o dono da empresa de dublagem VTI e da distribuidora Network, então responsável pela entrega das produções da Paramount às redes e emissoras de televisão brasileiras.

Pôster brasileiro de Jornada IV, com o subtítulo original A Volta para a Terra. (Crédito: Arquivo/Fernando Penteriche)

VERSÃO BRASILEIRA VTI-RIO
O quarto filme de Jornada chegou às telinhas brasileiras em 2 de outubro de 1989, mais uma vez na prestigiada Tela Quente, sessão de filmes inéditos que a Rede Globo veiculava às segundas-feiras. A exibição estava pegando carona na publicidade do quinto filme, então nos cinemas brasileiros, e vinha depois do lançamento nacional do longa-metragem nas telonas (em 7 de maio de 1987), com distribuição pela UIP, e nas telinhas, em fitas VHS para locação pela CIC Video (em 1988). Em ambos os casos, só havia disponível a versão legendada.

Logo da Tela Quente em 1989. (Crédito: Logopedia)

A distribuidora e a dubladora no mesmo pacote. (Crédito: Arquivo/Carlos Amorim)

Victor Berbara, pioneiro da TV Brasileira e fundador da Network e da VTI-Rio.

Para a TV aberta, seria preciso produzir uma dublagem e a Network, empresa de Berbara, decidiu passar o trabalho à recém-fundada VTI (de 1987), também do empresário. Nada mais natural. Nada mais perigoso também. Afinal, depois de três filmes dublados por uma empresa do calibre da Herbert Richers, a barra era alta. Ademais, Jornada IV havia se mostrado um grande sucesso de bilheteria (o maior em termos de audiência global, dentre os filmes clássicos), o que naturalmente cobraria mais responsabilidade com o material. Não foi o que se viu.

O elenco em si até que contou com boas escolhas. A apresentação foi feita por Luiz Feier (Steven Siegel em vários filmes); Kirk foi dublado por Waldyr Sant’anna (primeira voz de Homer Simpson), lembrando bastante a voz de Marcos Miranda; Spock foi dublado por um extremamente formal Luiz Motta (Kojak); McCoy e Scotty voltaram a ser dublados por Darci Pedrosa e Orlando Drummond, que fizeram o que puderam com a tradução que receberam; Uhura passou a ser dublada pela ótima Nelly Amaral (Linda Hunt em Silverado), que fez, também, o que pôde; Sulu foi dublado por Dario de Castro, procurando empostar mais sua voz; Chekov foi dublado por Hélio Ribeiro (The Flash), que permaneceu sem sotaque; Sarek foi dublado Newton Martins (primeira voz do tenente Garfield em The Flash); e Gillian foi dublada por Denise Simonetto (Catherine em CSI – Investigação Criminal na dublagem apresentada pela Rede Record), mantendo o charme e simpatia do original.

Waldys Sant’anna

Nelly Amaral

Luiz Motta

O problema principal esteve com a tradução. Além de uma série de infelizes adaptações nos termos técnicos (os faseadores estavam de volta!), temos um texto muito duro e interpretações desmotivadas, em contraste com um filme que apresenta uma aventura bem movimentada e divertida. E o troféu de escolha ruim ficou por conta da escalação da voz da Saavik – a dubladora parece estar lendo um texto, e não interpretando. O contraste entre a atuação de Miriam Ficher no filme anterior é gigante.

Olhando para trás com a generosidade que só a passagem do tempo proporciona, não chega a ser um trabalho tão medonho – e certamente não traz nada tão estúpido quanto os “cristais delirantes” do primeiro filme. Mas há de se compreender a revolta dos fãs – àquela altura mais organizados, capazes de comentar entre si, e ao mesmo tempo frustrados com a inconsistência com que a franquia vinha sendo tratada. Convenhamos: até aquele ponto havia três temporadas da série original, duas do desenho animado e quatro filmes, e sobre essa obra trabalharam quatro estúdios de dublagem diferentes, com incontáveis trocas de vozes e despadronização completa nas traduções, mesmo dentro de uma mesma empresa. Cristina Nastasi tinha razão.

