Roteirista diz que 4ª temporada de Strange New Worlds tem estilo mais clássico de Star Trek e menos novas mudanças

A contagem regressiva começou. Com a quarta temporada de Star Trek: Strange New Worlds marcada para estrear em 23 de julho no Paramount+, a série entra em sua reta final com promessas de renovação narrativa e um desfecho cuidadosamente construído.

Quem adianta o que vem por aí é Bill Wolkoff, roteirista e co-produtor executivo da produção. Em entrevista concedida ao site TrekMovie às vésperas de sua participação no Hollywood Climate Summit, em Beverly Hills, Wolkoff diz que a série retorna, na penúltima temporada, ao estilo tradicional clássico. com a abertura de novos arcos narrativos e a redução dos chamados episódios de “grandes mudanças”.

Star Trek e o clima: uma conexão de décadas

Para Wolkoff, a conexão entre seu trabalho em Strange New Worlds e as discussões sobre o clima não é coincidência, é uma extensão natural do que a franquia sempre defendeu. O Hollywood Climate Summit, evento que reúne profissionais da indústria do entretenimento para debater soluções climáticas e o papel da cultura na transformação de mentalidades, foi o palco escolhido pelo roteirista para reafirmar esse vínculo. É justamente por acreditar que a ficção científica pode inspirar mudanças reais que ele estava lá.

Ao ser questionado sobre a relação entre sua presença no evento e seu trabalho em Star Trek, Wolkoff foi direto:

Como vocês sabem, o futuro idealizado por Gene Roddenberry é um mundo pós-escassez, e alguns diriam pós-capitalista. É um mundo onde, depois que as coisas deram errado, nossos melhores instintos prevaleceram e fomos capazes de nos unir por um bem maior. E é sobre isso que temos escrito na sala de Strange New Worlds há cinco temporadas. É algo que discutimos desde a Série Clássica, passando por A Nova Geração, até os episódios que escrevemos.

O episódio que virou exemplo

Como exemplo concreto dessa abordagem, o roteirista cita o episódio The Sehlat Who Ate Its Tail, da terceira temporada, escrito por ele em parceria com David Reed.

Vou citar especificamente ‘The Sehlat Who Ate Its Tail‘, que escrevi com David Reed. Escrevemos especificamente sobre o que aconteceria com um pequeno grupo de humanos que vieram de um mundo anterior à era pós-escassez, e que estavam passando por tempos difíceis. E eles acabaram em uma parte do espaço que era realmente escura e solitária. É assim que temos escrito. Estou aqui hoje porque acredito firmemente que essa realidade é possível para nós. E acho que tudo começa com uma mudança de mentalidade, uma abertura para abraçar um mundo onde todos possam viver bem, não apenas individualmente.

Fora das telas, o roteirista também pratica o que prega. Adepto do ciclismo, ele chegou ao evento de trem e bicicleta, aproveitando a recém-inaugurada linha D do metrô de Beverly Hills. O gesto cotidiano, para ele, carrega o mesmo simbolismo das histórias que escreve. E com uma pitada de humor, fez uma analogia bem trekkie: quer incentivar o uso da linha D para que, um dia, todos possam andar nela, assim como a tripulação da Enterprise-D.

A tradição de Star Trek de abordar temas ambientais e sociais não segue uma fórmula única dentro da sala de roteiristas de Strange New Worlds. Segundo Wolkoff, o ponto de partida de cada episódio varia, às vezes a mensagem vem primeiro, às vezes ela emerge naturalmente do desenvolvimento da história. Em alguns casos, a equipe parte deliberadamente de uma lição moral, no espírito dos contos clássicos da franquia, com referências diretas às séries como Além da Imaginação. Em outros, o caminho é completamente diferente.

O próprio episódio The Sehlat Who Ate Its Tail é um bom exemplo dessa segunda abordagem. Quando Wolkoff e David Reed apresentaram a ideia aos showrunners Akiva Goldsman e Henry Alonso Myers, o objetivo central não era transmitir uma mensagem, era construir um episódio com forte apelo de ficção científica e uma reviravolta memorável. E foi exatamente por aí que começaram: a reviravolta do final veio primeiro, e todo o episódio foi construído em torno dela. A mensagem, inevitavelmente, encontrou seu lugar ao longo do processo.

