SFA 1×09: 300th Night

Reencontro nas estrelas

Sinopse

Data estelar: Desconhecida

A Academia celebra a “300ª Noite”, cerimônia que marca o encerramento do ano letivo. Jay-Den realiza um ritual klingon no qual convida os amigos para fazerem parte de sua família escolhida. Durante a confraternização, Caleb se mantém distante da celebração, mas acaba tendo uma conversa desconfortável com Tarima em um elevador. Tarima percebe que Caleb continua fugindo emocionalmente das pessoas ao seu redor. Pouco depois, SAM aparece nos aposentos de Caleb e fala com ele sobre sua nova vida após sua reconstrução emocional. Ela diz que, se Caleb realmente quiser encontrar pistas deixadas por sua mãe, precisa pensar como pensava quando era criança.

Seguindo a sugestão, Caleb utiliza um antigo anagrama de infância e consegue desbloquear dois anos de mensagens não ouvidas deixadas por sua mãe, Anisha. Ao descobrir uma nova pista concreta sobre sua localização, ele procura imediatamente Nahla Ake, mas a chanceler está em reunião com Kelrec e o almirante Vance discutindo a crescente ameaça dos Venari Ral e de Nus Braka. A Federação descobre que Braka roubou minas Omega 47, armamentos capazes de destruir bilhões de vidas e inutilizar completamente o transporte por dobra espacial.

A Athena recebe ordens para permanecer em rota para Betazed, enquanto a Frota entra em alerta. Sem autorização para partir em busca da mãe, Caleb decide agir sozinho e planeja roubar uma nave auxiliar para ir até Ukeck, planeta localizado fora do espaço da Federação. SAM insiste em acompanhá-lo, argumentando que é a única capaz de retirar a nave do campo de segurança sem destruí-la. Genesis também aparece e tenta impedir o plano, mas acaba envolvida quando SAM tranca as portas para evitar que ela denuncie a fuga. Darem, completamente bêbado após a festa, também acaba entrando na missão improvisada. O grupo foge utilizando uma nave auxiliar, mas acaba sofrendo danos durante a viagem.

Ao chegarem em Ukeck, os cadetes usam roupas locais para se misturar ao mercado clandestino do planeta. Caleb procura pistas sobre Anisha enquanto os demais tentam conseguir peças para reparar a nave. Durante a busca, Caleb é surpreendido por uma figura armada que coloca uma faca em seu pescoço. A pessoa revela ser Anisha Mir. Mãe e filho se reencontram pela primeira vez em dezesseis anos.

Os dois conversam sobre tudo o que aconteceu desde a separação causada pela prisão de Anisha. Ela revela que Nus Braka a ajudou a escapar anos antes, mas que abandonou o pirata e vive fugindo desde então. Desconfiada dos amigos de Caleb, ela acredita que possam ser espiões da Federação. Utilizando suas habilidades como engenheira, Anisha ajuda a fabricar a peça necessária para reparar a nave auxiliar e planeja fugir novamente ao lado do filho antes da chegada dos Venari Ral.

Quando Caleb informa aos amigos que pretende partir com a mãe, o grupo reage negativamente. Genesis confronta Caleb, acusando-o de insistir em permanecer emocionalmente preso ao passado. SAM quebra a tensão ao abraçá-lo e fazê-lo admitir que está tentando fugir novamente de qualquer responsabilidade ou vínculo.

Enquanto isso, a USS Athena chega a Betazed para deixar os cadetes restantes. Jay-Den e Tarima informam Ake que Caleb e os outros roubaram uma nave e foram até Ukeck. Vance avisa que, caso Ake decida ultrapassar os limites da Federação para resgatar os alunos, estará agindo sem apoio oficial da Frota. Mesmo assim, Ake decide partir com uma tripulação reduzida, acompanhada apenas por Reno, o Doutor e alguns oficiais essenciais. Jay-Den e Tarima embarcam escondidos na nave.

Ao chegar próximo da fronteira, a Athena encontra uma mina Omega e percebe que existe um plano maior em andamento. Sem conseguir contato com a Frota e sem localizar os cadetes, Ake decide atravessar os limites do espaço da Federação e seguir até Ukeck. No planeta, Caleb e os demais são confrontados por soldados Venari Ral, que já descobriram a presença da nave roubada. Quando eles ameaçam executar os cadetes, Caleb tenta se entregar para salvar os amigos, contrariando a mãe. Anisha então aparece e tenta sustentar a história de que todos são apenas comerciantes locais, mas os soldados não acreditam.