A surpresa aí foi os fãs serem ouvidos – e tão depressa. Victor Berbara era um empresário, mas também era um artista, e a publicação da carta da jornalista serviu como um catalisador para dias melhores na VTI.

“A REUNIÃO”
Com a empresa TV CineSom, em 1960, Berbara foi um dos precursores e idealizadores da dublagem no Brasil. Mas naquela ocasião o empreendimento não decolara. O empresário acabaria justamente conhecido por suas “mil faces”, como publicitário (fundador da agência Century, em 1956) e produtor de televisão e teatro – responsável por trazer grandes musicais da Broadway ao Brasil, como Minha Querida Dama (My Fair Lady), em 1962, Alô, Dolly! (Hello, Dolly!), em 1965, Promises, Promises, em 1970, e Evita, em 1983. Isso sem falar em seu trabalho como compositor, com canções interpretadas por grandes nomes da MPB da época, feitas em parceria com Haroldo Eiras, dentre elas as belíssimas “Adeus, meu amor” (1952), “Noite após noite” (1952), “Ruínas” (1953) e “Dizem por aí” (1954). Empreendedor serial, ele fundaria a Video Interamericana Ltda. em 1968 com a finalidade de produzir audiovisual para o mercado publicitário, e a Network Distribuidora de Filmes Ltda. em  1972 – empresa que teria como a cliente a Paramount Pictures na década de 1980. A VTI-Rio ficaria encarregada de dublar os produtos distribuídos pela Network, o que acabaria representando um acervo de grandes sucessos, como Os Simpsons, JAG – Ases Invencíveis, Arquivo-X, Nova York contra o Crime e Chicago Hope. Naquele 1989, contudo, a empresa estava apenas começando.

Uma das grandes dublagens da VTI, a série cult Arquivo-X.

Sem qualquer sinal de melindre, Berbara leu a carta de Nastasi e fez um movimento admirável: chamou-a, com um grupo de fãs, para conversar. Na reunião, que contou também com a presença do diretor de dublagem Waldyr Sant’anna, a jornalista expôs os problemas com a dublagem do quarto filme e se prontificou a colaborar com a VTI em futuras traduções. Com isso, o Jetcom viria a ser referência para as versões brasileiras de Star Trek dali em diante, inclusive em produções mais modernas, produzidas depois que a própria VTI fechou as portas, em 2008. A maior parte da segunda era televisiva e quase todas as séries da terceira era (exceto Prodigy) foram traduzidas para dublagem por Anna Luísa Araújo, fiel escudeira de Nastasi e responsável por colaborar com a recolocação da dublagem de Jornada nos trilhos. Em 21 de novembro daquele ano, a jornalista voltaria a figurar nas páginas do Jornal do Brasil com mais uma carta.

A reunião entre Victor Berbara e representantes do Jetcom. (Crédito: Jetcom)

Por ocasião da exibição do filme Jornada nas Estrelas IV pela Rede Globo, dirigi uma carta ao Jornal do Brasil protestando contra a qualidade da dublagem realizada pela VTI-Rio. Em uma rara demonstração de consideração pela opinião do público e interesse em não se acomodar em uma posição de dona da verdade profissional, a direção da dubladora VTI convidou a entidade de fãs do referido filme, a qual represento, para conhecer seus estúdios e fazer uma avaliação em conjunto do trabalho por eles desenvolvido, convite este que foi o primeiro passo de um projeto que desejam implantar para manter contato direto com o público espectador e, dessa forma, contribuir para o aperfeiçoamento técnico e artístico de sua atividade.

Gostaria de elogiar este comportamento tão pouco comum em se tratando de Brasil e expressar minha satisfação por ter nossos protestos ouvidos e avaliados. E, principalmente, gostaria de destacar o fato de que, com esta atitude, a direção e os profissionais da VTI-Rio demonstraram o valor que dão à própria profissão e o respeito que têm por aqueles que acompanham com vivo interesse e admiração o seu trabalho.

