ESPECIAL 60 ANOS | Star Trek no cinema, e a clássica versão brasileira Herbert Richers (para TV)

Com o crescente interesse por Star Trek no fim da década de 1970, tanto em sua terra natal como em outros países, a Paramount Pictures decidiu que era hora de trazer a saga de volta às telas em grande estilo. De início, o plano seria lançar uma nova série de televisão com o elenco clássico, mas esse projeto acabou se transmutando no que ficou conhecido como Jornada nas Estrelas: O Filme. Lançado em 857 salas de cinema espalhadas pelos Estados Unidos e Canadá no dia 7 de dezembro de 1979, ele faturou quase 12 milhões de dólares só em seu fim de semana de estreia. Foi, do ponto de vista da bilheteria, um grande sucesso. Inevitável, portanto, que fosse redistribuído para exibição em todos os cantos do mundo, inclusive o Brasil.

Até 1970, a empresa responsável por distribuir os filmes do estúdio por aqui era a multinacional MCA (Music Corporation of America), serviço que prestava desde a década de 1950. Depois disso, a Paramount decidiu entrar com mais força no mercado de distribuição internacional com a fundação de uma empresa própria, a CIC (Cinema International Corporation), joint-venture entre ela e a Universal Studios. A multinacional ganhou uma subsidiária brasileira, Cinema International Corporation Distribuidora de Filmes Ltda., e foi ela a CIC a responsável pela distribuição de Jornada nas Estrelas: O Filme no Brasil para exibição nos cinemas. Como era típico naquele período, a produção só chegou às salas de projeção nacionais vários meses após o lançamento americano, chegando por aqui em 31 de março de 1980 (uma segunda-feira, como era comum naquela época). A veiculação do filme se deu como era tradicional naquela época, com áudio original em inglês, legendado em português.

Versão brasileira do pôster de Jornada I para lançamento nos cinemas; repare a indicação da distribuição pela Cinema International Corporation no pé. (Crédito: Fernando Penteriche)

Em 1981, Paramount e Universal criariam uma outra joint-venture de distribuição de filmes, a UIP (United International Pictures), focada especificamente no mercado de exibição no cinema, e partir de Jornada nas Estrelas II: A Ira de Khan (1982) a distribuição dos longa-metragens da franquia recairia sobre ela, até Jornada nas Estrelas: Insurreição (1998), após o que a Universal abandonaria a parceria, e levaria a Paramount a fazer uma entrada direta do estúdio no mercado nacional de distribuição para salas, por meio da Paramount International Distribution.

E quanto à CIC? Ela ficaria, até 1999, por meio de sua divisão CIC Video, responsável por um nascente mercado de exploração de filmes e séries, o então revolucionário home video.

Logo da CIC Video em 1980.

STAR TREK EM CASA, A QUALQUER HORA

Em setembro de 1979, a Paramount Home Video começou a lançar no mercado americano seus filmes para consumo doméstico, em fitas VHS. Os chamados videocassetes começariam a se espalhar pelos lares americanos, trazendo com eles uma revolução: a partir daquele ponto, não seria mais necessário torcer para um canal de televisão exibir um determinado filme e sintonizar nele no horário exato; em vez disso, era possível alugar ou comprar uma fita com aquela produção e colocá-la num aparelho que imediatamente exibiria o conteúdo. Parece, aos olhos do século 21, um conceito pré-histórico. Mas, na época, foi transformador.

O mercado de home video, baseado principalmente no formato VHS (que teve como concorrente o Betamax, outro modelo de fita magnética, e, mais tarde o Laserdisc), ampliou enormemente o potencial lucrativo de filmes, que não dependeriam mais só da exibição em cinemas ou a retransmissão pela TV para faturar. E obviamente os trekkers estariam na frente dessa fila para adquirir seus filmes e episódios favoritos – afinal, antes disso, eles já gravavam os áudios dos episódios de Star Trek diretamente da televisão em fita, como forma de ter, preservar e reviver as aventuras da Enterprise.

Não por acaso, o primeiro lançamento televisivo feito nos Estados Unidos pela Paramount Home Video, no início de 1980, foi a coleção Television Classics, que trouxe dez episódios da Série Clássica, dois por fita, para os fãs, ao então quase proibitivo (e hoje apenas caríssimo) preço de 80 dólares por fita. Isso como um “esquenta” para o lançamento de Jornada nas Estrelas: O Filme, em outubro daquele ano, em VHS. Naturalmente, por esses preços, o que se formaria de início era um mercado de locação – era possível alugar uma dessas fitas por lá a 12 dólares (ainda bem caro).

