Showrunners de Strange New Worlds detalham os primeiros episódios da nova temporada

A contagem regressiva está perto do fim. Star Trek: Strange New Worlds estreia sua quarta temporada em 23 de julho, e o material divulgado nas últimas semanas, de entrevistas em convenções a reportagens de bastidores, desenha o retrato de uma série disposta a se arriscar mais do que nunca, mesmo sabendo que só lhe resta mais um capítulo depois deste.

Em entrevista à revista britânica SFX, os showrunners Akiva Goldsman e Henry Alonso Myers deram uma prévia do clima dos quatro primeiros episódios da temporada. De acordo com a revista, o primeiro deles remete às aventuras de aventureiros e exploradores, no estilo das histórias pulp escritas por Edgar Rice Burroughs, o criador de Tarzan. Já o segundo traz uma história de fantasmas com a cara clássica de Star Trek. O terceiro é descrito como uma espécie de comédia de confusão amorosa, lembrando o filme Se Beber, Não Case!. E o quarto é um thriller policial ao estilo noir, daqueles filmados quase todo em preto e branco, só que aqui a própria história da série explica por que tudo fica nesse tom mais sombrio. Essas pistas referem-se aos títulos dos episódios: “Valles Marineris“, “The Griffin Incident“, “Human Best Friend” e “A Case of Chiaroscuro“.

Desde que estreou, Strange New Worlds consolidou sua reputação pelos fãs como uma série ousada, desafiando convenções e expandindo os limites do que se espera de Star Trek. Para os showrunners, essa liberdade criativa existe justamente porque a produção não se sente presa à fórmula do clássico dos anos 1960. A proposta, segundo eles, é explorar ao máximo as possibilidades da franquia, sem nunca deixar de ser Star Trek.

Henry Myers: Gostamos de nos mover entre gêneros e ainda manter o que achamos essencial para a narrativa de Star Trek. Acho que estamos definitivamente tentando esticar, expandir e flexionar Star Trek. infelizmente, não acho que seja tão fácil quebrar Star Trek.

CAVALOS E NAVE FANTASMA

Isso fica claro logo na 4ª temporada, que estreia com “Valles Marineris“, episódio ambientado numa paisagem que lembra o planeta Marte, com direito a Pike andando a cavalo e uma aparição da atriz Saffron Burrows como uma nova personagem misteriosa.

Logo no segundo episódio, “The Griffin Incident“, a tripulação encontra uma nave abandonada, possivelmente assombrada, o que chama a atenção de um setor da Frota Estelar especializado em investigar esse tipo de fenômeno estranho. Todo ano a série reserva um episódio de terror, e Myers explica que o segredo é sempre buscar um jeito diferente de assustar. Para ele, o susto funciona melhor quando vem junto com alguma emoção real, não só como um efeito isolado.

A nova temporada também traz gente nova: Uhura vai ganhar uma cadete para orientar, uma vulcana inédita chamada A’Sha (Bianca Nugara), e o jovem Scotty vai desenvolver uma amizade divertida, quase de irmãos, com a piloto Ortegas. Já o comandante Kirk vai precisar lidar com a paternidade, ao se aproximar do filho, David que, segundo a história clássica de Star Trek, só voltaria a encontrá-lo já adulto, no filme Star Trek II: The Wrath of Khan. Myers garante que a equipe não está reescrevendo essa história, só contando com mais profundidade algo que os filmes antigos nunca tiveram tempo de explorar direito.

Una Chin-Riley (Rebecca Romijn), Christopher Pike (Anson Mount), Nyota Uhura (Celia Rose Gooding), Christine Chapel (Jess Bush) e a cadete vulcana A’Sha (Bianca Nugara).

Mas vamos tentar imaginar como seria se estivéssemos fazendo esta versão dele quando jovem. O que ele está passando. Kirk é um herói, e nenhum de nós queria imaginar que ele fosse um pai ruim, então, isso ofereceu muitas oportunidades para explorarmos sua mente, suas emoções.

Goldsman acrescenta:

Apesar do fato de algumas pessoas dizerem que não estamos na mesma continuidade [da Série Original], nós acreditamos que estamos.

Entre as reviravoltas mais comentadas está um episódio inteiramente construído com bonecos, talvez a aposta mais ousada da temporada. Goldsman reconhece que romper com as convenções de Star Trek nunca é simples, mas a equipe encara cada episódio como se fosse um filme à parte, sempre em busca de reinventar a fórmula sem perder a essência da franquia, um caminho já trilhado por episódios como o musical “Subspace Rhapsody” e o crossover animado com personagens de Lower Decks.

Durante a entrevista a revista SFX, Anson Mount (Pike) revelou que trabalhar com a versão puppet (marionete) de si mesmo foi uma experiência ao mesmo tempo frustrante e reveladora. Embora não tenha tido contato direto com a marionete na maior parte das filmagens, ele ficou impressionado com o talento dos profissionais que a manipulam, elogiando a articulação e a precisão dos movimentos que eles conseguiram imprimir à personagem. O ator precisou regravar (em ADR – dublagem) as falas de toda a cena e teve até que repetir o trabalho duas vezes, porque a primeira tentativa não combinava com os movimentos da marionete. Segundo ele, foi preciso deixar o ego de lado e simplesmente seguir o ritmo do boneco, mesmo sendo um desafio criativo pouco comum

Outra novidade no artigo da revista foi Goldsman reiterar o compromisso de fechar todos os arcos dos personagens até o fim da 5ª temporada, quando nomes como La’an Noonien-Singh, Erica Ortegas e Número Um deixarão a Enterprise, e o médico-chefe M’Benga passará o posto ao Dr. McCoy.