 A ÚLTIMA FRONTEIRA (OU A FRONTEIRA FINAL?)
Empoderada pela conversa com Berbara e pela parceria entre o grupo que viria a ser conhecido como Jetcom e a VTI, Nastasi tentou dobrar a aposta quando o quinto filme de Star Trek chegou aos cinemas brasileiros, em 6 de outubro de 1989. A UIP, distribuidora responsável pelo lançamento, batizou o filme de Jornada nas Estrelas V: A Última Fronteira, o que para muitos fãs era uma afronta, dado que o nome original em inglês era The Final Frontier, uma expressão icônica da saga que, a despeito de todas as variações que traduções trouxeram ao longo dos anos, sempre foi vertida para o português como “a fronteira final”. Nastasi mais uma vez protestou, mas nem a UIP, nem a CIC Video (que lançou o VHS legendado no Brasil em 1990), esquentaram a cabeça com isso, e o filme continuou oficialmente batizado, como é até hoje, de A Última Fronteira. Menos na vindoura dublagem da VTI.

Anúncio de Jornada V nos cinemas brasileiros.

O filme chegaria à TV brasileira mais uma vez pela Rede Globo, na Tela Quente, em 9 de setembro de 1991 – apenas um dia após o aniversário oficial de 25 anos de Star Trek. O longa-metragem dirigido por William Shatner não seria vilanizado, tampouco elogiado, pelo jornalista Carlos Heli de Oliveira, em sua coluna intitulada “Os 25 anos da Enterprise”, publicada no Jornal do Brasil daquele 9 de setembro:

“(….) Nem por isso é o melhor filme da série. Nem tão pouco é o pior. É simplesmente o mais íntimo deles: os personagens passam a maior parte do tempo trocando figurinhas. Para deleite dos velhos fãs do programa e cúmplices do herói, que vão se reunir em volta da telinha para relembrar o passado e cantar parabéns (….).”

OJornal do Brasil destaca em 1991 o aniversário da saga e a chegada do quinto filme à televisão brasileira.

A tradução para a versão brasileira da VTI-Rio, como se haveria de esperar, trazia muitas melhorias e mais consistência, além de uma pequena vingança do pessoal do Jetcom: o apresentador orgulhosamente proclama o título do filme como Jornada nas Estrelas V: A Fronteira Final.

Dario de Castro foi Sulu em Jornada IV e Chekov em Jornada V; mais tarde ele faria a voz brasileira do capitão Archer, em Enterprise.

Hélio Ribeiro foi Chekov em Jornada IV e Sulu em Jornada V.

Por exigência da Globo, as vozes do filme anterior foram praticamente todas mantidas. Waldyr Sant’anna é Kirk, Luiz Motta é Spock, Darci Pedrosa é McCoy, Orlando Drummond é Scotty e Nelly Amaral é Uhura. Outros dois dubladores também retornaram para a quinta aventura, mas em papéis trocados: desta vez Hélio Ribeiro é Sulu e Dário de Castro é Chekov – sem sotaque, novamente. Já Sybok foi dublado pelo ótimo Pietro Mario (Tony Soprano em Família Soprano); St. John Talbot ficou com a voz de Alfredo Martins, mais expressivo que o original, e Klaa, nas poucas frases que tem em inglês, teve a voz do (então) jovem e (até hoje) versátil Guilherme Briggs – fã de Star Trek e uma das “revelações” do Jetcom para o mundo da dublagem.

Contudo, essa seria apenas uma das contribuições relevantes de Cristina Nastasi e sua trupe para o futuro de Jornada nas Estrelas no Brasil. Após anos ausente da TV, a Série Clássica voltaria às telinhas naquele 1991 – distribuída pela Network, redublada pela VTI, traduzida com o apoio do Jetcom e exibida pela TV Manchete, acompanhada por sua irmã mais nova, Jornada nas Estrelas: A Nova Geração.

Continua…

Carlos Amorim é advogado e pesquisador de dublagem e entretenimento, podendo ser encontrado nas redes sociais no Cinetvnews Virtual. Colaborou Salvador Nogueira.

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