JÁ VIMOS! Confira nossa resenha (sem spoilers) da quarta temporada de Strange New Worlds!

A aguardada quarta temporada de Strange New Worlds começou a ser filmada em 3 de março de 2025, num momento em que o terceiro ano da série ainda estava por estrear. Com isso, ela é vítima de um sina recorrente no atual mercado de streaming: não houve chance de recalibragem após a reação do público aos episódios imediatamente anteriores.

Uma olhada de sobrevoo nos seis primeiros episódios da nova temporada indica um momento em que os produtores se sentiram empoderados pelas reações positivas aos episódios mais ousados do segundo ano (dentre os quais se destacam o crossover com Lower Decks, “Those Old Scientists”, e o musical, “Subspace Rhapsody”), mas ainda não haviam tido chance de detectar um certo desgaste com as loucuras da terceira temporada, que talvez tenham ido um passo longe demais. Destacam-se nela um episódio meta que misturou aventura no holodeck com sátira de Star Trek (“A Space Adventure Hour”) e a comédia avalhacada “Four-and-a-Half Vulcans”.

Com isso, não é de todo surpreendente que, mais uma vez, ao menos nos seis episódios iniciais, haja uma forte presença dos tais “big swings“, termo genérico para descrever a exploração variada de gêneros (o que, em certa medida, Star Trek sempre fez) com um gosto por opções estéticas experimentais (algo que sempre foi usado com parcimônia, até Strange New Worlds). Mais uma vez, a série parece se obrigar a focar nos estranhos, mais do que nos novos.

O auge dessa filosofia provavelmente chegará no vindouro episódio com a tripulação convertida em bonecos no estilo Muppets. E o espectador precisa estar psicologicamente preparado para isso. Há um tom provocador, desafiador, entre os showrunners de Strange New Worlds, Akiva Goldsman e Henry Alonso Myers. O conjunto da obra mostra que eles sabem exatamente como tirar os fãs da zona de conforto, e ao mesmo tempo sinalizar que sabem que é exatamente isso que estão fazendo, ao dobrar e estressar Star Trek — sem jamais quebrar.

Um exemplo disso se viu no final da terceira temporada, com “New Life and New Civilizations”. Por um momento, eles nos fizeram crer que mudariam o destino conhecido de Pike, causando uma enorme violação de continuidade. Depois do susto, e da recompensa emocional da escolha, eles nos asseguram de que sabiam o que estavam fazendo e segue tudo normal na linha do tempo primária.

Prepare-se para um sentimento semelhante nesta temporada, mas talvez sem a mesma recompensa afetiva. Um degrau abaixo nesses novos episódios é que, muitas vezes, eles parecem ser “o experimento pelo experimento”, menos que “o experimento pelo personagem” ou “o experimento pela história”, como foi o caso do finale do terceiro ano.

Se, por esse ângulo, o nível de ousada desfaçatez lembra mais o da terceira temporada, o aspecto mais episódico dos dois primeiros anos de produção parece ter voltado para o quarto ano. Temos sim, continuidade de personagens, vivendo suas vidas e sendo transformados por essas vivências, mas não parece haver, ao menos a depreender dos seis episódios iniciais, algum arco mais amplo de trama a preencher o caminho, como tivemos com os gorns, a crise com Batel e os vezdas na terceira temporada. Essa é uma boa notícia.

A sensação é de que o público sentirá um certo efeito montanha-russa semana após semana — nem todo mundo gosta de todos os gêneros, e a produção vai fundo em cada um deles, o que faz pensar que cada espectador terá sua própria lista de episódios mais queridos (ou odiados). Para este resenhista, o primeiro, o terceiro e o sexto foram os que melhor funcionaram. Mas não seria absurdo que alguém gostasse mais do segundo e do quarto. O quinto, acredito, será um desafio para todos. No máximo, um prazer culposo.

Algo que agrada é a percepção de que a série está chegando ao fim e a produção enxerga últimas oportunidades para endereçar certas questões que, dramaticamente, ensejam pouco, mas encucam fãs de longa data. O sexto episódio terá a volta surpreendente de um personagem clássico. Não teria sido surpresa na primeira temporada. Na quarta, é quase um resgate.

De toda forma, sejam positivas ou negativas, as emoções serão fortes para os fãs ao longo das próximas semanas. Prepare seu espírito para uma jornada quase psicodélica, explorando uma vasta paleta de cores da produção audiovisual, pintadas sobre uma tela inegavelmente trekker.


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