Um confronto armado começa imediatamente. Alguns soldados são mortos durante a batalha, e Anisha acaba gravemente ferida. Antes que os cadetes sejam capturados, a USS Athena surge sobre o planeta e consegue transportá-los para bordo pouco antes da chegada de reforços inimigos. A fuga é interrompida quando três naves Venari Ral perseguem a Athena e a retiram da dobra utilizando feixes tratores. Sem alternativas, Ake ordena que Reno separe a seção principal da nave. Uma parte da Athena consegue escapar, enquanto a outra fica nas mãos dos inimigos.

Ao chegarem próximos à fronteira da Federação, Ake e Vance percebem a dimensão do plano de Braka. Minas Omega foram espalhadas ao redor do território federado, criando uma gigantesca barreira que impede viagens por dobra e isola completamente a Federação do restante da galáxia. A Athena torna-se uma das poucas naves ainda do lado de fora da barreira. Enquanto Reno envia pedidos de socorro, Ake finalmente enfrenta seu reencontro com Anisha Mir, a mulher que ela prendeu anos antes e separou do próprio filho.

Comentários

Estamos diante de um episódio que é um suco de Star Trek. Tem ação, tem suspense, tem política galáctica, tem tecnobaboseira, tem humor, tem separação de nave, tem ameaça que vai acabar com todo o espaço-tempo e vai destruir até o que não existe. E devo admitir: quase tudo funciona. Depois de episódios mais introspectivos, episódios de formação, dramas juvenis e histórias que iam pouco a pouco contando o amadurecimento de personagens que fomos conhecendo aos poucos, acompanhando suas transformações, a série entrega aqui uma elevação de escala total, e faz isso sem abandonar aquilo que vinha sendo a grande força da série: o desenvolvimento emocional dos personagens.

Para o meu gosto, a escala foi elevada até demais. Poderia ter sido evitada essa coisa da supermega ameaça, usada tantas vezes em Discovery. Ainda mais em Academy, que vinha sendo tão elogiada por ser contida em alguns aspectos, infelizmente escorregou aqui. Essa coisa de destino da galáxia realmente já está cansativa.

Isto posto, o episódio entra em uma estrutura muito clássica de Jornada. Galera da Frota roubando uma nave e desobedecendo ordens porque acredita estar fazendo a coisa certa. É impossível não lembrar de dezenas de episódios e até filmes anteriores da franquia. Roubar nave, atravessar fronteiras proibidas e desafiar a Frota é feito quase por esporte em Star Trek. Mas aqui, como são cadetes, é tudo mais juvenil e mais caótico.

Mesmo dentro desse caos, a série olha para dentro dos seus personagens. O ritual klingon de Jay-Den é um dos momentos mais bonitos da série até agora porque entende perfeitamente uma das grandes ideias históricas de Star Trek: a de que família não é só a de sangue, mas também a que a gente escolhe. Embora isso seja, de fato, clichê, aquele papo de “amigos são a família que a gente escolhe”, nós vimos a vida toda em Star Trek as tripulações se estabelecerem como famílias mesmo, com as brigas, os afetos, as dores e as alegrias que toda família tem. E o ritual praticamente oficializa isso, transformando os amigos de Jay-Den em sua família.

Ao começo do episódio, parece que a maioria dos personagens está bem resolvida, com conflitos internos e externos começando a ser superados. Menos ele, claro. Caleb ainda tem aquele conflito. Continua fissurado na busca pela mãe, mesmo que obviamente seja compreensível alguém ter uma obsessão em procurar a mãe. Caleb usa isso como escudo para se defender de tudo: se defender de se entregar por completo aos amigos, a vida na Academia, às relações amorosas e até de si mesmo, do que ele quer para sua vida.

É a SAM que mata essa charada. Desde sua reconstrução emocional, ela virou uma personagem muito sensível da série. Ao sugerir que Caleb pense “como pensava quando era criança”, ela praticamente clareia toda a narrativa do episódio. O momento em que ele finalmente acessa as mensagens escondidas da mãe tem um subtexto muito forte. É ele entrando em partes da própria infância enterradas pelo trauma.

Estamos em mais um momento em que Academy consegue brilhantemente falar da geração de jovens sem parecer que está falando de projeções que os mais velhos têm sobre eles. Essas novas gerações têm lidado muito com os traumas que sofreram, e isso é uma questão discutida o tempo inteiro. Caleb representa muito isso aqui. Ele obviamente é muito traumatizado por toda a situação dramática que foi imposta a ele na infância, e vai, aos trancos e barrancos, lidando com isso. Até que aqui, nesse episódio, ele realmente materializa e entende os traumas e como isso afeta a vida dele. É o mesmo processo que muitos jovens fazem dentro de terapias, até entenderem a origem dos seus problemas e como enfrentá-los, com menos viagens espaciais e batalhas intergalácticas que Caleb, é verdade.

