Publicado originalmente em dezembro de 2001

Verdades e mentiras de Deep Space Nine
As polêmicas, os rumores e os segredos da produção –de tudo que foi dito, descubra o que é fato e o que nasceu da cabeça dos fãs

Resolvi tocar em um número de questões polêmicas relacionadas a Deep Space Nine, muitas das quais envolvendo os bastidores da série. Compilei algumas dentre as mais tradicionais e contei com a contribuição dos participantes do Fórum do Trek Brasilispara, com as sugestões deles, direcionar o conjunto de questões a nossa comunidade de visitantes. Não tomei grandes cuidados em camuflar eventuais spoilers ou localizar claramente todos os fatos no contexto da série. Quaisquer dúvidas, é só perguntar.

O formato final foi o de “entrevista”, onde decidi incluir também alguns rumores não-confirmados, sempre esclarecendo o que é rumor e o que é fato. E, por falar em polêmica, vamos começar com perguntas relacionadas a Avery Brooks e ao seu alter-ego, Benjamin Sisko.

De quem foi a idéia de termos um protagonista negro em uma série de Jornada?

A idéia brotou dos criadores da série (Rick Berman e Michael Piller). Em sua gênese, foi mais uma forma de diferenciar DS9 de A Nova Geração do que de apresentar alguma espécie de “mensagem”. Simplesmente um diferente enfoque, assim como foi a idéia da utilização de uma base em um planeta como centro de operações para a série, idéia que acabou, por inviabilidade orçamentária, indo desaguar no conceito de uma estação espacial.

Os executivos da Paramount nunca estiveram “totalmente satisfeitos” com a idéia de um protagonista negro e durante o processo da escolha do ator, eles sempre repetiam a instrução para que Berman e Piller mantivessem “as suas mentes abertas” (os executivos tiveram o mesmo tipo de atitude, só que em relação ao sexo, quando da escolha da atriz para o papel de Janeway, por parte de Berman, Piller e Jeri Taylor). De fato, Berman, muita impressionado pela atuação de Siddig El Fadil no filme “A Dangerous Man: Lawrence After Arabia”, o chamou para um teste. Mas, sem a barba que ele usou no filme, Berman percebeu que ele era muito jovem para o papel. Daí Siddig acabou como Bashir.

Phil Morris (bem conhecido por uma infinidade de papéis em Jornada nas Estrelas e particularmente visível aos brasileiros pelo seu papel de especialista em eletrônica na última versão televisiva de “Mission: Impossible”, na mesma função que o seu pai, o falecido Greg Morris, ocupou na versão original daquela série) e Carl Weathers (bem conhecido dos brasileiros pelo seu papel de Apollo Creed na série de filmes “Rocky”, com Silvester Stallone) também leram o papel.

Existem certos boatos (que eu nunca consegui confirmar) que dois outros favoritos de Berman também leram o papel: Tony Todd (que na época já havia feito o irmão de Worf, Kurn, na Nova Geração) e Tim Russ (que depois ganharia o papel de Tuvok em Voyager).

Existe um outro rumor de que certos executivos da Paramount não se importariam se “este protagonista negro” fosse interpretado por James Earl Jones. O nome de Jones também veio à tona como um possível substituto para Patrick Stewart, se Picard não “pudesse” se libertar do domínio da coletividade Borg, como mostrado em “The Best of Both Worlds”.

Avery acabou com o papel de Sisko, mas como comandante, com cabelo, sem barba e com atuações extremamente contidas. Aparentemente foi decidido (essencialmente pelo estúdio) que ele seria um “comandante”, não um “capitão” (exatamente “por que” vai ser sempre um mistério). Ele não poderia ficar careca, pois aí iria parecer com Picard, e também não poderia ficar careca com cavanhaque (visual do seu conhecido personagem “Hawk” e visual natural do ator), pois era um visual “muito ameaçador”, segundo o estúdio. A Paramount também estipulou que Brooks teria que conter bastante os seus “maneirismos”.

