ENT 2×01: Shockwave, Part II

Destaque Enterprise Shockwave, Part II

Embora divertido, início da temporada não atende a expectativas da audiência

Sinopse

Data estelar: Desconhecida

A Enterprise está cercada por naves sulibans. Sem opção, T’Pol tenta convencer Silik de que Archer não está mais a bordo. Ela o convida a se certificar disso por si mesmo, indo até a nave. Silik concorda e prepara um grande grupo de abordagem. Apesar dos protestos de Trip para com a atitude de T’Pol, ela aponta que não havia alternativa, dado que as naves sulibans poderiam destruir a Enterprise a qualquer momento.

Na Terra, o embaixador vulcano Soval protesta junto ao almirante Forrest pelo fato de a Enterprise ainda não ter retornado. Após ser pressionado pelo assistente do almirante, o comandante Williams, Soval revela que a última informação de sensores feita pelos vulcanos da Enterprise mostrava a nave cercada por dezenas de outras, não identificadas. Soval diz que T’Pol nunca concordaria com o fato de Archer não obedecer às ordens de voltar para casa e diz que isso é razão para crer que ela está sendo mantida prisioneira. Ele diz que Vulcano enviará uma nave ao encontro da Enterprise.

Embaixador Soval e almirante Forrest discutindo

Enquanto isso, no século 31, Daniels está desnorteado. Ele diz a Archer que sua atitude tinha como objetivo proteger o futuro, mas acabou por destruí-lo. Depois de revelar ao capitão que não há modo de levá-lo de volta, Daniels fica chocado ao descobrir que um antigo monumento a uma Federação não foi sequer construído nessa linha do tempo alternativa.

Em busca de mais informações, Daniels e Archer vão até uma biblioteca local. Lá, Daniels verifica que todos os eventos que deveriam acontecer do século 22 em diante não aconteceram, simplesmente por que Archer não estava lá para iniciar tudo. O capitão não acredita que seu papel seja tão importante assim, mas Daniels confirma que o sucesso da missão da Enterprise levaria a outras, produzindo um efeito cascata que nunca teria acontecido sem a presença inicial de Archer.

Terra no Século 31 - Enterprise

No século 22, os sulibans tomam a Enterprise e a levam para a Hélice, mantendo todos os oficiais humanos detidos em seus aposentos. Lá, eles descobrem que o turboelevador da nave — o último lugar em que Archer foi visto — contém uma estranha assinatura temporal. Silik começa a acreditar que T’Pol está dizendo a verdade, mas está confuso sobre o que fazer a seguir, uma vez que perdeu contato com seu mestre do futuro. Ele tenta seguidas vezes contatá-lo, mas sem sucesso.

Diante disso, ele decide “interrogar” T’Pol. Usando métodos de tortura e manipulação por drogas, ele acaba se certificando de que a vulcana pouco sabe sobre o paradeiro de Archer ou sobre os atores da Guerra Fria Temporal. A única coisa que ela diz repetidas vezes é que o Diretório Científico Vulcano considera viagens no tempo uma impossibilidade física.

T'Pol sendo torturada pelo Silik

T’Pol é devolvida a seus aposentos, atordoada. Enquanto isso, Tucker consegue fazer uma ligação cruzada entre diferentes conduítes da nave para contatar Reed em seus aposentos, apesar de todo o sistema de comunicações interno estar desativado. Um a um ele vai contatando todos os tripulantes seniores.

No século 31, Daniels tem uma ideia: embora viajar de volta ao passado continue sendo impossível para eles, talvez seja possível improvisar um comunicador temporal, a mesma tecnologia básica que possui o mestre de Silik, usando o comunicador e o scanner que Archer levou ao futuro. Os dois começam a trabalhar e o sistema eventualmente funciona, tornando possível que o capitão se comunique com T’Pol. Ele passa instruções à vulcana, que, por sua vez, se coordena com a tripulação sênior graças aos esforços de Tucker para estabelecer contato com todos.

Tucker arrumando comunicador

Para que o plano de Archer tenha continuidade, é preciso que alguém ande pelos túneis de ventilação da nave até o quarto de Phlox, para pegar algumas hiposprays, e depois ao quarto de Reed, entregá-las. Hoshi é a única pequena o suficiente para se mover pelos tubos e é escalada para a missão. Ela tenta escapar, por sua claustrofobia, mas não há opção. Com algum esforço, a oficial de comunicações consegue fazer todo o percurso, mas com um inconveniente: na hora de descer para o quarto de Reed, sua blusa fica enganchada na tubulação e ela a perde. O oficial de armamentos, entretanto, é cortês o bastante para entregar rapidamente a ela outra blusa.

