VOY 2×08: Persistence of Vision

Meta da história é explorar desejos e medos inconscientes da tripulação

Sinopse

Data estelar: desconhecida.

A Voyager se prepara para um encontro potencialmente perigoso com os bothanos, mas a capitão Janeway está estafada. O Doutor ordena que ela tire uma licença no holodeck — em um holo-romance que ela costumava usar. Poucos minutos após entrar no holodeck, ela é convocada à ponte para fazer o primeiro contato com os bothanos. O representante deles dá uma recepção pouco amistosa e convoca um encontro para determinar se permitirão ou não que a Voyager atravesse seu espaço.

Enquanto a nave se encaminha para o local do encontro, Janeway imagina ter visto Beatrice, a garotinha de seu holo-romance, em um dos corredores da nave. Incapaz de ligar o evento aos experimentos que a tripulação está realizando na engenharia com holo-emissores, a capitão começa a achar que está vendo coisas.

Mais tarde, após Janeway ouvir a voz de seu noivo, Mark, ela é atacada por uma faca pela senhora Templeton, outro personagem do holodeck. Para tornar as coisas mais estranhas, a única outra pessoa capaz de testemunhar essas presenças é Kes.

Janeway deixa Chakotay como responsável pelo encontro com os bothanos, enquanto ela passa por uma bateria de exames médicos. Mais uma vez, os alienígenas reagem com hostilidade e agora chegam a atacar a Voyager. Saindo da enfermaria, a capitão volta à ponte, onde o bothano está na tela. Ela se choca ao ver que ele é Mark. Ao menos, é o que parece para ela.

Na mesma tela, Kim vê sua namorada, Libby, e Tuvok vê sua esposa, T’Pel. Tom Paris também tem uma visão: seu pai, o almirante Paris. Enquanto isso, B’Ellana Torres contata a ponte e informa que a tripulação parece afetada por um campo bioelétrico com propriedades psicoativas emanando da nave bothana. Mas, enquanto ela trabalha para bloquear o campo, também é afetada e fica catatônica.

Sobra para Kes, cujas habilidades telepáticas permitem maior resistência ao campo, e para o Doutor a tarefa de completar o trabalho de B’Elanna e bloquear a força misteriosa que está desabilitando a tripulação.

Kes consegue completar a tarefa e restaurar a tripulação ao normal. Um telepata bothano, então, confessa ter causado a perturbação, mas ele desaparece antes que se possa aprender mais sobre ele.

Comentários

“Persistence of Vision” é um bom exemplo de entender o “modus operandi” dos roteiristas de Voyager diante de furos de roteiro — “nós não entendemos completamente o que aconteceu a bordo da nave”. E o que não entendemos não precisamos nem podemos explicar. Essa foi a conclusão tirada por Janeway ao final deste episódio, que se propôs a fazer uma análise psicológica da tripulação.

Alguns dos mistérios sem resposta: por que as primeiras alucinações, sofridas pela capitão, causavam reações visíveis, como se ela estivesse interagindo com os personagens inexistentes, se posteriormente descobrimos que o processo alucinógeno deixava os tripulantes catatônicos?

Com a nave praticamente desabilitada, por que os alienígenas não deram continuidade a seu propósito, seja ele qual fosse? Embora Kes e o Doutor ainda estivessem conscientes, eles seriam incapazes de, sozinhos, conter uma invasão.

Ou ainda: onde estava aquele alienígena na verdade e qual era o seu propósito a bordo da Voyager?

Uma resposta que dá para imaginar é a de que os alienígenas estimulavam o inconsciente dos tripulantes a se manifestar para descobrir se eles possuíam ou não uma natureza hostil. Mas nenhuma atitude posterior à recuperação da tripulação dá a entender que fosse esse caso, mantendo a questão em aberto.

Tirando esses problemas inerentes ao enredo, que, por sinal, é mais uma história em que não acontece nada, pode-se dizer que há qualidades no roteiro. É interessante conhecer o inconsciente dos personagens — uma abordagem à la “The Naked Time”, da Série Clássica, para se mostrar o que se passa dentro de cada um dos personagens.

O sentimento de “infidelidade” de Janeway por se envolver romanticamente com hologramas, enquanto seu namorado Mark a espera na Terra, a aparição do almirante Paris para Tom, dando o tom traumatizante do relacionamento dos dois e a aparição de Tuvok em Vulcano são pontos interessantes.

Menos interessante, mas mais engraçado, é o desejo sexual inconsciente de B’Elanna Torres por Chakotay. (Aliás, de onde os produtores tiraram a ideia de que Chakotay é algum tipo de galã da série?)

A alucinação de Kes com seu corpo sendo todo queimado também não é primorosa — não diz nada sobre o inconsciente do personagem, ao contrário das outras. Em compensação, não dá para dizer que a ocampa não teve função nessa história.

Esse foi um dos poucos episódios que conseguiu fazer bom uso de Kes, como a única personagem capaz de controlar (de forma limitada) as alucinações e salvar a nave. Pouco convincente é que o Doutor saiba como conduzir o trabalho de B’Elanna na engenharia! Mas, como em Voyager a coerência não costuma ser o elemento mais importante de um roteiro, o que vale é desatar o nó do episódio, nem que seja recheando com um monte de tecnobaboseira — o que, aliás, também sobra neste episódio.

No fim das contas, não dá para atirar muitas pedras no episódio, porque, apesar das incoerências e inconsistências, ele é capaz de divertir.

Avaliação

Citações

“My programmers didn’t clutter me up with pithy Earth trivia.”
(Meus programadores não me entupiram com curiosidades terrestres inúteis.)
Doutor

Trivia

  • Neste episódio, temos a volta do ator Stan Ivar como Mark, o noivo que a capitão deixou na Terra. Sua primeira aparição foi no piloto da série, “Caretaker”. Também volta Michael Cumsty como o lorde Burleigh e toda sua família, que já haviam estrelado no primeiro ano, em “Cathexis”.
  • Em entrevista, Kate Mulgrew disse: “Um telepata toma a nave e se apresenta como meu noivo, o cara que deixei na Terra. Assombroso. E outras pessoas tomam forma na minha frente e começo a temer que estou perdendo o controle, o que significaria o fim da missão. Portanto, é uma coisa bem diabólica para Janeway — e deliciosa de atuar.”

Ficha Técnica

Escrito por Jeri Taylor
Dirigido por James L. Conway

Exibido em 30 de outubro de 1995

Título em português: “Simulacros”

Elenco

Kate Mulgrew como Kathryn Janeway
Robert Beltran como Chakotay
Roxann Biggs-Dawson como B’Elanna Torres
Robert Duncan McNeill como Tom Paris
Jennifer Lien como Kes
Ethan Phillips como Neelix
Robert Picardo como Doutor
Tim Russ como Tuvok
Garret Wang como Harry Kim

Elenco convidado

Stan Ivar como Mark
Michael Cumpsty como lorde Burleigh
Carolyn Seymour como sra. Templeton
Thomas Alexander Dekker como Henry
Lindsey Haun como Beatrice
Warren Munson como almirante Paris
Patrick Kerr como bothano
Marva Hicks como T’Pel

Enquete

Edição de Stéphanie Cristina
Revisão de Nívea Doria

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