A série Star Trek: Starfleet Academy chega ao Paramount+ hoje dia 15 de janeiro, trazendo uma nova geração de cadetes para o universo de Star Trek no século 32. Ambientada a bordo da USS Athena e na própria Academia da Frota Estelar, a produção mistura treinamento intenso, amizades, rivalidades, romances adolescentes e ameaças à Federação — tudo isso com um elenco que une estrelas consagradas e novos talentos.
No evento de estreia em Nova York, no Museu de História Natural, o site TrekMovie conversou com vários membros do elenco, revelando bastidores, desafios e entusiasmo pela nova aventura. As entrevistas capturam o espírito da série: respeito ao legado de Star Trek, inovação ousada e muita diversão nos sets.
A Comandante Híbrida que Rouba a Cena
Uma das maiores curiosidades dos fãs é a Comandante Lura Thok, Mestra dos Cadetes e Primeira Oficial da USS Athena — uma híbrida Klingon/Jem’Hadar interpretada pela comediante britânica Gina Yashere. A mistura genética inesperada (afinal, Jem’Hadar são tradicionalmente todos machos e clones) já gera debates acalorados, e Gina sabe disso.
Além disso, a atriz revelou que, mesmo sendo comediante de longa data, não precisa (nem quer) mexer muito no roteiro.
Eu não preciso (dar palpite). O roteiro é muito bom. Claro que improviso aqui e ali. Sempre faço isso, sou comediante. E quando faço isso, o Alex [Kurtzman] diz: “Gostei, pode deixar”. Mas não mudo muito porque eles escrevem tão bem para o personagem que eu só me divirto, e aí mudo uma ou duas palavras aqui e ali. Mas, na maior parte do tempo, o roteiro é tão excelente que não preciso me esforçar muito.

Segundo a atriz, a revelação da origem da personagem deve vir gradualmente, dependendo do sucesso das temporadas. Gina destaca que, mesmo sendo uma figura extremamente séria e durona, Lura tem momentos hilários justamente por sua seriedade absoluta — um humor involuntário que surge da interpretação.
O ponto citado por Gina refere-se a natureza da personagem: uma mulher Jem’Hadar. Afinal, em Deep Space Nine, Jem’Hadars são seres geneticamente modificados, sem reprodução natural e, principalmente, sem gênero feminino conhecido.
Queremos que vocês criem um carinho pela série e tenho certeza de que a história dela será contada. Bem, tem que ser, porque as pessoas são muito curiosas. Elas ficam tipo: “Jem’Hadars não podem se reproduzir! Não existem mulheres Jem’Hadar!” Então, vai ter que ser revelado em algum momento.
O maior desafio para Gina são as próteses completas, que levam horas para aplicar e uma para remover, transformando as jornadas de trabalho em maratonas.
As horas são longas para mim, porque obviamente estou usando uma prótese completa, que leva cerca de três horas para ser aplicada e uma hora para ser removida. Então, chego antes do resto do elenco e fico aqui depois que eles vão embora. Se as filmagens começam às 7h da manhã, chego às 1h30 para garantir que estejamos prontos. Então, sim, as horas são definitivamente muito mais longas para mim, mas acho que a personagem vai ser tão icônica que isso não é um problema.
O Klingon que Escolheu Curar em Vez de Guerrear
Karim Diané interpreta Jay-Den Kraag, o único cadete klingon da Academia. Diferente do estereótipo guerreiro, Jay-Den sonha em ser médico e cientista — uma quebra de paradigma que enriquece o legado klingon.
Karim admite que sentiu pressão inicial por interpretar uma espécie tão icônica (com Michael Dorn como referência inescapável). Mas o apoio da comunidade klingon (grupos de fãs que vivem como klingons) na Fan Expo mudou tudo.
Acho que no começo, definitivamente senti pressão. Com certeza seria tolice entrar nisso sem entender o peso. Sabe, Michael Dorn é icônico. Os klingons são icônicos. Mas agora, deixa eu te contar uma coisa: estou relaxado, estou me divertindo muito, sabe por quê? Eu fui à Fan Expo. Porque a comunidade klingon me convidou, e eu estava um pouco nervoso. Em Ontário, eles têm um grupo inteiro. É real… klingons existem de verdade! Klingons são pessoas reais! E eu fui lá, os conheci, e eles foram tão calorosos, tão receptivos comigo. Eles me encorajaram a ser eu mesmo e dar a minha versão desse personagem. Então, agora, por causa do poder dos klingons, estou me sentindo muito mais confiante. Estou me divertindo.