De posse das hiposprays, o próximo passo para retomar a nave é conseguir algumas armas sulibans. T’Pol, Tucker e Reed se preparam para continuar. Eles vão à sala de transporte, onde T’Pol apenas finge estar alucinando. Dois sulibans se aproximam e a agridem, mas Tucker e Reed os surpreendem, imobilizando-os com as hiposprays. Eles tomam suas armas e levam com eles os recém-capturados, para que Hoshi mantenha vigilância sobre eles.

Hoshi nos túneis de ventilação

Em seguida, Reed precisa ir aos antigos aposentos de Daniels, para pegar uma peça de tecnologia do futuro. Enquanto isso, T’Pol e Tucker se preparam para uma medida mais audaciosa: retomar a engenharia.

O oficial de armamentos consegue chegar ao quarto de Daniels e recuperar a peça procurada, mas, na saída, é surpreendido por dois guardas sulibans. Ele é levado à ponte, onde é interrogado e torturado por Silik. Após apanhar muito, ele diz que não sabe o que faz aquele equipamento, mas que estava seguindo as instruções que Archer deixou antes de partir. Segundo Reed, o capitão teria ordenado que ele destruísse aquela peça, para evitar que Silik a utilizasse para contatar alguém, que ele não sabia quem era.

Reed sendo torturado por Sulibans

Silik vê na informação uma esperança de voltar a contatar seu mestre e parte imediatamente para a Hélice com a peça. Enquanto isso, T’Pol e Tucker confrontam os sulibans na engenharia e retomam o controle por tempo suficiente para sabotar os sistemas da nave.

Os sulibans descobrem que o reator de dobra da Enterprise está prestes a explodir e Silik ordena que a nave seja evacuada, deixada apenas com os humanos ainda presos, e levada para longe da Hélice, para evitar danificá-la quando explodisse. Quando a nave é abandonada à deriva, a tripulação humana retoma o controle e parte em dobra máxima — os danos ao reator eram apenas simulados.

Reator de dobra da Enterprise a ponto de explodir

Mais de 30 naves sulibans partem em perseguição, mas Silik não está com eles — ele permaneceu na Hélice, desesperado para contatar seu mestre. Sem saber o que está fazendo, ele acopla a peça que pegou de Reed à câmara temporal da Hélice e tenta se comunicar. Mas acaba surpreendido quando, em vez de seu mestre, surge na sala o capitão Archer em pessoa, que rapidamente põe o líder suliban a nocaute.

Ameaçando a vida de Silik, Archer consegue partir da Hélice com os discos de dados que comprovam a inocência de sua nave no incidente que causou a morte dos colonos paraaganos. Enquanto isso, a Enterprise está sendo massacrada pelas naves sulibans. Eles só interrompem o ataque quando Archer ameaça matar Silik, caso não se afastem de sua nave. O capitão leva o líder suliban a bordo como prisioneiro e a Enterprise parte, a fim de se encontrar com uma nave vulcana.

Archer dá uma surra em Silik

Assim que encontram a nave aliada, Archer e sua tripulação entram em contato com o Comando da Frota Estelar, em San Francisco. Lá estão Soval e o almirante Forrest, além de outros vulcanos e humanos. Soval reconhece que as informações obtidas por Archer provam que a Enterprise não foi responsável pelo acidente com a colônia paraagana, mas diz que a nave de Archer segue sendo uma ameaça ao quadrante, confirmando que o Alto Comando Vulcano permanecerá com sua recomendação de ordenar o retorno imediato da Enterprise.

Archer tenta argumentar que essa é a forma com que humanos aprendem — a partir de seus próprios erros –, mas o embaixador não parece impressionado. Ele não contava, porém, com a atitude de T’Pol, que resolve defender a missão da Enterprise e o desempenho de seus colegas humanos, apontando que os vulcanos também cometeram erros, como o de manter um posto avançado militar em um santuário religioso. Após a argumentação de T’Pol, Soval deixa a sala intempestivamente.

Após considerar todas as informações disponíveis, a Frota Estelar decide permitir que a missão da Enterprise vá adiante.

Comentários

Xeque-mate — situação no xadrez em que não há solução para o adversário salvar seu rei, marcando, portanto, o fim do jogo. Foi nessa posição que os roteiristas de Enterprise se colocaram ao final de “Shockwave. Isso gerou uma conclusão espetacular para a primeira temporada, mas o preço foi pago na hora de retomar a história para o segundo ano. Afinal de contas, quando alguém cria uma dificuldade de onde não pode sair pelas regras do jogo, a única forma de escapar dela é por meio de “truques” artificiais — trapacear.

