SNW 4×02: The Griffin Incident

Terror a bordo de nave fantasma traz medos de Kirk, Spock e La’An

Sinopse

Data estelar: 2903.9

Voltando de uma conferência via nave auxiliar, Kirk, Spock e La’An detectam um sinal no espaço e encontram a USS Griffin, nave desaparecida há nove anos numa região do espaço muito distante dali. Não há sinais de vida. O trio decide abordá-la e investigar.

O sinal vinha de uma fonte na engenharia, inexplicavelmente ainda ativo. O suporte de vida, ao que parece, vai durar apenas mais uma hora – tempo que eles têm para descobrir o que houve. Apesar de sem iluminação, a nave parece intacta, e a tripulação desapareceu. Spock acha que pode ser um caso para a Divisão 12, dedicada a fenômenos inexplicados.

Ao caminhar por um corredor, La’An vê uma pessoa ao fundo. A aparição, desfigurada, diz que esperava por eles. Ao dobrarem um corredor atrás dela, não há nada lá. O trio não sabe explicar. La’An sugere tentar investigar de onde ela veio, enquanto Spock explica a presença de íons negativamente carregados associados à aparição.

Marcas na parede indicam tiros de armas klingons e vulcanas, e eles especulam que vários grupos já abordaram a nave antes. Kirk então ouve o choro de um bebê. Ele não entende o que se passa. Na enfermaria, eles encontram sacos de cadáveres vazios. Spock permanece lá, enquanto La’An e Kirk caminham pelo corredor e ele conta mais sobre Carol Marcus e o filho dos dois, David. Kirk ia fazer uma pergunta séria para ela, mas decide mudar para “você acredita em fantasmas?”. Buu.

Spock tenta descobrir o que houve com a nave e a tripulação no computador de bordo e constata que todos tiveram mortes trágicas, como estrangulamento e ejeção para o espaço, presumivelmente por culpa da sobrevivente que encontraram. Ele tenta contatar Kirk e La’An, que a essa altura estão na ponte, mas as portas da enfermaria se fecham e ele fica trancado lá. Ao se virar, ele vê que agora há cadáveres nas biocamas.

Na ponte, La’An também usa o computador para ver os diários de Rose Harper, a sobrevivente, em que ela relata comportamentos estranhos do capitão Taggart e da primeira oficial, especulando que algo está dominando a tripulação. Ao fim da gravação, ela se dirige especificamente a La’An, dizendo que ela não pode confiar em ninguém. La’An diz a Kirk que precisam sair da nave agora, mas ele fica chocado ao ver que a nave auxiliar deles foi destruída.

Na enfermaria, um dos cadáveres se senta na biocama e abre o saco plástico. Spock se vira para ver, e é T’Pring. O tricorder dele indica que ela está ali mesmo, viva, e ela acha estar vivendo um pesadelo. Spock, por sua vez, acha que está alucinando.

La’An usa o comunicador para chamar Spock à engenharia. Lá, ela volta a encontrar Harper, que diz que ela sabe o que precisa ser feito. Em seguida, ela é vista cercada por aparições da tripulação da Griffin. Harper diz que ela é um deles.

Na enfermaria, T’Pring dá um tiro de feiser em Spock. Após tonteá-lo, ela o imobiliza na biocama e diz que irá corrigir o defeito dele. Procede então para cortar as pontas das orelhas.

Na ponte, Kirk encontra inexplicavelmente o brinquedinho que pretendia dar ao filho David. Ele volta a ouvir o choro de um bebê. Ele acha que David está em perigo. E então vê um grupo de abordagem se materializar. Pike, Una, Sam Kirk, Uhura e Ortegas dizem ter recebido o sinal de alerta de Spock e vieram ao resgate. Enquanto eles discutem um plano de saída com o teletransporte, Jim Kirk continua alucinando. Sam fica com ele.

De saída da engenharia, La’An vaga pela nave e entra no turboelevador. Ela tenta chegar à ponte, mas vai parar no deck 17. Isso se repete duas vezes. Sem alternativa, ela decide desembarcar ali mesmo. Em um dos aposentos, ela encontra marcas de sangue e uma adaga. Num PADD, ela mais uma vez vê uma gravação de Harper, que se transforma numa dela mesma. Uhura e Ortegas então encontram La’An.

