TNG 1×25: The Neutral Zone

Episódio “morno” inspirado em criogenia traz de volta velhos inimigos: os romulanos

Sinopse

Data estelar: 41986.0

Enquanto aguarda o retorno do capitão Picard de uma conferência, a tripulação da Enterprise descobre um satélite antigo da Terra à deriva no espaço. Ele contém três corpos preservados criogenicamente, que Data decide trazer a bordo, onde a dra. Crusher consegue ressuscitá-los.

Descobre-se que são uma dona de casa, um financista e um cantor do fim do século 20. Os novos visitantes sofrem para se adaptar à realidade do século 24, principalmente depois que Picard pede que Riker mantenha-os longe dele, em razão da situação de tensão vivida pela Enterprise na Zona Neutra Romulana, onde postos da Federação foram destruídos.

Chegando na borda da fronteira, a tripulação descobre que os postos desapareceram. Nesse momento, uma nave romulana desativa sua camuflagem e abre comunicação. Os romulanos alegam que nada tiveram a ver com o incidente. Segundo eles, suas próprias bases na Zona Neutra também haviam sido destruídas. Picard consegue estabelecer um frágil pacto com os inimigos, resultando em um intercâmbio de informações a respeito de qualquer descoberta sobre os responsáveis pela destruição dos postos.

Comentários

“The Neutral Zone” oferece duas histórias simultâneas, nenhuma delas capaz de gerar real entusiasmo. O único apelo que ele tem para os fãs é a volta dos romulanos.

O episódio é arrastado, um eterno suspense. Ele promete no primeiro ato, mas não entrega. Promete no ato seguinte, e o telespectador pensa: “agora vai”. Mas não vai. Promete no terceiro ato, a audiência na expectativa, e quando parece que vai, vai… para mais um intervalo. Ou seja, é um episódio que nunca acontece.

A confrontação tão esperada só se dá no fim, fazendo com que o episódio se resuma a um bate-papo de Picard com o comandante romulano pela tela da Enterprise. Muito pouco, mesmo em se tratando dos adoráveis alienígenas de orelhas pontudas.

A história que ocorre paralelamente, a “visita” dos três humanos do século 20 à Enterprise, é até interessante, mas também não consegue sustentar o episódio. O humor dessa vez é bem executado, com boas tiradas que vão desde à conclusão de Data de que “dona de casa” deve ser “algum tipo de trabalho imobiliário” até a reação do financista ao reclamar dos “serviços” da Enterprise.

Especialmente interessante é a relação que se estabelece entre Sonny, o músico, e Data. Além de ser o mais divertido dos três visitantes, com seu jeito despachado e suas críticas diretas ao século 24, Sonny oferece cenas engraçadas, como a em que ele e Data planejam uma festa a bordo ou a que ele vai até a enfermaria pedir um comprimido para dormir e passa uma cantada na dra. Crusher.

A ideia de colocar os três a bordo foi confrontar de forma direta as filosofias do passado e do futuro utópico de Gene Roddenberry. O homem de negócios, Ralph, descobre que seus valores de obtenção de fortuna já não têm importância na nova realidade. Sonny confronta problemas sociais atuais (como o abuso de drogas, o alcoolismo e, novamente, a visão egoísta das celebridades) com um mundo em que a televisão não existe mais como forma de entretenimento e a utilização de medicamentos, além de ser rara, visa apenas o tratamento de doenças. Tudo isso para não mencionar o synthehol, um substituto do álcool etílico incapaz de embriagar.

Dos três peixes fora d’água, a mais sem graça é Clare, que permanece frágil e pouco motivada do início ao fim do episódio. Seu modo simples de vida, voltado para a família, perde o sentido quando a família não existe mais, sepultada mais de 300 anos atrás.

Embora o conflito não seja muito claro, a presença de Clare carrega a mensagem de que no novo mundo não exige mais a dedicação exclusiva “ao lar”. Homens e mulheres se relacionam em igualdade de condições, compartilhando igualmente suas responsabilidades.