Ela me chamou de lado e disse: ‘Você está fazendo um trabalho incrível’. Ouvir isso de uma vencedora do Oscar mudou tudo.
Karim acredita que está nova visão dos Klingons enriquece o legado dos famosos guerreiros.
Os curandeiros klingon sempre estiveram presentes, como vimos, com klingons em diferentes funções, e não apenas como guerreiros tradicionais, certo? Quero dizer, mesmo quando pensamos em uma raça guerreira, se alguém está sempre em batalha, há alguém para curá-lo. Então, acho que eles sempre estiveram lá, esta é apenas a primeira vez que estamos realmente mostrando isso de perto, e estou animado para que as pessoas vejam.
A Betazoide Sensível que Transforma Fraqueza em Força
Zoë Steiner vive Tarima Sadal, uma betazoide (empata) que aparece a partir do episódio 2 e forma par romântico com Caleb Mir (Sandro Rosta). Zoë não era fã hardcore de Star Trek antes, mas se conectou profundamente à personagem.
Eu não conhecia completamente Star Trek. Quer dizer, eu conhecia a série, mas não tinha assistido a muitos episódios, então não sabia o que era um Betazoide até que o processo de audição começou e o assunto surgiu. Aí eu pesquisei e comecei a me aprofundar em tudo. Então, não, antes de conseguir o papel e fazer o teste, eu não sabia. Dito isso, e vou continuar insistindo nesse ponto, eu não sei. Eu simplesmente sinto que sou uma Betazoide. Sabe, a vida toda me disseram que eu era sensível demais e coisas do tipo, e isso é como meu calcanhar de Aquiles. Então, foi um privilégio interpretar um papel como o de Tarima, onde isso não é uma fraqueza. É literalmente um requisito para o ator ter essa sensibilidade para interpretar um empata, um Betazoide.

Ela compara Tarima a Elsa de Frozen: poderes intensos que precisam ser controlados, com vergonha subterrânea por incidentes passados onde perdeu o controle. Já a química com Sandro Rosta (Caleb) fluiu naturalmente:
Ele é um ator incrível. Ele está muito presente. Ele se entrega muito. Tipo, eu não tive que me esforçar muito, se é que você me entende. Eu só precisava estar lá com ele e ouvir, ele é o melhor. Fico feliz que a química tenha se mantido, porque nós a sentimos na vida real.
A Dupla de Peso: Holly Hunter e Paul Giamatti
As pessoas ficam com inveja, na verdade. As pessoas com quem converso dizem: “Nossa, que incrível, sério?” E perguntam: “Você tem… você tem uma cabeça? Você usa máscara?” Essa é a primeira coisa que todo mundo me perguntam: “Você é um alienígena? O que você é?” As pessoas estão muito animadas por mim.

[Holly ri]:
É muito legal. E acho que muitos atores adorariam estar fazendo isso. E as pessoas dizem: “É… capitã, o quê?” Sabe, eles perguntam “O que você tem feito?” “Star Trek.” “Ah, que legal. Qual personagem?” “Eu sou a capitã.” É divertido.
Na verdade, ela fica rondando o set, o que eu também fazia, e eu não conheço muitos atores que realmente façam isso.
E é como estar no mesmo lugar onde você deveria estar o tempo todo. Eu gosto de ficar lá, sabe, mas ela simplesmente… ela me dá energia, sabe? É como se eu tivesse recebido energia dela. Ela é tão viva e conectada, e estava ali, de verdade. Eu sinto uma emoção eletrizante.

Bem, eu adoro o Capitão Sisko. Quer dizer, ele é um personagem fascinante, esse personagem, e a estranha missão religiosa que lhe foi dada e a sua luta com isso.
Esse personagem, e o ator, é ótimo. Avery Brooks é incrível. Ele é um personagem tão interessante, tão complexo e fascinante. Uma jornada maravilhosa para esse personagem.
Holly elogia os uniformes confortáveis (com mobilidade ilimitada) e revela que andar descalça e certos movimentos foram ideias de Alex Kurtzman e dela própria.
Os descalços eram [os produtores executivos] Alex [Kurtzman] e Noga [Landau]. Alex Kurtzman disse: “Estou pensando, sabe, o que você acha de andar descalço?” Eu respondi: “Nossa, sim, isso é legal.”
Starfleet Academy estreia no Paramount+ nesta quinta-feira, 15 de janeiro de 2026, com um episódio duplo. Sua primeira temporada terá dez episódios, com novos episódios passando todas as quintas.
Fonte: TrekMovie
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