Nasce o maior clássico trash de Jornada Nas Estrelas
Sinopse
Data estelar: 5431,4
A Uss Enterprise capta uma avançada nave alienígena em curso de interceptação durante patrulha. Enquanto a tripulação tenta identificar sua origem e intenções uma mulher subitamente se transporta direto para a ponte de comando. Usando um dispositivo em seu pulso ela incapacita a tripulação da ponte e em seguida de toda a nave deixando a todos inconsciente e a nave sem energia.
Algum tempo depois a energia retorna e a a tripulação recupera os sentidos. Kirk percebe ausência de Spock, mas imediatamente é chamado a enfermaria por McCoy. O médico da nave informa que encontrou o Vulcano inconsciente e que alguém removeu seu cérebro. O primeiro oficial se encontra estabilizado e vivo graças a fisiologia Vulcana mas que não resistirá mais do que 24 horas. Kirk então se mostra decidido a procurar por quem roubou o cérebro de Spock, ainda que McCoy diga que não saberia como reconecta-lo.
Eles passam então a fazer uma busca pelo sistema e chekov encontra três planetas Classe M com diferentes escalas de desenvolvimento, mas nenhum deles parece ter os recursos e conhecimento na necessários para realizar o que eles presenciaram. Kirk só terá tempo de chegar a um deles antes que Spock morra e precisa chegar a uma decisão que condenará seu amigo se fizer a escolha errada.
Uhura nota que Sigma Draconis VI, o planeta aparentemente mais atrasado está emitindo uma assinatura de energia potente e constante incompatível com seu aparentemente grau de desenvolvimento. Após todas as ponderações e contra as sugestões de Chekov e sulu Kirk decide ir ao planeta gelado.
A Enterprise chega ao planeta e Kirk desce com um grupo avançado do qual fazem parte Scotty e chekov além de uma dupla de seguranças. Assim que começam a sondar o planeta eles percebem que não estão sozinhos. Eles detectam um grupo formado por cinco nativos humanoides, masculinos, grandes e primitivos próximo. Os Nativos percebem e chegada dos membros da Frota e preparam um ataque ao grupo, armados de pedras e porretes mas Kirk e seus homens estão preparados, repelem o ataque e capturam um dos atacantes enquanto os demais fogem.
Kirk avisa que não pretende machuca-lo, mas precisa de informações sobre os habitantes do planeta, uma sociedade onde aparentemente homens e mulheres vivem totalmente separados e os homens são capturados para tarefas mais brutas e torturados. O atordoado que aparentemente se define como “Morg” está confuso porque Kirk e Scott não parecem ser “os Outros”, que ele descreve como os causadores de “dor e prazer”. O homem parece não compreender as palavras de Kirk, se mostra muito confuso e também foge.
Nesse meio tempo chekov encontra Chekov encontra evidências de uma cidade subterrânea com seu tricorder enquanto Scott acha uma caverna com utensílios e comida que parece ser ao mesmo tempo uma armadilha para atrair os machos do planeta e uma entrada para as instalações de onde vem as leituras de energia que eles haviam captado antes.
Kirk decide investigar, mas antes manda que McCoy se junte ao grupo avançado. O cirurgião da nave desce trazendo Spock junto com ele. No lugar do cérebro o médico instalou um dispositivo que controla o Vulcano através de controle remoto dando a ele uma limitada mobilidade. O grupo avançado é dividido. Kirk deixa chekov e os seguranças na superfície vigiando a entrada e como ligação com a nave e volta a caverna com os demais. Assim que eles retornam a caverna e se deixam capturar. A entrada se fecha violentamente e o local onde estão inicia uma descida veloz como um elevador.
Assim que chegam ao destino a porta se abre automaticamente. Na cidade subterrânea eles encontram Luma uma das “Outras” – uma raça de belas mulheres, as Eymorg , que vivem confortavelmente abaixo da superfície do planeta, mas têm mentes de crianças. Ele a atordoa com um disparo de phaser antes que essa possa reagir. Assim que ela desperta Kirk a interpela pelo cérebro de seu primeiro oficial, mas a moça não sabe de nada, nem sobre esse assunto e nem mesmo sobre estrutura onde se encontra e seu papel no lugar. McCoy observa que a moça não vai conseguir dar nenhuma informação útil pois aparentemente tem o desenvolvimento de uma criança.