Em termos visuais, somos brindados com os novos uniformes e visual romulanos (agora com saliências sobre as sobrancelhas, para diferenciar dos vulcanos) e a nova ave-de-guerra, uma nave cujo design persistiu por muito tempo como referência para aquela raça. Além disso, vemos um despedaçado satélite terrestre no melhor estilo do século 20, com painéis solares e portas de abertura manual. O fato de ele conter gravidade artificial é uma tremenda incoerência com nosso atual nível tecnológico, mas entenda-se nas entrelinhas deste incidente um “orçamento de televisão” para fazer cenas em ambiente de microgravidade em 1988.

No fim das contas, o melhor termo para definir “The Neutral Zone” é “morno” – há um potencial para uma grande história escondido em algum lugar, mas ele não chega a se materializar. Quase como uma síntese do que foi a primeira temporada da série.

Avaliação

Citações

“What do you guys do? I mean, you don’t drink, and you ain’t got no TV. It must be kind of boring, ain’t it?”
(O que vocês fazem por aqui? Quer dizer, vocês não bebem, e vocês não têm TV. Deve ser meio chato, não?)
Sonny

“Silence your dog, captain.”
(Cale o seu cachorro, capitão.)
Tebok

“Your presence is not wanted. Do you understand my meaning, captain? We… are back.”
(Sua presença não é desejada. Você entende o que quero dizer, capitão? Nós… estamos de volta.)
Tebok

Trivia

  • O ator Marc Alaimo, que aqui faz o comandante romulano Tebok, se tornaria famoso em Star Trek com o papel do cardassiano gul Dukat, em Deep Space Nine.
  • Maurice Hurley afirma que o roteiro foi escrito em um dia e meio. Era o último episódio da temporada e o prazo estava estourado. Originalmente, ele faria parte de uma sequência de três episódios, em que a Frota e os romulanos se uniriam contra a ameaça dos borgs, concebidos para substituir os decepcionantes ferengis. Mas, além da falta de tempo, houve na época uma greve dos roteiristas. Então, os borgs tiveram que esperar até a segunda temporada para aparecer pela primeira vez, no episódio “Q Who?”.
  • Fãs mais atentos devem ter percebido uma cena estranhamente longa de uma oficial de ciências entrando num turboelevador. Aquela era Susan Sackett, escritora e assistente pessoal de Gene Roddenberry desde 1974. Ela ganhou aquela cena numa aposta que fez com ele de que perderia peso. Ela trabalhou em Jornada até a morte de Gene Roddenberry, em 1991, e contribuiria ainda com dois episódios da Nova Geração: “Ménage à Troi” (terceiro ano) e “The Game” (quinto ano).
  • Neste episódio é estabelecido que a primeira temporada de A Nova Geração se passa no ano 2364 terrestre. Também ficamos sabendo, através de Data, que a televisão deixou de existir após 2040.
  • Este episódio também marca a estreia da nova nave romulana, a ave-de-guerra (warbird).

Ficha Técnica

História de Deborah McIntyre & Mona Glee
Roteiro de Maurice Hurley
Dirigido por James L. Conway

Exibido em 16 de maio de 1988

Título em português: “A Zona Neutra”

Elenco

Patrick Stewart como Jean-Luc Picard
Jonathan Frakes como William T. Riker
Brent Spiner como Data
LeVar Burton como Geordi La Forge
Michael Dorn como Worf
Gates McFadden como Beverly Crusher
Marina Sirtis como Deanna Troi
Wil Wheaton como Wesley Crusher

Elenco convidado

Marc Alaimo como comandante Tebok
Anthony James como subcomandante Thei
Leon Rippy como L.Q. “Sonny” Clemens
Gracie Harrison como Clare Raymond
Peter Mark Richman como Ralph Offenhouse

Enquete

Edição de Maria-Lucia Rácz
Revisão de Susana Alexandria

Episódio anterior | Próximo episódio

Be the first to comment on "TNG 1×25: The Neutral Zone"

Leave a comment

Your email address will not be published.


*