VOY 2×09: Tattoo

História traz insights sobre cultura indígena e ilumina passado de Chakotay

Sinopse

Data estelar: desconhecida

Enquanto Kes repreende o Doutor por sua falta de compaixão em relação à alferes Wildman, que está grávida, Chakotay surpreende-se ao encontrar em uma lua símbolos muito semelhantes aos que viu quando jovem numa floresta da América Central. Naquela época, estava acompanhando o pai, Kolopak, em uma jornada para descobrir a verdade sobre seus ancestrais.

Intrigado, Chakotay recebe permissão para liderar um grupo avançado ao local. Eles tentam se transportar para o que parece ser um lugar desabitado, mas os sistemas de transporte não operam. À medida que se preparam para aterrissar uma nave auxiliar, o comandante lembra-se de quando tinha 15 anos, quando desapontou o pai por não abraçar as tradições de sua tribo. As memórias intensificam-se enquanto o grupo explora a superfície. Mas, antes de Chakotay ser capaz de estabelecer comparações, Neelix é ferido por um falcão e, em seguida, Tuvok encontra o que parece ser uma vila abandonada.

Temendo que o grupo avançado tenha assustado os nativos, Chakotay manda Tuvok e B’Elanna baixarem suas armas, em um gesto de confiança. Porém, o gesto parece inspirar uma violenta tempestade. Tuvok e Torres são transportados de volta à Voyager, mas Chakotay é deixado para trás, inconsciente, ao ser atingido por um galho.

Janeway é incapaz de encontrar seu primeiro-oficial, apesar de várias tentativas. É como se algo no planeta tentasse impedi-los de descer. Ao tentar entrar na atmosfera, a Voyager é engolida por um ciclone, que Tuvok acredita ter sido criado pelos nativos para espantar intrusos.

Quando Chakotay se recupera, encontra os habitantes desse mundo estranho e fica surpreso ao descobrir que eles falam a língua de seus ancestrais. Eles reconhecem o símbolo tatuado em sua testa, que ele usa em honra a seu pai, que também o usava em honra aos antepassados. Os habitantes dizem que conheceram aqueles ancestrais quando visitaram a Terra 45 mil anos antes.

Chakotay, então, percebe que esses são os “Espíritos do Céu”, nos quais o conhecimento do seu povo se baseia. Os alienígenas visitaram a Terra milênios depois e descobriram que praticamente todos os traços daquelas pessoas haviam sumido, provavelmente destruídos por outros humanos. Eles dizem a Chakotay que atacaram a Voyager e sua tripulação com tempestades porque temiam que fossem inimigos, na tentativa de destruí-los também. Chakotay lhes assegura de que os humanos mudaram muito desde aquela época e que não lhes queriam mal algum.

As tempestades somem e a nave é salva bem a tempo. Depois que os alienígenas dão a Chakotay alguns dos minerais de que a Voyager precisa, eles dizem adeus, deixando-o com a sensação de que recuperou a conexão com seu povo — e com seu pai.

Comentários

Em “Tattoo”, finalmente, temos uma ideia do passado de Chakotay. A história é totalmente centrada no personagem e fornece dados que nos permitem conhecer um pouco mais sobre o comandante da Voyager. Porém, há algumas decepções.

Por exemplo, saber que, no passado, ele não compartilhava das tradições que agora tanto preza muda muito a visão criada por todos. E, afinal, de que tribo ele vem? Nem neste episódio ou em nenhum ponto da série os produtores especificam isso. Claro, estavam explorando a América Central, mas os símbolos que a equipe de produção escolheu para a série lembram muito a arte anasazi, uma tribo norte-americana.

Detalhes à parte, há outras coisas a destacar. É muito interessante a hipótese de que, há 45 mil anos, uma espécie alienígena avançada visitou a Terra, mas afirmar que foram eles os responsáveis pelo dom da memória e língua é subestimar um pouco a inteligência humana e alterar todo o curso da História conhecida (aliás, algo que Voyager faz constantemente).

Parece até uma versão de Jornada de Eram os Deuses Astronautas?, livro escrito pelo jornalista suíço Erich von Daniken, que propõe a hipótese de que alienígenas visitaram a Terra em um passado remoto e ajudaram nossos ancestrais a construir feitos monumentais, como as pirâmides do Egito e os traços gigantes na planície de Nazca, no Peru.

Apesar dos exageros, o episódio tem um enfoque muito bom. Novamente temos um roteiro inspirado no desenvolvimento de um personagem e nada da famigerada tecnobaboseira (a não ser pelo fato de a nave sobreviver a um ciclone, interrompido subitamente). A interação entre o comandante e a capitão mostra o quanto os personagens estão próximos e cada vez mais humanos.

E, por falar nisso, não podemos esquecer de um dos pontos altos do episódio, quando o hilário Doutor implementa algumas modificações em seu programa. Kes está fantástica — e diabólica — neste segmento, brilhando como em poucos momentos durante a série.

A tortuosa ocampa adicionou certa alteração no holograma, sem falar nada a respeito, e ensinou-lhe uma bela lição sobre como tratar os pacientes em sofrimento! Tuvok e Neelix também têm uma conversa interessante na superfície da lua. Aparentemente, ambos têm um fascínio por orquídeas…

A história é fechada com chave de ouro quando Chakotay se redime com o pai e sua tribo. É interessante a relação que se faz entre os poderes alienígenas — que dominam com incrível precisão as forças da natureza — e as crenças indígenas, também tão apoiadas no mundo natural. Por fim, há todo um ar espiritual e humano em torno do episódio, que pode ser considerado como um dos pontos altos da temporada.

Avaliação

Citações

“I don’t have a life… I have a program.”
(Eu não tenho uma vida… tenho um programa.)
Doutor

Trivia

  • Sem contar a não-creditada revisão do roteiro de “Parturition”, “Tattoo” foi a primeira contribuição do produtor-executivo Michael Piller para a segunda temporada de Voyager.
  • O personagem secundário de talvez maior destaque da Voyager reaparece neste episódio. Trata-se da alferes Samantha Wildman (Nancy Hower), introduzida no episódio “Elogium”, em que descobre estar grávida. Aqui, a vemos com a gravidez mais avançada e, ainda no segundo ano da série, nasce seu bebê.
  • Em um bate-papo de Internet:
    Pergunta – Houve uma cena “muito especial” no episódio “Tattoo”, uma de que suas fãs gostaram mais. Você a fez pessoalmente ou usou um dublê?
    Robert Beltran – A cena tornou-se possível graças ao meu dublê, ao editor e a uma afiada caneta tinteiro. É tudo o que tenho a dizer sobre isso!

Ficha Técnica

História de Larry Brody
Roteiro de Michael Piller
Dirigido por Alexander Singer

Exibido em 06 de novembro de 1995

Título em português: “Tatuagem”

Elenco

Kate Mulgrew como Kathryn Janeway
Robert Beltran como Chakotay
Roxann Biggs-Dawson como B’Elanna Torres
Robert Duncan McNeill como Tom Paris
Jennifer Lien como Kes
Ethan Phillips como Neelix
Robert Picardo como Doutor
Tim Russ como Tuvok
Garret Wang como Harry Kim

Elenco convidado

Henry Darrow como Kolopak
Richard Fancy como alienígena
Douglas Spain como Chakotay jovem
Nancy Hower como alferes Wildman
Richard Chaves como chefe
Joseph Palmas como Antonio

Enquete

Edição de Stéphanie Cristina
Revisão de Nívea Doria

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