DSC 3×13: That Hope Is You, Part 2

Michael salva a nave (mas não a hora) e vira capitão da Discovery

Sinopse

Na nave kelpiana, Saru tenta se conectar com Su’Kal, mas ele segue com medo. Adira chega para ajudá-los e, para surpresa de todos, Gray aparece de forma corpórea na simulação.

Na Discovery, Osyraa tenta escapar do Quartel-General da Federação. Após ser capturada, Burnham convence almirante Vance a deixar a Discovery partir: “não vou desapontá-lo”.

Osyraa tortura Book para que ele revele as coordenadas do planeta de dilítio. Michael consegue erguer um campo de força na enfermaria e escapar com Book. Tilly e a tripulação estão isolados no laboratório da engenharia, e o suporte de vida é desligado.

Na nave kelpiana, Saru continua trabalhando para convencer Su’Kal a ir “lá fora”. Gray usa seu estado holográfico para verificar o estado da nave fora da simulação – está mau.

Michael, por sua vez, usa um comunicador dos reguladores para mandar uma mensagem cifrada para Tilly. Ela entende: Burnham está pedindo que sabotem uma das naceles para tirar a nave de dobra. Ao mesmo tempo, Michael usa a rede de turboelevadores para chegar ao núcleo do computador.

Lá, ela é confrontada por Osyraa. A tripulação está sufocando, mas Owo consegue levar a bomba até a nacele. Depois, ela é salva pelo DOT-23, que se submete a campos magnéticos fatais a ele para isso.

Osyraa afunda Michael no núcleo de matéria programável do computador. Mas acaba derrotada por um tiro. A Discovery sai de dobra, Michael reinicializa o computador e transporta para fora os reguladores. Mas a Discovery foi capturada pela Viridian.

Com a tripulação de volta à ponte, Michael assume o comando por ordem de Tilly. Seu plano: ejetar e detonar o núcleo de dobra da nave usando o motor de esporos para escapar. Com seu poder empático, Book vai se conectar com os esporos da Discovery no lugar de Stamets.

Na Khi’eth, é hora de partir. Culber convence Gray de que encontrarão um modo de torná-lo visível. Su’Kal finalmente desliga a simulação e revê o registro da cena que o traumatizou: a morte de sua mãe. O trauma resultante levou ao fenômeno que deu origem à Queima.

Após a detonação do núcleo de dobra, a Viridian explode. E a nave kelpiana está colapsando, mas a Discovery, após o salto, chega a tempo de salvar o quarteto. Jett Reno consegue consertar o DOT-23 com os dados da Esfera.

De volta ao QG da Federação, descobrimos que os trills foram readmitidos, e Ni’Var está analisando uma readesão. Saru decide passar um tempo em Kaminar dando suporte a Su’Kal, e o almirante Vance promove Michael Burnham a capitão da USS Discovery.

Sua missão: ajudar a reconectar mundos perdidos, levando dilítio e uma nova era de prosperidade para a Federação.

Comentários

“That Hope Is You, Part 2” deixa os novos brinquedos do século 32 no lugar certo, depois de Discovery brincar com todos eles ao longo da temporada, e traz um marco importante para a série, com a ascensão de Michael Burnham ao posto de capitão. Os últimos dez minutos são sólidos e trazem otimismo para o quarto ano. Mas, convenhamos, não tem muito mais que isso a se celebrar nesse desfecho, que de resto é no máximo mediano.

 

Cabe destacar que, provavelmente absorvendo as lições aprendidas nas duas primeiras temporadas, a produção se esforçou para reservar um trio de episódios para promover o fechamento das tramas. Nesse sentido, foi melhor que na primeira temporada, que contou com apenas um episódio para isso, e que na segunda, que teve um segmento duplo para a conclusão. Porém, o maior fracasso deste segmento é que, em sua maior parte, ele vem todo telegrafado das duas partes anteriores.

Quem chegou ao final de “There Is A Tide…” tinha a convicção de que a Discovery seria retomada pela tripulação. E quem viu “Su’Kal” também não tinha muitas dúvidas de que, de um jeito ou de outro, o “jovem velho” kelpiano teria de ser retirado da simulação em que vivera pelos últimos 125 anos.

E até aí, tudo bem. É melhor que os desfechos sejam previsíveis e coerentes do que sejam surpreendentes e sem sentido. O problema é que, se já sabemos de antemão o que vai acontecer, o peso recai muito mais sobre como vai acontecer. E aí a opção da roteirista e showrunner Michelle Paradise foi por se abraçar à estética dos filmes de ação, em detrimento da lógica mais rudimentar.

