Com a quarta e quinta temporadas de Strange New Worlds já gravadas, o ator Anson Mount diz que interpretar um herói cujo destino trágico ele conhecia desde o início não diminuiu a jornada, pelo contrário, deu ao personagem seu sentido mais profundo.
O que começou como uma participação na série Discovery se transformou no papel que definiria sua carreira em Star Trek, o capitão Christopher Pike. Fãs da Série Clássica já conheciam esse desfecho: Pike acabaria paralisado após um acidente com radiação de raios delta ao salvar um grupo de cadetes.

Para a maioria dos atores, atuar sob a sombra de um final já escrito poderia soar como um fardo. Mount encara de forma diferente. Em entrevista recente, concedida à TVInsider, ele explicou que o personagem precisou aprender a aceitar que o caminho percorrido importa mais do que o ponto de chegada, e que essa mesma lição orientou sua própria interpretação.
Pike teve que chegar à conclusão de que a jornada é o destino. Todos sabemos que vamos morrer, mas não podemos ficar pensando na nossa morte iminente. Se quisermos ser gratos por esta vida, temos que vivê-la. Sabíamos que tínhamos que contar essa história com uma lição de moral específica no início, ou a série não funcionaria.
Mount conta que sua relação com a franquia remonta à infância, quando assistia às reprises da série original com a mãe, aos domingos à noite, em um canal UHF local.
Minha mãe me apresentou à série quando eu tinha uns 7 ou 8 anos, quando a série original passava em reprises. Então, foi o trabalho mais longo que já fiz e que me pareceu surreal. Literalmente todos os dias, até a gravação do último episódio de Strange New Worlds, havia momentos em que eu olhava em volta e dizia: “Não acredito que estou em Star Trek“, seguido de: “Não acredito que sou o capitão da Enterprise“. Essa era a minha brincadeira de faz de conta quando criança.
Star Trek me proporcionou um bom emprego por muito tempo e a oportunidade de entrar nesse mundo das convenções. Sou eternamente grato aos fãs; isso mudou completamente a minha vida.
A quarta temporada da série, já concluída, promete ousadias como um episódio inteiramente com marionetes. Para Mount, esse é o limite máximo de excentricidade que a produção já tentou.

Anunciamos um episódio com marionetes. Essa é a maior ousadia que eu consigo imaginar. Ao mesmo tempo, sinto que a 4ª temporada pode ser a nossa melhor. Aprendi a parar de questionar. Houve tantas vezes em que fui até os produtores executivos Akiva Goldsman e Henry Alonso Myers e perguntei: “Vocês têm certeza de que é uma boa ideia?“. Todas as vezes, o episódio que eu havia mencionado acabava surgindo de alguma forma, e a emissora e o público adoravam. Vou simplesmente aceitar o que eles decidirem fazer, porque eu sempre erro.
Questionado sobre a possibilidade de retornar ao papel após o fim da série, considerando o destino já conhecido de Pike, Mount prefere não fechar portas.
Aprendi neste ramo que nunca se deve dizer nunca. E quem sabe? Mas você precisa ser capaz de não se apegar às coisas. Viva o momento. Essa é uma lição tanto de atuação quanto de vida, e você precisa realmente se tornar bom nisso se quiser viver esta vida. Então eu digo: “Você nunca sabe“. Recebi uma ligação (em 2022) do Kevin Feige para voltar e interpretar o Raio Negro (em Doutor Estranho no Multiverso da Loucura). Foi ótimo. Nunca diga nunca. Mas, ao mesmo tempo, não se apegue a nada.
Entre as memórias mais marcantes de sua trajetória na franquia, o ator destaca o dia em que gravou a icônica abertura “Espaço, a fronteira final…”.

Quando tive que gravar o monólogo de abertura [“Espaço, a fronteira final…”] , imagine a pressão. É o diálogo mais famoso da história da televisão, e me pediram para gravá-lo. Estávamos trabalhando nisso, e eu disse: “Pessoal, podemos parar um instante para reconhecer que todos nós vamos nos lembrar deste momento para o resto de nossas vidas?” E, então, me dei conta de que William Shatner estava no espaço naquele exato momento. Não dá para inventar uma coisa dessas. Mais tarde, contei a história para o Shatner, e ele disse: “Acho que nunca consegui acertar”. Ele se referia ao monólogo! Ele nunca tinha certeza do que era. se era um monólogo, se era o diário de bordo de um capitão? E essa foi uma lição incrível: você precisa continuar procurando. Nunca termina.
Com a produção de Strange New Worlds encerrada mas ainda 16 episódios por exibir em duas temporadas, Mount descreve o momento como uma “transição suave”.
É uma transição suave, porque é muito difícil dizer adeus a todos. Mas sei que vou reencontrar o elenco para o lançamento da 4ª temporada. E isso é muito bom.
A quarta temporada de Star Trek: Strange New Worlds estreia na quinta-feira, 23 de julho, no Paramount+. Também estão disponíveis no streaming as três temporadas da série.
Fonte: Screenrant
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