Coincidência ou não, logo no primeiro episódio sem o nome de Michael Piller nos créditos como produtor-executivo (ele passou a ser consultor da série, deixando Ira Steve Behr como responsável direto pelo programa), “Explorers” (da terceira temporada), Sisko já usava uma barba (postiça). Ao final daquela temporada (em “The Adversary”), Sisko era promovido a capitão e no primeiro episódio da quarta temporada (“The Way of the Warrior”) lá estava ele, careca e de cavanhaque, “espanando cenário” sempre que a situação exigia, daí até o fim da série.

No hiato entre a primeira e a segunda temporada, houve um boato forte que de fato o estúdio queria Brooks fora da série (eles trariam então um “capitão de verdade” para substituir o “comandante Sisko”). Esse boato foi tão forte que acabou sendo tratado em uma polêmica entrevista concedida por Berman a Michael Logan, jornalista da revista “TV Guide”. Logan tentou de todo jeito “encurralar” Berman, mas o produtor conseguiu se esquivar.

E mais: o estúdio teve também algumas restrições com a escolha de René Auberjonois para o papel de Odo. Eles achavam o ator muito velho e que o personagem acabaria ficando muito parecido com o personagem do ator na série “Benson”, Clayton Endicott III. Tais dúvidas se dissiparam rapidamente.

Mais algumas verdades sobre Brooks:

 Brooks inicialmente teve a preocupação de colocar Sisko de uma forma distante dos seus comandados, como oficiais comandantes da “vida real” fazem. Uma atitude bem profissional, que ele sempre fez questão de manter e defender.

 Brooks nunca se considerou a “estrela do espetáculo”, sempre defendendo boas histórias para os outros atores e desenvolvimento de todos os personagens, inclusive os recorrentes, como Garak.

 Brooks sempre defendeu os atores que procuravam trabalho fora da série. Freqüentemente “botava o dele na reta” por esse motivo (várias vezes por Colm Meaney), chegando a se indispor com Berman por causa disto. Esse tipo de atitude de Brooks foi diretamente responsável pela permanência de Meaney na série.

Qual é a verdade sobre a “morte” de Sisko?

Existe uma enorme discussão dentro do fandom de Jornada sobre quem (dentre os produtores da série) queria “matar” ou “não matar” Sisko ao final da série e quais seriam os “motivos ocultos” de cada parte envolvida. Eu não vejo motivo para tanto alvoroço e nem base para isso.

Que Sisko ia “transcender” ao final de “What You Leave Behind”(último episódio da série), eu já sabia desde o piloto (“Emissary”), pois é isso que os “Emissários” (e equivalentes) fazem, ao final de suas histórias. Brooks é que tinha um certo problema com o fato de Sisko deixar a sua segunda esposa (Kassidy Yates) esperando o segundo filho dele, um óbvio estereótipo racial para a comunidade negra. Com uma pequena mudança de diálogo (que, com a ajuda do conceito de “não-linearidade” da existência dos Profetas, garantia o retorno de Sisko), isso foi resolvido para a satisfação de todos.

Se Sisko não conseguisse se desapegar da sua existência corpórea, ele não iria conhecer “nada além de mágoa” em sua nova vida com os Profetas, outro elemento recorrente em grandes épicos. Quando Sisko se despede de Kassidy, ele está muito mais distante, como se de fato a própria natureza de sua existência tivesse mudado.

O fato de Sisko não dizer adeus ao seu filho, pode ser racionalizado como uma preocupação por parte do capitão em não dar início a alguma espécie de obsessão em Jake, como sugerido em “The Visitor”. Para falar a verdade, existem vários “ecos” de “The Visitor” em “What You Leave Behind”.

O fato de a Fenda Espacial se abrir, na cena final de “What You Leave Behind”, sem a passagem de nenhuma nave, também é um belo toque.

