TOS 1×10: The Corbomite Maneuver

História fornece retrato da missão da Enterprise diante do desconhecido

Sinopse

Data estelar: 1512.2.

Ao explorar uma região não mapeada do espaço, a USS Enterprise encontra uma boia espacial alienígena em formato de cubo. O artefato tinha como objetivo afastar naves passantes, bloqueando o caminho à frente.

Quando a boia começa a emitir níveis intoleráveis de radiação, Kirk ordena um disparo de feisers para destruí-la. A nave prossegue no mesmo curso, na esperança de encontrar a civilização responsável pelo bloqueio, o que não tarda a acontecer. Uma nave gigantesca e esférica, a Fesarius, logo intercepta a Enterprise, capturando-a.

Um ser que se identifica como Balok entra em contato e diz a Kirk que a Enterprise violou o espaço da Primeira Federação e por isso será destruída. Kirk, aplicando um blefe reminiscente de jogos de pôquer, tenta convencer Balok de que um dispositivo chamado corbomite causa a destruição imediata de qualquer nave que ataque a Enterprise.

Acreditando em Kirk, a Fesaruius decide cancelar a destruição da Enterprise e apenas levá-la sob custódia até um planeta da Primeira Federação, onde a tripulação seria desembarcada e a nave, desmontada.

Um pequeno veículo sai da Fesarius e trava um raio trator na Enterprise, conduzindo-a a seu destino. Após forçar os motores ao máximo, Kirk consegue escapar do raio trator, causando a debilitação da nave inimiga, que então envia um pedido de socorro à Fesarius.

Kirk, McCoy e o tenente Bailey formam um grupo que irá à nave alienígena para prestar assistência. Ao chegar lá, eles descobrem que os dois veículos eram comandados por apenas uma entidade amigável e parecida com uma criança. Ela usava o alter ego antes visto pela Enterprise apenas como uma forma de intimidar potenciais inimigos, sabendo que sua real estatura seria muito menos assustadora.

O grupo descobre também que a nave alienígena não foi danificada, mas que Balok estava apenas testando a Enterprise para ver se seus tripulantes eram tão pacíficos quanto diziam ser.

O encontro termina com o estabelecimento de relações diplomáticas, e o tenente Bailey fica a bordo da Fesarius como um estudante em intercâmbio para aprender os costumes alienígenas e ensinar os valores de seu povo.

Comentários

“The Corbomite Maneuver” é uma história que trabalha acima de tudo com a verossimilhança, abordando as dificuldades que permeiam o primeiro contato com outras culturas. Na colcha de retalhos entram a incompreensão, a desconfiança e a falta de comunicação entre as partes envolvidas.

Por ser apenas o primeiro episódio regular a ser produzido na série, após os pilotos “The Cage” e “Where No Man Has Gone Before”, ele talvez ainda não tenha pego totalmente o ritmo que seria imprimido nos segmentos posteriores. Há até quem diga que o andamento seguido aqui é um pouco arrastado – mas seguramente nada que desmereça a execução dessa boa história.

O enredo vira de ponta-cabeça aquela ideia do “monstro da semana”. Abre com ela, para então subverter totalmente as expectativas ao final do episódio. A mensagem é clara: as aparências enganam. Balok não é nada do que deveria ser, levando em conta sua caracterização inicial.

Trata-se de um episódio bem forte na construção dos personagens da série. Leonard Nimoy até costuma dizer que Spock de fato nasceu dentro dele durante a produção deste segmento. E ele pode muito bem ter razão: a verdadeira frieza de Spock começa a brotar nesse episódio. Mas ninguém sai ganhando mais do que o bom e velho capitão Kirk, que estabelece aqui sua extraordinária presença no centro da ponte.

Kirk é um líder nato e a tripulação claramente demonstra sua confiança nele. Bailey aparentemente foge ao tom, ao questionar seu capitão. Na verdade, este personagem está lá para representar o telespectador – um sujeito comum, sensibilizado por todos os perigos e as emoções da exploração espacial. Ele só passa a ser realmente um tripulante e a reconhecer a ascendência de Kirk após ser dispensado do serviço.

Este também é o primeiro episódio filmado a trazer Leonard McCoy, como sua apaixonante rabugice, embora ainda não figure aqui como contraponto para Spock, algo que viria com a evolução da série.

Scotty aparece pouco, mas quando o faz, abrilhanta o episódio. Sulu e Uhura não passam de mais dois tripulantes da Enterprise, sem qualquer destaque especial. E a ordenança Rand, então, nem se fale (e mal fala).

Os diálogos, imbuídos de algumas sensacionais tiradas de humor, já começavam a mostrar todo o carisma dos personagens.

