Episódios de hoje…
“Miri” (“Miri”; TOS 1×8, 1966)
Onde assistir: DVD/Blu-ray
“The Deadly Years” (“Os Anos Mortais”, TOS 2×12, 1967)
Onde assistir: Paramount+
“Unnatural Selection” (“Seleção Artificial”; TNG 2×7, 1989)
Onde assistir: PlutoTV*
“Genesis” (“Gênese”; TNG 7×19, 1994)
Onde assistir: PlutoTV*
“Babel” (“Babel”; DS9 1×4, 1993)
Onde assistir: Paramount+, PlutoTV*
“Ghosts of Illyria” (“Fantasmas de Illyria”; SNW 1×3, 2022)
Onde assistir: DVD/Blu-ray
* Somente dublado
Imagine pegar uma gripe que deixa você velho? Ou um vírus que troca as palavras que você fala? E se um resfriado o reduzisse a um homem primitivo? Essas doenças assustadoras são algumas que os membros da Frota Estelar já tiveram de enfrentar. Mas não tem problema: uma gambiarra do teletransporte, uma manipulaçãozinha genética ou um hypospray bem aplicado pelo dr. Bashir podem deixar todos prontos para a próxima aventura.
Nos anos 1960, o capitão Kirk e seus colegas enfrentaram uma epidemia bem peculiar em um dos episódios mais marcantes da série: “Miri” (“Miri”; TOS 1×8, 1966). Apenas Spock, com seu sangue vulcano, escapou da virose que causava manchas roxas bem chamativas em todos os adultos que pousavam no planeta onde vivia a menina Miri. Ela e seus colegas, todos crianças e adolescentes, foram os únicos remanescentes num mundo daqueles bem parecidos com a Terra que o pessoal da Enterprise gostava de visitar. A doença só começava a se desenvolver depois da puberdade, e Miri já exibia os primeiros sintomas.
A desconfiança dos mais velhos é constante neste episódio. Enquanto Miri se encanta pelo capitão Kirk, a maioria dos meninos não quer saber da equipe de desembarque, afinal eles eram “grups” – forma como as crianças do planeta chamavam os adultos (uma compressão da expressão “grown up”). Não era para menos: além das manchas roxas, a doença que só pegava nos mais velhos levava à confusão mental e à agressividade, tornando os doentes assustadores para as crianças.
Ainda bem que o dr. McCoy dá um jeito improvisando um laboratório e testando em si mesmo uma cura, bem a tempo de salvar os tripulantes e garantir um futuro para aquelas crianças, futuros “grups”.

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A questão da idade volta a assombrar a tripulação em outro contágio maluco, mas em “The Deadly Years” (“Os Anos Mortais”; TOS 2×12, 1967) um envenenamento por radiação causa o envelhecimento rápido dos doentes. O destaque fica por conta da maquiagem aplicada para envelhecer os tripulantes da Enterprise, com variados graus de sucesso.
O episódio toca de novo no conflito entre pessoas de diferentes idades. Mas em vez de crianças versus adultos, agora temos o preconceito dos jovens contra os idosos. Kirk em sua versão mais velha perde a paciência diversas vezes ao ser lembrado de que estava dando as mesmas ordens duas vezes e tem sua competência questionada o tempo todo. Uma situação enervante que vai piorando até que Spock, enfim, consegue reverter a situação.

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Em A Nova Geração também temos uma ocorrência de rápido envelhecimento, e uma das vítimas da condição é justamente a médica da Enterprise, dra. Pulaski, em “Unnatural Selection” (“Seleção Artificial”; TNG 2×7, 1989).
Como em “Miri”, a causa de fundo da doença é a soberba de cientistas. No caso do episódio da Série Clássica, pesquisadores acabaram criando um patógeno ao tentar aumentar demais a expectativa de vida. Em “Unnatural Selection”, os cientistas da estação Darwin estão manipulando geneticamente crianças para terem capacidades muito além das de seres humanos comuns. Eles não esperavam que o sistema imunológico fortíssimo das crianças alteradas transformasse a resposta a um vírus de um resfriado bobo em um anticorpo tão agressivo que passou a causar o rápido envelhecimento de qualquer pessoa que estivesse no mesmo ambiente.