(Antes de responder às duas próximas questões, devo lembrar que todas as decisões executivas de uma série de TV visam sempre melhorar a sua audiência. A principal preocupação é: não trocar qualidade por audiência fácil e respeitar o seu público.)

Por que foi introduzida a Defiant (no primeiro episódio da terceira temporada, “The Search, Part I”)?

Esse artigo sobre a Defiant toma o grosso desta questão. Só gostaria de acrescentar o seguinte:

 A Defiant não foi introduzida para termos episódios do estilo “tradicional” de Jornada, ela foi trazida para a série para que tais episódios (que já estavam sendo feitos de qualquer forma) como “Shadowplay” (da segunda temporada) pudessem ser feitos de uma forma mais consistente. A idéia da introdução da Defiant data de meados da segunda temporada.

 A nave tem uma história pregressa muito interessante (que serve para enriquecer o personagem de Sisko, que se apresenta como um brilhante engenheiro, o primeiro capitão em tela a projetar e ajudar na construção da própria nave) e acaba sendo introduzida no momento certo, logo após a destruição da Odyssey, o que clamava por uma manobra mais radical por parte do Comando da Frota Estelar.

 Como muita coisa em DS9, a Defiant é muito diferente de tudo que foi visto em Jornada antes (não tem naceles e possui um dispositivo de camuflagem, além dos seus interiores lembrarem os de um submarino) e presta algum tipo de homenagem à Série Clássica (a placa de identificação da Defiant traz a famosa fala de Kirk, “Tudo que eu peço é uma grande nave e uma estrela para me guiar”).

 Ira Steven Behr ficou furioso porque no filme “Primeiro Contato” a Defiant (que foi projetada para lutar contra os Borgs) aparece toda avariada em tela. A fala de Will Riker sobre a “navezinha valente” foi idéia de Behr.

 A Guerra Dominion como conceito já existia (na cabeça dos produtores) desde pelo menos o episódio duplo “Improbable Cause/The Die is Cast”, da terceira temporada. Se não fosse pela entrada de Worf e a crise com os Klingons, a guerra provavelmente teria sido iniciada antes do que foi (no último episódio da quinta temporada, “Call to Arms”).

Por que Worf se juntou ao elenco da DS9 (no primeiro episódio da quarta temporada, “The Way of the Warrior”)? 

Os executivos da Paramount pediram, em uma reunião com os produtores de DS9 antes do início da quarta temporada, por um elemento que viesse a trazer fãs antigos para a série (mas eles não disseram absolutamente nada sobre qual elemento seria este –que é a postura-padrão dos executivos do estúdio nessas reuniões). A Paramount iria vender os direitos das reprises em syndication (cinco vezes por semana) ao final da quarta temporada e queria “reenergizar” a série para conseguir um melhor preço no mercado.

Ira Behr foi para casa para tentar racionalizar o pedido em algo que fosse possível e criativamente interessante e consistente com a série até então. Ele então se lembrou de uma fala de um Fundador (posando como um comandante Romulano), no episódio “The Die is Cast”, da terceira temporada, que dizia que, após aquele momento, as únicas forças que poderiam fazer frente ao Dominion no quadrante Alfa eram a Federação e o Império Klingon, e mesmo essas duas forças não o seriam por muito tempo. Ira achou que deveria dar prosseguimento a essa ameaça. Ronald D. Moore gostou da idéia e sugeriu o nome de Worf. Behr foi meio cético no início, mas acabou gostando da idéia. Berman ficou contente com a idéia, e os executivos também, tanto que autorizaram um orçamento extra, dando ares de um virtual segundo piloto para o episódio duplo “The Way of the Warrior”.

 Alguns especularam que DS9 iria se transformar na “série do comandante Worf”, o que nem de longe aconteceu.

 Alguns especularam que DS9 se transformaria em uma série de ação descerebrada (o que “The Way of the Warrior” não é de forma alguma, para começo de conversa). A exibição logo em seguida de “The Visitor” calou imediatamente tal preocupação.