Nesse momento Kirk ouve a voz de Spock através de seu comunicador. Spock relata que está bem, mas que não sabe onde está. Eles percebem então que a consciência do Vulcano está de alguma forma conectada a estrutura que eles encontraram. Spock não se mostra estar ciente de sua condição e não tem noção de onde está nem como guia-los até ele.
Eles começam a andar pela estrutura a sua procura até que encontram a mulher que atacou a tripulação a bordo da Enterprise. Dessa vez eles não conseguem reagir a tempo e são dominados por ela que usa o dispositivo em seu pulso novamente para atordoa-los e incapacitar o grupo avançado, menos Spock que parece imune aos efeitos do equipamento usado para domina-los. O grupo e levado desacordado para uma sala onde três mulheres e alguns homens aguardam a chegada da que se denomina líder. homens que parecem meros servos. Um deles se mostra sorridente enquanto é alimentado por uma delas. Assim que ela chega à mulher a quem Kirk atordoou, de nome Luma, relata o ocorrido.
Kara acorda o grupo avançado. Eles percebem um mecanismo preso a cintura que parece ser usado para controle dos homens usados também pelos “morgs”. Ela pergunta quem eles são e o que fazem ali. Ao acordar Kirk reconhece Kara como a mulher que o atacou a bordo da Enterprise e pergunta mais uma vez onde está o cérebro de Spock mas ela parece não saber do que se trata, assim como parece se lembrar de ter estado a bordo da Enterprise e ter removido o cérebro do primeiro oficial da nave mesmo com a insistência de Kirk.
McCoy chama a atenção do capitão de que a mulher pode sofrer de algum alguém tipo de dissociação cognitiva e comenta que ela não parece ser capaz de realizar a complexa cirurgia necessária para a remoção do cérebro. A mulher diz que o grupo é livre pra ir embora se quiser, mas Kirk diz que ficará para aprender sobre o mundo delas e falar sobre o dele. Eles começam a tentar conversar e entender como as coisas funcionam ali. Kirk pede para falar com o líder, mas ela diz que não a outro, mas acaba citando a um “controlador”, que eles supõem ser o líder.
Finalmente, eles compreendem que o ” Controlador ” a que os Eymorg se referem é Spock. Parece que essas mulheres de alguma forma conectaram o cérebro de Spock ao computador delas e que esse cérebro é responsável por administrar sua extensa moradia subterrânea, pois elas, como raça, há muito se esqueceram de como cuidar de si mesmas. Kirk tenta mais uma vez convencê-la a levá-los até o controlador, mas Kara se mostra irredutível e usa seus aparelhos para rechaçar Kirk, e incapacitando todo o grupo causando grande dor a todos. Em seguida elas vão embora deixando o grupo ainda atordoado sobre a vigilância de dois “morg”.
Quando o grupo se recupera eles tentam deixar o recinto, mas são impedidos. Kirk então percebe que seus equipamentos foram deixados na mesma sala, mas os morgs os impedem de usá-los. Se alternativas o grupo ataca os morgs e após uma breve luta consegue domina-los e recuperar o equipamento. De posse dos comunicadores eles conseguem fazer contato com a consciência de Spock novamente. Ele pergunta porque o grupo ainda não voltou para a Enterprise mas Kirk insiste em encontrá-lo e pode que Spock de alguma informação que ajude a ter alguma ideia de onde procurá-lo.