Na enfermaria, T’Pring continua sua “cirurgia reparadora” em Spock, desta vez alegando que a relação deles não deu certo porque ele não tinha o coração no lugar certo. Pike e Una então chegam para resgatá-lo.

Na ponte, Jim pergunta a Sam como ele consegue balancear a Frota Estelar e a família. Sam começa a alucinar e ouve um grito do filho Peter. Jim tenta trazê-lo à razão. E então os dois acabam presos na ponte. Sam começa a se convencer de que morrerão lá. Para piorar, o vidro da tela principal começa a quebrar. A ponte se despressuriza e Sam é jogado para o espaço, no exato momento em que Jim consegue entrar no turboelevador.

Uhura e Ortegas levam La’An à sala de transporte para tentar sair, e La’An quase causa a morte de Ortegas, transportando-a para dentro de si mesma. Harper aparece e dá uma facada em Uhura. E no fim é a própria La’An quem deu a facada – e se mostra realizada por isso. Harper diz: “bem-vinda ao lar”. Jim a encontra e também é esfaqueado por ela.

Pike e Una levam Spock até T’Pring e o amarram de novo à biocama. Os dois começam a se mutilar. Ela abre uma incisão em seu abdômen e desmaia. Ele começa a fatiar os próprios dedos e também cai inconsciente. Restam Spock e T’Pring. Ele usa um mantra vulcano para se reconcentrar e se vê na biocama, com as orelhas mutiladas e uma tesoura na mão.

Jim se arrasta pelo corredor, com La’An atrás dele. Ela quer que ele se desapegue. Mas Jim segue pensando em David. Ela diz que o filho morrerá como ele, na ponta de uma adaga, num canto escuro do espaço. Quando La’An está para matá-lo, os dois são transportados de volta à Enterprise. Ela está horrorizada ao se dar conta do que aconteceu.

Pike decide passar o caso da Griffin à Divisão 12. Jim Kirk irá se recuperar, assim como Spock e La’An, mas todos estão abalados pela experiência. Chapel atende o vulcano em seus aposentos e quer saber por que ele alucinou com T’Pring. Ele especula que sua mente escolheu a pessoa que despertaria a maior reação emocional dele e o chamaria à lógica.

La’An conversa com Pike nos aposentos dele e especula por que Kirk viu o filho, e Spock a ex-noiva, enquanto ela viu a desconhecida Harper. Ela supõe que seja porque a Frota Estelar é a família dela. Pike então conta histórias sobre a fazenda assombrada do tio. Enquanto isso, no gabinete, Kirk tenta se comunicar com Carol e David, com a ajuda de Uhura (que leva cookies para ele). Mas ninguém atende.

Comentários

“The Griffin Incident” é essencialmente uma história de casa mal-assombrada com a estética de Star Trek. Sai a casa e entra uma misteriosa nave à deriva, onde aparições estranhas começam a surgir, numa escalada de terror e perigo, com muito sangue (vermelho e verde). Kirk, Spock e La’An começam a ter visões e alucinações cada vez mais poderosas a bordo da nave, o que quase os leva à morte.

Claro, o que traria o episódio para o terreno da ficção científica seria ter apresentado alguma hipótese ou explicação sobre o que teria acontecido ali e por quê. A escolha de não fazê-lo revela um compromisso maior com o gênero do terror do que com o arcabouço ficcional fundacional de Star Trek. Vai descer bem com quem abraça histórias do tipo, mas, para quem espera uma postura mais racional das missões da Frota Estelar, eles ficaram nos devendo a continuação com os oficiais da Divisão 12.

Em vez disso, temos uma exploração dos medos e das aflições do trio que vai a bordo da Griffin. Esse aspecto é positivo e podemos dizer sem medo de errar que o episódio é todo deles – os demais membros do elenco, praticamente todo o tempo, aparecem apenas como alucinações dos três.

A janela para a vida interna dos personagens é melhor aproveitada com Kirk. Paul Wesley parece muito à vontade e traz uma faceta que jamais havia sido vista antes – a relação do personagem com sua paternidade. O que sabemos sobre a relação de Jim com David e Carol Marcus vem de um ponto de vista retrospectivo, com Jornada nas Estrelas II: A Ira de Khan. Aqui, estamos vivenciando, em vez de ouvindo sobre, a história de um pai ausente. Kirk é tratado como uma figura complexa, que deseja ser um bom pai e ao mesmo tempo não se mostra disposto a abandonar suas prioridades de carreira que o afastam do filho.