É a única maneira de tirar Archer daquele século 31 alternativo e levá-lo de volta ao século 22. Ou, explicando palavra por palavra, só mesmo usando um comunicador do século 22, um scanner do século 22 e uns pedaços de ferro velho para criar um comunicador temporal, ou fazendo com que alguém inadvertidamente use uma peça de equipamento do século 31 que ele nem sabe como funciona em conjunto com tecnologia temporal supostamente vinda do século 28 para trazer de volta seu arqui-inimigo de um futuro perdido. Se isso não é trapacear, não sei mais o que pode ser.

Title Card Enterprise Shockwave, part II

E esses são apenas os problemas mais gritantes. Também podemos facilmente perguntar por que os sulibans da engenharia não soaram um alarme antes de serem imobilizados por Tucker e T’Pol, ou como Archer sabia de antemão que Silik tinha perdido contato com seu mestre do futuro para dizer a Reed o que dizer para fazer com que o suliban utilizasse aquele equipamento em conjunto com sua câmara temporal para trazer o capitão de volta — e não vamos encontrar respostas satisfatórias para essas questões em nenhum momento do episódio.

O que não quer dizer que “Shockwave, Part II” seja ruim — isso apenas faz com que o telespectador mais atento se sinta um pouco enganado, por ter tido a esperança de ver uma solução minimamente verossímil para o problema criado pela primeira parte. É o que vimos, por exemplo, em “The Best of Both Worlds, Part II”, de A Nova Geração. Parecia ser uma solução sem saída para Picard, mas, no fim, o resgate do capitão foi totalmente verossímil e compreensível, sem depender de tecnobaboseira ou qualquer outro artifício de roteiro. A magia não se repete aqui.

Silik tentando se comunicar com o Future Guy

Mesmo assim, há muito para se entreter com o segmento. Toda a ação de mobilização da tripulação sênior da Enterprise para retomar a nave, embora tenha também uns furos pelo caminho, é bem executada e marca bem o tom de camaradagem e de trabalho de equipe que tanto agrada nas tripulações das séries de Jornada nas Estrelas. E a conclusão de todo esse esforço, apesar de bastante inverossímil, é empolgante, com a Enterprise prestes a explodir, vazando plasma por todos os cantos nas naceles, para, no momento seguinte, se tornar totalmente operacional e entrar em dobra, tudo na mesma tomada. Realmente um primor de cena, principalmente por depender somente de efeitos especiais para se sustentar.

Aliás, o episódio está recheado de efeitos especiais. Além de espetaculares tomadas da Enterprise cercada pelas naves sulibans, acoplada à Hélice e, depois, à nave vulcana, e em batalha, ainda havia todo um desafio visual a ser contemplado com Archer indo para a Terra de quase mil anos no futuro — em uma realidade alternativa.

Hélice Suliban

As cenas no século 31 são todas bem realizadas, com belas tomadas daquele futuro destroçado e de uma imensa biblioteca de livros de papel. Embora elas, em geral, acabem se denunciando como imagens geradas por computador, devido ao tom de artificialidade com que se misturam às presenças de Daniels e Archer, é impossível dizer que não são cenas agradáveis de se ver. Infelizmente, o século 31 como um todo deixou a desejar, tendo ficado à margem da trama — apenas um lugar de onde Archer tem de escapar. Com o fim de “Shockwave”, eu esperaria mais dessa linha de história, com Daniels tentando descobrir de forma mais detalhada o que deu errado.

A propósito, Daniels parece muito menos interessante aqui do que em sua primeira aparição, em “Cold Front”, ou mesmo na primeira parte de “Shockwave”. Antes, o personagem parecia seguro de si e suas respostas vagas pareciam apenas manobras evasivas. Aqui, Daniels parece realmente não saber de nada, nem entender com o que está lidando ou quais são os problemas que ele precisa resolver. Tudo bem que ele ficou abalado com a destruição do futuro da humanidade, mas, para quem era um agente infiltrado na tripulação de Archer para combater numa Guerra Fria Temporal, Daniels parece um pouco despreparado demais para as implicações de tal conflito.

Archer e Daniels em biblioteca do século 31

Mas eu guardei o melhor para o final. O que realmente é bem trabalhada em “Shockwave, Part II”, embora rapidamente, é a subtrama do cancelamento da missão da Enterprise. Como em “Shadows of P’Jem”, as cenas de Soval no Comando da Frota Estelar têm um sabor especial. A discussão acirrada que ele mantém com Forrest e seu assistente Williams (cujo desempenho certamente justifica, embora não garanta, futuras aparições) e o fato de o vulcano (e seu governo) não mudar de ideia quanto ao “erro” que seria o lançamento da Enterprise, mesmo com a inocência sobre o incidente com os paraaganos comprovada, dão uma grande força à questão, embora todos já saibamos de antemão que a Enterprise vai continuar em sua jornada.

