Alex Kurtzman e Noga Landau revelam a visão da produção por trás de Starfleet Academy

Na nova série Star Trek: Starfleet Academy Alex Kurtzman divide as funções de showrunner com Noga Landau — conhecida por trabalhar em séries jovens como The Magicians e Nancy Drew.

Em entrevista ao TrekMovie, ao Screenrant e ao LRM, durante a coletiva de imprensa na pré-estreia, ambos comentaram sobre o vilão, easter eggs, uma referência especial a Deep Space Nine e como mantem o legado de Star Trek vivo. 

Primeiro, Kurtzman explicou por que esse vilão é tão adequado aos dias atuais:

Existe muita divisão no nosso planeta neste momento. Nus Braka representa essa divisão, porque representa a falta de discernimento para entender quem as pessoas são e por que fazem o que fazem. E acho que, ao escrevermos uma série sobre uma geração que está herdando toda essa divisão e como ela vai se voltar para a visão essencial de otimismo de Roddenberry, precisamos de um antagonista que represente o oposto.
Em uma reflexão profunda sobre o que torna Star Trek eternamente relevante, Alex Kurtzman define a essência da franquia com uma frase que resume tudo:

Star Trek é sempre um espelho, certo? É sempre um espelho que reflete o momento presente.

Ele destaca o que considera único e, ao mesmo tempo, profundamente emocionante nessa juventude atual:

E esse é o momento, especialmente como pai, em que vejo o que meu filho está enfrentando. Acho que o que é único nessa geração — e é muito emocionante — é que eles estão encarando o futuro de uma forma tão diferente da nossa. Porque para eles, não há garantias, certo? E ao mesmo tempo, existe essa exuberância juvenil que ainda persiste. E existe esse otimismo ao qual eles conseguem se agarrar. E esta é a primeira geração que vejo crescendo com essas duas coisas. E tenho esperança, porque acho que isso lhes dará as ferramentas necessárias para enfrentar a realidade e promover mudanças, que é a essência de Star Trek, certo? Trata-se de apontar o melhor e o pior de nós, e descobrir como podemos voltar ao momento que Roddenberry vislumbrou, que é aquele futuro onde toda essa divisão fica para trás e nos tornamos a melhor versão de nós mesmos. E era isso que eu queria dizer com Nus.

Uma das perguntas mais frequentes sobre qualquer nova série de Star Trek é exatamente essa: como equilibrar a criação de algo fresco, capaz de atrair um público mais jovem, sem perder de vista os fãs de longa data. Noga Landau, co-showrunner ao lado de Alex Kurtzman, responde de forma direta:

Acho que, para nós, tudo começa na nossa sala de roteiristas. Tem muita gente que ama Star Trek desde sempre. E também tem gente que só descobriu a franquia recentemente. E essas perspectivas são muito valiosas para garantir que tudo faça sentido para elas e para os fãs de Star Trek. E assim tudo se equilibra.

Mas acho que, na própria série, há muitas referências a Star Trek. Uma que realmente chama a atenção dos fãs é o Harry Kim ser um almirante no Muro dos Heróis. Nosso átrio se chama Átrio Sato. Temos o Pavilhão Uhura. Temos muitas homenagens às pessoas que vieram antes de nós. E o episódio 5 é essencialmente uma carta de amor a Deep Space Nine.

Kurtzman fala sobre homenagens aos que vieram antes e cita a série Deep Space Nine no episódio 5:

Bem, esse é o ponto, certo? A ideia é exatamente essa: se você nunca assistiu Deep Space Nine, nunca viu um episódio, esse episódio vai funcionar como uma ótima introdução. Vai te dar vontade de conhecer mais, de mergulhar naquela série. Agora, se você já conhece Deep Space Nine, se é fã de longa data, aí sim, o episódio fica realmente significativo, ganha uma camada emocional muito mais profunda. E esse era exatamente o objetivo que a gente tinha em mente.

