ENT 1×19: Oasis

raça Kantare, em Enterprise, Oasis

Episódio se sustenta com história reciclada e mais cenas às escuras

Sinopse

Data estelar: Desconhecida

A Enterprise convida a bordo D’Marr, um mercador espacial de uma espécie desconhecida, na esperança de que  possa ajudar Tucker a conseguir o material que ele precisa para vedar rupturas no casco e algumas peças sobressalentes. D’Marr diz que não tem o que eles procuram, mas há uma nave em um planeta próximo que poderia fornecer o que eles querem. Não é de mercadores, mas sim uma nave acidentada, sem sobreviventes. D’Marr, entretanto, avisa Archer de que a nave em questão está assombrada pelos espíritos dos tripulantes mortos.

Depois que o mercador parte, Archer decide dar uma olhada na tal nave, na superfície de um planeta naquela região. Os sensores indicam que ela possui bastante dos materiais de que Tucker precisa. O capitão decide ir a bordo e dar uma olhada. Do grupo de descida, Mayweather parece estar mais apreensivo e incomodado com a situação. Para tranquilizá-lo, Archer garante que não levarão nada, caso constatem que há alguém ou alguma força que queira isso.

D'Marr em Enterprise

Ele, Mayweather, T’Pol e Tucker abordam a nave. Os dois primeiros vão em busca de informações sobre a nave, enquanto a outra dupla procura pelos materiais de que precisam. Às escuras, eles vagueiam pelos corredores, até que a vulcana ouve barulhos e acredita que haja alguém lá. Tucker acha que ela está imaginando coisas, até os dois verem um vulto passando perto deles. Ele se comunica com o capitão e persegue o vulto, até chegar a um beco sem saída. Investigando o local, eles descobrem uma porta. O equipamento de T’Pol não consegue fazer leituras de dentro daquele compartimento e, por isso, os dois se esforçam para abrir a porta.

Depois de vencer o obstáculo, eles se veem em uma espécie de arboreto — um ambiente totalmente diferente da parte sombria e escura da nave. Caminhando por entre as plantas, Tucker vê uma moça alienígena, mas, quando ele tenta se comunicar, ela foge. T’Pol vai na direção dele, mas, antes que possam fazer algo, eles são rendidos por um grupo de alienígenas armado. Archer e Mayweather são localizados e levados para lá também.

Tucker e T'Pol na nave Kantare

Naquelas circunstâncias, se dão as apresentações. Um deles, Kuulan, se diz o capitão da nave acidentada, pertencente à raça dos kantare. Ele afirma que seu grupo está lá há três anos e que não conseguiram colocar a nave para funcionar desde então. Evitaram contatos com o mundo exterior para não chamar a atenção de seus atacantes, que, em uma batalha, causaram a queda da nave.

Archer oferece sua tripulação para ajudar a consertar a nave. Em princípio, Ezral, o engenheiro-chefe alienígena, não concorda, mas acaba cedendo à oferta. Tucker passa, então, a trabalhar nos motores da nave alienígena. Ele é acompanhado por Liana, a jovem que ele havia encontrado anteriormente. Ela é filha de Ezral e se mostra uma ajudante prestativa nas atividades de reparos. Os dois começam a se dar bem, o que, de pronto, desperta a atenção de T’Pol. Em um momento oportuno, ela pede a Tucker que tome mais cuidado desta vez — a última vez que fez uma “amiga” durante uma missão de reparos, Tucker acabou grávido de uma criança dela. O engenheiro, entretanto, acha que a vulcana está exagerando.

Tripulação Kantare

Os dois seguem trabalhando, mas há um momento em que Tucker precisa consultar os computadores da Enterprise. Ele deve voltar a bordo e aproveita a ocasião para convidar alguns kantares para um tour em sua nave. Liana, de pronto, se oferece, mas Ezral não quer permiti-la. Após alguma insistência, ele autoriza sua visita. Lá, Tucker mostra a ela todas as dependências da nave e os dois começam a se dar cada vez melhor. Enquanto isso, T’Pol segue trabalhando na nave kantare.