Capas das fitas VHS lançadas pela CIC Video de episódios clássicos para locação nos anos 1980. (Crédito: Blog do Jotacê)

Pelos anos seguintes, o mercado de home video se expandiria pelo mundo, e em meados dos anos 1980 começou a ser comum, mesmo em casas brasileiras, encontrar ao menos um aparelho de videocassete. Ele criaria uma nova “janela” nos lançamentos de filme ao redor do mundo: primeiro, ele ia ao cinema, depois passaria ao home video, focado primariamente em locação (com possível posterior venda direta ao consumidor), e por fim apareceria em exibições na televisão. Para manter a atratividade para as emissoras desejosas de exibir as grandes produções, sobretudo nos Estados Unidos, os estúdios desenvolveram um hábito de criar cortes estendidos dos longas para apresentações especiais na TV. Aconteceu com Jornada nas Estrelas: O Filme, que foi exibido pela rede americana ABC com 12 minutos a mais (numa versão que ficou conhecida com especial mais longa) em 1983, e Jornada nas Estrelas II: A Ira de Khan passou pelo mesmo processo, ganhando alguns minutos a mais em sua exibição pela ABC em 1985. Várias dessas cenas extras, mas não todas, acabaram incorporadas às edições do diretor de ambos os filmes, tidas como suas versões definitivas.

No Brasil, os filmes de Star Trek chegaram em VHS pela CIC Video, a começar por Jornada nas Estrelas: O Filme, que só foi lançado por aqui em 1984, quando do início das operações da empresa por essas bandas. Mais uma vez, e como era praxe nesse mercado, o filme só viria legendado. Para ele ganhar sua famosa versão brasileira, seria preciso que o longa-metragem fosse à exibição pela televisão – o que só viria a acontecer em 1986.

Propaganda de um ano da CIC Video no Brasil, em 1985, destaca Jornada nas Estrelas.

VICTOR BERBARA E HERBERT RICHERS

Durante sua exibição original nas décadas de 1960 e 1970, a Série Clássica havia sido distribuída no Brasil pela Brás-Continental, empresa de Michael Stoll. A partir de 1983, os produtos da Paramount Pictures passam a outra companhia, a Network, de Victor Berbara.

Nascido no Rio de Janeiro em 1928, Berbara foi um dos ícones dos bastidores da infância da televisão brasileira. Foi o diretor do primeiro programa, ainda em caráter experimental, gerado pela TV Tupi, primeira emissora nacional, em 3 de abril de 1950, na sede dos Diários Associados em São Paulo, conglomerado de mídia do lendário Assis Chateaubriand. Formado em psicologia nos Estados Unidos, e mais tarde em direito no Brasil, foi na área das artes que mais se destacou. Primeiro como publicitário, depois como grande compositor, acabou conhecido como o rei dos musicais (responsável pela adaptação de My Fair Lady para o Brasil, com Bibi Ferreira, Paulo Autran e Jayme Costa), além de produzir peças de teatro e programas de televisão. Entre seus feitos estão o lançamento televisivo de ninguém menos que o humorista Chico Anysio, no programa Aí Vem Dona Isaura, na TV Rio, em 1957. Três anos depois, em 1960, ele formaria com Chateaubriand o estúdio de dublagem TV CineSom, que seria vendido em 1968. Em 1972, Berbara fundaria a Network Distribuidora de Filmes, representante no Brasil da produtora americana ABC Films. A partir de 1983, com a transferência dos conteúdos da Paramount para a Network, começaria a ligação dele com Star Trek.

O jovem Victor Berbara, rei dos musicais. (Crédito: Reprodução/Livro “Victor Berbara: O Homem das Mil Faces”.

Com a contratação pela TV Globo da exibição nacional de Jornada nas Estrelas: O Filme, seria preciso finalmente encomendar uma versão de vozes brasileiras para a produção. E a escolhida para o serviço foi a icônica Herbert Richers – talvez o nome mais famoso na história da dublagem nacional.

Nascido em Araraquara (SP) em 1923, Herbert Richers era filho de um casal de ascendência alemã e se radicou no Rio de Janeiro em 1942 para estudar engenharia. Sua carreira mudaria completamente de rumo quando, em 1946, fazendo bico como fotógrafo para um estúdio de cinema, ele teria a oportunidade de trabalhar com Walt Disney, que havia vindo ao Brasil para gravar um documentário na Cidade Maravilhosa. Os dois ficaram amigos, e Richers se inspirou a se tornar produtor e distribuidor de filmes. Assim, nascia em 1950, no Rio, a Herbert Richers S.A.

