DS9 1×01: Emissary

Piloto dá introdução sensível e coerente para personagens e ambiente de DS9. Leia agora a revisão do Trek Brasilis para “Emissary”, partes 1 e 2, de Jornada nas Estrelas: Deep Space Nine.

Sinopse:

Data Estelar: 46379.1.

Durante a batalha de Wolf 359, o comandante Benjamin Sisko perdeu sua esposa, tendo sido obrigado a cuidar sozinho de seu único filho, Jake. Três anos depois, ele é ordenado a seguir para Deep Space Nine, uma velha estação de mineração Cardassiana em órbita de Bajor, planeta que passou as últimas décadas sob a cruel jurisdição de Cardássia.

A Federação administraria a estação atendendo a um pedido do governo provisório bajoriano, para ajudar a proteger e a reconstruir o planeta devastado.

Após se encontrar com a líder espiritual local, Kai Opaka, Sisko sai à procura do “Templo Celestial dos Profetas”. O que ele encontra é um buraco de verme, a “Fenda Espacial”, que liga a região de Bajor ao quadrante Gama, do outro lado da galáxia.

No interior do fenômeno, vivem estranhos alienígenas. Após contatá-los, o comandante Sisko consegue fazer com que a passagem permaneça aberta em definitivo, trazendo nova importância econômica e cultural para Bajor e Deep Space Nine.

Comentários:

“Emissary” é um grande episódio, não só como piloto para uma nova série, mas também como uma grande história de ficção científica.

No plano filosófico, um dos fortes de Jornada nas Estrelas, o episódio apresenta alguns temas interessantes. Em primeiro lugar, levanta uma questão no melhor estilo de Erich von Daniken, autor do livro “Eram os Deuses Astronautas?”. Nesta obra, Daniken propõe a teoria de que muitas das divindades existentes nos diversos mitos e religiões da Terra sejam baseados na visita de seres extraterrestres ao planeta durante a Antiguidade.

Da mesma maneira, “Emissary” mostra o impacto que pode ter um buraco de verme ao lado de um planeta, habitado por estranhos seres alienígenas. É a realidade inspirando a religião.

Não é difícil entender por que os bajorianos vêem os alienígenas do “Templo Celestial” – como eles chamam a Fenda Espacial – como “Profetas” – trata-se de uma espécie que não percebe o tempo linearmente, como o fazemos.

Para quem não conhece a noção de tempo, não há passado, nem presente e muito menos futuro. Tudo é definido como “existência”. Para alguém nessas condições, não é difícil conhecer e antecipar o futuro, meio de vida de um profeta.

A idéia, além de dramaticamente interessante, não é um delírio de pseudo-ciência. Embora improvável, é possível a existência de seres sem a noção que nós temos de tempo, já que este não passa de uma impressão de uma quarta dimensão em um ambiente tri-dimensional. Seres quadridimensionais poderiam facilmente eliminar o tempo como uma noção distinta do espaço em si. Ir ao passado ou ao futuro seria o mesmo que ir para a esquerda ou para a direita.

A discussão entre Sisko e os Profetas é simplesmente sensacional, pois define a condição humana a partir de um ponto de vista singular: nosso maior parâmetro de definição é a linearidade, ou seja, a incapacidade de transcender o presente.

Para explicar isso, Sisko usa como exemplo um jogo de beisebol. De fato, a graça, como ele explicou, está em que não sabemos o que vai acontecer na próxima jogada. Por isso, somos obrigados a refletir, na tentativa de superar nossas deficiências e antecipar todas as situações possíveis. É a falta de conhecimento do futuro que nos obriga a raciocinar!

Saindo do campo da reflexão e voltando ao campo da construção dos elementos da série, vemos que o episódio não perde sua riqueza. Além da introdução consistente e sensível de todos os seus personagens regulares, fica a certeza de que a ida de Sisko a Deep Space Nine não é apenas uma obra do acaso.

O encontro de Sisko com os Profetas, seres que fazem perguntas como “quem é você”, “o que é você” e “por que você existe aqui” parecem indicar o tom para uma série com grande foco em seus personagens, suas motivações, crenças, dilemas e conflitos internos.