E então vem o reencontro. Anisha é uma personagem cheia de camadas. Ela é paranoica, desconfiada, quebrada emocionalmente e profundamente moldada pelos anos vivendo fora da Federação. Está longe de ser uma mãe idealizada de comercial de Dia das Mães do Boticário, mas o episódio nunca coloca em dúvida o amor dela pelo filho. Por isso o reencontro é tão emocionante: ele é de verdade. A cena é visceral sem ser melodramática. Ela coloca um monte de coisa para fora ao mesmo tempo, amor, saudade, trauma, medo, tudo dentro de um reencontro, mas parece que guarda aquilo que poderia explodir.

Mas o episódio realmente sobe de nível quando Holly Hunter e Paul Giamatti entram em cena. Eu sei que virou quase redundante elogiar Holly Hunter, mas aqui ela entrega mais uma atuação em altíssimo nível. Ake passa o episódio inteiro carregando culpa, medo, responsabilidade e dor pessoal sem nunca verbalizar tudo diretamente. A gente sente tudo no olhar dela. Ela consegue transmitir séculos de experiência apenas reagindo as situações.

E Paul Giamatti finalmente revela todo o tamanho de Nus Braka. Ele sempre pareceu um trambiqueiro, mas aqui ganha proporções de grande antagonista da franquia. E, a exemplo de Dukat, a quem Giamatti frequentemente cita como referência para o personagem, Nus Braka é o herói da própria história. Ele genuinamente acredita que a Federação falhou com regiões inteiras da galáxia. Ele não quer destruir porque é vilão ou porque é mau. Ele quer provar que o sistema federado é frágil e hipócrita.

 

As cenas entre ele e Ake são extraordinárias justamente por isso, porque são duelos ideológicos. Existe história demais entre os dois. Mágoa demais. Nenhum deles entra em cena naqueles arquétipos clássicos de “mocinho” ou “vilão”.

Tecnicamente, o episódio é bem executado. Frakes faz a direção segura de sempre, tudo funciona bem visualmente, o uso de AR Wall está na medida, e a separação da Athena durante a fuga é puro espetáculo clássico de Star Trek. O fandom é historicamente apaixonado por naves e por suas funcionalidades, e a separação é sempre aquele momento pipoca que todo mundo gosta.

A imagem da Federação cercada por uma barreira de minas que impede a dobra é poderosa porque transforma um dos dramas centrais desse século em algo físico: isolamento. Esse tema tem sido martelado a temporada toda, desde a questão dos betazoides no segundo episódio. Academy vem falando sobre isso talvez, e só talvez por isso ela às vezes seja tão polêmica, mas não seria Star Trek se não falasse do contemporâneo pelos olhos do futuro.

Avaliação

Citações

“Rerouting power to structural integrity!
Wait! Where are you taking it from?
Shields! Uh, no. Life support?
What? No!
You’re all young and healthy, you can stand to have your lives a little less supported right now!”
(Redirecionando energia para a integridade estrutural!
Espere! De onde você vai tirar isso?
Escudos! Uh, não. Suporte de vida?
O quê? Não!
Vocês são todos jovens e saudáveis, podem aguentar ter suas vidas um pouco menos apoiadas agora!)
Caleb, Genesis e SAM, tentando impedir que sua nave se desintegre em um túnel transwarp