E a cena climática do episódio, com T’Pol se mobilizando contra seu superior e defendendo a missão da Enterprise, com direito a lição de moral sobre o episódio P’Jem, ajudou a sedimentar a relação da vulcana com a tripulação, além de colocá-la inequivocamente como “parte do time”. Excelente tratamento.

T'Pol convencendo a todos pela manutenção da missão da Enterprise

No quesito boas sacadas, também podemos citar a sensacional sequência em que o capitão Archer “ameaça” violar toda a continuidade estabelecida ao ler um livro sobre os romulanos, para o terror dos fãs, antes de ser interrompido por Daniels! E a chegada de Archer ao século 22, se não convincente, ao menos foi bem divertida.

No final, “Shockwave, Part II” é uma conclusão satisfatória (mas não brilhante) para todos os problemas ofertados na primeira parte. Responde muito bem à série como um todo, se encaixando bem à premissa de mostrar como os humanos aprenderam a sobreviver no espaço, usando seus próprios erros como guias, mas fracassa em responder com a elegância devida a todas as dificuldades momentâneas apresentadas na primeira parte. Quando as dificuldades são gigantescas para os personagens, as expectativas da audiência (e os desafios dos roteiristas) também o são. Diante isso, apesar de suas qualidades, de seu bom andamento e da boa dose de entretenimento envolvida, o episódio acaba sendo decepcionante em alguns níveis

Avaliação

Citações

“What are you going to do? Turn a bicycle into a time machine?”
(O que você vai fazer? Transformar uma bicicleta numa máquina do tempo?)
Archer

“What’s that? The Romulan Star Empire…”
“Maybe you shouldn’t be reading this.”
(O que é isso? O Império Estelar Romulano…)
(Talvez você não devesse estar lendo isso.)
Archer e Daniels

“Please, repeat what you said.”
“I said you’re an ugly bastard.”
(Por favor, repita o que disse.)
(Eu disse que você é um bastardo nojento.)
Silik e Archer

“Learning from one’s mistakes is hardly exclusive to humans.”
(Aprender com os próprios erros dificilmente é exclusividade humana.)
T’Pol

“I still don’t believe in time travel.”
“The hell you don’t!”
(Eu ainda não acredito em viagens no tempo.)
(O caramba que não acredita!)
T’Pol e Archer

Trivia

  • Remover o capitão Archer da linha do tempo causa grandes anomalias no fluxo natural dos eventos. Como resultado, a Federação não existe no século 31. Tudo após a criação do Programa Dobra Cinco é interrompido, mostrando que Archer tem um papel-chave na história da Federação.
  • Archer encontra um livro na biblioteca do século 31 chamado “The Romulan Star Empire” (O Império Estelar Romulano), uma organização que eles ainda não haviam encontrado.
  • A solução para o cliffhanger foi encontrada rapidamente, segundo o produtor-executivo Rick Berman, em entrevista antes do hiato entre temporadas. “Nós já quebramos a história para a parte dois, o que é bem raro para nós. Nós normalmente esperamos até o fim do verão, voltamos e descobrimos como diabos vamos terminar o cliffhanger. Mas, imediatamente após o término da temporada, Brannon e eu meio que nos trancamos numa sala por uma semana e tivemos ideias para basicamente os três primeiros episódios da nova temporada.”
  • Embora obviamente fosse o primeiro episódio da temporada, foi o segundo a ser filmado. As filmagens foram de 9 a 18 de julho de 2002.

Ficha Técnica

Escrito por Rick Berman & Brannon Braga
Dirigido por Allan Kroeker

Exibido em 18 de setembro de 2002

Títulos em português: “Onda de Choque, Parte II”

Elenco

Scott Bakula como Jonathan Archer
Jolene Blalock como T’Pol
John Billingsley como Phlox
Anthony Montgomery como Travis Mayweather
Connor Trinneer como Charlie ‘Trip’ Tucker III
Dominic Keating como Malcolm Reed
Linda Park como Hoshi Sato

Elenco convidado

John Fleck como Silik
Matt Winston como Daniels
Vaughn Armstrong como almirante Forrest
Gary Graham como embaixador Soval
Keith Allan como Raan
Jim Fitzpatrick como comandante Dan Williams
Michael Kosik como soldado suliban

Enquete

Edição de Mariana Gamberger
Revisão de Nívea Doria

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