 Toda a verdade sobre os acontecimentos de “The Way of the Warrior” só viria a tona no primeiro episódio da quinta temporada, “Apocalypse Rising”.

Existe um real problema entre Berman e Ira Steven Behr?

Berman ajudou a criar a série e foi sempre o responsável pelo programa perante a Paramount (o homem sempre teve a última palavra), fazendo uma ponte entre o estúdio e a equipe de produtores-roteiristas. Mas de forma alguma a série é a sua visão. Berman sempre esteve envolvido em todo o processo, mas usualmente no contexto de uma pessoa que discute opções postas a mesa e não de quem as propõe.

A partir da quarta temporada de DS9, com a confirmação das vendas das reprises em syndication, os executivos da Paramount (satisfeitos) começaram a “dar um refresco” a Berman, que aproveitou para deixar Behr mais à vontade com DS9 e começou a se concentrar em Voyager (devido à crescente pressão por parte da rede UPN). Daí que Berman começou a se aproximar de Voyager e se afastar de DS9. Uma contingência estritamente comercial, mas que foi benéfica, criativamente falando, para DS9.

Em se aproximando de Voyager, Berman acabou se aproximando cada vez mais de um ambicioso Brannon Braga, que viu aí a sua chance de fazer definitivamente o seu nome no franchise e criar uma série, a quinta da marca, agora conhecida como Enterprise.

DS9 (no melhor e no pior) é a visão de Ira Steven Behr. Ira sempre fez a consciente decisão de produzir uma ótima série para um reduzido número de pessoas em vez de produzir uma “boa série” para um grande público. Ele teve bastante liberdade do estúdio para fazer o que ele fez. Obviamente ele precisou ter “muito jogo de cintura” em certas ocasiões, especialmente para serializar a série, algo que o estúdio sempre se mostrou contra (por que normalmente as reprises em syndication são exibidas fora de ordem).

E mais: Braga (após a sexta temporada de A Nova Geração) teve uma oferta para a segunda temporada de DS9, que ele recusou (graças a Deus!). Por outro lado, René Echevarria (após o final de A Nova Geração) quase foi parar em Voyager em sua primeira temporada, por lealdade a Jeri Taylor. Felizmente Piller o convenceu a ir para DS9 em sua terceira temporada.

Por que a equipe de produtores e roteiristas da série saiu do franchise após a conclusão da série?

Após a saída de Piller os roteiristas começaram a se afastar cada vez mais de Berman (ou vice-versa) e, daí, de uma chance em novos projetos de Jornada. Simples assim. Acredito que tenha sido melhor para todos eles, como a conturbada passagem de Ronald D. Moore pela produção de Voyager, no começo da sexta temporada da série, veio a demonstrar.

Existe um real problema entre Berman e o elenco de DS9?

Este é um boato que retorna de tempos em tempos. Parece existir de fato alguma espécie de mal-estar ou de ressentimento de alguns dos atores com relação a Berman. Mas os reais motivos dessa problemática nunca vieram à tona e “quando vieram” pareciam mais coisas saídas de algum livro sobre “conspirações secretas”.

Um dos meus boatos favoritos sobre o assunto é de que o episódio “Far Beyond the Stars” (da sexta temporada da série) aproveita em sua história informações dos bastidores da produção da série. Isso é só especulação, mas será que tem algum fundo de verdade? Dificilmente iremos saber.

Como é o relacionamento entre os produtores-roteiristas da série?

Ira Behr deu o primeiro emprego profissional como roteirista a Hans Beimler (que se juntou a DS9 na quarta temporada), na série “Fame”, e a Robert Hewitt Wolfe, na primeira temporada de DS9. Behr se tornou uma espécie de mentor de ambos e foi parceiro de escrita de Wolfe nas primeiras cinco temporadas e de Beimler nas duas últimas de DS9.