Spock diz que sente que seu corpo se estende ao infinito, e que seu bulbo raquidiano parece estar respirando, bombeando sangue e mantendo a temperatura mas Scott revela que ele não tem corpo algum e McCoy completa que ele é cérebro sem corpo. Spock compreende sua situação e insiste para que eles retornem, mas Kirk insiste e revela que eles trouxeram seu corpo na esperança de reintegração, algo que o Vulcano julga não ser possível em função de ser um conhecimento além da capacidade do cirurgião da Enterprise. Ele lembra a Kirk a respeito do tempo que reponde estar ciente e que eles têm 5 horas e 48 minutos para fazer a cirurgia.
O grupo sai novamente a busca do local onde está o cérebro usando um sinal emitido pelo Vulcano. Nesse meio tempo Kirk fala a respeito dos dispositivos que os foram instalados para controla-los. Com acesso ao banco de dados da estrutura ele informa que o controle fica em um bracelete, algo que Kirk já reconhece. Eles seguem pelos corredores sem serem incomodados até uma sala onda se encontra a líder e o controlador. Ela usa o dispositivo de dor novamente, mas McCoy percebe que Spock é imune e avisa Kirk. Este usa o controle remoto para fazer com que o corpo de Spock domine Kara e usa seu bracelete para livrar a todos dos cintos de dor.
Após conseguir o controle da situação Kirk tenta forçá-la a executar o processo reverso, mas ela se nega dizendo que o “controlador” está morrendo e que eles precisam de um novo e que o cérebro de Spock irá durar por mais dez mil anos caso o contrario os habitantes do planeta também morrerão. Mais uma vez McCoy reforça que Kara não parece ter capacidade de realizar a tarefa e que suas faculdades mentais estão atrofiadas por falta de uso, mas Kirk reforça que ela esteve na Enterprise e fez o procedimento, e insiste em saber como. Kara disse que foi “velho conhecimento”, que apenas coloca o “professor” na cabeça.
Kirk pergunta o que é o professor, mas quem responde é o cérebro de Spock, dizendo que ela se refere aos arquivos de conhecimento dos construtores das instalações onde eles se encontram. Ele alega ter analisado esses arquivos e que eles contêm um conhecimento impressionante.
Ele se depara com um dispositivo que parece um capacete high tech e conclui que o dispositivo que os nativos usam para obter o conhecimento. Ele pede a Kara que mostre como ele funciona, mas ela diz que só pode fazer isso sob o comando dos “anciões”. Mais uma vez o cérebro de Spock intervém dizendo que o dispositivo se conecta a mente da sacerdotisa líder e que sua utilização é pré-determinada pelos construtores.
Mesmo com a negativa de Kara, Kirk a força a colocar o aparelho que ativa um processo eletrônico que afeta a sacerdotisa. Assim que esse processo é concluído seu comportamento muda, e ela se mostra com um nível de raciocinou muito elevado. Ela confirma as suposições a cerca da forma de funcionamento da máquina, mas afirma também ser parte importante do processo e que ela é quem fornece os meios pelos quais o conhecimento é usado.
Ela tem uma breve conversa onde agradece a McCoy por reconhecer sua importância no processo, mas no meio dessa conversa ela revela ter roubado o phaser de Kirk sem que ele percebesse a aponta a arma na direção dele configurada para matar, conforme observado por Scott. Kara acusa o capitão de ter trazido para seu povo o conhecimento para matar e ameaça a matá-lo com sua própria arma.
Kirk reafirma que Spock vai morrer, mas Kara que responde que o controlador vivera por mais dez mil anos e que receberá toda a devoção de seu povo e que quem morrerá é seu corpo e que a necessidade de seu povo é maior do que a de Spock. Kirk retruca que ninguém pode matar um homem e que isso não pode ser tolerado. Nesse momento Kara ameaça Kirk novamente, mas Scott fingi um desmaio para chamar sua atenção e Kirk usa o momento para tomar o phaser da mão dela e reassumir o controle da situação.
Ele volta a carga tentando entender como Kara foi capaz de realizar a cirurgia e pergunta quanto tempo ela consegue reter o conhecimento e recebe como resposta três horas, que ele conclui ser o tempo exato necessário para reimplantar o cérebro de Spock, mas Kara se nega a fazê-lo declarando que não trairá seu povo.