Walt Disney filmando em uma praia carioca em 1941 (Crédito: Hart Preston/Life)

Ao se familiarizar com o esquema de dublagem de Hollywood (processo conhecido como ADR, Additional Dialogue Recording, gravação adicional de diálogos), em que são superados problemas com o áudio na gravação original das cenas com a regravação posterior das falas em estúdio, Richers começou a aplicar a técnica para melhorar a qualidade de áudio de filmes brasileiros, dentre eles Sai de Baixo (1956). Não demorou a perceber que a mesma tecnologia poderia gerar boas versões nacionalizadas dos diálogos de filmes e séries para exibição na televisão, onde a legendagem ficava muito prejudicada pela qualidade das imagens na época.

Herbert Richers (Crédito: TV Globo)

Isso sem contar que, a partir de 1961, todos os filmes exibidos na televisão brasileira teriam de ser falados em português, por decreto do presidente Jânio Quadros. (Esse decreto, por sinal, seria ratificado por outro durante o regime miltar, pós-1964, que permanece em vigor até hoje, ajudando a explicar por que a programação da TV aberta ainda é toda dublada, apesar dos desenvolvimentos em legendagem via closed captioning e opções de áudios alternativos, SAP.) Os estúdios cresceram muito em razão disso, e a Herbert Richers foi uma das empresas que melhor surfou a onda, a ponto de, nos anos 1980, quase monopolizar o mercado. Quando a profissão de dublador foi regulamentada no Brasil, em 1978, a companhia tinha mais de 300 profissionais sob contrato – mais artistas em sua folha de pagamento que a gigante Rede Globo, então já amplamente consolidada como líder de audiência na TV brasileira.

Logo da sessão Supercine, da Globo, entre 1984 e 1994.

O encontro entre Globo, Herbert Richers e Star Trek se daria no Supercine, sessão de cinema tradicional da emissora aos sábados, do dia 26 de abril de 1986, com a primeira exibição na televisão de Jornada nas Estrelas: O Filme.

NÃO EXISTE COMPARAÇÃO
Por ocasião da estreia na TV, escreveu o jornalista e crítico Paulo A. Fortes no Jornal do Brasil:

“(….) O resultado deixa a desejar: o filme sai perdendo na comparação com Guerra nas Estrelas e outras obras do gênero. As situações são previsíveis, e os efeitos especiais – principal atração do filme – perdem muito no pequeno espaço da telinha da TV.”

Um pouco dura a avaliação, mas é inegável que trata-se de uma produção que só ganha sua amplitude máxima no cinema, ou, no mínimo, em painéis de LED modernos de alta definição que só estariam disponíveis nos lares de cinéfilos no mundo todo no século seguinte. Com efeito, os filmes de cinema, ao serem adaptados para a televisão, naquela época eram conformados por meio da técnica conhecida como “pan and scan”, em que o quadro era cortado para caber no formato 4:3 das antigas telas e, se necessário, havia um deslocamento artificial de câmera para mostrar o que se escondia nas partes ocultas da cena pela “janela” quase quadrada da TV.

Ainda assim, fora a experiência das salas de cinema, era a única maneira de experimentar essas produções. No caso de Jornada nas Estrelas: O Filme, apesar do mau humor do resenhista, a obra voltaria a ser reprisada outras vezes na programação da Globo, na também famosa Sessão da Tarde (destinada principalmente a reprises) e no Corujão (programação da madrugada).

Nessas exibições da Globo, pela primeira ouviríamos Kirk, Spock e McCoy falando com suas novas vozes da Herbert Richers – escolhas para lá de acertadas. O dublador Philippe Maia, fã de Star Trek que mais tarde teria oportunidade de dublar Connor Trinneer (Trip Tucker) em Enterprise, considera essas as melhores escolhas, em termos de atuação, para os personagens do elenco clássico. Em que pese os problemas encontrados sobretudo na tradução do filme para a dublagem.

O resultado foi um exemplo de como é importante uma assessoria técnica para transpor adequadamente a terminologia técnica da série. Alguns achados importantes dos tempos da AIC, como a expressão “dobra espacial” (que no filme volta a ser “torção”, refletindo os primeiros episódios dublados, e não a nomenclatura consolidada) e o apelido “Magro” (no filme a dublagem usa o original “Bones” para quando Kirk se refere a McCoy), acabaram não sendo usados. “Faseadores” é algo que destoa (a AIC começara com “defaseadores”, mas depois se acomodaria com os consagrados “feisers”). Também soa estranho “o Enterprise”, em vez de “a Enterprise” (inconsistência que também aparecia nas antigas dublagens). E não há justificativa possível para os “cristais delirantes” (naturalmente cristais de dilítio, transformados em piada pronta na dublagem do filme).