Ainda sobre o quinto episódio da primeira temporada (escrito por Tawny Newsome e Kirsten Beyer) ter uma conexão com Deep Space Nine, Landau chegou a mencionar a série de Sisko na New York Comic Con:

E também há mistérios. Fiquem de olho em Benjamin Sisko! Vamos fazer coisas muito legais que não são feitas há muito tempo e que, na minha opinião, honram os fãs que estavam esperando para ver o que acontece 

Para Kurtzman, o futuro de Star Trek depende de continuar atraindo novas gerações, sem ficar preso apenas ao passado:

Sim, claro, se a gente não fizer séries que falem com uma nova geração, e depois com a geração seguinte, Star Trek vai morrer, certo? Não tem outro jeito. Nosso objetivo é simples: manter a franquia viva. Manter ela respirando, crescendo, se renovando.

E quando alguém reclama que “não parece mais com a Star Trek antiga”, ele responde:

Então, por mais que as pessoas reclamem que não parece com Star Trek antiga… se você quer exatamente aquela Star Trek antiga, ela está lá. Ela não vai a lugar nenhum. Está disponível para você assistir para sempre. Mas, ao mesmo tempo, a gente está fazendo muito — muito mesmo — para honrar o cânone, para respeitar tudo o que veio antes, e ainda assim abordar as coisas de uma maneira nova, que faça sentido para o momento que estamos vivendo agora.

Questionado por que a série traz um clima tão militarista na Academia — com a Capitã Ake orientando os alunos com carinho, mas ao mesmo tempo a Cadete Mestre Thok gritando ordens, mandando fazer flexões e chamando os cadetes de “vermes”. Alex Kurtzman começa destacando que esse aspecto não foi decidido de forma leviana. Pelo contrário, foi fruto de longas e profundas conversas na sala de roteiristas sobre o verdadeiro espírito da Frota Estelar:

Bem, é interessante porque tivemos muitas conversas na sala dos roteiristas sobre qual é o espírito da Frota Estelar.

Sobre a Cadete Mestre Thok por ser bem dura, com momentos difíceis, broncas pesadas e uma abordagem que não facilita a vida dos cadetes, Alex Kurtzman responde com bom humor e uma descrição sobre quem comanda a disciplina na Academia:

Bem, ela é meio klingon, meio jem’hadar. [risos] Ela vai se comunicar de um jeito bem peculiar.

Kurtzman explica que Thok não é apenas uma instrutora rigorosa — ela carrega essa mistura explosiva de traços culturais: a ferocidade e honra klingon com a intensidade implacável dos jem’hadar. O resultado é uma personalidade única, que fala e age de forma totalmente fora da curva, sem papas na língua e sem concessões.

Bem, ela é meio klingon, meio jem’hadar. Ela vai se comunicar de um jeito bem peculiar. Mas foi muito engraçado, porque eu senti ontem à noite na exibição que, no minuto em que ela começou a colocar o Caleb no lugar dele, as pessoas começaram a aplaudir. E foi porque elas pensaram: “Certo, é uma escola.” Certo? Você ainda tem que seguir as regras da Academia da Frota Estelar. Você não pode ser essa pessoa.

Quando o assunto é referente a segunda temporada, Alex Kurtzman responde que não há data definida para estreia:

Estamos quase terminando. Posso dizer que levamos cerca de um ano para finalizar a edição de uma temporada. E estou prestes a dirigir o episódio final da segunda temporada agora mesmo. Então, você está falando de um ano, independentemente de qualquer coisa, é o que eu acho. Mas se eles disserem: “Ei, queremos acelerar o processo”, essa é sempre uma opção. Mas é sempre melhor não acelerar, essa é a verdade.

A resposta vem acompanhada de uma confirmação sobre o fim das filmagens:

Sim, no final de fevereiro.

Star Trek Starfleet Academy tem episódio inéditos todas as quintas-feiras no Paramount+.

Fonte: TrekMovie

[redes]


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