Final de temporada emocionante e brilhante
Sinopse
Data estelar: Desconhecida
Após algum debate entre a tripulação, os prodígios chegam a um plano para destruir a Protostar, e dessa forma destruir a arma que está aniquilando todas as naves federadas. Rok-Tahk calcula que se detonarem o proto-núcleo no mesmo momento que a nave entrar em proto-dobra, os efeitos da explosão seriam distribuídos igualmente no espaço ao longo da trajetória do salto. Como isso teria que ser ativado manualmente, Janeway holograma se voluntaria, e garante que irá fazer uma cópia do seu programa, assim eles podem levá-la com eles.
Dada a rapidez necessária, eles replicam um veículo de escape o mais rudimentar possível. Nesse meio tempo, a Janeway holograma descobre que o seu programa cresceu de tal forma que não cabe mais em um chip. Ela esconde isso de todos e entrega um chip com uma gravação de despedida.
O plano se dá conforme planejado, mas quando os prodígios ativam o chip da Janeway descobrem somente a sua mensagem. Todos ficam extremamente arrasado de perderem Janeway. As naves federadas conseguem retomar o controle dos seus sistemas, mas não há nenhum sinal do veiculo de escape da Protostar.
Um mês depois, a vice-almirante Janeway está no quartel general da Frota, argumentando querer comandar a nave que possivelmente entrará no buraco de minhoca que se formou com a explosão da Protostar. Através dele foi possível receber uma mensagem de Chakotay, 52 anos no futuro. Nesse meio tempo, finalmente Dal e cia conseguem chegar na Terra.
Um tribunal decide o futuro da tripulação da Protostar. Eles são acusados de roubar uma nave federada e personificar oficiais. Janeway age pessoalmente como advogada e apaixonadamente defende a entrada deles na Academia da Frota.
No fim, o tribunal retira todas as queixas contra os prodígios, e apesar de não permitir que eles pulem etapas, eles começam a ser treinados para poderem entrar na Academia. Apenas Gwyn decide partir para Solum para tentar unificar os Vau N’Akat e evitar a guerra civil.
Zero recebe um novo traje e Rok começa a estudar xenobiologia. Gwyn e Dal se despedem e acabam se beijando antes da partida. Os prodígios são apresentados a nova classe Protostar, mas Janeway diz que tem planos maiores para eles.
Comentários
Emoção.
Em uma única palavra podemos definir o episódio que encerra a eletrizante temporada de Star Trek Prodigy. Embora uma única palavra não seja suficiente para expressar o alcance da segunda parte de “Supernova”, ela certamente está no centro de qualquer avaliação possível desse segmento.
Ainda que a primeira parte também tenha entregue doses altas de sentimento seu foco por questões estruturais esteve mais alinhado com questões de trama e setup para o Grand finale, aqui os níveis de ocitocina saltam além da escala e é impossível não reconhecer o sucesso do segmento em fechar com chave de ouro essa auspiciosa temporada.
De forma gradual e orgânica os episódios anteriores foram trabalhando os mistérios e resolvendo pontualmente as arestas necessárias de forma que chegamos aqui com a questão envolvendo a construção viva com absoluto destaque. Com a frota em colapso, incapaz de salvar a mesmo e a beira da destruição o clímax que foi entregue é impactante e sombrio. A partir dai cabe aos outrora fugitivos assumir o protagonismo conforme suas habilidades, ou como diria Spock “Como todos os seres vivos, cada um de acordo com seus dons.”
Nesse ponto a destruição da Protostar pareceria até uma decisão obvia, dado o contexto imediato da situação. Obviamente a solução não poderia ser até assim tão simples, e não somente pelas dificuldades técnicas apresentadas em uma sutilmente disfarçada star trek reunion, com temperos de technobabble, algo que os roteiristas de Prodigy conseguem criar e inserir nos episódios de forma tão orgânica que precisamos de doses leves e homeopáticas de suspensão de descrença para abraçar totalmente o que é dito aqui.
E aqui o segmento começa a crescer no que ele entrega de melhor: alma. Frente ao seu no-win scenario Dal abraça de forma inequívoca seu papel ao decidir o que fazer e ao se oferecer ao sacrifício e ao fazer isso, percebemos que parte importante da sua caminhada que começa como um fugitivo egoísta em Tars Lamora finalmente se completa, ao entender a necessidade do sacrifício e se colocar de frente para ele.
O mesmo acontece com o holograma Janeway, que ao se oferecer em sacrifício para salvar a todos pode estar apenas cumprindo sua programação, ou excedendo ela de forma inequívoca, demonstrando empatia e capacidade de sacrifico pelos outros. Não seria exagero dizer que aqui o holograma deixa de sê-lo e passa a postular uma posição como ser senciente. Esse certamente é um tema que os experts em tecnologia da Federação gostariam de debater por anos talvez, mas sem chegar a conclusão alguma, com certeza.