Marcos Miranda

Sonia Ferreira

A apresentação ficou a cargo de Ricardo Marianno (voz oficial do estúdio), Kirk foi dublado por Marcos Miranda (que já dublava William Shatner na série Carro-Comando, com uma voz que muito se aproximava do ator); Spock foi dublado por Garcia Netto (Charles Bronson nos filmes Desejo de Matar III a V) e que já havia dublado o personagem na versão da Álamo para os desenhos da Filmation, emprestando uma voz fria e perfeita para o vulcano; e Uhura foi dublada por Sonia Ferreira (Bette Midler em Abacadabra), que emprestou sua bela voz para a oficial de comunicação. Essas foram as únicas vozes que não mudaram nos filmes seguintes dublados na Herbert Richers.

McCoy foi dublado por Darcy Pedrosa (primeira voz de Chuck Norris em Walker Texas Ranger), que tornou ainda mais implicante o médico da nave. Scotty foi dublado por Orlando Drummond (a voz de Scooby Doo e Alf – O E.Teimoso, além de o icônico personagem Seu Peru, da Escolinha do Professor Raimundo, e de Odo, seu papel mais longevo dublando Star Trek). Sulu foi dublado por Nelson Batista (Jerry Lewis em vários filmes), com um tom bem grave e próximo do original. Chekov foi dublado por Orlando Prado (J. R. Ewing, em Dallas, e Lula Lelé), com sua voz bem leve, mas que não imprimiu o sotaque característico. O comandante Willard Decker foi dublado por Carlos Marques (Tattoo em A Ilha da Fantasia), que já dublava o ator Stephen Collins em vários filmes. A tenente Ilia foi dublada por Monica Rossy (Teri Hatcher em Lois & Clark e Desperate Housewives), com uma voz bem jovial e mais expressiva que a original.

Darcy Pedrosa, Nelson Batista e Orlando Prado

Orlando Drummond

JORNADA EM DOSE DUPLA
Nos cinemas nacionais, Jornada nas Estrelas II: A Ira de Khan e Jornada nas Estrelas III: À Procura de Spock chegariam, respectivamente, em 27 de janeiro de 1983 e 24 de janeiro de 1985. Ambos se juntariam ao primeiro filme no mercado de home video para locação até 1987. Mas uma exibição de ambos na TV teria de esperar até 1988, mais uma vez pelas mãos da Rede Globo, com uma dose dupla. No início daquele ano, a emissora anunciou que Jornada nas Estrelas II: A Ira de Khan e Jornada nas Estrelas III: À Procura de Spock chegariam praticamente juntos, o que de fato aconteceria, com a exibição de cada um deles separada por cerca de 40 dias.

Jornada II seria o destaque de 11 de abril de 1988 na Tela Quente, tradicional bloco da programação para estreia de filmes inéditos às segundas-feiras, e Jornada III chegaria em 23 de maio de 1988, também na Tela Quente.

O jornalista Paulo A. Flores, em sua coluna no Jornal do Brasil, continuava um pouco amargo com relação à saga nessa segunda entrada cinematográfica.

“(…) Os personagens (…) resumem situações básicas dos sentimentos humanos (e também porque não, vulcânicos), e a coisa toda, no fundo, é mais ingênua e ‘alto astral’. Eu confesso que não vejo muita diferença. Mas vai dizer isso para um Trek.”

Para o terceiro filme, dali a pouco mais de um mês, ele pareceu um pouco mais amistoso (e alguém parece ter dado uma dica a ele de que o fã de Star Trek não é Trek, é trekker).

“(….) Neste filme, discutem-se a origem da vida, os limites da ciência, da ética. A eternidade. Questões sérias e importantes, que não impedem que o filme tenha muita ação, muito efeito especial. E, ao final de tudo, nos propiciam um reencontro com o Dr. Spock. Não precisa ser trekker para gostar dele.”

