O Teatro Cásper Líbero, em São Paulo, foi palco de uma celebração memorável dos 60 anos de Star Trek no último dia 2 de maio. Entre homenagens e nostalgia, um dos grandes destaques da STXP foi o painel conduzido pelo astrônomo e renomado comunicador de ciência Cássio Barbosa, que trouxe uma análise sobre a astrobiologia dentro do universo criado por Gene Roddenberry.
Conhecido por anos de divulgação científica no blog Observatório, Cássio Barbosa definiu a astrobiologia como a ciência que estuda as condições para o surgimento da vida, utilizando o que sabemos sobre a Terra para identificar vida em outros lugares. Ele destacou que a diversidade de seres em Star Trek faz sentido estatístico: em nossa galáxia, estima-se que existam cerca de 300 bilhões de planetas, sendo que um em cada cinco é rochoso.
Confira a seguir o vídeo da palestra completa.
Em sua apresentação, o astrônomo destacou que, para que a vida prospere, são necessários ingredientes fundamentais:
Matéria orgânica: Elementos como carbono, hidrogênio, oxigênio, nitrogênio, fósforo e enxofre (CHNOPS).
Meio líquido: A água é o solvente ideal por ser a substância mais comum do universo e permitir o transporte de substâncias pela membrana celular sem destruí-la.
Energia: Que pode vir de estrelas, vulcanismo ou decaimento radioativo.
Um dos momentos mais aplaudidos foi quando o palestrante elogiou a visão de Gene Roddenberry. Enquanto a maioria das formas de vida é baseada em carbono devido à estabilidade de suas ligações químicas para formar o DNA, Star Trek ousou ao apresentar as hortas — seres baseados em silício. Cássio explicou que o silício também permite cadeias complexas, embora suas ligações sejam mais fracas e menos estáveis, tornando a existência de tais criaturas uma possibilidade fascinante dentro da ficção científica.
Ao discutir o contraste entre o Paradoxo de Fermi e o universo ultrapovoado de Star Trek, o astrônomo apresentou hipóteses que tentam explicar por que ainda não fizemos o Primeiro Contato, citando o grande filtro, a ideia pessimista de que civilizações se aniquilam (por guerras ou desastres) antes de conseguirem colonizar o espaço; a floresta negra, popularizada pela obra O Problema dos Três Corpos, que sugere que civilizações preferem ficar quietas para evitar serem detectadas por vizinhos hostis; e a hipótese do zoológico, em que alienígenas avançados nos observam, mas não intervêm até que alcancemos um marco tecnológico, como o motor de dobra — no universo de Jornada, é assim que funciona.
INTERAÇÃO
O debate com o público ao final da palestra trouxe questões sobre a série Discovery, mencionando o personagem Saru e a discussão sobre espécies de “presa” versus “predador” na evolução da inteligência. Cássio também rebateu preocupações sobre as sondas Voyager já terem revelado nossa posição, explicando que o universo é vasto e vazio, e nossos sinais de rádio atuais são fracos demais para serem detectados a grandes distâncias.
Ao final, o astrônomo reforçou que a busca atual foca em formas de vida simples em locais como Europa (lua de Júpiter) e Encélado (lua de Saturno), onde oceanos sob o gelo podem esconder segredos biológicos.
O painel na STXP deixou claro que, embora a astrobiologia ainda lide com muitas especulações, o espírito de exploração de Star Trek continua a ser a bússola que guia cientistas e fãs em direção ao desconhecido.
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