Mas filosofia e meta física e parte, sem duvida essa é uma personagem que conquistou seu lugar no coração dos fãs. Conquista para deixar qualquer EMH Mark I orgulhoso. Uma observação técnica é que diferente de Voyager, onde a complexidade do Doutor cresceu de forma absurda quase sem muita preocupação a respeito, aqui a impossibilidade de salvar um programa tão complexo de forma tão simples é tratada de forma mais verossímil e usada a favor da dramaticidade da história.
Momentos belíssimos são oferecidos pela direção de arte e que são fundamentais para que o segmento alcance seu sucesso e poderiam por si só contar sua própria história. O segmento começa com uma cena sombria de destroços em tons de cinza e termina com uma bela cena com a nave de Gwyn deixando a Terra.
Mas entre esses dois momentos existem vários momentos sublimes. O momento em que elas deixam a ponte da nave “depois todo amor colocado por eles ali” como diz Jakon, nosso miracle worker que deixaria Montgomery Scott orgulhoso, realmente não parece certo, pois a Protostar, como manda a cartilha de toda boa edição da franquia, se tornou também um personagem querido, não só para eles, mas para o público.
A seguir o momento em que os meninos entram em sua nave de fuga improvisada, com ela deixando o hangar de forma turbulenta e descontrolada, mas ao mesmo tempo delicada, deixando para traz a visão da nave que seguiria para a sua destruição. Janeway assumindo seu lugar de forma digna na cadeira tendo o espaço infinito a sua frente, seguindo para a eternidade e salvando a todos no ultimo e derradeiro momento.
E a chegada dos meninos a Terra, ao lado da imagem que já se tornou icônica para todo fã de Jornada Nas Estrelas, a Ponte Golden Gate, é uma imagem que aquece qualquer coração trekker.
É importante sempre reforçar o quanto Prodigy aproveita o fato de ser uma animação para investir em sofisticação visual, e aqui mais uma vez essa característica é reforçada e contribui de forma decisiva para o sucesso do segmento. Temos “externas” da nave inspiradissimas e raras em live action devido às limitações orçamentárias e tecnológicas.
O último salto da USS Protostar é de uma execução primorosa e uma das cenas mais belas da franquia, além de preparar um importante elemento da próxima temporada e a já mencionada chegada dos prodígios a Terra conta com uma sutil simulação de movimente de câmera fazendo parecer uma tremulação na imagem de salvamento absolutamente normal se essa cena fosse gravada em live action, mas que aqui exige conhecimento e criatividade para reproduzir esse efeito.
Outro fator importantíssimo que se tornou um mantra nas analises de Prodigy é reconhecer e destacar o aspecto fundamental da música de Nami Melumad para o sucesso desse episódio. Nami já se relevou talentosíssima e com uma capacidade de criar molduras musicais espetaculares e aqui mais uma vez ele nos brinda com uma trilha perfeita, que começa sombria, migra para aventura, flerta com a melancolia e termina com a celebração e esperança.
Ainda assim é preciso destacar o momento em que os jovens deixam a protostar e na sequência onde a nave segue seu ocaso, onde a maravilhosa música de Nami se funde perfeitamente a edição de som do segmento criando uma massa critica emocional capaz de aquecer uma estrela. Convido a todos que revejam o segmento com foco em sua música. Garanto que será uma experiência enriquecedora.
E também obrigatório destacar como o roteiro conseguiu inserir de forma brilhante uma personagem poderosa como a almirante Janeway, ao mesmo tempo em que lidávamos com o holograma oriundo do mesmo personagem, e sem jamais retirar com isso o protagonismo dos personagens da Protostar.
Essa combinação é tão perfeita que o monólogo do holograma na mensagem deixada para seus pupilos se une e se completa com discurso da almirante frente a uma burocrática bancada de oficiais empertigados, que do alto de sua autoridade se acham os guardiães dos princípios da Federação.
Na fala de Janeway encontramos não só a defesa de Dal R’El, Gwyn, Rok-Tahk, Jankom Pog, Zero e Murf, mas uma ode aos elementos que fizeram a franquia se tornar um sucesso pode décadas e que Fizerem de Jornada nas Estrelas uma inspiração para muitos. Entre tantas mensagens poderosas, talvez a mais poderosa seja a que nos impele a abraçar as “infinitas diversidades em suas infinitas combinações”.