Behr também deu a sua opinião positiva quando Ronald D. Moore foi contratado na terceira temporada da Nova Geração e tentou contratar René Echevarria também, na mesma época (o que não aconteceu, pois Echevarria permaneceu como free-lancer até a quinta temporada). Cabe lembrar que Behr só participou da Nova Geraçãoem sua terceira temporada e deixou a série alegando que “esta não é a série pra mim” e foi a primeira pessoa lembrada por Michael Piller quando o conceito de DS9 começou a tomar forma.

Nunca houve nenhum problema grave entre os roteiristas da série. Peter Allan Fields e James Crocker deixaram a série ao final da segunda temporada sem nenhum atrito, sendo que o primeiro chegou a escrever episódios como free-lancer em temporadas posteriores da série. Michael Piller deixou a série nas mãos de Behr ao final da terceira temporada, também de uma forma bastante natural (como criador da série ele se tornou consultor criativo de DS9). Robert Hewitt Wolfe deixou a série amigavelmente ao final da quinta temporada e continuou a assistir, chegando a escrever mais um episódio como free-lancer.

René, Ron, Ira, Hans e Robert se mantêm em contato constantemente e realmente gostam da companhia um do outro. Isso era mostrado na tela, nos episódios de DS9.

Como é o relacionamento entre os atores da série?

A maioria dos atores de DS9 tem uma postura profissional extremamente séria e concentrada, dando um ar muito mais sério aos dias de filmagem em DS9 do que aquele das outras séries de Jornada. O que algumas pessoas confundem (erradamente) com uma atmosfera ruim de trabalho.

Os relacionamentos mais fortes entre os atores são similares aos relacionamentos mais fortes entre os personagens. Brooks praticamente adotou Lofton e foi uma espécie de mentor para Farrell. Auberjonois e Shimerman são grandes amigos, idem para El Fadil e Meaney e a “inseparável família Ferengi”: Shimerman, Grodénchik, Eisenberg, Masterson e mesmo Lolita Fatjo (a responsável pela pré-produção da série e namorada de Grodénchik). Isso sem falar na amizade entre Visitor e El Fadil, que acabou até em casamento, e em outras amizades perenes.

É verdade que os atores de DS9 e da Nova Geração não se davam bem?

Eu ouvi falar que o ator que interpreta o Worf em A Nova Geraçãonão suporta o ator que faz o Worf em DS9. Em outras palavras: NÃO! Simplesmente uma fofoca maldosa.

A lenda que relata o fato que alguns conceitos empregados em DS9 consistiram de “apropriação indébita” de algumas idéias e conceitos do J.M. Straczynski (que havia oferecido “Babylon 5” à Paramount algum tempo antes da estréia do show) procede ou é puro folclore?

Eu vou guardar toda esta discussão DS9 versus “B5” para um artigo especial em 2002. Quero adiantar que sou fã das duas séries e elas fazem muita falta no mundo SCIFI televisivo. As duas séries são bastante diferentes.

Só vou fazer uma correção sobre uma coisa que foi postada no Fórum do TB recentemente. O piloto de “B5” (“The Gathering”) estreou em 22 de fevereiro de 1993, o de DS9 (“Emissary”) em 4 de janeiro de 1993 (mais de 45 dias antes). O primeiro episódio regular de “B5” (“Midnight on the Firing Line”) estreou em 26 de janeiro de 1994, já no curso da metade da segunda temporada de DS9.

DS9 foi a única série de Jornada que nunca ficou uma temporada sequer sozinha no ar, ou seja, sem a interferência de suas irmãs. Isso foi um fator decisivo na audiência?

Não sei se foi um fator decisivo, mas sem dúvida afetou a popularização da série. Ela ficou meio que espremida entre A Nova Geração e Voyager, como uma espécie de “filha-do-meio” do franchise. Isso também afetou o número de prêmios e indicações recebidos pela série.