Na Enterprise, Malcolm Reed não está satisfeito com as respostas dadas pelos alienígenas. Após algumas análises, ele mostra ao capitão evidências de que a nave kantare não sofreu um ataque, mas sim uma falha interna catastrófica de seus sistemas. O veículo não estaria no planeta há três anos, mas sim há 23. As informações são confirmadas por Hoshi Sato, após a tradução dos registros trazidos da nave kantare. Eles também encontram em órbita um módulo de fuga, disparado da nave logo após o acidente. Ao trazerem-no a bordo, descobrem que o tripulante está morto — apesar de Tucker tê-lo visto, momentos antes, vivo e bem, na superfície do planeta.

Casulo Kantare

Intrigado pelas mentiras alienígenas, Archer chama Tucker e pergunta se Liana lhe contou algo. Tucker mal pode acreditar que ela estava mentindo para ele e decide confrontá-la. Quando o engenheiro lhe pergunta o que está havendo, ela só pede para ser levada de volta à sua nave.

Enquanto isso, T’Pol parece ter obtido, por seus próprios meios, as respostas que Archer e Tucker procuram. Ela decide voltar à Enterprise para reportar suas descobertas, mas os alienígenas a impedem. Quando Tucker chega com Liana à nave kantare, acompanhado por Archer em um grupo de descida, os humanos são detidos e Tucker é obrigado a trabalhar em um sistema forçosamente, junto com T’Pol. Os alienígenas obrigam os demais a partir.

Tucker e Liana

Inconformado, Archer decide rapidamente preparar um plano de resgate de seus dois oficiais capturados. Junto com Reed, eles descem novamente ao planeta e invadem a nave, tentando chegar a Tucker e T’Pol. Enquanto uma verdadeira corrida de gato e rato acontece pelos corredores da nave alienígena, Tucker só ouve os disparos e pede que Liana termine com tudo isso — ela poderia evitar o derramamento de sangue.

Persuadida a ajudá-lo, ela desativa três sistemas do painel optotrônico em que estão trabalhando e o resultado é que toda a tripulação alienígena desaparece, à exceção de Liana e seu pai Ezral. Numericamente inferiorizado, Ezral explica que recriou holograficamente sua tripulação depois que eles foram mortos em um acidente que ele considera culpa dele. Pede, por favor, para que os tripulantes da Enterprise apenas consertem o sistema holográfico e partam, deixando ele e sua filha viverem em paz, como fizeram nos últimos 23 anos.

Ezral e Kantares

Tucker, entretanto, está abismado com a situação e acusa Ezral de ser egoísta, limitando propositalmente a chance de Liana de conhecer outras pessoas e outros mundos, prendendo-a no seu próprio universo de mentira. Ezral parece impassível, mas o discurso fez um efeito nele.

Algum tempo depois, Archer está de volta a sua nave e recebe uma visita de Ezral. Ele comenta sua situação, sua relação com Liana e a impressão que teve do engenheiro Tucker. Acaba decidindo que está realmente prejudicando Liana e deve seguir com sua vida. Pede que Archer forneça a ele algumas peças para que ele possa consertar sua nave e partir. O capitão da Enterprise concorda e fornece-lhe o que ele precisa. Archer até insiste em ajudar nos reparos, mas Ezral diz que sua tripulação holográfica pode cuidar disso.

Em vista disso, só resta a Tucker se despedir de Liana, o que ele faz com um beijo, antes de a Enterprise seguir em frente com sua missão.

Comentários

“Oasis” seria um episódio muito bom, não fosse por duas coisas. Em primeiro lugar, ele começa com um tom e depois pula para um gênero completamente diferente — um que já é mais velho do que andar para frente em Jornada nas Estrelas, diga-se de passagem.

O princípio é pautado pela diretriz básica dos produtores para Enterprise — uma série mais envolta nos terrores e medos de viajar pelo espaço. Nada melhor que representar isso com uma história de assombração à moda antiga. O prólogo do episódio promete isso de forma bastante interessante e o clima se sustenta ao longo dos primeiros minutos.

Title Card Oasis, Enterprise

Enquanto há um mistério a ser investigado, a coisa se mantém interessante, apesar do excesso de mais tomadas na escuridão dos cenários, um efeito que Enterprise tem usado em excesso e nos momentos errados. Em compensação, assim que os fantasmas se tornam pessoas reais (pelo menos é o que pensavam os tripulantes da Enterprise naquele momento), a premissa do episódio simplesmente cai por terra.

