Como dizem por aí, uma maré alta levanta todos os barcos. O ano de 2016, que marcou os 50 anos de Star Trek, teve seus altos e baixos, com o lançamento de um novo filme que, no entanto, falhou em trazer a bilheteria necessária para manter as engrenagens de produção girando na Paramount Pictures. Ao mesmo tempo, as atenções passariam a se voltar para a televisão, com o anúncio da CBS, em novembro do ano anterior, de que o estúdio produziria uma nova série da saga, após um longo hiato que vinha desde 2005.
Star Trek sempre foi um produto de televisão, e é onde ele consegue produzir seu maior engajamento entre os fãs, em que pese a força do cinema para alavancá-lo e manter sua relevância. Em 2016, a dose era dupla, mas havia mais ansiedade com a estreia iminente de uma nova série, programada para o ano seguinte, do que com uma revisita ao universo Kelvin com Sem Fronteiras.
No dia 23 de julho de 2016, nos Estados Unidos, na badalada San Diego Comic Con, apenas um dia após a estreia do novo longa-metragem da Paramount por lá (em que o estúdio promoveu uma exibição ao ar-livre no próprio evento), a CBS dedicava um painel inteiro ao legado televisivo de Jornada, com as presenças de William Shatner (Série Clássica), Brent Spiner (A Nova Geração), Michael Dorn (Deep Space Nine), Jeri Ryan (Voyager) e Scott Bakula (Enterprise), num bate-papo comandado por Bryan Fuller, o roteirista que havia começado sua carreira com Deep Space Nine e Voyager, uma década atrás, e agora era visto como uma das grandes mentes criativas de Hollywood.

Painel da SDCC 2016 comandado por Bryan Fuller com William Shatner, Brent Spiner, Michael Dorn, Jeri Ryan e Scott Bakula. (Crédito: YouTube)
Fuller foi trazido por Alex Kurtzman para cocriar com ele a nova série de Star Trek e, naquele dia, o mundo ficou sabendo que a nova atração se chamaria Discovery, com um primeiro clipe contendo imagens do que pensavam para a nave título da série.

Primeira arte título de Discovery divulgada pela CBS durante a SDCC 2016. (Crédito: CBS)
No Brasil, na mesma data, acontecia, com apoio da Paramount Home Entertainment, uma convenção de Star Trek para celebrar os 50 anos. Realizada no MIS (Museu da Imagem e do Som), em São Paulo, e organizada por Roosevelt Garcia e Paulo Gustavo Pereira, ela tentava aproveitar a subida da maré e reativar a realização de grandes convenções nacionais. Foi a maior convenção em solo brasileiro desde o fim do fã-clube Frota Estelar Brasil, com lotação esgotada (o auditório do MIS tinha capacidade para 172), e reuniu em atividades do palco alguns expoentes do fandom nacional, como Luiz Navarro, antigo presidente da FEB e sumido do cenário por praticamente uma década, e Salvador Nogueira, editor do Trek Brasilis e prestes a lançar, no mês seguinte, sua segunda empreitada literária trekker, mais uma vez em parceria com Susana Alexandria, com o lançamento de Jornada nas Estrelas: O Guia da Saga.

Roosevelt Garcia e Paulo Gustavo Pereira, idealizadores do evento, com cosplayers, no MIS, em 2016. (Crédito: Susana Alexandria)

Salvador Nogueira e Silvio Alexandre promovem o iminente lançamento de Jornada nas Estrelas: O Guia da Saga na convenção realizada pela Paramount no MIS, em 2016. (Crédito: Susana Alexandria)

Palco da convenção no MIS durante um intervalo. (Crédito: Susana Alexandria)