Nesse ponto McCoy conjectura que poderia funcionar com ele, mas Spock lembra que Kara é uma alienígena com configuração cerebral diferente e que o uso do aparelho poderia causar danos irreparáveis ao cérebro humano. Spock argumenta que como medico haveria um ganho se ele conseguir reter o conhecimento, mas Spock refuta reforçando o perigo para o médico. McCoy responde que se não tentar Spock morrera, mas o Vulcano continua contrario a ideia. McCoy insiste e Kirk consente em que ele tente usar o aparelho.
McCoy coloca o “professor” e apesar da dor ele emerge do processo com o conhecimento necessário para realizar cirurgia. O medico começa a operar com incrível velocidade enquanto kirk se mostra preocupado com o tempo em que ele manterá o conhecimento adquirido em sua mente. Atônito com a velocidade com que McCoy trabalha Scott sugere que ele mesmo gostaria de experimentar o “professor”. Kara comenta que sem o controlador eles serão destruídos, mas Kirk argumenta que não, que eles estarão sem o controlador pela primeira vez e que como consequência irão se desenvolver, mulheres e homens vivendo e trabalhando juntos na superfície.
No entanto, depois de um tempo, McCoy começa a perder o conhecimento que havia adquirido. Ele congela e parece não saber mais o que fazer. Ele exclama em desespero, mas Kirk o encoraja a continuar e a tentar reconectar as cordas vocais do paciente. Recorrendo às suas próprias habilidades e com apenas alguns minutos restantes, ele conecta o centro da fala de Spock, permitindo que Spock fale. Spock então ajuda McCoy a completar a reconexão de seu cérebro com sucesso.
Spock se levanta aparentemente muito bem, e começa imediatamente a dissertar sobre sua experiência e conhecimento adquirido sobre a história daquele planeta de forma verborrágica, o que gera imediata reação de McCoy que declara que não devia ter reconectado a boca de spock. Cérebro e bom humor restaurados, a Enteprise deixa a orbita do planeta.
Comentários
A forte campanha por cartas enviadas aos executivos da Paramount é um fato amplamente atualmente conhecido do público que acompanha a franquia desde a Série Clássica, mas algo pouco comentado é como o fandom de Jornada teria recebido o início dessa terceira temporada após esse enorme e abnegado esforço. Seria interessante usar o efeito estilingue para voltar a setembro de 1968 e acompanhar as reações ao presente episódio.
Não há como escapar da conclusão que “Spock’s Brain” beira o desastre e esse desastre somente não se concretiza graças ao esforço que tanto de seus realizadores quanto dos atores em tentar leva-lo a sério, o que se não o redime, ao menos acaba por elevar o segmento a categoria trash, e somente isso é capaz de trazer algum conforto ao fã ao se referir a obra, pelo menos nos dias atuais
Inspirado pela realização do primeiro transplante de coração humano do mundo cerca de um ano antes, Lee Cronin, também conhecido como Gene L. Coon, foi o encarregado de construir essa história. Infelizmente, aparentemente estando ocupado com outras responsabilidades com outra rede de TV, o normalmente competente produtor e roteirista parece não ter dado muita atenção a esse trabalho, e o resultado foi no mínimo decepcionante. Contraditoriamente a ideia principal quando analisada a distância não parece ruim. Catapultada pelo já mencionado prodígio medico, a história segue um caminho que parece fazer sentido para uma série futurista, a ideia que seria possível realizar um transplante de cérebro.
A ideia de certa forma seria usada de forma um pouco diferente em “Dead Stop” (Enterprise) mas baseada no mesmo conceito (com muito mais sucesso) que seria a utilização para gerir as capacidades planetárias dos sequestradores, imaginando o cérebro como um poderoso computador, axioma no qual a neurociência vem trabalhando a décadas a fim de nos ajudar a entender como o nosso cérebro se conecta com nossas emoções, decisões e hábitos.
