DS9 2×16: Shadowplay

Dax em Shadowplay

Roteiro dá lição de continuidade, com histórias simples, mas eficientes

Sinopse

Data estelar: 47603.3

Dax embarca em uma missão de pesquisa ao Quadrante Gama, juntamente com Odo, que espera encontrar alguma pista sobre o seu povo. Os dois acabam por encontrar a presença de partículas ômicron (de ocorrência muito rara na natureza e que interferem com os sensores do explorador) em um planeta. Se transportando à superfície do planeta, eles encontram a fonte de tais partículas, o reator de uma pequena comunidade localizada em um vale.

Os dois se entrosam com o oficial da lei local (Colyus) e decidem ajudá-lo a investigar o recente desaparecimento de 22 pessoas daquele vilarejo. A última vítima foi a filha do líder da comunidade (de nome Rurigan) e mãe da pequena Taya.

Odo dá procedimento à investigação, entrevistando Taya (a amizade entre dois permeia toda esta história) e não consegue obter muita informação a não ser a de que, aparentemente, nenhum morador nunca deixou o vale, o que deixa o comissário muito intrigado.

Odo, Dax e Taya visitam uma das fronteiras do vale. Quando o braço de Taya atravessa o perímetro, ele desaparece até o cotovelo. Quando ela “puxa” o braço de volta para o interior do perímetro, ele reaparece. Dax chega à conclusão de que todo o vilarejo, incluindo os seus habitantes, são hologramas gerados pela peça de tecnologia que ela confundiu com o reator local. O sistema está se degradando, o que explica o desaparecimento dos outros moradores. Ela sugere um desligamento do sistema, certos reparos e uma reinicialização completa para resolver o problema. A população local, apesar do compreensível choque inicial, acaba concordando.

Quando Dax desliga o holoprojetor, tudo desaparece, menos Rurigan. Ele acaba confessando que, após o Dominion destruir o modo de vida do seu planeta natal, ele resolveu se transferir para esse planeta e construir um mundo para si. Após alguma relutância por parte de Rurigan sobre a realidade da vida que levou ali por 30 anos, Odo acaba o convencendo a ficar. Rurigan pede que a sua história real não seja contada aos demais, com o que Odo e Dax concordam.

O plano de Dax funciona e os moradores desaparecidos retornam, incluindo a mãe de Taya. Antes de partir, Odo se transforma em um pião, só para agradar a menina.

Paralelamente, na estação, Kira avisa Quark que não vai tolerar nenhuma atividade criminosa dele enquanto Odo estiver fora e também informa que um primo do ferengi (suspeito de um roubo recente a um museu cardassiano) teve sua entrada impedida na estação.

Logo em seguida, Vedek Bareil chega à estação para ver Kira, os dois vão jogar “springball” e, após o jantar, nos aposentos de Kira, acabam se beijando. Nesse momento, acaba por surgir o assunto sobre o homem que convidou Bareil a estação, Prylar Rhit, o qual deve dinheiro a Quark.

Somando dois mais dois, Kira parte apressada para falar com Prylar Rhit e confirmar a trama de Quark. Ao final da história, ela vem agradecer Quark por ter proporcionado a ela a companhia de Bareil e também informar ao ferengi que o primo dele acaba de ser preso, tentando entrar na estação com o produto do seu roubo do museu cardassiano.

Enquanto Kira se via às voltas com Quark e Bareil, Ben Sisko decide que Jake deve arrumar um trabalho e arranja para que seu filho seja assistente de O’Brien. Ben diz que alguma experiência em engenharia teria uma bom impacto em uma possível admissão de Jake na Academia da Frota Estelar. Conversando com O’Brien, Jake acaba “soltando” que não quer entrar na academia, mas tem medo de falar com Ben por receio de que possa magoar o seu pai. O’Brien o encoraja a contar a verdade. Jake se abre com Ben e o comandante lhe diz que estará sempre ao seu lado, qualquer que seja o caminho que o filho escolha na vida.

