Comemorando 40 anos… e um dia!

Quero aqui dar meu pequeno depoimento sobre a idéia de um criador fantástico e uma genial equipe de colaboradores ao longo de quarenta anos. Mas, quem sou eu dentro de uma franquia que fatura cerca de 4 bilhões de dólares?! Fico pensando sobre o motivo de, nos últimos 38 anos, eu ver e rever episódios de Jornada nas Estrelas e continuar comprando fitas, DVDs, revistas, naves para montar, livros, etc.

Suspeito de que é válida a explicação comentada por Bill Shatner, da série ser uma obra mitológica do mundo moderno.De certo modo, também acho que a resposta é a mesma dos milhões de trekkers espalhados pelo mundo. Quantos de nós ficamos muito contentes e participamos de eventos nas nossas e em outras cidades, como os eventos que já fizemos, ao longo de vários anos, aqui no Rio? É uma satisfação muito grande ver que há uma grande difusão de informações entre os fãs, com a internet e outros meios. Assim como é legal ver algo como “New Voyagers” e as diversas citações implícitas e explícitas em outras séries e filmes de cinema e televisão.

Tenho ainda uma grande alegria em ler o TB todas as semanas e ver que nossa equipe trabalha muito bem para fazer circular as informações sobre Jornada, no Brasil e nos quatro quadrantes da Galáxia. Nem tenho palavras para descrever a satisfação em participar deste portal praticamente desde o seu início e escrever algo sobre a franquia.

O sucesso da série está espalhado por aí, de diversas formas e dá prazer ver gente como Shatner e Patrick Stewart trabalhando bem e sendo indicados para ganhar prêmios na televisão por demonstrar o seu talento para além da ponte da Enterprise. Isso vale ainda para vários outros atores e atrizes principais e coadjuvantes que passaram pelas séries e filmes, empestando sua capacidade de representar personagens inesquecíveis na saga criada por Roddenberry. Não sei não, mas acho que a Paramount já poderia convidar uma das minhas musas, Mariska Hargitay, para ser uma vilã no próximo filme.

Alguns amigos, colegas e namoradas já me deram muitos presentinhos de Jornada, que estão espalhados da cozinha ao quarto de minha casa. Meu primo, César, já disse que eu e ele não teríamos a profissão que exercemos atualmente se não fosse essa série: ele é professor de engenharia mecânica, eu de filosofia e ciências sociais. Concordo plenamente e fico apresentando algo sobre os episódios e filmes de Jornada nos meus textos e cursos na universidade para proveito dos estudantes.

No meu curso sobre educação e direitos humanos, onde se discutiam as diversas formas de discriminação, eu lembrei aos alunos, que apresentavam um seminário sobre discriminação, os 40 anos de Jornada e a sua proposta revolucionária de diversidade étnico-cultural e tolerância com a diferença social, revolucionária para a época.

Hoje mesmo, revi “Plato’s Stepchildren”, que mostra isso através do primeiro beijo inter-racial entre Kirk e Uhura. No mês passado outros alunos meus viram “Patterns of Force”, para analisar a questão do horror da guerra e do nazismo, num curso sobre educação militar.

Há uns quinze anos, eu estava na fila de um banco, lendo o livro do filme “Jornada VI – A Terra Desconhecida”, lançado pela editora Aleph, e encontrei um colega de infância que implicava comigo, me chamando de Spock, por ter mania de querer saber de tudo e porque eu era orelhudo. Ele me disse: “tu sempre gostou dessas coisas aí, né?!” Noutra vez, uma amiga canadense chegou à casa de meus pais e viu um retrato de “carinhas” (era assim nos anos 60-70) apontando para o fato de eu parecer muito sério e orelhudo, assim como um certo vulcano… Minha irmã e minha sobrinha também têm orelhas pontudas, o que denota uma certa preferência da família por esse personagem.

Na véspera do último dia dos pais, estávamos sentados no sofá aqui de casa e eu explicava para minha sobrinha os nomes de todos os capitães da Enterprise, Voyager e Deep Space Nine, depois de vermos uma reprise da série na televisão. Meu pai olhou e achou graça, pois ela, que já viu toda a Série Clássica com a minha irmã, me pediu para dar-lhe uma nave, dizendo que gostava muito de “Shore Leave”, por causa do coelho e da Alice. Assim, o gosto pela série vai passando pelas três gerações de minha família, com exceção de mamãe, que não é chegada ao gênero e suspeita que esse negócio de homem ir pro espaço é uma afronta aos mandamentos divinos.

Ninguém gosta de segundas-feiras. Eu tento começar as minhas de modo agradável, lendo o TB e um livro de literatura em geral ou ficção científica em particular, de preferência Jornada. Atualmente leio “First Frontier” de Diane Carey e Dr. James I. Kirkland, sobre uma aventura da tripulação original, no que seria a Terra no tempo dos dinossauros. Farei uma resenha depois que terminar a leitura, daqui a algum tempo. É sempre importante dar uma olhada naquilo que foi romanceado por vários autores, que podem explorar facetas dos personagens e aventuras que não são consideradas canônicas, mas têm uma grande qualidade e contribuem para o caixa dos produtores, mas, nos dá uma boa dose de combinação entre entretenimento e cultura. Aqui na minha estante tem vários deles, que esperam quem quiser algum emprestado, assim como estou atrás de alguma alma caridosa que queira ganhar um monte de fitas VHS porque não há mais espaço para elas depois da chegada dos DVDs.

E assim, vamos vivendo no universo criado por Roddenberry, esperando pra ver o que vem por aí, na avalanche de comemorações por todo o mundo, para o aniversário de uma produção de massa que marcou a cultura do século 20 para além dos telefones celulares, PCs, disquetes, internet, parabólicas e portas automáticas. Penso que, apesar dos abalos da franquia e os fracos motivos de grandes expectativas sobre o que se anuncia para o cinema no futuro próximo, Jornada sempre será única na sua maneira de apresentar histórias e personagens que nos mostram como é rica e fascinante a condição humana.

Que o Grande Pássaro da Galáxia continue inspirando as aventuras que vêm por aí.

Cláudio Silveira é colaborador do TB desde o seu início em 1999. Professor de Ciências Sociais e Filosofia, no site é responsável pelas colunas dos filmes de Jornada.


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