Além disso, o episódio também sugere outros temas importantes, como a separação total de homens e mulheres formando praticamente duas classes sociais totalmente diferentes, ou forma como a dependência da tecnologia fizeram seus habitantes literalmente emburrecerem, temas que foram apenas sugeridos de forma alegórica aqui, mas que poderiam gerar debates interessantes. Não se pode deixar de notar como muitas das tecnologias existentes hoje, em especial o smartphone, vem causando uma epidemia de dependência desses aparelhos e em muitos casos a queda da criatividade humana.
Países como Finlândia, Dinamarca, Noruega, França e Reino Unido passaram a restringir o uso de telefones e outros dispositivos móveis durante o período escolar após descobrirem evidencias que apontam para o impacto negativo desses aparelhos no bem-estar e na aprendizagem dos alunos que tem se tornado cada vez dependentes desses dispositivos, o que não deixa de ser um interessante paralelo com os efeitos causados pelo “professor” nos habitantes.
Essa dinâmica da dependência das máquinas ou de um ser superior é um tema recorrente em Jornada nas Estrelas como em “The Return of the Archons” (A Hora Rubra), “A Taste of Armageddon” (Um Gosto de Armagedom) e The Apple (A Maçã) e a relação dos Ocampas com o Guardião em Voyager também flertaria com esse caminho.
Outro ponto que chama a atenção aqui é com o roteiro consegue dar espaço com alguma relevância a todos os membros da equipe, fato raro na Série Clássica, sempre muito centrada no trio Kirk, Spock, McCoy. Scott e o doutor dispensam comentários e estão no centro da trama, tendo McCoy principalmente grande destaque uma vez que suas habilidades são mais uma vez reconhecidas aqui, mas os demais atores também seu espaço de contribuição.
O momento em que eles estão reunidos na ponte discutindo sobre o possível destino da nave atacante é raríssimo. Chekov assumindo o lugar de Spock, Sulu no comando da USS Enterprise, Uhura participando de forma breve mas de forma decisiva para influenciar uma importante definição de Kirk mostrando um caráter analítico raramente visto na série até aqui, em um episódio que conseguiu até mesmo fugir do clichê do sacrifício dos red shirts, que voltaram sãos e salvos de Sigma Draconis VI.
Outro aspecto interessante desse segmento é que esse foi o primeiro e único episódio, além do primeiro piloto, em que os personagens caminham em frente à tela principal que exibe um campo estelar em movimento. Isso foi conseguido usando projeção traseira em vez da máscara de pós-produção normalmente utilizada em cenas com tela de projeção.
Em função disso o diretor Marc Daniels criou uma dinâmica diferente para as cenas na ponte da Enterprise, usando ângulos incomuns em outros episódios e criando uma movimentação diferente do usual nesse tipo de cena. A cena onde Kirk, Uhura e sulu debatem o tema com a imagem projetada merece especial atenção do espectador, que vai perceber ângulos de câmera e um Mise en Scène singular aqui, certamente a fim de potencializar essa disponibilidade técnica rara, e tudo funciona muito bem.
Também é possível notar na primeira tomada vozes de fundo que acrescentam um melhor sentido de urgência a aproximação da nave alienígena e tornando essa cena bastante eficiente em seu propósito de indicar que a nave passa por um momento de tensão. A menção a tecnologia iônica também faz um aconchego aos fãs. Embora a teoria de propulsão iônica não fosse uma novidade nessa época, ela só seria confirmada décadas depois pela NASA, e se ao longo de sua história Star Trek sempre se mostrou ser muito mais ficção do que cientifica, quando a serie aborda assuntos de ciências de forma mais preditiva o coração do fã mais antenado com esses temas se aquece.
Mas é quando alguém teve a ideia de dar um jeito de Leonard Nimoy mesmo sem cérebro ainda ser relevante de forma ativa para a trama sua sentença de morte foi assinada, ou pelo menos uma declaração de coma profundo. Essa decisão levou a várias consequências nefastas que enterraram as boas ideias e fizerem desse segmento uma piada involuntária.