Houve algum ator de A Nova Geração além de Michael Dorn cogitado para atuar de forma regular na série?
Tivemos um grande número de especulações, mas nada de concreto.

No final da série, em 1999, havia aquele sentimento de que se havia feito uma obra hermética, sem qualquer perspectiva de continuação sob a forma de telefilmes ou no cinema?
A série acabou com um pensamento uniforme por parte de todos os envolvidos de que, a menos dos livros, aquele era o final da história de Terok Nor. Em uma nota pessoal, eu espero que assim seja para sempre.

Terry Farrell saiu da série ao final da sexta temporada por quê? Questão salarial, desavenças com o resto do elenco ou vontade de ter novos desafios na carreira de atriz?
Quando Worf foi trazido a bordo, foi natural utilizar o passado de Dax com os Klingons e construir um relacionamento entre os dois. Farrell sempre viu isso com bons olhos e o tal relacionamento levou ao casamento dos personagens (em “You are Cordially Invited”, da sexta temporada).

Porém um efeito colateral é que Jadzia acabou se tornando cada vez mais uma companheira de aventura para Worf do que uma personagem por si. Não me entendam mal, ela teve bastante tempo de tela, mesmo após a entrada de Worf, só que o último episódio realmente orientado a personagem (ou melhor, ao lado Trill da personagem) foi “Rejoined”, da quarta temporada. Isso era uma coisa que incomodava Farrell.


Após seis temporadas, os contratos dos atores chegaram ao fim e uma renovação era necessária para a sétima e última temporada da série. Farrell não chegou a um acordo e foi a única a deixar o programa. Daí, ela ajudou a formar o elenco de apoio da popular série “Becker”, essencialmente um projeto “solo” de Ted Danson. Recentemente, Farrell e o resto do elenco de apoio fizeram uma “greve branca” para forçar uma renovação de salários mais vantajosa (curiosamente a série “Becker” também é produzida pela Paramount). Sua ida para “Becker” não teve um grande impacto em sua carreira cinematográfica (na época de sua saída de DS9, se especulava que ela poderia fazer o papel da Mulher Maravilha no cinema –um boato que nunca se tornou realidade).

Os produtores usaram a voz de Farrell (falas antigas de Jadzia) no episódio “Penumbra”, algo que a Paramount não acordou com a atriz, deixando-a bastante zangada. Por isso não temos nenhuma cena com Jadzia na montagem final da série em “What You Leave Behind”. Cabe esclarecer que esse problema foi entre Farrell e os executivos da Paramount, que deram luz verde para os produtores usarem tais falas. Farrell esteve na festa de encerramento de DS9, muito contente e falando muito bem da série.

Em uma nota pessoal, eu concordo com Michael Piller que Jadzia deveria ter morrido antes do que morreu: o personagem simplesmente chegou a um beco sem saída, além de ter sido o mais problemático personagem no começo da série.

DS9 é a melhor série da história do franchise?

Esta foi uma noção que começou a nascer após o final da quarta temporada da série, tanto na crítica especializada (SCIFI) quando na crítica leiga (não-SCIFI). Quando do encerramento da série, revistas como “Starlog”, “Cinefantastique” e a “TV Guide” (a “bíblia” da TV americana) elegiam DS9 como a melhor do franchise, chamando a atenção para isso nas capas de suas edições comemorativas. Eu me recordo de ler uns 30 artigos sobre o encerramento da série e mais da metade saudava DS9 como a “melhor Jornada de todas”. Foi o próprio Michael Logan que cunhou a famosa frase: “quando olhamos pra trás vislumbramos a mais bem atuada, escrita, produzida e sobre qualquer possível ponto de vista a melhor de todas as Jornadas“.

A única dúvida que eu sempre guardei sobre estas declarações é se a opinião posicionava a Série Clássica como “hours concurs” ou a colocava como passível de eleição também. Acho que a segunda opção era o caso na maioria das vezes.