O episódio está cheio de tomadas espaciais feitas especialmente para a ocasião, fugindo ao padrão tradicional “Enterprise em órbita do planeta”. Os efeitos, se não são tecnicamente perfeitos, ao menos dão uma noção exata do que está acontecendo, do tamanho e da forma das naves, algo não muito comum na Série Clássica. Isso explica, inclusive, o porquê de uma exibição tão tardia. Os efeitos demoraram a ficar prontos.

Balanço final: um grande episódio, construído sobre bases sólidas e com boa caracterização dos personagens. Dificilmente alguém poderia pedir mais para o primeiro episódio produzido de uma série tão diferente de tudo que havia sido feito antes.

Avaliação

Citações

“If I jumped every time a light came on around here, I’d end up talking to myself.”
(“Se eu ligasse para cada vez que uma luz piscasse por aqui, eu acabaria falando sozinho.”)
Leonard McCoy

“Raising my voice back there doesn’t mean I was scared or couldn’t do my job. It means I have a human thing called an adrenaline gland.”
“It sounds most inconvenient. Have you considered having it removed?”

(“Levantar o tom de voz lá atrás não significava que eu estava assustado ou não podia fazer meu trabalho. Significa que eu tenho uma coisa humana chamada glândula de adrenalina.”
(“Parece muito inconveniente. Você já considerou a possibilidade de extraí-la?”)
Bailey e Spock

“Not chess, Mr. Spock… Poker! Do you know the game?”
(“Não xadrez, sr. Spock… Pôquer! Conhece o jogo?”
James Kirk

Trivia

  • O episódio, primeiro da temporada a ser produzido após o piloto aprovado “Where No Man Has Gone Before”, mas apenas o décimo a ser exibido, marca a primeira participação de DeForest Kelley (McCoy), Grace Lee Whitney (Janice Rand) e Nichelle Nichols (Uhura) na série. Foi de Whitney, por sinal, a sugestão de que as tripulantes usassem minissaias. Nos dois pilotos, as mulheres vestiam calças.
  •  Nichelle Nichols deu o nome a seu personagem, tirado de um livro que estava lendo, sobre uma africana chamada Uhuru. Em suaíle, significa “liberdade”.
  •  Os uniformes da Frota Estelar, criados por William Ware Theiss, ganham sua versão final aqui, com o vermelho substituindo o salmão e as golas pretas. A gola de Spock era um pouco mais alta que a dos outros para reforçar sua aparência alienígena, que ainda estava sendo refinada pelo maquiador Fred Phillips.
  •  William Shatner teve de raspar o pelo do peito para fazer as cenas na enfermaria, a pedido de Gene Roddenberry.
  •  O boneco de Balok foi concebido por Wah Chang. Àquela altura, ele já havia criado a cabeça dos talosianos, além de outros objetos famosos, como tricorders e comunicadores.
  • O episódio marcou a estreia de Jerry Finnerman como diretor de fotografia de Star Trek.
  • Um erro de edição acaba chegando à versão final deste episódio. Quando falta um minuto para o fim da contagem, Sulu responde a uma fala de Balok que não chegou a ser incluída no episódio, deixando o piloto falando sobre nada.
  • A bebida tranya nada mais é do que um horrível e quente suco de damasco.
  • A voz de Balok foi dublada por Ted Cassidy, conhecido por seu papel com o mordomo da série Família Addams. Cassidy apareceria mais tarde na Série Clássica como o androide Ruk, do episódio “What Are Little Girls Made Of?”.
  • Clint Howard, que interpretou o Balok “real”, é irmão do ator e diretor Ron Howard.
  • Neste episódio Leonard Nimoy fala pela primeira vez a expressão: “Fascinante.”

Ficha Técnica

Escrito por Jerry Sohl
Dirigido por Joseph Sargent

Exibido em 10 de novembro de 1966

Títulos em português: “A Manobra” (AIC-SP), “O Ardil Corbomite” (VTI-Rio)

Elenco

William Shatner como James T. Kirk
Leonard Nimoy 
como Spock
DeForest Kelley 
como Leonard H. McCoy
James Doohan 
como Montgomery Scott
Nichelle Nichols 
como Uhura
George Takei 
como Hikaru Sulu

Elenco convidado

Clint Howard como Balok
Anthony Call 
como tenente David Bailey

Revisitando

Enquete

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13 Comments on "TOS 1×10: The Corbomite Maneuver"

  1. Esse é outro daqueles episódios que eu mais gosto. A dinâmica dele se dá quase que exclusivamente pela trilha sonora, mas mesmo assim fascinante. A estória muito original, que depois é copiada pelo próprio TOS em seu terceiro ano. Alguns bons episódios falham por causa da trilha sonora, como: Incidente Enterprise e The Troubble with tribbles. Essa mesma trilha sonora é aplicada em outros episódios, porém nao funcionam tao bem. Ë como se tivesse sido feita exclusivamente para ele. Em suma, é base para o fenômeno que seria esse seriado nao apenas em termos de seriado de TV mas também em nível de SciFi, que antes dele era que quase exclusivamente de estórias de guerra espacial e monstros invasores do espaço.