A começar pela ideia ridícula do tal controle remoto no lobotomizado Vulcano, que propicia a constrangedora cena de Spock de touca se movimentado de forma zumbi e totalmente ineficiente e sem sentido. Desse momento em diante cada aparição do Vulcano assume caráter de comedia involuntária e constrangedora, sendo a primeira absolutamente Nonsense, e já deixa claro que a ideia não foi boa.
A partir daí cada tomada que mostra o Spock estático enquanto os eventos se desenrolam a sua volta apenas reafirmam o erro dessa decisão, mas o ápice da falta de respeito a um personagem tão querido é quando Kirk usa o controle remoto para conduzir Spock em modo zumbi. Infelizmente, patético. A ideia de conseguirem se comunicar com a consciência de Spock e o fato dele não estar ciente de sua condição até funcionaria bem se não fosse a questão envolvendo a questão física, mas ao decidir que Spock com o cérebro ainda remendado seria o artífice de seu próprio reimplante a abordagem inicial também foi soterrada.
Mas ainda temos mais problemas e nesse caso muito fica na conta de uma atuação extremamente over de Willian Shatner. Mesmo que o texto não ajude muito o ator espalha tudo pelo chão várias vezes em cenas constrangedoras como quando se ajoelha em frente a Kara numa atuação que superou seus momentos mais canastrões na série até aqui.
Não bastasse isso, seu comportamento aqui se mostra excessivamente violento e irascível, por várias vezes ameaçando fisicamente qualquer um que passasse a sua frente, fossem morgs mas principalmente as eymorgs, deixado uma imagem muito negativa do personagem, sem mencionar mais uma vez que a primeira diretriz não funciona mesmo para a Série Clássica, uma vez que Kirk não hesita nem por um segundo em acabar com um modo de vida de milênios para salvar seu primeiro oficial, decretando do alto de sua sabedoria que isso será melhor para eles. Esperemos que a frota pelo menos tenha enviado alguém para fazer um necessário segundo contato.
O elenco convidado não tem muito o que fazer para salvar o segmento. Marj Dusay (Kara) é a única que tem algum espaço relevante, mas o material com que tinha que trabalhar não tinha como render nada relevante, mas ainda assim é possível dizer que a atriz sai do segmento com dignidade.
“Spock’s Brain” é um segmento totalmente esquizofrênico. Não há como fugir a essa conclusão após analisa-lo e perceber como um segmento de onde se pode tirar tantas coisas interessantes pode ser destruído de forma quase irrecuperável por conta de uma decisão que talvez se deva somente a vaidade de Nimoy, e infelizmente tenha passado para a história como sinônimo de desastre.
O grande paradoxo é que é um episódio tão ruim que acabou ficando bom, de certa forma divertido em seus termos e que parece ter conquistado um lugar no coração dos fãs que o “elevaram” a categoria de clássico trash de Jornada nas estrelas, fazendo valer o axioma “Jornada nas Estrelas é bom até quando é ruim”.
Avaliação




Citações
“Bones, what’s the mystery?”
“His brain is gone.”
(Bones, qual é o mistério?)
(O cérebro dele sumiu.)
Kirk e McCoy
“What would they want with Mr. Spock’s brain?”
(O que eles querem com o cérebro do Sr. Spock?)
Uhura
“You hurt Luma. It is not permitted again to hurt anyone.”
(Você machucou Luma. Não é permitido machucar ninguém novamente.)
Kara
“Of course.Of course. A child could do it.”
(Claro. Claro. Uma criança conseguiria fazer isso.)
McCoy
Trivia
- Este foi o episódio de estreia da terceira temporada, escrito por “Lee Cronin”, pseudônimo do ex-roteirista e produtor Gene L. Coon
- Este é o único título de episódio da Série Clássica que inclui o nome de um membro da tripulação da Enterprise. Personagens que receberam menção em títulos de séries posteriores incluem Q com oito títulos, Data com três, Julian Bashir com dois, e um para cada um dos seguintes: Deanna Troi, Ro Laren, Aquiel Uhnari, Melora Pazlar, Jadzia Dax, Quark, Morn, Lore e Rajiin .
