TOS 1×07: What Are Little Girls Made Of?

Enredo traz de volta dois Kirks para confronto homem vs. máquina

Sinopse

Data Estelar: 2712.4.

A Enterprise chega ao planeta Exo III, para procurar pelo exobiólogo Roger Korby. Quando Kirk pergunta a Spock se Korby poderia ainda estar vivo, Spock vira seu olhar para Christine Chapel, para depois silenciosamente desligar seu monitor. Chapel, a enfermeira-chefe do dr. McCoy, é noiva de Korby, que é conhecido nos meios acadêmicos como o “Pasteur da medicina arqueológica”. Ela foi designada para a Enterprise na esperança de encontrá-lo. Após algumas tentativas frustradas, Uhura consegue entrar em contato com o cientista, no subsolo do planeta.

A pedido dele, apenas Kirk e Christine Chapel se transportam para o planeta, onde encontram o pesquisador vivendo em uma caverna subterrânea construída pelos antigos habitantes do planeta, conhecidos como “os Antigos”. Ele conta que descobriu as cavernas pouco antes de quase morrer congelado, cinco anos atrás.

Usando equipamento deixado pelos antigos habitantes, Korby aprendeu a construir androides que se comportam como humanos. Seus companheiros artificiais, Ruk e Andrea, impressionam Kirk e Chapel por seu realismo. Embora, Korby explica, Ruk existisse muito antes de ele ter chegado – um produto original dos “Antigos”.

Christine reconhece o dr. Brown, assistente de Korby, mas fica intrigada com a incapacidade dele em reconhecê-la de imediato. A razão para o comportamento dele fica clara quando Kirk e Chapel descobrem que ele, também, é um sofisticado androide. O plano de Korby é lentamente substituir pessoal-chave na Federação por androides, integrando as máquinas a outros mundos.

Tomando Kirk como prisioneiro, Korby cria uma duplicata perfeita do capitão, que consegue enganar até mesmo a enfermeira Chapel. Durante o processo de replicação, entretanto, Kirk planta memórias e ideias falsas no cérebro de seu duplo, que fazem com que Spock perceba que há algo errado. Korby, convencido de que seu androide irá enganar a tripulação da Enterprise e permitir que ele tome o controle da nave, envia a cópia de Kirk a bordo. O Kirk falso verifica a rota da Enterprise para escolher um planeta adequado no caminho que sirva para as operações do cientista.

Spock imediatamente passa a desconfiar do capitão e decide comandar um grupo de descida para ir ao subsolo, após o suposto Kirk retornar ao planeta. Enquanto isso, em Exo III, Chapel percebe que Roger Korby mudou de algum modo: ele não é mais o homem maravilhoso pelo qual ela se apaixonou. Ele se tornou distante e insensível – embora ainda diga ter grande apreço por sua noiva.

Separado de Christine, Kirk é vigiado por Ruk. O capitão convence o gigantesco androide de que Korby é uma ameaça à existência dele e precisa ser destruído. Ruk ataca o cientista e é eliminado. Durante um combate corpo a corpo com Kirk, Korby se revela ser também um androide. Kirk o convence de que ele já é mais máquina do que humano. Na frente de sua noiva horrorizada, Korby agarra Andrea e dispara um feiser contra si mesmo, matando os dois. Spock chega com o grupo de descida para encontrar apenas Kirk e Chapel na sala. A enfermeira diz que gostaria de permanecer na Enterprise, mesmo após ter completado seu objetivo inicial de encontrar Korby.

Comentários

“What are Little Girls Made Of?” se propõe pela primeira vez na série a explorar a dicotomia entre máquinas e seres humanos. Seguindo a linha humanista adotada pela Série Clássica, a conclusão óbvia é a de que a essência do que faz um ser humano especial é perdida quando ele transfere sua consciência para uma máquina. Essa interpretação que Jornada dá ao conflito homem versus computador será repensada em A Nova Geração, onde formas de vida artificiais receberão ao menos o benefício da dúvida, mas nem se cogita essa possibilidade por aqui.

Além dessa discussão mais óbvia, há uma sugestão em um plano mais sutil – o terror inspirado pela substituição de homens por máquinas. Se a troca literal e definitiva é uma alegoria, o processo de mecanização no mercado de trabalho já era uma realidade bastante palpável, mesmo nos anos 1960. O assunto voltaria a ser discutido, de forma mais contundente, em “The Ultimate Computer”, do segundo ano da série.

O episódio, que se sustenta basicamente sobre o personagem de Kirk, utiliza um recurso que já havia dado bons resultados na série. Confrontar o capitão da Enterprise com uma duplicata de si mesmo. Em “The Enemy Within”, Kirk enfrentava a si mesmo após uma falha do transporte dividi-lo em dois, um bom e outro mau. Desta vez, o androide é supostamente uma réplica exata de Kirk, com suas mesmas memórias e estilo, mas com intenções plantadas em sua mente por Korby.

O roteiro tem lances muito bons, como o diálogo entre os dois Kirks, a constatação de que Korby se tornou completamente inumano ao se transferir para um corpo androide e a sequência trágica de eventos que começou com Ruk sendo destruído por Roger e Andrea destruindo a réplica de Kirk.