Comentários

Um belo trabalho de continuidade e uma grande consciência sobre as suas próprias limitações nos dão um episódio vencedor. Saiba mais sobre o que faz de “Shadowplay” um campeão nos cantos sombrios dos comentários abaixo.

O formato do episódio é razoavelmente conhecido para quem acompanha drama televisivo em geral. Uma história principal (que pode e deve desenvolver os personagens no processo) que é devidamente concluída no curso do episódio e duas (ou mais histórias) que estão associadas às contínuas histórias pessoais dos demais personagens e que, além de possuírem tramas essencialmente minimalistas, são normalmente deixadas em aberto ao final do episódio.

A história principal, a do “vilarejo holográfico”, foi razoavelmente previsível e a maioria dos espectadores deve ter suspeitado que a comunidade era holográfica e que Rurigan era o único não holograma, antes até de Odo e Dax.

Felizmente, também não tivemos nenhum “suspense forçado” sobre se o plano de Dax iria funcionar ou não. O que conduz essa história são as grandes atuações e a sinceridade das caracterizações dos personagens. O destaque especial do episódio, como um todo, foi, sem dúvida, o relacionamento entre Odo e Taya. Desde o paralelo existente pelo fato de ambos estarem procurando por seus pais, até a aceitação dele por parte da menina no curso do episódio (é também muito interessante a discussão entre os dois do porquê de tal aceitação não ocorrer sempre). Todas as cenas entre eles ressoam verdadeiras, dando esperanças a Odo de continuar a sua busca pessoal.

Todo elemento de caracterização de Odo que poderia ser aproveitado em seu relacionamento com Taya foi trazido ao diálogo, um verdadeiro presente aos fãs do personagem.

(Foi também importante — e decisiva para a permanência de Rurigan — a questão levantada por Odo, sobre o fato de Taya ser mais jovem do que o programa original e, daí, ser, talvez, uma nova forma independente de vida.)

Quanto à primeira história secundária, envolvendo Quark, Kira e Bareil, temos vários problemas. O menor deles é sobre o ponto de continuidade em relação aos eventos de “Invasive Procedures” (também escrito por Wolfe). Aqui, Kira não deixa dúvidas de que, por vontade dela, Quark já teria sido jogado pela escotilha de ar mais próxima, mas tal comportamento não foi visto de lá para cá. O que faz falta também é uma referência direta, nos diálogos, aos eventos de “Invasive Procedures“.

No restante, temos finalmente o que foi sugerido em “The Circle“: Kira e Bareil ficam juntos. O grande problema é que o relacionamento, como sugerido pela visão do orbe, parecia ter implicações épicas e nobres, com propósitos importantes, o que está longe do que foi apresentado aqui.

Simplesmente, Bareil aparece na estação, está a fim da Kira e as coisas acontecem. A falta de um simbolismo maior (e por que não, mais verniz) nesta história é frustrante. A caracterização claudicante de Bareil (se soltando um pouco mais do que vinha fazendo anteriormente) e a superatividade de Kira não ajudam em nada. De qualquer forma, os dois estão juntos agora e temos que viver com isso.

Sobre a segunda história secundária, envolvendo Ben, Jake e O’Brien, temos mais alguns detalhes do passado de O’Brien e a resolução do setup feito no episódio anterior (“Paradise“) em relação a Jake. O único problema com esta parte da história é que Ben aceita (um pouco) fácil demais a opção de Jake. A conclusão desta história deveria ficar um pouco mais em aberto.

A direção de Robert Scheerer foi extremamente competente quanto à história principal (a equipe de efeitos visuais também fez um bom trabalho), regular quanto à de Jake e fraca quanto à de Bareil e Kira.

O mestre Auberjonois deu mais uma aula de representação com maquiagem, fazendo o lado mais suave de Odo emergir quase que por mágica. Os demais regulares honraram o pagamento, principalmente Terry Farrell, (apesar de achar que Nana Visitor deva maneirar na cafeína no próximo episódio).