Foi eficaz a maneira como o episódio trouxe Michael para o centro da ação, tendo de coordenar as iniciativas do resto da tripulação para executar o plano de retomada da nave. Mas um trio de cenas em rápida sucessão desafia a suspensão da descrença. Primeiro, a correria na “montanha-russa” dos turboelevadores, que parece mais uma mescla de Star Wars com Monstros S.A. O “abismo” no interior da Discovery é um dos elementos mais controversos na estrutura interna da nave, e a sequência acaba enfatizando isso. É, na melhor das hipóteses, uma distração.

Em seguida, temos a tripulação sufocando no corredor, para colocar a bomba na nacele e com isso tirar a nave de dobra. (Há tantos problemas aqui que fica difícil enumerar: a grande quantidade de pessoas para fazer algo que precisaria de um ou no máximo dois tripulantes; o fato de que a sabotagem precisa ser na nacele, e não na engenharia em si, que está vazia desde que Osyraa desligou o suporte de vida dos decks inferiores e é vizinha ao local onde a tripulação estava, no laboratório do cubo de esporos; a absoluta falta de oxigênio ou trajes espaciais; Owo voluntariar a informação de que conseguia passar longos períodos sem respirar apenas quando a missão parece perdida; Owo chegar à nacele que, como vemos nos efeitos visuais, agora não é fisicamente conectada à nave; um robozinho projetado para operar no vácuo do espaço que não consegue lidar com campos magnéticos que, apesar de o danificarem, causam zero problemas para humanos; o mesmo robozinho, contendo os dados da Esfera, sacrificar sua “vida”, depois de todo o forrobodó da temporada passada tentando apagar esses dados do computador da Discovery; e por aí vai.) O bom senso até poderia pegar o banco do passageiro se a sequência fosse bem executada e dramaticamente interessante. Não é o caso aqui.

Para fechar a trinca de momentos apavorantes (no mau sentido), temos o confronto final entre Michael e Osyraa no núcleo do computador, com o afundamento dela numa maçaroca de matéria programável. Às vezes, menos é mais. Uma luta convencional, bem coreografada, seria mais efetiva que a tonelada de efeitos visuais num poço de clichês que tivemos aqui.

Ademais, Osyraa e a Corrente Esmeralda dão vários passos atrás aqui, e toda a complexidade exibida no episódio passado desaparece como um passe de mágica. O contraste é brutal, ainda que até certo ponto esperado (com o colapso das negociações, ela teria de mostrar suas verdadeiras cores).

Em contraste com o que acontecia a bordo da nave, Saru teve um bom arco conduzindo Su’Kal para aceitar que ele precisa encarar seu medo e deixar a simulação. Ele sublinha o arco da temporada e deste episódio, que fala de desconexão e conexão. O tema é martelado em diversas passagens (Michael convencendo Vance a confiar nela e deixar a Discovery partir; Michael passando um plano a Tilly em uma fala completamente cifrada; Gray se conectando e finalmente sendo visto por mais alguém além de Adira; e Saru forjando uma importante conexão com Su’Kal) e é um dos pontos de destaque do segmento. (E, para quem o tema não ficou claro, ele ainda é “desenhado” com uma citação de Gene Roddenberry ao final do episódio.)

Também funciona dramaticamente a revelação final da trama, de que Su’Kal causou a Queima ao ver a morte da mãe. Não que a tecnobaboseira presente faça algum sentido, ou que a solução do mistério não acabe simplória demais; mas, como cena, é dramático se colocar na pele do jovem Su’Kal.

Outro ponto digno de nota foi a opção de criar um final feliz inequívoco, algo com que Discovery até o momento jamais tinha flertado. Todo mundo que é do bem (salvo o pobre Ryn, morto no episódio passado) sobrevive, todo mundo que é do mal morre, e tudo acaba bem para a Federação, que passa a se expandir e ganha uma nova capitão.

Essa arredondada coloca a série numa posição mais convencional para o quarto ano, com uma coincidência entre a protagonista e a capitão. É meio que o ponto final para o experimento proposto originalmente pelos criadores Bryan Fuller e Alex Kurtzman de centrar o programa em torno de alguém cuja trajetória estava destinada a passar por enormes altos e baixos. Aparentemente, após três temporadas de instabilidade na capitania, a USS Discovery encontrou sua líder. Let’s fly!