Trivia

  • O título do episódio refere-se à última noite do ano letivo ainda não confirmado: 3191/92 convertido a partir das datas estelares ou 3195/96, se Lura Thok completou 50 anos em 3195.
  • Com este episódio, Jonathan Frakes dirigiu dois filmes e 31 episódios entre The Next Generation, Deep Space Nine, Voyager, Discovery, Picard, Strange New Worlds e agora Starfleet Academy.
  • Kirsten Beyer agora tem oito créditos de roteiro em Star Trek em cinco séries diferentes, incluindo dois nesta temporada para a Academia da Frota Estelar, tendo anteriormente compartilhado um crédito de roteiro com Tawny Newsome em “Series Acclimation Mil”.
  • A roteirista do episódio, Kirsten Beyer, escreveu anteriormente o romance não canônico The Eternal Tide, que se concentrava fortemente em omega, uma dimensão que abriga a força envolvida no Big Bang. O romance retratava todas as moléculas omega conhecidas como recriações fragmentárias imperfeitas da força ômega, estabelecendo as bases para o Omega-47 canônico, como uma variante “sintética” da ômega.
  • Este episódio é construído em torno da Federação se reunindo em Betazed para a inauguração da nova sede do governo da organização, conforme oferecido ao povo de Betazed em “Beta Test”.
  • A molécula Ômega foi introduzida em “The Omega Directive”, da série Voyager, e até hoje não foi mencionada novamente, exceto por uma breve referência em “Q2”, perto do final da série.
  • As experiências da Federação com a molécula Omega sugerem que a Diretiva Omega não está mais em vigor.
  • O Doutor é visto atuando como oficial tático da USS Athena. O Doutor já havia sido visto atuando ocasionalmente como oficial da ponte na USS Voyager-A em Star Trek: Prodigy, nos episódios “Into the Breach, Part II”, “Ouroboros, Part I” e “Ouroboros, Part II”.
  • Pela primeira vez, vemos Jay-Den usando um baldric klingon, um cinto largo, geralmente ornamentado, usado sobre um ombro e em volta da cintura, normalmente utilizado para transportar armas e/ou indicar a patente.
  • O Setor 953, onde Venari Ral explodiu a primeira mina, estava situado entre Delta, Miri, Psi Serpentis e Starbase 8.
  • Pelo terceiro episódio consecutivo, Gina Yashera (Lura Thok) não aparece, embora tenha sido ouvida no episódio 107.
  • Pela quinta vez nesta temporada, ouvimos o reitor digital (Stephen Colbert) pelo interfone solicitando ao especialista Krebs que cuide de sua mosca peluda talaxiana, que aparentemente está desaparecida e foi vista pela última vez entrando em um replicador do laboratório de ciências.
  • O ritual de união r’uustai foi visto pela primeira vez em “The Bonding”, de A Nova Geração, no qual Worf se uniu a Jeremy Aster e o recebeu em sua casa.
  • As minas de atraso de tempo da omega-47 parecem muito com o dispositivo de reinicialização de tempo omega 13 de Galaxy Quest.
  • A arma de explosão isolítica usada pelo Venari Ral para imobilizar a Athena é o mesmo tipo de arma usada tanto pelos Son’a, em Star Trek: Insurrection, quanto por Vadic, em Star Trek: Picard.
  • Quando a Athena chega a Ukeck, os transportadores estão bloqueados, então Ake diz que eles devem “fazer um Q’Mau”, referindo-se ao truque que a USS Discovery e a USS Antares executaram no planeta Q’Mau no episódio “Red Directive” de Discovery, quando as naves entraram na atmosfera e fizeram contato com a superfície do planeta para salvar um acampamento sob ameaça. Nesse caso, a Athena apenas se aproximou o suficiente do mercado de Ukeck para transportar os cadetes e Anish Mir para fora do perigo.
  • “Você está brincando? Bem… isso é uma falha de projeto”, diz Ake de forma hilária à notícia de Jay-Den e Tarima (Zoë Steiner) de que é possível escapar dos sensores internos da Athena aumentando a pressão na câmara de descompressão em 0,029% para bloquear sinais de vida.
  • A bebida klingon altamente potente a que Darem embriagado, se refere é, na verdade, chech’tluth, uma bebida que vimos anteriormente em “Up the Long Ladder” de A Nova Geração.
  • A primeira mina Ômega 47 foi lançada em uma região vazia do espaço entre Delta IV (planeta natal dos deltanos) e o planeta natal de Miri. O cometa 493-30923 é o cometa de “Balance of Terror”, identificado no episódio “A Quality of Mercy” de Strange New Worlds.

Ficha Técnica

História de Kirsten Beyer e Kenneth Lin
Escrito por Kirsten Beyer
Dirigido por Jonathan Frakes

Exibido em 5 de março de 2026

Título em português: “Trezentésima Noite”

Elenco

Holly Hunter como Nahla Ake
Sandro Rosta como Caleb Mir
Karim Diané como Jay-Den Kraag
Kerrice Brooks como SAM
George Hawkins como Darem Reymi
Bella Shepard como Genesis Lythe
Zoë Steiner como Tarima Sadal
Oded Fehr como Charles Vance
Brit Marling como Computador principal (voz)
Stephen Colbert como reitor digital dos estudantes (voz)
Tig Notaro como Jett Reno
Robert \Picardo como Doutor

Elenco convidado

Tatiana Maslany como Anisha Mir
Raoul Bhaneja como comandante Kelrec
Eddie Kaye como vendedor alienígena
Rayisa Kondracki como líder Venari Ral
Meghan Allen
como soldado Venari Ral

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Citações, Trivia, Ficha Técnica, Elenco e Elenco Convidado por Maria Lucia Rácz

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