Passamos, então, a uma emocionante nova premissa: Tucker ajuda seus amiguinhos kantare a consertar sua nave. Não há nada mais desinteressante do que acompanhar um engenheiro consertando uma nave de uns alienígenas com maquiagem boba e caracterização do mesmo nível. Até que o segundo mistério se estabeleça, com as descobertas de Reed na Enterprise, o episódio cai abismalmente de rendimento.

Tucker e Liana

O que nos leva ao segundo grande problema do episódio. A resolução do segundo mistério é simplesmente a reciclagem de um episódio que já foi feito antes, durante o segundo ano de Deep Space Nine: “Shadowplay”. Não é à toa que Rene Auberjonois achou esse roteiro de Enterprise bem parecido com o material que ele pegava em DS9.

Em “Shadowplay”, Odo e Dax encontram uma comunidade em um planeta que é toda gerada por holografia, embora eles só descubram isso no fim, quando tentam descobrir por que há membros do grupo desaparecendo sem deixar vestígios. Em “Oasis”, temos exatamente os mesmos elementos — pessoas holográficas recriadas para satisfazer a fantasia de uma única pessoa, um defeito no equipamento que está prejudicando a tal comunidade fotônica e um grupo de exploradores bisbilhoteiros que vai ajudar a colocar tudo nos eixos novamente, após 45 minutos.

Rene Auberjonois como Ezral em Enterpise

Depois de mais de 600 episódios produzidos, é até difícil conceber que os roteiristas vão conseguir se sair com ideias 100% originais e nunca vistas antes. Mas, se a ideia é reciclar, é bom que se faça bem feito. No caso de “Oasis”, não deu certo; o original de DS9 é melhor. Isso por várias razões: a principal é que o de DS9 tinha um foco e uma história muito mais tocante e bem arranjada. Já o de Enterprise parece uma soma de pequenas tramas que se emendam para chegar a esse resultado final.

Algumas tentativas de trabalhar fantasmas em Jornada já foram feitas ao longo dos anos. Em geral, são todas catastróficas. “Oasis” poderia muito bem fazer melhor que isso, mas optou pela solução tradicional e pelo clichê. Se o clichê ainda fosse bom. Mas é o tipo da coisa que não funciona em Enterprise.

Tripulação Kantare

Já é a segunda vez que vemos holografia com qualidade de holodeck na série. Desta vez, Tucker chega até a consertar o sistema kantare! É inconcebível que os humanos levem mais 200 anos para desenvolver essa tecnologia, depois de descobrir que metade da galáxia já a tem e, destes, metade deixou Tucker fuçar no equipamento. Mais uma pisada de bola dos produtores com relação à continuidade histórica da série. E tudo por falta de criatividade para encontrar uma solução melhor.

O que não é difícil, realmente. Eles poderiam explorar um recurso menos tecnológico e mais misterioso, como foi feito em “The Survivors”, da terceira temporada de A Nova Geração. Lá, um ser recriava à vontade sua esposa morta, sua casa, naves no espaço, tudo com a força do pensamento. Até essa solução barata seria melhor que mais hologramas.

Holograma Kantare

Problemas de roteiro e história à parte, há qualidades a se destacar. A maior delas, como não poderia deixar de ser, é a presença de Auberjonois. O ator tem uma presença que consegue abrilhantar até o pior dos diálogos. E ele trabalha bem o material que tem em mãos aqui, dando vida ao único personagem convidado realmente tridimensional do episódio.

Liana é a Kes, reciclada. Não só em aparência, mas também em atuação branda e pouco expressiva. E seu affair com Tucker não ajuda nada o episódio. Muito ao contrário, só mostra o quanto está difícil se sair com lances criativos em Enterprise. Pelo menos, a situação rendeu uma boa participação de T’Pol, que recrimina o engenheiro por suas “experiências de reparos anteriores”. Foi uma boa aparição da vulcana, que está oscilando entre bons e maus momentos ao longo dos episódios.

Ezral e Liana

Por incrível que pareça, Mayweather foi ligeiramente beneficiado aqui. Interessante sua oposição à abordagem da nave assombrada. Não que isso possa ser qualificado como desenvolvimento genuíno de personagem, mas, em se tratando de Mayweather, é bem o caso de abrir uma champagne. Felizmente ele terá um pouco mais a dizer no próximo episódio, “Detained”.

A direção fracassa na tentativa de criar o clima sombrio e supostamente assombrado da nave abandonada. Não basta apagar as luzes para criar esse ambiente e o diretor Jim Charleston pagou o preço por isso. De resto, ele fez o que podia fazer, dado o material pouco atrativo do episódio.

