VOY 2×13: Prototype

História com baixo valor de produção e má caracterização tem tom moralista

Sinopse

Data estelar: desconhecida

Após a tripulação transportar um robô desativado a bordo, B’Elanna Torres trabalha noite e dia para religar o misterioso ser mecânico. Após várias tentativas, a engenheiro-chefe finalmente encontra uma fonte de força apropriada e fica encantada ao reativar a forma de vida artificial.

O robô se apresenta como Unidade Automática 3947, um de uma quase extinta linha de trabalhadores criada pelos pralor, uma espécie humanoide que não existe mais. Ele pede que Torres construa o protótipo de um módulo de energia para a criação de unidades adicionais, mas Janeway aponta que esta seria uma violação da Primeira Diretriz.

A unidade não iria aceitar “não” como resposta. Antes de ser devolvida a sua nave, ela deixa Torres inconsciente e a sequestra, levando-a ao veículo pralor, onde outros robôs os esperam.

Para a insatisfação de Janeway, a tripulação é incapaz de penetrar um escudo de defesa subespacial que envolve a nave pralor e o comunicador de Torres é desativado pelos robôs. Quando a Voyager dispara contra a nave alienígena, os robôs respondem com um violento ataque que ameaça destruir a nave da Federação. Para interromper a agressão, Torres concorda em construir o protótipo.

Enquanto a tripulação da Voyager planeja um resgate, Torres descobre que os robôs são incapazes de produzir seu próprio protótipo porque cada módulo tem um código individual de energia. Ela cria um módulo padrão, capaz de funcionar com qualquer unidade.

Outra nave se aproxima, tripulada por robôs parecidos. Ela começa a atacar a nave onde está Torres e a engenheira descobre que os construtores desses robôs, os cravics, usaram as máquinas para lutar sua guerra contra os construtores pralor.

Todos os robôs guerreiros foram programados para vencer, mas quando os humanoides pralor e cravic decidiram por uma trégua, os robôs os destruíram e continuaram sua batalha. O novo protótipo que Torres havia criado permitiria aos robôs pralor vencer a guerra contra seus inimigos. Horrorizada, Torres destrói o protótipo, e a tripulação consegue transportá-la da nave pralor, deixando os robôs continuarem sua guerra.

Comentários

A apologia à Primeira Diretriz chega com força total em “Prototype”. Janeway nem parece a mesma capitã que na semana anterior estava negociando armas e provisões com rebeldes em um planeta alienígena. Desta vez, ela volta à sua inflexível defesa da regra máxima da Frota Estelar.

E o mais engraçado é que o começo do episódio nos faz pensar que ela está sendo radical demais em negar aos robôs a chance de procriar. Começamos torcendo para que ela deixe de bobeira, nos alinhando à posição adotada por B’Elanna. Graças a isso, podemos também sentir o horror da engenheira quando ela descobre que coisa terrível ela havia feito ao criar o protótipo.

Portanto, bem ou mal, o roteiro foi muito esperto: queria passar uma mensagem moral, defendendo a razão absoluta da Primeira Diretriz, e conseguiu. Pena que algumas coisas tenham sido sacrificadas no caminho.

Para começar, não dá para entender a obsessão de Torres para colocar o robô em funcionamento. Faltou algum elemento que justificasse esse comportamento. Pode parecer um problema bobo, mas ele serve como parâmetro para que entendamos um dos maiores problemas de Voyager: a caracterização dos personagens.

No caso, a obsessão de B’Elanna não faz parte de seu rol básico de características. Ela foi introduzida sem mais nem menos pelos roteiristas só para dar andamento à história. O problema é especialmente lamentável por poder ser facilmente corrigido, com uma ou duas frases de diálogo.

Em vez disso, o roteiro negligencia completamente os conflitos enfrentados por B’Elanna no decorrer do seriado. Parece que suas tendências klingons foram colocadas de lado e a tenente vira “material da Frota” de um episódio para o outro.

O que vemos aqui, assim como em futuros episódios da temporada, é um lado mais tranquilo de Torres, o que é um grande desperdício de tempo e histórias. Por exemplo, o modo como ela encara os protocolos da Voyager desde “Prime Factors” a nivela a qualquer outro tripulante que passou pela Academia. Ela preferiria morrer a decepcionar Janeway novamente. Daí surge uma contradição, pois a personagem é tão orgulhosa por ser Maquis quanto oficial da Frota.

Além disso, o episódio não quis se apropriar apenas do moralismo da Série Clássica, com suas típicas “mensagens da semana”. Optou também por rechear a história com alguns elementos de produções baratas, como a da série original. Em destaque, os robôs, um dos piores trabalhos de maquiagem da história do franchise – principalmente porque poderia ter sido bem melhor.

Em termos de estrutura narrativa, o diretor Jonathan Frakes faz bom uso de alguns recursos, como a visão em primeira pessoa do robô e algumas tomadas mais agitadas, mas nada que seja verdadeiramente revolucionário. O feijão com arroz habitual.

No final das contas, trata-se de um episódio mediano. Só não é bom pelos já mencionados baixos valores de produção e a falta de cuidado na caracterização dos personagens. O tema é bom, e trata-se de uma interessante peça de ficção científica. Pena que seja uma tecla que já foi tão batida em Jornada nas Estrelas, e outrora com toques mais qualificados.

Avaliação

Citações

“It would be inadvisable for your captain to provoke us.”
(Seria desaconselhável para sua capitã nos provocar.)
3947

“Who are we to swoop in, play God, then continue on our way without the slightest consideration of the long-term effects of our actions?”
(Quem somos nós para chegar, brincar de Deus, então continuar nosso caminho sem a menor consideração sobre os efeitos de longo prazo de nossas ações?)
Janeway

“39… do you mind if I call you ’39’?”
“I am 3947.”
(39… você se importaria se eu te chamasse de ’39’?)
(Eu sou 3947.)
B’Elanna e 3947

“I’m a doctor, not an engineer.”
(Eu sou um médico, não um engenheiro)
Doutor

“You don’t mind if the rest of us give you a little help, do you Paris? I’d hate to lose another shuttle.”
(Você não se importa se nós dermos uma mãozinha, não é Paris? Eu odiaria perder outra nave auxiliar.)
Chakotay

Trivia

  • Jonathan Frakes (William Riker) dirigiu o episódio. Em entrevista, ele reclamou do baixo custo da produção, que resultou num visual bobo dos robôs em que a história se centrava.

Ficha Técnica

Escrito por Nicholas Corea
Dirigido por Jonathan Frakes

Exibido em 15 de janeiro de 1996

Título em português: “Protótipo”

Elenco

Kate Mulgrew como Kathryn Janeway
Robert Beltran como Chakotay
Roxann Biggs-Dawson como B’Elanna Torres
Robert Duncan McNeill como Tom Paris
Jennifer Lien como Kes
Ethan Phillips como Neelix
Robert Picardo como Doutor
Tim Russ como Tuvok
Garret Wang como Harry Kim

Elenco convidado

Rick Worthy como 3947
Hugh Hodgin como 6263

Enquete

Edição de Stéphanie Cristina
Revisão de Roberta Manaa

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