Os atores convidados ajudam tremendamente na execução da trama, com excelentes atuações de Michael Strong (Korby), Sherry Jackson (Andrea) e Ted Cassidy (Ruk). Aliás, a maquiagem de Ruk é uma das mais impressionantes de todo o seriado original. As sequências de luta corpo a corpo entre Kirk e Ruk são das mais interessantes, devido ao tamanho do androide, que atira o capitão da Enterprise de um lado para outro com facilidade impressionante.

Os outros personagens regulares são praticamente ignorados neste episódio, que se manifesta como mais um segmento para Kirk. William Shatner de novo não decepciona com o papel duplo, embora aqui ele seja menos exigido do que em “The Enemy Within”.

A enfermeira Chapel, apesar de todo o destaque dado a ela no episódio, permanece tão profunda quanto uma folha de papel. A personagem acabou não sendo tão beneficiada quanto poderia, embora tenha ao menos ganho algo em termos de história pregressa e tempo de tela.

Os efeitos visuais deste episódio são impressionantes. A cena em que os dois Kirks dialogam é tão perfeita que é impossível verificar que trata-se de uma montagem. Fica apenas um ponto negativo para o cenário da câmara de criação de androides, que sofreu com as limitações orçamentárias.

Avaliação

Avaliação: 3 de 4.

Citações

“Do you think I could love a machine?”
(“Você acha que eu poderia amar uma máquina?”)
“Did you?”
(“Amou?”)
Roger Korby e Christine Chapel

“Androids don’t eat, Ms. Chapel.”
(“Andróides não comem, srta. Chapel.”)
Kirk androide

Trivia

  • O autor deste episódio, Robert Bloch, é um conhecido autor cuja verdadeira fascinação não é pela ficção científica, mas pelo terror. Daí a razão de seus roteiros sempre caírem para esse tom. Além de “What are Little Girls Made Of?”, Block escreveu “Catspaw” e “Wolf in the Fold”.

  • O ator Ted Cassidy (Ruk) já era famoso antes de aparecer em Jornada. Ele interpretou o mordomo Lurch, no antigo seriado Família Addams. O ator também participou posteriormente de dois pilotos não vendidos de Gene Roddenberry, Genesis II e Planet Earth.

  • Para testar a efetividade do figurino e da maquiagem de Ruk, os produtores fizeram Ted Cassidy receber, a caráter, um vendedor que queria falar com Gene Roddenberry. Ted fingiu ser o criador de Star Trek, agindo com naturalidade, e o sujeito achou tudo muito esquisito.

  • William Shatner mais uma vez teve de raspar o peito para fazer esta cena. A primeira fora em “The Corbomite Maneuver”. A maior parte da trucagem para mostrar dois Kirks foi feita apenas com edição.

  • Na cena em que os dois Kirks conversam à mesa, eles foram filmados com tela dividida, como já havia sido feito em “The Enemy Within”.

  • Este episódio faz a primeira citação ao irmão de James Kirk, George Samuel Kirk. Aqui ele é mencionado como pai de três filhos. Mais tarde, em “Operation: Annihilate!”, veríamos apenas um.

  • Originalmente, a morte de Andrea e Korby seria acidental. Já na pós-produção foi decidido que Korby devia apertar o gatilho. Um close disso foi gravado com dublês de corpo.

Ficha Técnica

Escrito por Robert Bloch
Dirigido por James Goldstone

Exibido em 20 de outubro de 1966

Títulos em português: “As Meninas” (AIC-SP), “E as Meninas, de que São Feitas?” (VTI-Rio)

Elenco

William Shatner como James T. Kirk
Leonard Nimoy 
como Spock
DeForest Kelley 
como Leonard H. McCoy
James Doohan 
como Montgomery Scott
Nichelle Nichols 
como Uhura
George Takei 
como Hikaru Sulu

Elenco convidado

Michael Strong como Roger Korby
Sherry Jackson como Andrea
Ted Cassidy como Ruk
Harry Basch como dr. Brown
Vince Deadrick como Matthews
Budd Albright como Rayburn
Majel Barrett como Christine Chapel

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5 Comments on "TOS 1×07: What Are Little Girls Made Of?"

  1. “Bãos” tempos….

  2. A série original sempre foi a minha preferida. Porém esse – na minha modesta opinião – não foi um dos mais memoráveis episódios. Ainda assim, vale a pena ser revisto!

  3. Este episódio me chamou muito a atenção pelo conteúdo, no meu entender a máquina está longe de substituir o homem, afinal a tecla on/of ainda existe nas máquinas! Minha preocupação é a busca incessante pela autonomia delas, isso ainda me parece perigoso, porque a evolução moral do homem não é suficiente para garantir que elas não se tornem uma ameaça à humanidade.

  4. É Kiko, só falta tempo pro Homem fazer M…. neste seguimento. Quanto tempo levaremos para ter nossos Cylons?…

  5. Li no Scientific American que em mais 20 anos teremos capacidade de processamento e de memória de um cérebro humano. Aí, já viu, né?

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