VOY 2×11: Maneuvers

Chakotay e Seska

Seska mostra seu veneno e Chakotay acorda para voltar a suas raízes rebeldes

Sinopse

Data estelar: 49208.5

Enquanto Chakotay e B’Elanna jogam hoverball no holodeck, a Voyager recebe uma transmissão com um sinal da Frota Estelar. Animada pela descoberta, a tripulação altera o curso para detectar a origem da mensagem mas, ao chegar às coordenadas, é atacada por uma nave kazon. Intrusos vêm a bordo e conseguem roubar um dos módulos de transporte, retornando em seguida para sua nave.

Tentando impedir que a tecnologia caia nas mãos do inimigo, a capitã ativa o raio trator e abre um canal. Quem responde é Maje Culluh, o líder dos kazon-nistrim. Janeway o informa que o dispositivo em questão foi projetado especificamente para a Voyager e será de pouco uso para os kazon. Entretanto, o Maje assegura que atualizou seus conhecimentos da tecnologia da Frota. Nesse momento, quem aparece é Seska, a tripulante que traiu a tripulação na temporada anterior. Os kazons conseguem desativar o raio trator e fogem em velocidade de dobra.

Culluh e Seska

As implicações da aliança entre Seska e Culluh são claras. Os kazons agora têm uma uma conselheira com experiência tática da Frota, dos maquis e cardassianos. Culluh planeja usar o módulo roubado para persuadir as facções rivais a ajudá-lo na conquista da Voyager. Chakotay conta a Torres que se sente responsável pelas ações de Seska porque a recrutou aos maquis e, em seguida, deixa a nave para tentar recuperar o dispositivo por si próprio.

O comandante consegue se transportar para a ponte dos kazons e destrói o módulo, mas é rapidamente capturado e torturado por Culluh, que busca os códigos de comando da Voyager. Chakotay não os revela.

Quando a Voyager chega para resgatá-lo, outros Majes, reunidos com o líder dos nistrim, ordenam que os códigos sejam usados para desativar seus sistemas, mas logo fica claro que Culluh não os tem. Seska consegue impedir que Chakotay seja transportado, então Janeway transporta os Majes kazons a bordo. Eles concordam em libertar o oficial e a nave auxiliar em troca de sua liberdade. Mais tarde, Chakotay fica perplexo quando Seska o informa que enquanto ele estava inconsciente, ela extraiu uma amostra de seu DNA e agora está esperando um filho dele.

Comentários

“Maneuvers” é um episódio repleto de ação e cenas de batalha, marcando a volta dos kazons e de Seska, que a partir desse momento serão os grandes vilões da segunda temporada. Mas não poderiam faltar as críticas a certos pontos da história.

Maneuvers title card

Por exemplo, com todo o arsenal que possui, por que a USS Voyager foi incapaz de deter uma única nave kazon? E afinal, qual é a daquela nave-torpedo? Como os ocupantes poderiam sobreviver a tamanho impacto? Tuvok que me perdoe, mas vale também destacar a incompetência da equipe de segurança, que não conseguiu conter dois intrusos kazons, que andaram livremente pelos corredores e chegaram à sala de transportes sem problemas. Outra coisa mal explicada: como Seska teve acesso aos códigos da Voyager? Os kazons pareciam se adaptar às modulações nos escudos com mais rapidez que os borgs! Mas, críticas à parte, essa sequência inicial foi bastante agitada e garantia certa de entretenimento.

Tuvok realmente não devia estar se sentindo muito bem nesse episódio, pois também não detectou a saída não-autorizada de Chakotay. Aliás, o vulcano foi a vítima de um dos maiores problemas de Voyager. A cada episódio, parece que um dos tripulantes está ali só para fazer bobagens. A “síndrome de incompetência”, criação involuntária do seriado, costuma vitimar Chakotay. E, pelo início do episódio, parecia que ele seria mais uma vez o “bobo da semana”. Felizmente, as coisas se reverteram rapidamente e o troféu acabou ficando com Tuvok.

Tuvok, Chakotay e Janeway

Chakotay, por outro lado, brilha como em poucas vezes na série. As cenas que precedem sua abordagem à nave kazon e a posterior sessão de tortura e interrogatório sopram vida em um personagem que, via de regra, acaba não fazendo mais que apertar botões em um console ao lado da capitã Janeway.

