A aguardada série Star Trek: Starfleet Academy, que estreia em 15 de janeiro de 2026 pelo Paramount+, promete conectar o legado clássico da franquia com uma nova geração de cadetes. Uma das maiores pontes com o passado é o retorno de Robert Picardo como o Doutor Holográfico (EMH) de Star Trek: Voyager. O ator, que interpretou o personagem por sete temporadas, além de aparições na animação Prodigy e no filme Star Trek: First Contact, agora integra o corpo docente da Academia da Frota Estelar no distante século 32.
Em uma entrevista exclusiva para a nova edição da revista SFX, Picardo admitiu ter tido dúvidas sobre reprisar o papel após três décadas.
Bem, isso sempre acontece, porque Voyager é uma versão muito querida de Star Trek. Há a questão de como os fãs vão me aceitar como um personagem que, em teoria, nunca muda, mesmo que o ator que interpreta o holograma deles seja 30 anos mais velho, um pouco mais gordo e um pouco mais baixo.

Picardo esclareceu especulações dos fãs: o EMH de Starfleet Academy é o original de Voyager, não a cópia de backup ativada no século 31 no episódio “Living Witness” da quarta temporada, onde um módulo de backup do programa do Doutor (EMH) foi roubado e posteriormente recuperado e ativado por uma raça alienígena conhecida como kyrianos. Picardo lembrou que chegou a pensar nisso antes de ler a primeira página do script do Doutor.
Robert Picardo refletiu ainda sobre o desafio único de interpretar um holograma com mais de oito séculos de existência contínua. Para ele, a imortalidade digital do Doutor não é apenas uma curiosidade técnica, mas um terreno fértil para explorar temas profundos como memória, perda e conexão humana. Nas palavras do próprio ator:
São 800 anos de memória digital, onde a lembrança de um colega querido de 793 anos atrás permanece tão vívida e nítida quanto a de alguém que você viu ontem. Só a ficção científica pode apresentar um desafio como esse para um ator, algo que exige que ele tente compreender. Para um ator humano, que certamente se preocupa com as questões da mortalidade como qualquer outra pessoa da minha idade, é um salto de fé curioso tentar deixar de lado essas preocupações pessoais e imaginar como deve ser ter gerações de colegas reais envelhecendo e morrendo ao seu redor. Isso certamente influenciará seu interesse em desenvolver relacionamentos interpessoais no futuro.
Existe um projeto chamado Starfleet Academy, no qual interpreto uma inteligência artificial de 800 anos. Então, agora sou o Yoda da franquia Star Trek.
Para Picardo, o Doutor mantém o senso de humor sarcástico característico, mas agora lida com temas dramáticos profundos, como a mortalidade dos colegas orgânicos ao seu redor. Em eventos como a STLV e TrekTalks 2025, Picardo prometeu “coisas muito dramáticas” para o personagem, que não será apenas alívio cômico. A participação em Prodigy, onde o Doutor já lecionava cadetes no século 24, inspirou o produtor Alex Kurtzman a mantê-lo na Academia séculos depois, especialmente com a reabertura do campus após os eventos de Discovery.
Eu diria que o Doutor é como nos lembramos dele, mas mais profundo. Como ele era, só que mais intenso, se é que isso faz sentido. Ele ainda tem seu senso de humor, com certeza, mas agora há uma profundidade nele, vinda dessa incrível sensação de imortalidade. Acho que todos concordaríamos que isso seria uma bênção e uma maldição.
Alex Kurtzman disse que, ao ver o Doutor ensinando cadetes em Prodigy, essas foram as palavras exatas dele: ‘fez todo o sentido que ele fosse ensinar cadetes na Academia da Frota Estelar no futuro’. Então, eu realmente acho que minha participação em Prodigy ajudou a abrir essa porta.
Quando li SAM pela primeira vez, percebi que muitas de suas reações não tinham má intenção, mas acho que vir de um lugar tão puro… significa que você não foi moldada por influências externas. Tive que tentar deixar meu corpo o mais neutro possível, mas também precisei meditar bastante e lidar com minha criança interior para entender o que significa me sentir segura. Acho que é preciso muita coragem para ser tão aberta – é como existir como um caranguejo de casca mole, o que pode ser assustador.
A série, ambientada no século 32 após “The Burn” (A Queima), segue com jovens cadetes perseguindo sonhos de esperança sob instrutores exigentes, enfrentando amizades, rivalidades, amores e uma ameaça à Federação. Com 10 episódios na primeira temporada, Starfleet Academy estreia dia 15 de janeiro no Paramount+.
Fonte: TrekMovie
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