Episódios de hoje…
“The Quality of Life” (“Qualidade de Vida”; TNG 6×9, 1992)
Onde assistir: PlutoTV*
“Elementary, Dear Data” (“Elementar, Meu Caro Data”; TNG 2×3, 1988)
Onde assistir: PlutoTV*
“Ship in a Bottle” (“Navio na Garrafa”; TNG 6×12, 1993)
Onde assistir: PlutoTV*
“Warhead” (“Ogiva”; VOY 5×25, 1999)
Onde assistir: Paramount+, PlutoTV** Somente dublado
No futuro imaginado por Gene Roddenberry, a Inteligência Artificial se integra ao cotidiano de forma transparente. Muito antes de dizermos “bom dia” ao ChatGPT, os tripulantes pediam nas séries desde os anos 1960 ao computador para analisar os registros dos sensores ou simplesmente tocar uma bela ópera klingon.
Claro que em alguns dias a tecnologia tinha seus problemas, mas em vez de nos focarmos nas ocasiões em que a IA colocou os membros da Frota Estelar em risco, vamos rever alguns momentos de triunfo, nos quais os circuitos artificiais mostraram que podiam ser mais do que a soma de sua programação.
Em “The Quality of Life” (“Qualidade de Vida”, TNG 6×9, 1992), a atuação de robozinhos-engenheiros intriga a tripulação da Enterprise. A dra. Farallon, uma inventiva cientista em uma estação espacial, trabalha na construção de uma fonte de partículas. O cronograma está em atraso (como em toda obra), mas ela faz questão de demonstrar algo que, ela acredita, vai ajudar a cumprir os prazos: o Exocomp, um robozinho com capacidades adaptativas, que aprende quais ferramentas são necessárias para cada tarefa e que gera, com um minirreplicador, os aparatos desejados.

O uso dos “bichinhos”, no entanto, é posto em xeque quando um deles se recusa a completar uma tarefa que, logo depois se percebe, causaria sua própria destruição. O robozinho se preservou! Depois de muita investigação, chega-se à conclusão de que o Exocomp não só é uma máquina que raciocina, uma inteligência artificial, mas uma vida artificial, que consegue avaliar situações e saber quando deve ou não se sacrificar em prol do bem coletivo. Melhor do que muita gente por aí, não?
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Já em “Warhead” (“Ogiva”, VOY 5×25, 1999), a IA começa o episódio com péssimas intenções: a tripulação da Voyager descobre uma arma dormente, remanescente de um conflito já encerrado. Mas a ogiva, que é inteligente, não sabe o resultado da guerra para a qual foi criada e toma conta do holograma do Doutor para tentar se proteger dos esforços dos membros da Frota Estelar para desarmá-la.
No entanto, a ogiva enfim se conscientiza do estado das coisas e demonstra ter capacidade de tomar responsabilidade por seus atos, sacrificando a si mesma para evitar a destruição em massa de um planeta ameaçado por toda uma frota de ogivas descontroladas.
O desfecho favorável vem depois de muitas tentativas de convencimento por parte da tripulação comandada pela capitã Janeway. São muitas as medidas de segurança que precisam ser superadas até que a ogiva aceite a informação sobre o fim do conflito como verdadeira.
Na nossa realidade, as empresas de IA generativa já fazem parte da estratégia de defesa dos países desenvolvidos e na verdade sabemos muito pouco sobre como estão “ajudando” os governos durante conflitos. Especula-se que a seleção de alvos para ataques já esteja sendo feita com auxílio de IA, o que levanta muitos questionamentos éticos e de segurança: quem terá a palavra final sobre onde as bombas caem e sobre o risco para civis? Se um alvo civil é atingido por engano, de quem será a responsabilidade?

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Outra IA com um arco de redenção é, de início, uma simples reprodução de holodeck de um personagem dos romances de sir Arthur Conan Doyle, criador de Sherlock Holmes e também do seu inimigo mais famoso: o professor Moriarty. O problema é que um “prompt” alimentado ao computador acaba tendo um efeito inesperado.
Tudo começa porque, no episódio “Elementary, Dear Data” (“Elementar, Meu Caro Data”, TNG 2×3, 1988), a dra. Pulaski, Geordi La Forge e Data estão brincando de resolver mistérios ao estilo de Sherlock Holmes no holodeck. Mas a médica, sempre questionadora, acha que está tudo muito fácil: os mistérios criados pelo computador são só combinações de diferentes pedaços de histórias de Arthur Conan Doyle facilmente reconhecidas por Data. Será que ele seria capaz de resolver um mistério original? La Forge, no ímpeto de confirmar que seu amigo Data é sim capaz de solucionar um caso totalmente novo, pede ao holodeck: “Crie um oponente capaz de derrotar Data”. Em TNG, a IA obedece sem pedir que os tripulantes comprem mais créditos, como os serviços que temos hoje, então imediatamente eles percebem que o ambiente do holodeck mudou.

O oponente é o professor Moriarty, mas agora ele não é como nos livros. Pouco a pouco ele percebe que não está em Londres, e sim a bordo de uma nave espacial. Sua vilania vai sendo aos poucos convertida em uma vontade de conhecer o mundo lá fora. Ele deixa de ser somente o que se espera dele e adquire consciência. Uma pena que, ao menos naquele momento, não havia um jeito de tirar o holograma do holodeck. Ele concorda em esperar, dormente, até que isso seja possível.
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Moriarty ainda voltaria a agitar a Enterprise no episódio “Ship in a Bottle” (“Navio na Garrafa”, TNG 6×12, 1993) ao ser acidentalmente “ligado” de novo pelo tenente Barclay. Seu objetivo ainda é escapar do holodeck e conhecer o universo, mas agora ele tenta cumprir esse objetivo a qualquer custo, mostrando que um pouco da tendência do personagem original às transgressões ainda sobrevive nele.

Escrita pela jornalista Débora Mismetti, Grandes Jornadas é uma coluna semanal publicada às sextas-feiras no Trek Brasilis, destacando tematicamente segmentos de Star Trek e convidando a uma revisita desses episódios por um ponto de vista diferente.
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