O que teria acontecido se o projetista-chefe do programa espacial soviético, Sergei Korolev, não tivesse morrido em 1966, deixando à deriva o esforço de levar seus cosmonautas ao solo lunar? Agora temos a resposta –ao menos na ficção. Essa é a história de Cidade das Estrelas (Star City), série sci-fi de história contrafactual que estreou no último dia 29, no Apple TV e tem novos episódios lançados toda sexta-feira no serviço de streaming.
Se a premissa soa familiar, é porque é mesmo. Foi baseada nessa mesma ideia, contada pelo lado americano, que os cocriadores Ronald D. Moore (velho conhecido dos fãs de Star Trek), Matt Wolpert e Ben Nedivi lançaram, em 2019, For All Mankind, série que já caminha para sua sexta e última temporada. Cidade das Estrelas é uma “derivada/irmã”, cobrindo os mesmos eventos “históricos” de sua originária, mas agora pelo lado soviético.
O resultado é um misto de sci-fi com thriller político que traz, com um sabor tão diferente quão empolgante, o que poderia ter sido a corrida espacial se EUA e URSS não tivessem puxado o freio após as missões Apollo. A primeira temporada da nova série se passa no mesmo período que a equivalente de sua predecessora e retrata o ambiente opressivo e paranoico do regime totalitário soviético como ao mesmo tempo viabilizador e sabotador dos planos de Korolev –que, assim como em nossa própria realidade, era chamado apenas de “projetista-chefe”, sem ter sua identidade revelada ao público.
O Trek Brasilis teve a chance de entrevistar o protagonista da série, o ator britânico (galês) Rhys Ifans, que interpreta uma versão de Korolev (segundo ele, mais magra, mas baseada na figura histórica), assim como os co-showrunners Wolpert e Nedivi. Confira a entrevista no vídeo abaixo.
“O projetista-chefe certamente se baseia em Korolev”, confirma em entrevista o cocriador e showrunner Matt Wolpert. “Acho que nem sabíamos quando começamos a pesquisar o quão brilhante ele era”, completa Ben Devidi. “O fato de os soviéticos estarem superando os americanos em todas as etapas do programa espacial se devia em grande parte ao seu gênio. Sentimos que sua morte, que foi numa cirurgia malfeita que não deveria ter acontecido, se ele tivesse sobrevivido, isso teria tido um enorme impacto na história da exploração espacial.”
O responsável por trazer (de volta) à vida o projetista-chefe é o ator britânico Rhys Ifans, que disse ter se inspirado na figura original para conceber sua interpretação. “Realmente me inspirei em sua paixão e determinação inabaláveis por sua forma de arte.”
A temporada começa com a primeira alunissagem tripulada soviética na Lua e em seguida passa as artimanhas políticas envolvidas no envio da primeira mulher ao solo lunar, Anastasia Belikova (Alice Englert). E a trama segue daí.
Nos próximos dias, teremos entrevistas com outros membros do elenco da série, disponível no serviço de streaming Apple TV.
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