SEM EPISÓDIO COMEMORATIVO

Antes do aniversário de 60 anos de Star Trek, comemorado em 8 de setembro, a quarta temporada de Strange New Worlds estará em exibição. Mesmo assim, o produtor Akiva Goldsman esclareceu que a série não terá um episódio especial em homenagem à data, como aconteceu com Deep Space Nine em “Trials and Tribble-ations”, criado para celebrar os 30 anos da franquia. Segundo Goldsman, o modelo atual de distribuição por streaming dificulta o planejamento de episódios temáticos para datas específicas e até brinca dizendo que adoraria fazer um episódio de Natal algum dia, mas isso nunca saiu do papel.

BASTIDORES: UM ELENCO QUE SABE QUE O FIM ESTÁ PRÓXIMO

As gravações da 5ª e última temporada terminaram em dezembro, mas a 4ª foi concluída ainda em agosto de 2025, o suficiente para que, em painéis recentes de convenções, os atores precisassem relembrar o que podiam ou não revelar.

Em um encontro na convenção “Trek Long Island” realizada no mês passado, Celia Rose Gooding (Uhura), Dan Jeannotte (Sam Kirk) e Chris Myers (o alferes Gamble) falaram sobre o clima da nova temporada, descrita por Gooding como emocionalmente intensa: a atriz chegou a dizer que o trabalho exigido pelo final da temporada foi um dos mais difíceis de sua carreira. Ela afirmou que, olhando para trás, acredita que um acompanhamento terapêutico teria ajudado durante as gravações.

Foi um verdadeiro êxtase emocional e físico. Fiz muitas das minhas próprias cenas de ação naquele episódio, e também é… É muito semelhante ao episódio musical, onde há um momento que eu acho que realmente define a compreensão dela sobre seu lugar na Federação, mas também sobre seu lugar consigo mesma e seu relacionamento consigo mesma, e acho que fazer esse tipo de trabalho profundo com a sombra, que é necessário para êxtases emocionais como esse, foi muito intenso para alguém que não estava fazendo terapia na época, e que definitivamente deveria ter feito.

…A quarta temporada… é intensa, e não pegamos leve. É um desafio, com certeza, mas o final da quarta temporada, para mim pessoalmente, foi um dos trabalhos mais difíceis que já fiz, e quando esse episódio for ao ar, vocês saberão exatamente do que estou falando.

As declarações reforçam a expectativa de que o fim da série trará mudanças importantes na tripulação. Com a chegada já anunciada de Thomas Jane como McCoy e Kai Murakami como Sulu, permanece a curiosidade sobre o futuro de personagens como La’an Noonien-Singh, Erica Ortegas, Una Chin-Riley e Pelia.

Já o futuro de Sam Kirk está garantido. Dan Jeannotte confirmou presença até o encerramento da série, embora brinque sobre o desafio de dividir cena com um elenco tão numeroso e talentoso.

Estou na quarta temporada, estou na quinta, vou até o final, e tem sido um prazer, mas também uma maldição, estar em uma série com uma dúzia de atores incrivelmente talentosos e carismáticos que são mais importantes do que eu. Então, sabe, eu adoraria ter tido mais tempo na série, mas há tantos personagens ótimos, tantos atores ótimos para preencher esse espaço. Mas sim, ainda estou lá.

O ator também comentou a ironia de ter herdado um papel cujo único precedente na franquia era o cadáver de Sam Kirk interpretado por William Shatner de bigode no episódio clássico “Operation: Annihilate!“, ambientado justamente na colônia de Deneva, para onde Sam se muda com a família.

Quando consegui o papel de Sam Kirk, e eles disseram que mais tarde na temporada Jim Kirk apareceria, eu pensei: “É isso aí!”. E aí eles disseram… Paul Wesley!

Eu me sinto muito abençoado por estar neste mundo, e ser um Kirk é incrível, e é muito divertido interpretar alguém que… ninguém tinha criado o papel antes. Tudo o que eu tinha que fazer era ser melhor do que um cadáver. Já o Paul tem muita coisa a provar, né? E muitas expectativas para administrar. Então, eu tive total liberdade criativa. Foi maravilhoso.

Os atores também falaram sobre a liberdade concedida por diretores como Jonathan Frakes, aberto a improvisos, e Jordan Canning, que teria incentivado momentos de humor construídos em ensaio.

Para Gooding, que também adiantou detalhes emocionais sobre o encerramento da 5ª temporada, a experiência de interpretar Uhura ao longo de cinco anos foi um “sonho” realizado, inclusive com uma cena final que, segundo ela, cumpriu um de seus maiores desejos para a personagem.

Tudo o que eu queria fazer, eu consegui fazer. Foi um sonho. … Acho que no final da 5ª temporada, especialmente no último episódio, eu realizei mais um dos meus maiores desejos, e em 2027, quando for ao ar, mal posso esperar para compartilhar o que tenho a dizer quando terminarmos as gravações, porque a última cena do último episódio foi o momento que me deixou realmente empolgada… Poder dizer com confiança que fiz tudo o que queria é uma sensação incrível.

A quarta temporada de Strange New Worlds estreia semanalmente a partir de 23 de julho no Paramount+. Também traremos novidades do painel “Star Trek Universe”, na San Diego Comic-Con (SDCC), marcado para o dia 25 de julho.

Fonte: SFX, Trek Movie


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