Kenneth Mars se saiu muito bem em colocar no seu Colyus um certo senso de impotência, frustração e relaxamento, bastante simpático, sem dúvida. Kenneth Tobey se saiu muito bem em papel ainda mais difícil. O discurso do personagem quando Dax desliga o projetor é bastante tocante. Noley Thorton (a única coisa boa do horrível episódio “Imaginary Friend” da quinta temporada da Nova Geração) fez mais um belo trabalho como Taya, apresentando as emoções da personagem de forma correta, sem exageros. Infelizmente, o “queixo duro” de Philip Anglim não ajudou muito a trama envolvendo Bareil e Kira.

O papo de Bashir sobre Garak estar ensinando a ele sobre “técnicas de vigilância” foi um bom ponto de continuidade para o relacionamento dos dois. Por outro lado, o fato de Odo se referir (facilmente) a Kira como uma amiga deixa uma grande decepção sobre alguma possível repercussão a respeito dos acontecimentos de “Necessary Evil“.

Shadowplay” acaba por funcionar, não por trazer uma história muito inspirada ou muito original, mas sim por tratar das consequências dos acontecimentos (relacionados aos personagens) que vieram antes, no curso da série, e oferecer novos caminhos a esses personagens.

Avaliação

Citações

“After seven lifetimes, the impersonal questions aren’t much fun any more.”
(Após sete vidas, as questões impessoais já não são mais divertidas.)
Dax

“Are we being accused of some kind of crime?”
“Have you committed one?”
(Estamos sendo acusados de algum tipo de crime?.)
(Vocês cometeram algum?)
Dax e Colyus

Trivia

  • É citado novamente o nome “Dominion” como uma importante força político-econômica-militar do Quadrante Gama.
  • Este episódio foi inicialmente chamado de “Persistance of Vision“. A ideia original do episódio, que veio de uma conversa entre Robert Hewitt Wolfe e Ira Steven Behr, foi de que Dax e O’Brien estariam presos em uma prisão visual e ficariam em uma espécie de loop, em que eles sucessivamente fugiam e se viam novamente presos em seguida. A cena final seria Keiko dizendo a O’Brien como era bom ter o seu marido de volta, ao que O’Brien respondia que não sabia se, de fato, estava de volta e que, talvez, nunca viesse a saber. Foi Michael Piller quem orientou Wolfe no caminho que o roteiro acabou tomando. Os produtores consideraram o episódio bastante mundano no papel, mas acharam que a versão produzida funcionou, principalmente devido à amizade entre Odo e Taya. Elementos do conceito original de Wolfe acharam seu lugar em “The Search, Part II”, da terceira temporada, e “Hard Time”, da quarta temporada.

Ficha Técnica

Escrito por Robert Hewitt Wolfe
Dirigido por Robert Scheerer

Exibido em 21 de fevereiro de 1994

Título em português: “Jogo De Sombras”

Elenco

Avery Brooks como Benjamin Lafayette Sisko
René Auberjonois como Odo
Nana Visitor como Kira Nerys
Colm Meaney como Miles Edward O’Brien
Siddig El Fadil como Julian Subatoi Bashir
Armin Shimerman como Quark
Terry Farrell como Jadzia Dax
Cirroc Lofton como Jake Sisko

Elenco convidado

Kenneth Mars como Colyus
Kenneth Tobey como Rurigan
Noley Thornton como Taya
Philip Anglim como Vedek Bareil
Trula M. Marcus como uma mulher do vilarejo
Martin Cassidy como um homem do vilarejo

Enquete

Edição de Muryllo Von Grol
Revisão de Nívea Doria

Episódio anterior | Próximo episódio

Be the first to comment on "DS9 2×16: Shadowplay"

Leave a comment

Your email address will not be published.


*