William Shatner lamenta cancelamento de Star Trek: Starfleet Academy

William Shatner, o eterno Capitão James T. Kirk, nunca foi de ficar calado quando o assunto é Star Trek. Em publicações na rede social X, nesta segunda-feira (23), o ator de 95 anos expressou profunda tristeza com o cancelamento de Star Trek: Starfleet Academy, que chegará ao fim após a segunda temporada.

Mais do que lamentar, Shatner aproveitou para lembrar o que torna Star Trek duradouro: sua capacidade única de habitar dois mundos ao mesmo tempo — o fantástico da ficção científica e a profunda exploração da condição humana.

Star Trek existe em mais de um mundo. Existe na fantasia da ficção científica — coisas estranhas e maravilhosas que exploram possibilidades inimagináveis ​​de exploração e esforço humano. Mas também existe na fantasia do ser humano, na perfeição do ser humano, na exploração que a humanidade vem realizando desde o início dos tempos e na exploração contínua — física, mental e moral.”

Para Shatner, o que sempre o atraiu na série criada por Gene Roddenberry foi exatamente esse duplo olhar: o visual espetacular criado por roteiristas e designers talentosos, combinado ao confronto com questões eternas da humanidade, as agonias e as êxtases.

“É esse aspecto de Star Trek que sempre me encantou: observar algo que fisicamente não existe mais, criado por esses talentosos escritores e designers, mas também abordar as eternas questões humanas, as agonias, os êxtases. Star Trek deveria existir por muito tempo, baseado nessas verdades. Eu, particularmente, adoraria ver sua continuidade. É com tristeza que recebo a notícia do cancelamento da nova série de Star Trek.”

Em outro post, o ator não ignora que mudanças na franquia sempre geram polêmica. Ele recordou como, quando A Nova Geração estreou, houve “tons of hate” (uma onda enorme de rejeição) porque “não era Star Trek”. O mesmo aconteceu com a série de Scott Bakula (Enterprise).

E quando a Nova Geração estreou, houve muita rejeição porque “não era Star Trek” e o elenco provavelmente estava com medo dos fãs. Novamente, quando a série com Bakula estreou, também foi duramente criticada pelos fãs porque “não era Star Trek”. Star Trek é diferente para cada um.

Com o título “Nova série de ‘Star Trek’ está ambientada na era pós-Kirk”, a mídia na época trouxe um tom morno e decepcionado com o piloto de A Nova Geração:

“Mas, nesta viagem inicial, a Enterprise e sua nova tripulação simplesmente não decolam.”
(“On this initial voyage, the Enterprise and its new crew simply fail to take flight.”)

E termina com pouca esperança:

“Os verdadeiros trekkies sem dúvida verão um otimismo profundo no fato de que o Sr. Roddenberry ainda insiste nessa visão. O resto de nós só pode esperar que as coisas fiquem um pouco mais animadas nas próximas semanas.”

Durante a exibição original da Série Clássica, um episódio icônico que mostrava o primeiro beijo interracial da televisão americana foi considerado “inaceitável” por muitas emissoras do sul dos Estados Unidos, que simplesmente retiraram o capítulo do ar. Em nova mensagem no X, Shatner reforça que a franquia sempre foi pioneira em desafiar convenções sociais, seja em 1968 com aquele beijo histórico, seja nas produções atuais que exploram diversidade, inclusão e questões contemporâneas:

Durante a primeira exibição da minha série de Star Trek, em que um beijo era considerado inaceitável, muitas emissoras do sul dos Estados Unidos retiraram o episódio do ar e condenaram a série. Usando a linguagem atual, seria certamente chamada de “besteira politicamente correta e inclusiva”, porque ia contra as “normas” da sociedade da época. Parece que pouca coisa mudou.

Com essa reflexão, o ator de 96 anos reforça que Star Trek sempre foi pioneiro em desafiar convenções sociais. O que alguns hoje criticam como “excesso de woke” já foi, no passado, visto como ameaça à ordem estabelecida. Shatner lamenta o cancelamento não apenas como fã ou ator, mas como alguém que entende o valor duradouro da franquia. Para ele, Star Trek não é uma receita engessada, mas um veículo vivo para sonhar com o futuro enquanto se questiona o presente. Como diria Kirk: “Que a jornada continue.”

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