Esse é um daqueles episódios para ser sentido, e ao qual dificilmente é possível chegar ao seu final sem se emocionar. “Supernova, Parte 2” resolve alguns mistérios e nos apresenta outros e sem dúvida nos deixa ansiosos por saber qual será o destino dos meninos agora sob a supervisão da almirante, como será a chegada de Gwyn ao seu planeta e o reencontro com seu pai, o que aconteceu com a tripulação original da Protostar e com Chokotay e que surpresas Asencia ainda reserva, mas o segmento encerra de forma brilhante uma excelente temporada.
Avaliação




Citações
“Ack! All this time, all this love we put into it, and we’re just going to blow it up? I, uh, it just doesn’t feel right.”
“Think of it as letting a young star become what it’s meant to be.”
(Ah! Todo esse tempo, todo o amor que colocamos nela, e nós vamos explodí-la? Eu, uh, isso não parece certo.)
(Pense nisso como sendo deixar uma jovem estrela se tornar aquilo que ela deveria ser.)
Jankom Pog e Rok-Tahk
“I bet right now Jankom is wondering why I’m not a hologram and just a prerecorded message. I imagine you have questions. I’m sorry, but I lied to you. There was no way for me to leave. Over the course of my time with you, I’ve grown. Literally — my program has become too large, too rich, and complex for some tiny, little chip. It just wasn’t possible to remove me from the computers in time. And knowing how stubborn you all are, especially you, Jankom, I did what I had to, so that you could fulfil your potential. I’m truly proud to have seen how far you’ve all come. My only regret is not being there when you arrive at the steps of Starfleet Academy. You may think you need me to get there, but after seeing everything you’ve accomplished, I have full confidence you’ll find your way. Because together, your potential is infinite. Now, go boldly.”
(Eu aposto que nesse momento Jankom está se perguntando porque eu não sou um holograma e apenas uma mensagem pré-gravada. Eu imagino que vocês tenham perguntas. Eu sinto muito, mas eu menti para vocês. Não tinha jeito para eu escapar. Ao longo do meu tempo com vocês eu cresci. Literalmente — meu programa se tornou muito grande, muito rico, e complexo para um minúsculo, pequeno chip. Não seria possível me remover do computador a tempo. E sabendo como vocês todos são teimosos, especialmente você, Jankom, eu fiz o que tinha que fazer, para que você pudesse satisfazer seu potencial. Eu estou realmente orgulhosa de ter visto o quão longe vocês chegaram. Meu único arrependimento é não estar lá quando vocês chegarem nas escadarias da Academia da Frota. Vocês podem achar que precisam de mim para chegar lá, mas depois de ver tudo o que vocês realizaram, eu tenho plena confiança que vocês acharão seus caminhos. Porque juntos, seus potenciais são infinitos. Agora, vão audaciosamente.)
Janway holograma em sua última mensagem
Trivia
- A mensagem enviada pelo Chakotay estabelece que a tripulação original da Protostar foi para um futuro alternativo em Solum, 52 anos para frente, os colocando em 2436.
- Na mesma sala que a Rok-Tahk na Academia da Frota temos um aluno da raça enderpriziana, vista anteriormente no episódio “All the World’s a Stage”.
- No episódio não é dada nenhuma data estelar, mas nos diários de bordo da almirante Janeway, vistos no Instagram Star Trek Logs, a data apresentada é 61408.8.
- Antes de aparecer nesse episódio, Erin MacDonald apareceu no episódio de Lower Decks, “First First Contact”. Erin MacDonald é uma astrofísica e consultora de ciências desde 2019 para Jornada nas Estrelas.
- Uma semana antes da sua estréia, a Paramount+ no Brasil acabou acidentalmente disponibilizando “Supernova, Parte 2” para o público, e o episódio ficou disponível por várias horas antes de ser removido. Isto fez com que durante uma manhã inteira, o Brasil fosse o país no mundo com mais episódios de Star Trek exibidos na história.
Ficha Técnica
Escrito por Kevin & Dan Hageman
Dirigido por Ben Hibon
Exibido em 29 de dezembro de 2022
Título em português: “Supernova, Parte 2”
Elenco
Brett Gray como Dal
Ella Purnell como Gwyn
Jason Mantzoukas como Jankom Pog
Angus Imrie como Zero
Rylee Alazraqui como Rok-Tahk
Dee Bradley Baker como Murf
Jimmi Simpson como Drednok
John Noble como Solum (The Diviner)
Kate Mulgrew como Kathryn Janeway
Elenco convidado
Eric Bauza como juiz vulcano
Robert Beltran como capitão Chakotay (gravação de áudio)
Daveed Diggs como comandante Tysess
Bonnie Gordon como voz do computador
Bonnie Gordon como oficial da Frota
Erin MacDonald como doutor MacDonald
Ben Thomas como oficial Klingon
Debra Wilson como oficial
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Edição de Mariana Gamberger
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