  2. Henrique Hübner | 22 de outubro de 2008 at 11:37 pm |

    Sei que, bebê de colo, minha mãe me punha para assistir Jornada nas Estrelas em preto e branco, junto com ela, pela antiga TV Excelsior canal 2 do Rio de Janeiro entre 1969/1970!

    Mas “Ardil Corbomite” foi o primeiro episódio de Jornada em que tive consciência de assistir e da qual tenho plena lembrança, isso já pela TV Tupi em 1976!

    O Beiley era chato histérico! Nada a ver com os anos 60/70!

    Segundo o livro do Shatner, o cenário da Fesarius era o mesmo do quarto do Cap. Pike em “The Cage”, que por sua vez era o mesmo da sala de reuniões da Enterprise.

  3. Esse episódio é exccelente. Pr amim, a única coisa que estraga é o “quarto” de Balok que mais parece um Cabaré do que interior de nave.
    Mas fazer o que…

    A cena da nave gigantesca perto da Enterprise me lembra muito as cenas de TNG e Voyager em frente a um cubo Borg.

  4. O mais engraçado é o título em português, o “Ardil Carbonite”. Que diabos era um “ardil”? Eu, com 11 anos de idade fiquei boiando no título… ahahahaha.

    Mais de 15 anos se passaram e hoje eu sei o que é um ardil. Também posso dizer que é um excelente episódio, principalmente por esse aspecto das “aparências enganam”. Seria muito fácil fazê-lo como um monstro assustador ou algo do gênero. A cena final, do encontro com Kirk e Balok, em um primeiro contato, é antológica: puro jornada nas estrelas.

  5. OBS: a risada psicótica do Balok (especialmente na versão dublada da VTI) é antológica!

  6. Douglas "BALOK" Peters | 23 de outubro de 2008 at 11:35 am |

    eu que o diga!

  7. Esse episódio é um dos que relmbro com freqüência!

    Adodo a tensão que corre do início ao fim!

    Do fim então, nem se fala:
    Um clímax revelador e amigávelque marca a essência da alma dos exploradores da Enterprise:

    Descobrir novos mundos, conhecer novas vidas e contactar novas civilizações.
    Coisa que, hoje em dia, ainda não consegue acontecer nem entre dois seres humanos sob o mesmo teto.

  8. Maravilhoso esse episódio.
    Remasterizado então ficou demais.
    Ficção científica de ótimo nível.

  9. Muito bom! Esse é um dos meus episodios favoritos! O clima de suspense e ação é alto, na hora que a nave-mãe de Balok aparece e ao se aproximar na frente da interprise, dava um frio de medo… (ela cresce na tela como algo do tamanho de uma pequena lua, algo gigantesco…)
    Ótimo! Manda mais! Tô querendo Nômade e Equilibrio do terror!

  10. Muito bom! Esse é um dos meus episodios favoritos! O clima de suspense e ação é alto, na hora que a nave-mãe de Balok aparece e ao se aproximar na frente da interprise, dava um frio de medo… (ela cresce na tela como algo do tamanho de uma pequena lua, algo gigantesco…)
    Ótimo! Manda mais! Tô querendo Nômade e Equilibrio do terror!
    (FAZER O QUE? SÓ POSSO REPETIR O QUE O JORGE BARROS ESCREVEU)

  11. Muito bom episódio… o ritmo um pouco “arrastado” do comentário lembra um pouco o ritmo lento também do primeiro filme de ST (7 horas e meia para entrar na nava do Vger)
    Putz, Bailey, mais um dos timoneiros chatos que antecederam o Checov. Adorei o final quando ele fica com o Balok… pensei que no próximo episódio o Checov iria aparecer… (mas não foi ainda).

  12. Acabei de ver e acabou de se tornar um dos meus favoritos. Toda a composição é brilhante de deixa muitos episódios posteriores pra trás…a relação de confianla e o final maravilhoso são perfeitos!

  13. Domingo dia 15/01/2012 assisti a este espisodio na Rede TV e achei alguumas semelhanças entre o Balok real e o design dos Ferenguis. Primeiro e mais evidente os dentes tortos e segunda a tiara de de nuca que o garotinho usa. Seriam os Ferenguis uma homenagem a esse personagem?

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