Mayweather e Archer na nave Kantare

A maquiagem kantare está sonolenta, embora seja compreensível a decisão dos produtores de deixar os alienígenas o mais humanos possível, para que Tucker pudesse se sentir atraído por Liana. Agora, Michael Westmore está de parabéns pela maquiagem de D’Marr, o mercador alienígena. Fazia tempo que não víamos um alienígena tão interessante. Ele não só é criativo (não se parece com nada do que vimos antes), mas também tem um ar nostálgico e ligeiramente “cheesy” que nos faz crer que poderíamos muito bem encontrar um bicho desses numa era pré-Kirk. Westmore acertou em cheio com o tom verde claro da pele e as próteses bem diferentes. Em termos técnicos, apesar das belas tomadas de efeitos especiais, a maquiagem de D’Marr levou o primeiro prêmio.

No final das contas, “Oasis” é um episódio capaz até de fornecer entretenimento. Mas não espere encontrar algo original ou extremamente empolgante por aqui. É um segmento morno, de uma série que, até aqui, tirando um ou dois episódios, está exatamente assim: morna.

Avaliação

Citações

“The last time you found someone this competent, you ended up carrying her child.”
(Da última vez que você encontrou alguém tão competente, acabou carregando a criança dela.)
T’Pol

“What happened to your crew?”
“They’re gone, captain. Isn’t it obvious?”
“Your real crew.”
“They didn’t seem real to you?”
(O que aconteceu com sua tripulação?)
(Eles se foram, capitão. Não é óbvio?)
(Sua tripulação real.)
(Eles não pareciam reais para você?)
Archer e Ezral

“What are you going to do if she gets hurt? Make a… holographic doctor?”
(O que você vai fazer se ela se machucar? Fazer um… doutor holográfico?)
Tucker

Trivia

  • É a segunda aparição de um ex-regular de Jornada em Enterprise. A primeira foi em “Acquisition”, com Ethan Phillips (Neelix) interpretando um ferengi. Agora é a vez de Rene Auberjonois (Odo).
  • Quem mais falou do episódio em entrevistas foi o próprio Auberjonois. Ele definiu seu personagem como “interessante e muito legal”. “Eu não uso nenhuma maquiagem pesada. Sou um alienígena mas tenho meio que pintas na minha testa e levou bem menos tempo que Odo. Minhas duas grandes cenas foram com Scott [Bakula], o que foi ótimo porque ele é um dos atores mais quentes e receptivos. Eles realmente influenciou a sensação toda do episódio.”
  • O ator comparou seu personagem ao de um clássico de Shakespeare. “Ele só está equivocado. Ele é o tipo de personagem Prospero — Prospero de The Tempest‘(A Tempestade) –, com sua filha, vivendo neste planeta ou asteroide. E junto vem a Enterprise.”
  • Em uma entrevista, Auberjonois aludiu à semelhança entre este episódio e outros que ele fez antes em Jornada. “Foi déjà vu tudo de novo. Estivemos sobre os palcos de Voyager, com a mesma equipe, muitos dos mesmos rostos e muito do mesmo roteiro!”
  • Connor Trinneer também falou do episódio, mas falou pouco: “Eu finalmente consigo conhecer uma garota”, diz.
  • Rudolph Willrich apareceu antes em Jornada, como Reittan Grax, em “Menage a Troi” (A Nova Geração), e como um comandante boliano da Academia da Frota, em “Paradise Lost” (Deep Space Nine).

Ficha Técnica

História de Rick Berman & Brannon Braga & Stephen Beck
Roteiro de Stephen Beck
Dirigido por Jim Charleston

Exibido em 3 de abril de 2002

Títulos em português: “Oásis”

Elenco

Scott Bakula como Jonathan Archer
Jolene Blalock como T’Pol
John Billingsley como Phlox
Anthony Montgomery como Travis Mayweather
Connor Trinneer como Charlie ‘Trip’ Tucker III
Dominic Keating como Malcolm Reed
Linda Park como Hoshi Sato

Elenco convidado

Tom Bergeron como D’Marr
Rene Auberjonois como Ezral
Annie Wersching como Liana
Rudolph Willrich como Kuulan
Claudette Sutherland como Maya

Enquete

Edição de Mariana Gamberger
Revisão de Nívea Doria

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