O medo instintivo da perda de David é trabalhado como bom recurso de terror, e as coisas ficam ainda mais interessantes quando ele alucina a presença de Sam, e os dois conversam sobre a questão. Strange New Worlds sempre brilha quando coloca os dois juntos, e a química entre Dan Jeannotte e Paul Wesley funciona muito bem para realçar o vínculo entre os dois, ainda que aqui tudo não passe de uma alucinação de Jim. É um sinal de que Jim gostaria de ser um pouco como Sam no aspecto familiar e até decide tentar fazer isso – uma história que fica pendurada até o final do episódio, quando ele “liga” para Carol Marcus e ninguém atende. Promessa de continuação.

Ainda temos um bônus especialmente provocativo no confronto final entre Kirk e uma La’An totalmente ensandecida, pero no mucho, porque, ao esfaquear Jim, ela diz que o filho dele morrerá igual – algo que sabemos ser verdade com base em Jornada nas Estrelas III: À Procura de Spock. De onde veio essa informação? Quem ou o quê está manipulando e inspirando La’An, a única do trio a de fato “se render” aos sombrios encanto da Griffin? São perguntas que só aquele episódio jamais escrito da Divisão 12 poderia responder. Por aqui, ficam como uma saborosa provocação – num segmento que pode ser muita coisa, mas não especialmente saboroso. Pelo contrário, é de revirar o estômago.

As cenas de terror vão se tornando cada vez mais agudas com o passar dos minutos e demonstram a proficiência da diretora Axelle Carolyn, reconhecida por trabalhos no gênero, em provocar sentimentos de medo e repulsa. O cortar das orelhas de Spock é desesperador e só não é pior que Sam Kirk perdendo as tripas pela janela da ponte e Pike picando os próprios dedos como um master chef dos infernos. Anson Mount trabalha pouco, mas trabalha bem.

A volta de T’Pring como alucinação, por sua vez, é uma tentativa dos roteiristas de trazer algo capaz de sondar a vida interna de Spock. Mas, em contraste com Kirk, em que temos oportunidade de cobrir território novo com o personagem, aqui vemos mais uma vez algo que é conhecido desde os tempos da Série Clássica: a angústia por sua origem mestiça, meio humana, meio vulcana. Isso se manifesta de forma violenta nas cenas, com o já mencionado corte das pontas das orelhas e o que seria uma cirurgia para colocar o coração dele no lugar certo. Dramaticamente é poderoso, e o roteiro se esforça para dar um arco ao personagem, que usa o rigor da lógica vulcana (e um mantra para acompanhar) a fim de afastar aquelas alucinações. Mas não se pode deixar de apontar que, além de não trazer muitas novidades, a sequência tem uma artificialidade, com a necessidade de reencaminhar Spock na direção de T’Pring, para que possamos ter o desfecho do enlace na Série Clássica, com “Amok Time”. Os escritores penduram uma lanterna sobre isso ao colocar a Chapel real perguntando a Spock por que ele alucinou a ex.

Se com Kirk foi novo e com Spock foi coerente, com La’An a coisa toda é feita a marretadas (ou a facadas, como queira). As alucinações dela parecem não ter real conexão com sua história. Com tantos traumas e medos a explorar, poderíamos ter tido aqui um encontro dela com seu ancestral famoso (em alucinação vale tudo!) ou algo que fosse mais significativo (como uma fantasmagórica volta do irmão morto pelos gorns), mas acaba que é preciso contar algo da história da Griffin e aí as visões dela da tripulante Harper surgem com a desculpa esfarrapada de “minha família é a Frota Estelar”. O fato de que ela enfim se rende a O Chamado (viu o que eu fiz ali?) é interessante, mas a falta de contexto e de resolução acaba esvaziando de significado o trabalho com ela. Vira apenas mais um episódio de “La’An cedendo a seus impulsos violentos de aumentada”, como uma trama ainda à procura de seu desfecho.