A dra. Pulaski também escorrega nos próprios brios ao achar que está no controle da situação quando transporta um dos meninos geneticamente melhorados para uma nave auxiliar. Logo que o isolamento é retirado do garoto, Pulaski começa a sentir dores articulares, indicando o envelhecimento rápido.
A cura para esse caso só é obtida com a ajuda do sistema de teletransporte. A pedido do capitão Picard, o chefe O’Brien cria uma forma de filtrar o dano genético e retorna a polêmica dra. Pulaski ao seu estado normal.
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Outro resfriadinho acabou se revelando bem perigoso para a tripulação do capitão Picard. Em “Genesis” (“Gênese”; TNG 7×19, 1994), o hipocondríaco tenente Barclay visita o consultório da dra. Crusher e recebe uma injeção para ativar seu sistema imune contra uma virose. Pouco a pouco, cada membro da tripulação começa a ter sintomas estranhos e comportamentos cada vez mais extremos: eles estão sendo revertidos a um estágio anterior da evolução por conta de uma mutação de Barclay que, combinada ao remédio que ele recebeu, criou um contágio na nave toda.
Worf vira uma criatura venenosa; Riker agora é um homem primitivo, Troi se torna uma espécie anfíbia e Barclay, um tipo de aracnídeo. Sorte que o capitão Picard e o comandante Data estavam fora todo esse tempo e voltam à nave a tempo de reverter o processo.

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O maior sofredor de todas as séries de Star Trek não poderia deixar de pegar uma peste. Em “Babel” (“Babel”; DS9 1×4, 1993), o chefe O’Brien é paciente-zero de um contágio iniciado nos replicadores da estação Deep Space 9. O inocente cafezinho preto do chefe está carregado com um vírus deixado na estação pelos guerrilheiros bajorianos ainda na época da ocupação cardassiana. O vírus causa afasia: um distúrbio no qual o doente profere palavras que não correspondem às que ele pensa que está falando. Não é à toa que o episódio alude à Torre de Babel: à medida que o contágio se espalha, ninguém mais se entende.

Uma quarentena é imposta à estação –e, depois da pandemia do Covid-19, essa parte da quarentena realmente parece próxima até demais da realidade. Uma das tentativas de burlar o isolamento quase resulta na destruição de boa parte da estação, quando o capitão de um cargueiro resolve tentar escapar com sua nave ainda presa ao anel de atracação da DS9. Quark, imune ao vírus, ajuda a espalhar a doença ao usar um replicador infectado para atender os clientes do bar. Nós já vimos esse filme e sabemos qual é o resultado, infelizmente.
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E vamos fechar essa lista contagiante com um episódio mais fresco na memória: “Ghosts of Illyria” (“Fantasmas de Illyria”; SNW 1×3, 2022). A doença aqui é o pretexto para que se revele a verdadeira origem da número um do capitão Pike, a comandante Una Chin-Riley. Uma visita a uma colônia abandonada dos ilirianos, povo conhecido por usar alterações genéticas e, por isso, banidos da Federação, resulta em um contágio cujo sintoma é bem peculiar: os infectados se tornam atraídos pela luz, chegando até a se machucar para aproximar o corpo de qualquer fonte de iluminação.

Para salvar a tripulação da Enterprise, onde a doença se espalha rapidamente, Una é forçada a revelar sua origem iliriana. Seus anticorpos ativados após La’An quase se jogar no motor de dobra da nave são o único recurso para salvar os colegas. Essa revelação tem repercussões futuras para a personagem, já que a manipulação genética é malvista na Federação por conta das Guerras Eugênicas acontecidas na Terra no século 20 ou 21 (a depender de quem fala e da sua interpretação da linha do tempo de Star Trek).
A questão ética em torno da engenharia genética não se limita ao universo criado por Gene Roddenberry. Hoje já existem técnicas bem-sucedidas para “editar” genes com o objetivo de tratar doenças. O uso dessas melhorias ainda é restrito, mas está em constante evolução e deve nos empurrar para um debate mais sério sobre os limites aceitáveis para essa tecnologia.
Escrita pela jornalista Débora Mismetti, Grandes Jornadas é uma coluna semanal publicada às sextas-feiras no Trek Brasilis, destacando tematicamente segmentos de Star Trek e convidando a uma revisita desses episódios por um ponto de vista diferente.
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