Nosso crítico ranzinza faz aqui outra confusão muito comum, a do sr. Spock, clássico personagem vulcano de Star Trek, com o dr. Benjamin Spock, famoso pediatra americano que virou alvo de controvérsia nos anos 1960 por sua ferrenha oposição à Guerra do Vietnã. Haja cristais delirantes…

DOIS FILMES, DUAS DUBLAGENS
Em Jornada II, a tradução teve uma sensível melhora, havendo uma correção em vários termos: a Enterprise; feisers, Magro. Kirk, Spock e Uhura mantiveram seus respectivos dubladores. Já McCoy passa a ser dublado por Lauro Fabiano (Goose em Galaxy Ranger, Hunter em Tiro-Certo e o tio Phil em Um Maluco no Pedaço), que tornou o médico irônico e deu a ele um sotaque mais próximo do original. Scotty foi dublado por Francisco José (a segunda voz de Wolverine em X-Men), que ressaltou a emoção, resgatando o sotaque do engenheiro (mas calma que Orlando Drummond voltaria para o filme seguinte). Sulu contou com a voz grave de Julio Cezar (Indiana Jones em todos os filmes), mantendo o tom grave do original. Chekov foi dublado por Ricardo Schnetzer (Tom Cruise e Richard Gere em vários filmes), que manteve um tom jovial, mas sem o sotaque característico. Khan foi dublado de forma maravilhosa por Darci Pedrosa, que já dublava o ator Ricardo Montalban em vários filmes e em A Ilha da Fantasia. Carol Marcus ganhou a voz de Ilka Pinheiro (Mulher-Maravilha em Os Super-Amigos). Saavik foi dublada por Sumára Louise (Tempestade em X-Men Evolution), e David foi dublado por um jovem Garcia Junior (MacGyver e He-Man, além de ser filho de Garcia Netto, a voz do Spock no filme).

Lauro Fabiano

 

Ionei Silva

Dublado pouco depois, Jornada III mantém os acertos na tradução, mas faz uma escolha controversa, ao dublar a linguagem klingon, que na versão original vinha com legendas em inglês. Isso tira muito da graça dos diálogos, torna os klingons mais pedestres, menos alienígenas. O ganho, claro, vem no entendimento para quem sofre com legendas. Kirk, Spock e Uhura mantiveram seus dubladores; Scotty e Chekov voltaram a ser dublados por Drummond e Prado, ambos sem seus sotaques; e McCoy ganharia sua terceira voz em três filmes, agora dublado por Ionei Silva (primeira voz do Mestre dos Magos em A Caverna do Dragão), que manteve o médico irônico e com uma interpretação competente nas cenas de confusão mental.

Miriam Ficher

Sulu foi dublado por um empostado Carlos Marques. Saavik (no original agora interpretada pela atriz Robin Curtis) foi dublada pela estupenda Miriam Ficher (Jodie Foster em vários filmes), ficando difícil de acreditar que a personagem não esteja falando português. David foi dublado por Marco Antonio (George Clooney e Johnny Depp em vários filmes) com uma voz bem leve. Sarek foi dublado por Jomery Pozzoli. Maltz foi dublado por Nilton Apollo (primeira voz do capitão Bóing em Duck Tales e primeira voz de Charlie em As Panteras), com um tom de voz bem grave e assustador. Cabe destaque para a estupenda dublagem do vilão Kruge, feita por Olney Cazarré (primeira voz brasileira dos personagens Pica-Pau e Coelho Ricochete, além de viver o João Bacurinho, de A Escolinha do Professor Raimundo). Aqui ele ampliou a interpretação do original, com sua violência, loucura e periculosidade. A dublagem de Cazarré é exemplar.

“Pô, me dê o Gênesis, meu!”

Considerando a proximidade entre as exibições de Jornada II e III, chamam a atenção as mudanças nos elencos de dublagem dos dois filmes, o que indica que eles não foram filmados conjuntamente na Herbert Richers. Ainda assim, pelo enorme apelo dos filmes junto ao público e pelo bom trabalho dos envolvidos, as versões brasileiras ganharam o status de clássicas entre os fãs brasileiros.

Ocorre que, em 1987, Victor Berbara realizaria mais um desejo pessoal acalentado desde os tempos da TV CineSom, ao criar dentro da distribuidora Network uma unidade de dublagem, que ficaria conhecida simplesmente como VTI-Rio. E, quando Jornada nas Estrelas IV: A Volta para Casa fosse receber sua versão brasileira no Brasil, o trabalho ficaria a cargo dela.

Continua…

Carlos Amorim é advogado e pesquisador de dublagem e entretenimento, podendo ser encontrado nas redes sociais no Cinetvnews Virtual. Colaborou Salvador Nogueira.

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