Dada a proposta do episódio, e o fato de se tratar de um bottle show, filmado inteiramente nos cenários fixos da série, o resultado é bem satisfatório. Mas não deixa de enfatizar também uma certa economia de despesas. O que não deve incluir a escolha de fazer da Griffin uma nave igual à Enterprise. Eles poderiam perfeitamente ter feito um modelo digital novo (como, por sinal, fizeram, para uma cena curtíssima, com o rebocador espacial) ou reciclado algum dos trocentos feitos anteriormente, mas optaram de forma consciente por fazer da nave, interna e externamente, uma réplica da Enterprise. Talvez um cacoete emprestado da Série Clássica, onde realmente não havia recursos para criar naves diferentes. Talvez uma forma de evocar o “casa” no conceito de “casa mal assombrada”. Seja o que for, foi consciente e intencional.

Avaliação

Citações

“Your little boy is going to die just like you. At the end of a blade. Bleeding out in a dark corner of space.”
(Seu menininho vai morrer como você. Na ponta de uma lâmina. Sangrando num canto escuro do espaço.)
La’An Noonien-Singh “possuída”, após esfaquear James T. Kirk

Trivia

  • Este é o primeiro episódio de Robbie Thompson, que se juntou à equipe de roteiristas nesta quarta temporada.
  • Também é estreia para Axelle Carolyn, diretora que começou como jornalista freelancer para revistas e sites prestigiados de cinema, antes de mergulhar no audiovisual. Seus principais trabalhos, naturalmente, são no gênero do terror.
  • Embora tenha sido o segundo episódio a ser exibido nesta temporada, ele recebeu o número de produção 404. As filmagens dele começaram em 31 de março de 2025, 28 dias após o início das gravações da temporada (o que faria dele o terceiro episódio a ser filmado, já que segmentos de Strange New Worlds costumam demandar duas semanas para a fotografia principal).
  • A USS Griffin (NCC-1067) é uma nave muito semelhante à Enterprise, talvez da mesma classe Constitution, embora seja difícil distingui-la da classe Sombra, introduzida em “All Those Who Wander”, onde vemos a USS Peregrine. Na Série Clássica, a Enterprise encontrou muitas naves similares (como a Exeter e a Constellation), e lá era uma medida de economia. Aqui, mais parece ser uma escolha intencional.
  • A missão de desvendar o mistério da USS Griffin recairá sobre a Divisão 12, que tem a responsabilidade de investigar casos sem solução, com um sabor Arquivo-X. A primeira menção a ela veio em “Terrarium”, da terceira temporada de Strange New Worlds, e lembra a Divisão 14, mencionada antes em “Much Ado About Boiler”, de Lower Decks, que investiga bizarrices médicas.
  • O acidente de transporte com Ortegas alucinado por La’An lembra a trágica e aterrorizante morte do comandante Sonak em Jornada nas Estrelas: O Filme.
  • Sam Kirk menciona seus filhos, no plural, respeitando o que fora estabelecido na Série Clássica em “What Are Little Girls Made Of?”, onde é dito que ele tem três. Apesar disso, nominalmente ele só cita um, Peter, o único visto no episódio que traz o triste fim de Sam e fecha a primeira temporada da série original, “Operation — Annihilate!”.
  • La’An, alucinando, diz que o filho de Kirk morrerá exatamente como ele, apunhalado – o que de fato acontece em Jornada nas Estrelas III: À Procura de Spock.

Ficha Técnica

Escrito por Robbie Thompson
Dirigido por Axelle Carolyn

Exibido em 30 de julho de 2026

Título em português: “O Incidente Griffin”

Elenco

Anson Mount como Christopher Pike
Ethan Peck como Spock
Jess Bush como Christine Chapel
Christina Chong como La’An Noonien-Singh
Celia Rose Gooding como Nyota Uhura
Melissa Navia como Erica Ortegas
Babs Olusanmokun como Joseph M’Benga
Martin Quinn como Montgomery Scott
Rebecca Romijn como Una Chin-Riley

Elenco convidado

Dan Jeannotte como Sam Kirk
Gia Sandhu como T’Pring
Sorika Wolf como Rose Harper
Catherine Cavadini como computador da Griffin

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Edição de Maria Lucia Rácz

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