E por falar em Chakotay, foi bom ver sua identidade maquis reaflorando, quando ele decidiu tomar atitudes por si só, ignorando os protocolos que regem a nave. Parece que em se tratando de maquis, o seriado ficou dormente não apenas na segunda temporada, mas nos sete anos de Voyager, algo que gerou muitas críticas. Daí a comemoração quando aparecem lampejos assim. Mesmo assim, no final ele coloca o rabinho entre as pernas diante de Janeway, o que elimina parte de seu vigor rebelde e vingativo contra Seska – possivelmente a melhor personagem recorrente que já passou por Voyager.

Foi bastante interessante esse reencontro com Seska, agora já com leve aparência cardassiana. Os eventos relatados aqui teriam impacto profundo no andamento do segundo ano, e culminariam no bom episódio duplo “Basics”, que fecharia a temporada.

Chakotay e Seska

“Maneuvers” inicia um dos períodos de maior continuidade do seriado, quando surge uma espécie de minissérie centrada no conflito com os kazons – vilões sem muito appeal, diga-se de passagem. Aqui, por exemplo, a interação entre os líderes kazons foi meio infantil, baseada em ameaças e conversas inúteis.

Mas todo o ambiente kazon foi muito bem construído – não para eles, que continuam mais paspalhos do que nunca, mas para Seska. A influência da cardassiana sobre o Maje Culluh é tão visível que chega a arder a vista. Obra de um roteiro bem escrito por Kenneth Biller e uma direção competente (ou você não reparou em várias cenas que o enquadramento mostrava Culluh em primeiro plano e Seska atrás, quase como que comandando sua marionete kazon?).

A soma de todos os elementos acaba produzindo um resultado interessante. E foi bom saber que a nave auxiliar foi recuperada ao final do episódio: uma a menos para aumentar a contagem de naves infinitas de Voyager.

Avaliação

Citações

“Easy, B’Elanna. It’s just hoverball.”
(Calma, B’Elanna. É só hoverball.)
Chakotay

“As you can see, I’m in the process of restoring my cardassian fisiology.”
(Como pode ver, estou no processo de restauração da minha fisiologia cardassiana.)
Seska

“So now I’m getting advice about controlling my emotions from you.”
(Então agora estou recebendo conselhos de como controlar minhas emoções de você.)
Chakotay

Trivia

  • Martha Hackett retorna como Seska. A atriz interpretou o papel durante grande parte do primeiro ano sob maquiagem de bajoriana.
  • Antes de embarcar na Voyager, Hackett já havia encarnado outras personagens em Jornada: fez uma tareliana em “All Good Things…”, episódio final de A Nova Geração, mas a cena foi cortada para a versão final. Além disso, interpretou a romulana T’Rul em “The Search, Parts I & II”, da terceira temporada de Deep Space Nine. Também cedeu seus talentos para o jogo “Star Trek: Klingon”.
  • Em entrevista dada em junho de 1996, Martha disse: “Tem sido uma ótima experiência. As séries de Jornada não são como os outros shows – fazem parte da história da televisão. Significam algo especial para muitas pessoas e realmente dão aos telespectadores muito o que pensar. Então, para mim, é muito bom fazer parte de Voyager. Jornada é um fenômeno e sempre tive bons momentos com a equipe e elenco durante as filmagens da série – e não dá para pedir mais que isso!”
  • Mantendo uma continuidade no seriado, também retorna o ator Anthony DeLongis como o Maje Culluh dos kazon-nistrim, personagem introduzido em “State of Flux”, do primeiro ano.

Ficha Técnica

Escrito por Kenneth Biller
Dirigido por David Livingston

Exibido em 20 de novembro de 1995

Título em português: “Manobras”

Elenco

Kate Mulgrew como Kathryn Janeway
Robert Beltran como Chakotay
Roxann Biggs-Dawson como B’Elanna Torres
Robert Duncan McNeill como Tom Paris
Jennifer Lien como Kes
Ethan Phillips como Neelix
Robert Picardo como Doutor
Tim Russ como Tuvok
Garret Wang como Harry Kim

Elenco convidado

Martha Hackett como Seska
Anthony De Longis como Culluh
Terry Lester como Haron
John Gegenhuber como Kelat

Enquete

Edição de Stéphanie Cristina
Revisão de Roberta Manaa

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