- Este foi o último episódio dirigido por Marc Daniels, diretor regular de Jornada nas Estrelas. Daniels estava insatisfeito com os cortes orçamentários que a série sofreu na terceira temporada e com a direção que estava tomando, e recusou-se a voltar para dirigir mais episódios.
- A trilha sonora deste episódio (composta por Fred Steiner e gravada em 26 de agosto de 1968 ) foi reutilizada em episódios posteriores, como durante a reprodução da mensagem final de Kirk em “The Tholian Web” e no retorno de Kirk à sala do teletransportador no mesmo episódio. A música de batalha deste episódio também foi usada na luta de espadas entre Kirk e Kang em “Day of the Dove”.
- Este é o primeiro e único episódio, além do primeiro piloto, em que os personagens caminham em frente à tela principal que exibe um campo estelar em movimento. Isso foi conseguido usando projeção traseira em vez da máscara de pós-produção normalmente utilizada em cenas com tela de projeção.
- Os autores do guia Star Trek 101 aplicaram o título deste episódio ao prêmio “Cérebro de Spock”, concedido ao pior episódio de cada série, escolhido pelos fãs. Os vencedores foram : TAS : “The Lorerei Signal “, TNG: ” Gênesis “, DS9: “Profit and Lace” “, VOY : “Threshold” e ENT : “These Are the Voyages…“
- Este é o único caso em que Sulu registra uma entrada no diário de bordo enquanto está no comando durante a Série Clássica.
- Esta é a terceira de cinco vezes em que Sulu aparece na cadeira de capitão enquanto está temporariamente no comando. A primeira vez aconteceu em “Missão de Misericórdia”, a segunda em ” The Enterprise Incident“. As duas últimas ocorrem em “The Lights of Zetar” e “The Savage Curtain”.
- Em Up Till Now, sua autobiografia de 2008, William Shatner brinca que o enredo deste episódio é uma “homenagem” aos executivos da NBC que cortaram drasticamente o orçamento do programa e o colocaram em um horário indesejável.
- Nela, Joe McClaine um menino de nove anos, filho do professor Ian McClaine, se torna um super agente secreto graças “BIG RAT” (Brain Impulse Galvanoscope Record And Transfer. Conhecido no Brasil como “Tremendão”) esse aparelho era capaz de transferir todo o conhecimento de uma pessoa para Joe 90 enquanto ele estiver utilizando um par de óculos especiais. A serie durou de 1968 a 1969 e teve trinta episódios.
- A versão remasterizada de “Spock’s Brain” apresentou diversas alterações apropriadas ao roteiro, em relação à versão original transmitida. Uma delas se refere ao design original nave iônica. A versão original tem um formato padrão de foguete, algo comum na época onde as” naves espaciais” seguiam basicamente dois formatos: Foguete ou disco voador. A nova versão remasterizada da espaçonave com propulsão iônica reflete protótipos de propulsão iônica mais modernos. A propulsão iônica foi comprovada na missão Deep Space 1 da NASA. Lançada em 24 de outubro de 1998 ela testou essa e outras 11 tecnologias durante uma viagem até um asteroide e um cometa.
Ficha Técnica
História de Lee Cronin
Dirigido por Marc Daniels
Exibido em 20 de Setembro de 1968
Título em português: “O Cérebro de Spock” (AIC-SP), “ O Cérebro de Spock” (VTI-Rio)
Elenco
William Shatner como James T. Kirk
Leonard Nimoy como Spock
DeForest Kelley como Leonard H. McCoy
James Doohan como Montgomery Scott
Walter Koenig como Pavel Chekov
George Takei como Hikaru Sulu
Nichelle Nichols como Nyota Uhura
Elenco convidado
Majel Barrett como Enfermeira Chapel
Marj Dusay como Kara
Sheila Leighton como Luma
Revisitando
Podcast

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Edição de Carlos Henrique B Santos
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