O eco disso está no próprio episódio. Em 90 minutos, descobrimos a essência de Odo – a busca de outros transmorfos -, a relação conflituosa de Kira Nerys com o governo provisório de Bajor, Cardássia e a Federação, o espírito aventureiro do doutor Bashir, a natureza simbiótica de Jadzia Dax e a relação de amor e ódio entre Quark e Odo.

Desde suas primeiras horas, Deep Space Nine já prometia aventuras dignas do nome de Jornada nas Estrelas e que iriam além, navegando em águas que nem a Série Original, nem A Nova Geração ousaram transitar.

Citações:

Odo – “You are a gambler… and a thief!”
(“Você é um jogador… e um ladrão!”)
Quark – “If I am, you haven’t been able to prove it for four years!”
(“Se eu sou, você foi incapaz de provar em quatro anos!”)

Kai Opaka – “I can not give you what you deny yourself.”
(“Não posso dar o que você nega a si mesmo.”)

Bashir – “This is where adventure is… this is where heroes are made… right here… in the wilderness.”
(“Aqui é onde está a aventura… aqui é onde os heróis são feitos… bem aqui… na região selvagem.”)
Kira – “This wilderness is my home.”
(“Essa região selvagem é o meu lar.”)

Trivia:

  • O episódio abre com cenas da batalha de “Wolf 359” que foi referida, mas não mostrada, no episódio de A Nova Geração “The Best Of Both Worlds”.
  • Presença de Patrick Stewart, como Jean Luc Picard e como Locutus, e da Enterprise-D.
  • A introdução do personagem Gul Dukat (vivido por Marc Alaimo), antigo comandante de DS9 (naquela época ainda chamada de Terok Nor) quando da ocupação Cardassiana. Dukat é o grande vilão da série.
  • A introdução de Morn (Mark Allan Shephard), o mascote da série, Mark nunca proferiu uma linha de roteiro sequer, sendo por isto sempre pago como um “extra”, apesar de ser uma piada recorrente na série o fato de Morn “falar demais”, mas sempre fora de cena.
  • A introdução do sobrinho de Quark: Nog (vivido por Aron Eisenberg). A introdução do irmão de Quark, Rom (vivido por Max Grodénchik). De fato, Armim e Max foram os finalistas para o papel de Quark, Armim ficou com o papel de Quark e Max com o de Rom.
  • A presença de Felecia M. Bell como Jennifer Sisko, que voltaria a série ainda por mais duas vezes como a contraparte de Jennifer do Universo do Espelho, visto pela primeira vez no episódio da Série Original, “Mirror, Mirror”.
  • Presença de J.G.Hertzler (que depois seria bem conhecido como o General/Chanceler Martok), como o capitão Vulcano da Saratoga.
  • Os runabouts (traduzidos por “exploradores”) Rio Grande (o famoso “runabout indestrutível”, que sobreviveu às sete temporadas da série), Yangtzee Kiang e Ganges são introduzidos neste episódio.
  • Introdução da personagem Kai Opaka (vivida por Camille Saviola), que voltaria por mais três vezes durante a série.
  • Picard diz claramente que a missão de Sisko é promover a entrada de Bajor na Federação sem violar a diretriz primeira.
  • Dos nove “Orbs”(“Lágrimas dos Profetas”) enviados pelos Profetas, oito estão em poder dos Cardassianos, segundo Kai Opaka.
  • “Fenda Espacial” é o mesmo que o “Templo Celestial” e os “Alienígenas da Fenda Espacial” são conhecidos pelos Bajorianos como os “Profetas”.

Ficha técnica:

História de Rick Berman e Michael Piller
Roteiro de Michael Piller
Direção de David Carson
Exibido em 04/01/1993
Produção: 001

Elenco:

Avery Brooks como Benjamin Lafayette Sisko
René Auberjonois como Odo
Nana Visitor como Kira Nerys
Colm Meaney como Miles Edward O’Brien
Siddig El Fadil como Julian Subatoi Bashir
Armin Shimerman como Quark
Terry Farrell como Jadzia Dax
Cirroc Lofton como Jake Sisko

Elenco convidado:

Patrick Stewart como Jean-Luc Picard
Camille Saviola como kai Opaka
Felecia M. Bell como Jennifer Sisko
Marc Alaimo como gul Dukat
Joel Swetow como gul Jasad
Aron Eisenberg como Nog
Stephen Davies como oficial tático da Saratoga
Max Grodénchik como Rom
Steve Rankin como oficial Cardassiano
Lily Mariye como oficial do OPS
Cassandra Byram como oficial de manobra
Joah Noah Hertzler como capitão Vulcano
April Grace como chefe de transporte da Enterprise
Kevin McDermott como um alienígena
Parker Whitman como um oficial Cardassiano
William Powell-Blair como um oficial Cardassiano
Frank Owen Smith como Curzon Dax
Lynnda Ferguson como Doran
Megan Butler como tenente
Stephen Rowe como um monge
Thomas Hobson como jovem Jake Sisko
Donald Hotton como um monge
Gene Armor como burocrata Bajoriano
Diana Cignoni como uma garota de Dabo
Judi Durand como voz do computador Bajoriano
Majel Barrett como voz do computador da Federação

18 Comments on "DS9 1×01: Emissary"

  1. “Introdução da personagem Kai Opaka (vivida por Camille Saviola), que voltaria por mais três vezes durante a série”.
    Só três? Ela apareceu várias vezes.

  2. Acho que você está confundindo com a outra Kai que veio depois…
    Se bem me lembro, a Opaka foi deixada num planeta que tinha uma guerra, ainda na primeira temporada, não sei se reapareceu depois…

  3. Quando a série estreou na Record em 1994, eu fiquei espantado com a qualidade dessa primeira temporada (acho que eu esperava uma primeira temporada igual a da NG, horrível)

    É o melhor episódio-piloto das derivadas de Jornada.

    Chamada de estréia:

    http://br.youtube.com/watch?v=jkXZv36sQfE

  4. Acabei de ver as 2 primeiras temporadas dessa série q, na minha opinião, é a melhor da franquia.

    Kai Opaka só aparece 3 vees mesmo, ela é deixada em um planeta, pois ela morre, mas volta a vida através de nanorobôs que fazem o corpo dela funcionar de novo, se não me engano.

    O problema é que ela não pode mais sair do planeta, senão eles param de funcionar por algum motivo q eu n me lembro bem e ela morre.

    No final da segunda temporada que aparece outra Kai, que fica até o fim do seriado e ela é muito “amada” por todos!!!

  5. Sem dúvida é a série de Jornada nas Estrelas que mais soube explorar os seus personagens. É em DS9 que se encontram,ao meu ver,a maioria dos bons episódios de todas as séries.

  6. ds9 sem querer explora todas as ideias de gene.muito bom pra mim tb é a melhor pena nunca ter visto sisko e cia na telona.

  7. O Emissário é fantástico.
    É exatamente o tipo de Jornada que eu adoro.

  8. Mariana Gamberger | 6 de dezembro de 2008 at 7:36 am |

    Ela aparece depois sim, mas somente como uma visao do Sisko. So nao me lembro agora quantas vezes e em quais episodios.

  9. Mariana Gamberger | 6 de dezembro de 2008 at 7:39 am |

    Ou talvez eu tenha me enganado. Dei uma olhada no IMDB e ela esta listada apenas em 4 episodios mesmo.

    “Star Trek: Deep Space Nine” …. Kai Opaka (4 episodes, 1993-1996)
    – Accession (1996) TV episode …. Kai Opaka
    – The Collaborator (1994) TV episode …. Kai Opaka
    – Battle Lines (1993) TV episode …. Kai Opaka
    – Emissary (1993) TV episode …. Kai Opaka

    Os episodios que ela aparece em visoes e/ou lembrancas sao Accession e The Collaborator.

    Nao sei porque eu achava que o Sisko ainda a via em outros encontros com os Profetas.

  10. Dúvidas ????
    ”O encontro de Sisko com os Profetas, seres que fazem perguntas como “quem é você”, “o que é você” e “por que você existe aqui” ”.

    Sisko não estava predestinado a ir para Bajor por vontade dos profetas ?

  11. DS9 Para mim é a melhor série de Jornada, há episódios muito melhores que a maioria dos filmes para cinema, aproveitando, gostaria de saber se há previsão para o 4º ano da série em DVD ? aqui no Brasil ?