O que muda na quarta temporada

Esse mesmo espírito de renovação guia a quarta temporada. Com determinados arcos narrativos encerrados na terceira, em especial os ligados ao capitão Pike, a equipe ganhou liberdade para explorar territórios completamente novos nas histórias dos personagens. Ao mesmo tempo, a nova temporada retoma fios soltos desde a primeira, algo que o formato de apenas dez episódios por temporada havia dificultado até então.

Estamos resolvendo algumas coisas que foram apresentadas no início da primeira temporada e que não tínhamos conseguido concluir, simplesmente por termos apenas dez episódios por temporada. E a cada temporada, analisamos o nosso mundo atual, os tipos de histórias que queremos contar e tentamos encontrar histórias sobre o nosso mundo atual que sejam, em essência, histórias de Star Trek. É a fusão desses três elementos. Portanto, a quarta temporada reflete o nosso mundo atual de uma maneira diferente da terceira.

Menos “grandes mudanças”, mais Star Trek clássico

Uma das mudanças de tom mais aguardadas pelos fãs é justamente o que Wolkoff confirma: as temporadas quatro e cinco trazem mais episódios no espírito clássico da franquia. O roteirista, no entanto, faz questão de equilibrar a expectativa. A série continua sendo ela mesma — e isso inclui surpresas. Um episódio com marionetes, por exemplo, já está confirmado. Para Wolkoff, isso também é Star Trek, ainda que seja o tipo de episódio que os fãs costumam chamar de “grande mudança”.

Acho que temos sim mais episódios que vocês chamariam de episódios clássicos de Star Trek. Ainda é a nossa série e ainda fazemos as coisas que a nossa série faz. Quer dizer, vocês sabem que vai ter um episódio com marionetes. Eu diria que isso é uma grande mudança. Todo episódio é um episódio com marionetes? Claro que não. E provavelmente há mais episódios clássicos misturados. E para cada “grande mudança”, esse é um termo que é usado sem muita convicção, mas queremos que cada episódio seja um episódio de Star Trek, mesmo que seja uma grande mudança. Mas, para responder à sua pergunta, talvez haja menos episódios do que vocês chamariam de episódios clássicos em temporadas anteriores.

A despedida planejada

Sobre o encerramento da série, Wolkoff foi propositalmente econômico em detalhes, afinal, a quinta temporada ainda está longe do lançamento. Mas o que ele revelou foi suficiente para antecipar o peso emocional do que está por vir. O roteirista confessou ter chorado em cada pausa na construção da história, tamanha a dimensão do que a equipe conseguiu realizar. Para ele, ter tempo para encerrar uma série da maneira correta é uma dádiva e Strange New Worlds teve essa dádiva.

As lições da terceira temporada

A produção da quinta temporada ocorreu simultaneamente ao lançamento da terceira, uma situação inédita para a equipe, e que trouxe um desafio delicado: como absorver a reação do público sem deixar que ela ditasse as escolhas criativas. Para Wolkoff, a resposta está no equilíbrio. A equipe é formada por seres humanos, não está isolada da internet, e seria ingênuo fingir que as críticas não chegam. Mas há uma diferença entre ouvir e se render e é nessa distinção que reside, segundo ele, a maturidade do processo criativo.

Quando perguntado sobre críticas específicas à terceira temporada, o roteirista admitiu que alguns episódios geraram reações negativas significativas e que as leu com atenção:

Houve alguns episódios que receberam críticas. E essas críticas são muito reais para todos. Posso falar apenas por mim quando digo que leio as críticas e reflito sobre o que elas significam para a minha participação na narrativa. E defendo tudo o que fiz, porque cada episódio que produzimos tinha um propósito, e trabalhamos em equipe. A beleza da série reside justamente em sermos uma tripulação, assim como a tripulação da ponte da Enterprise. Então, nos apoiamos mutuamente. Mas sim, houve algumas críticas na terceira temporada que levei muito a sério.

O fim de uma era

O encerramento de Strange New Worlds também se materializa de forma concreta: peças e elementos do cenário da série estão sendo leiloados em Toronto. Para Wolkoff, que passou grande parte do tempo no set de filmagem, a sensação é de algo difícil de descrever.

Surreal. Tendo estado lá — eu estava muito no set de filmagem — tenho uma ligação emocional com tudo aquilo. E eu sabia, quando estava lá, o quão especial aquele período era. Eu sabia que chegaria esse momento que você está descrevendo… o fim de uma era.

A quarta temporada de Strange New Worlds chega dia 23 de julho no Paramount+. A segunda e terceira temporadas ainda estão disponíveis no streaming.


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