Avaliação

Citações

“Let’s fly!”
(Vamos voar!)
Michael Burnham

“In a very real sense, we are all aliens on a strange planet. We spend most of our lives reaching out and trying to communicate. If during our whole lifetime, we could reach out and really communicate with just two people, we are indeed very fortunate.”
(Num sentido muito real, somos todos alienígenas num planeta estranho. Passamos a maior parte da vida buscando e tentando nos comunicar. Se, durante toda a nossa vida, pudermos buscar e realmente nos comunicarmos com apenas duas pessoas, somos de fato muito afortunados.)
Gene Roddenberry

Trivia

  • “That Hope Is You, Part 2” abre com um gormagander, uma espécie de “baleia espacial” que vimos em “Magic to Make the Sanest Man Go Mad”, da primeira temporada.
  • Segundo o showrunner Alex Kurtzman, ele e Michelle Paradise tiraram a inspiração para a causa da Queima de um conto de ficção científica de Ursula Le Guin, Os que que afastam de Omelas. O texto original fala de uma cidade utópica em que toda a prosperidade depende do sofrimento de uma única criança.
  • Na simulação, Adira aparece como uma zaheana, espécie introduzida no curta “Runaway” que depois aparece na segunda temporada de Discovery e na primeira de Picard. Já Gray se manifesta como um vulcano, a mais tradicional raça alienígena de Star Trek, a começar por Spock, introduzido no piloto “The Cage” (1964).
  • A Viridian parece ter canhões antipróton, arma similar à do Devorador de Planetas de “The Doomsday Machine”, da Série Clássica. A tecnologia dele se tornou comum no século 32.
  • Zareh fala aqui de uma águia alcoriana. A ave foi primeiro mencionada por Craft no curta “Calypso”. Lá, vemos um personagem que teria vindo do planeta Alcor IV.
  • Já vimos ejeções de núcleo de dobra antes, principalmente em Voyager, onde aconteceu em várias ocasiões. No filme Jornada nas Estrelas: Insurreição isso também ocorre.
  • Michael Burnham começa a série como comandante e se torna capitão ao fim da terceira temporada. O mesmo aconteceu com Benjamin Sisko em Deep Space Nine. Mas lá, apesar de começar como comandante, Sisko era desde o começo o oficial líder.
  • A tripulação da Discovery passa, ao final do episódio, a usar os uniformes adotados pelo resto da Frota Estelar no século 32.
  • Mary Wiseman (Tilly) gravou originalmente com um uniforme com cor de departamento vermelho (comando). Na pós-produção, trocaram para azul (ciências).
  • Tig Notaro (Jett Reno) não estava disponível para gravar as cenas finais, então fizeram apenas um close com ela e, nas tomadas abertas, quem aparece é uma stand-in (substituta).
  • Saru volta a Kaminar com Su’Kal e podemos ver que o planeta mudou muito desde o século 23, quando os kelpianos eram uma espécie pré-dobra tecnologicamente primitiva.
  • Vemos a Discovery ao final deste episódio com a porta do hangar de naves auxiliares fechada. Algo bastante raro na série.
  • A citação final de Gene Roddenberry foi tirada do livro The Making of Star Trek, publicado em 1967, em autoria com Stephen Whitfield.
  • Confira mais curiosidades e easter eggs deste episódio, em artigo de Maria-Lucia Racz, clicando aqui.

Ficha Técnica

Escrito por Kenneth Lin
Dirigido por Jonathan Frakes

Exibido em 31 de dezembro de 2020

Título em português: “Há uma Maré…”

Elenco

Sonequa Martin-Green como Michael Burnham
Doug Jones como Saru
Anthony Rapp como Paul Stamets
Mary Wiseman como Sylvia Tilly
Wilson Cruz como Hugh Culber
David Ajala como Cleveland “Book” Booker

Elenco convidado

Oded Fehr como Charles Vance
Noah Averbach-Katz como Ryn
Janet Kidder como Osyraa
Kenneth Mitchell como Aurellio
Annabelle Wallis como Zora
Jake Weber como Zareh
Emily Coutts como Keyla Detmer
Patrick Kwok-Choon como Gen Rhys
Oyin Oladejo como Joann Owosekun
Ronnie Rowe Jr. como R.A. Bryce
Brendan Beiser como Eli
Lisa Berry como Kanak
Avaah Blackwell como Ina
Nicole Dickinson como regulador forte
Vanessa Jackson como Audrey Willa
Lamont James como guarda regulador 1
Dorren Lee como Teemo
Alexander Mandra como Avryz
Fabio Tassone como voz da nave de Book
Roy Samuelson como computador da Corrente Esmeralda

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