A briga era entre Netflix e Paramount Skydance. A Warner preferia ser comprada pela primeira, mas a família Ellison subiu o preço até um ponto em que, como diriam os Corleones, fosse “uma oferta que eles não podem recusar”. A Netflix saiu da parada e, num negócio de estonteantes US$ 111 bilhões, a Paramount anunciou na última sexta-feira (27) que a aquisição teria sequência.
A notícia impacta vastamente o mundo do entretenimento e talvez seja até mesmo a “última grande batalha” na guerra dos streamings, em que diversas companhias entraram no jogo para tentar desbancar a pioneira Netflix, revelando no processo que o mercado tem um teto aquém do esperado e iniciando um processo de decantação dos principais concorrentes, que parece agora perto do fim.
Esse foi um dos focos na chamada que David Ellison, CEO da Paramount Skydance, fez com os acionistas nesta segunda-feira, 2 de março, reportada pelo site TrekMovie. “Ao reunir essas duas companhias, nós basicamente temos 15 mil filmes e milhares de episódios de televisão. É um portfolio icônico de franquias, de Harry Potter, O Senhor dos Anéis, o universo DC, Game of Thrones, Missão: Impossível, Top Gun, Transformers, Bob Esponja, Star Trek, eu acho que é incrivelmente poderoso”, disse o poderoso chefão, em resposta a perguntas. “As plataformas combinadas DTC [sigla para “direto ao consumidor”, no caso HBO Max e Paramount+] são basicamente 200 milhões de assinantes… Para contextualizar, é mais ou menos do tamanho da Disney, obviamente competitiva com a Amazon, competitiva com a Netflix. Então, realmente acreditamos que isso nos posiciona para ser um dos competidores líderes no espaço do DTC, e realmente acelerar crescimento.”
Certamente essa é uma das fronteiras em que a reunião das companhias fará grande diferença. O plano de Ellison parece ser integrar o HBO Max ao Paramount+ e fazer um super-streaming, que vai brigar de igual para igual com os outros três gigantes: Netflix, Prime Video e Disney+.
E STAR TREK?
Ainda é muito cedo para especular sobre qual será o papel da franquia que realmente nos interessa nesse novo ecossistema. Ao menos pelas declarações iniciais, o plano é manter os dois estúdios individualizados — Paramount e Warner continuariam a ter seu próprio planejamento e prioridades dentro do conglomerado Paramount Skydance, com a sinergia entre os dois focadas mais no aspecto de distribuição, seja no streaming, seja no cinema.
A ver quanta “consolidação” (economiquês para cortes e redução de funções redundantes) está envolvida nisso e como as agências reguladoras dos EUA e da Europa reagirão à aquisição — esse tipo de negócio esbarra numa série de entraves antitruste que precisam ser analisados antes que o negócio seja aprovado. Ellison, com a confiança de quem se vê como amigo do presidente Donald Trump, acredita que a coisa possa estar resolvida até o terceiro trimestre de 2026. Analistas independentes imaginam que possa se estender até 2027.
A boa notícia é que, no meio disso tudo, Star Trek sempre foi lembrada, seja no texto preparado para Ellison, seja nas respostas que deu às perguntas. Em sua fala de abertura aos acionistas, ele mais uma vez citou a franquia.
“Nossa companhia combinada será lar de muitas dos maiores, mais reconhecíveis e queridas franquias do mundo, de Harry Potter a Top Gun, de Star Trek a Looney Tunes, de Game of Thrones a Yellowstone.”
O material da apresentação também incluiu imagens ilustrativas de Star Trek, conectadas aos filmes de J.J. Abrams.

Nada disso, contudo, indica planos futuros para a franquia. Ainda teremos de esperar alguns meses para pistas nesse sentido.
O que já se sabe:
- A estratégia declarada da companhia é levar Star Trek de volta aos cinemas o mais depressa possível. Há um projeto em desenvolvimento que não envolve elementos de séries ou filmes anteriores.
- A nova gestão quer integrar produções de cinema e TV, algo que está divorciado na companhia desde o fim da segunda era televisiva e cinematográfica, no começo dos anos 2000.
- Alex Kurtzman tem um contrato de desenvolvimento e produção de Star Trek para a TV que expira neste ano; o produtor disse que teria uma reunião com o estúdio após a conclusão das filmagens da segunda temporada de Starfleet Academy, o que ocorreu na terça-feira passada (24 de fevereiro).
- O Paramount+ tem em fase de pós-produção tanto a quinta temporada de Strange New Worlds como a segunda temporada de Starfleet Academy, que podem ir ao ar entre o fim de 2026 e o fim de 2027.
- A quarta temporada de Strange New Worlds já está pronta e deve chegar em breve ao Paramount+. A série foi um dos destaques da apresentação da companhia aos acionistas relativa ao balanço do quarto trimestre de 2025, que viu um crescimento de 10% em faturamento com relação ao mesmo período do ano passado.
Seja lá qual for o futuro da franquia sob a nova gestão comandada por David Ellison, a essa altura parece pouco provável que Star Trek tenha um hiato significativo de produção. A conferir.
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