  12. Alexandre Madruga | 6 de dezembro de 2008 at 1:59 pm |

    A série foi fantástica, apesar do tom de guerra fortemente demasiado ao fim. No entanto, concordo com muitos… Foi uma bela série. A evolução dos personagens, assim como o aproveitamento de alguns de NG foi fantástico.

  13. Não confundi Opaka com a Winn. Na minha cabeça Opaka tinha aparecido mais do que três vezes. Ainda, já que ‘lembramos’ dela, me dá a impressão que Opaka era uma daquelas personagens que tinha sentido em ficar naquele planeta para retornar ao fim da série ou coisa e tal, o que no fim, nunca aconteceu.

  14. cesar antonio r martins | 7 de dezembro de 2008 at 10:25 am |

    Post 4^, fabiofbg.

    A outra “kai” (representada por Louise Fletcher) aparece primeiramente no último episódio da 1.ª temporada “Nas mãos dos Profetas”, embora ela ainda não seja kai, e sim vedek, a inescrupulosa Vedek Winn.

    A-koo-che-moya, Gene …

  15. Concordo com suas impressões, Hollander.

  16. Luiz Castanheira | 9 de dezembro de 2008 at 11:27 am |

    So many memories…

    Michael Piller escreveu assim (com algumas edições minhas) um dos melhores momentos de Jornada:

    “(…)

    SISKO
    I was ready to die with her…

    TACTICAL OFFICER ALIEN
    “Die” – what is this?

    And it is Jennifer Alien who answers… as understanding
    begins to grow…

    JENNIFER ALIEN
    The termination of their linear
    existence.

    JENNIFER ALIEN AND SISKO (OPTICAL)

    As she studies him and sees his pain… and then reaches out
    and places it on his shoulder with comfort… he reacts to
    the touch of her hand and looks into her eyes… and they
    aren’t so alien anymore… it is the first overt physical
    contact they have made with him… a link… an
    understanding… she looks back at the scene —

    TACTICAL OFFICER
    Now, sir…

    As the Tactical Officer lifts him by the shoulder…
    He continues to pull him out of the room…

    SISKO #2
    Dammit… we can’t leave her here…

    During the above, Sisko is beginning to make a realization…

    SISKO
    I’ve never left this ship…

    JENNIFER ALIEN
    You exist here.

    SISKO
    I… exist here.

    The Tactical Officer leads Sisko #2 out… Sisko steps slowly
    forward and moves to his dead wife taking the place of his
    double… picks up her hand…

    SISKO (to the aliens)
    I don’t know if you can understand.
    I see her like this every time I
    close my eyes… in the darkness in
    the blink of an eye, she’s there…
    like this…

    JENNIFER ALIEN
    None of your past experiences helped
    prepare you for this consequence…

    Sisko shakes his head, slowly…

    SISKO (softly)
    And I’ve never figured out how to
    live without her.

    JENNIFER ALIEN
    So you choose to exist here.

    He nods, unable to speak… she moves closer…

    JENNIFER ALIEN
    It is not linear.

    And of course it is so simple in its truth…

    SISKO
    NO. IT’S NOT… LINEAR.

    Sisko gently places down the hand of his dead wife…
    and as he accepts that this is really the end of their
    life together, tears roll down his cheeks, and he
    begins to truly grieve his loss. After a beat, he
    stands, turns… and Jennifer alien is no longer there.
    He understands, exchanges a meaningful look with the remaining
    three aliens (Tactical officer, Opaka, and Jake). In this
    moment, two species have finally come to understand one
    another… to learn from one another… it is the end to the
    conflict… and the beginning of a shared future. There is
    something of a compassionate smile from Jake alien that seals
    it… and as Sisko returns his smile with an appreciation
    for what they’ve done…thoughtful, showing the impact of what has occurred…
    heartbeat… breathing…”

    Peldor Joi
    Castanha

  17. Moderador, estou fazendo alguns testes, tenha paciência

    [b]teste[/b]

    😀
    😀
    😛
    😮

  18. Código típico de fórum classe phpBB não funciona na parte de comentários, Observador. Você deve usar HTML convencional.

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