Luiz Navarro posa ao lado de Susana Alexandria no foyer do evento realizado no MIS em 2016. (Crédito: Susana Alexandria)
Os presentes ao evento, encerrado por volta das 19h, saíram em seus (então novíssimos) smartphones repercutindo as novidades que vinham de San Diego, com a primeira visão da USS Discovery, e sorrindo de orelha a orelha com o que parecia ser, ao mesmo tempo, o renascimento de Star Trek e do fandom brasileiro, após um período de vacas magras.
RENASCIMENTO (E SEGUNDA MORTE) DA FROTA
Tendo oportunidade de subir ao palco do MIS e falar aos fãs após um longo tempo ausentado reacendeu a paixão. Instigado por Roosevelt Garcia, ele decidiu ali que a Frota Estelar deveria voltar. O anúncio oficial aconteceu em 17 de dezembro, um sábado, em evento realizado pela Paramount Home Entertainment para promover o lançamento em DVD e Blu-ray de Star Trek Sem Fronteiras. Nele, Luiz Navarro anunciou que a Frota Estelar Brasil voltaria a realizar uma convenção no dia 8 de abril de 2017, no hotel Meliá, em São Paulo.

Roosevelt Garcia e Luiz Navarro no palco da convenção Phoenix, última da Frota Estelar Brasil, em 2017. (Crédito: Fernando Penteriche)
O Trek Brasilis de pronto divulgou a novidade e ofereceu apoio à convenção que seria batizada apropriadamente de Phoenix, inspirada na nave de Zefram Cochrane em Jornada nas Estrelas: Primeiro Contato e representando o renascer das cinzas do fã-clube de maior expressão no país, após um hiato de quase 14 anos.
Eis que, em 15 de março, o vice-presidente sênior da CBS Consumer Products, Bill Burke, procura Salvador Nogueira, perguntando se ele poderia ajudar a contatar o pessoal da Frota Estelar Brasil. Solícito, o jornalista consulta Luiz Navarro e então passa o contato designado, com a seguinte mensagem: “O fã-clube Frota Estelar Brasil está retomando suas atividades em 2017, após um hiato de 13 anos, e estamos todos muito empolgados com essa renascença de Star Trek, graças a Discovery e à CBS! Seu líder é Luiz Navarro, que você pode contatar em comercial@frotaestelar.com.br.”
Nogueira perguntaria a Navarro do que se tratava, mas não teria resposta e só descobriria isso ao final do evento, que reuniu cerca de 250 pessoas naquele 8 de abril. A CBS havia proibido a Frota Estelar de usar esse nome, marca registrada da empresa americana. Na ocasião, a decisão havia sido apresentada ao público como uma atitude unilateral e injustificada, o que causou certa frustração. Na verdade, havia uma boa razão para a reação do estúdio: o refundado fã-clube tentou ele mesmo registrar a marca como se fosse sua no Brasil. Foi aí que o caldo entornou. Ao final daquele evento de renascimento, a Frota Estelar Brasil deixaria de existir, passando a se chamar, provisoriamente, StarCon.

Público reunido para a convenção Phoenix no auditório do hotel Meliá, em São Paulo. (Crédito: Fernando Penteriche)
MÚLTIPLAS CONVENÇÕES
Apesar do anticlímax, foi um grande evento, inaugurando um ano que seria muito especial para o fandom nacional. Afinal, a maré alta levanta todos os barcos, certo? Naquele mesmo ano, em 23 de setembro, na véspera do lançamento americano de Discovery, Thiago Maldonado, do canal Diário do Capitão, e Fernando Augusto Dias Afonso, do fã-clube Star Trekkers, realizariam de forma independente a TrekkerCon 2017, um evento em formato bem diferente das convenções brasileiras tradicionais, focado em múltiplas experiências e ocupando diversas salas diferentes no Senac Aclimação, em São Paulo, a principal delas um auditório com 116 lugares, além de foyer e um pátio externo. Uma segunda edição ocorreria em 2018.

Thiago Maldonado (como capitão da Frota Estelar) e outros cosplayers na TrekkerCon 2017, na véspera da estreia de Discovery. (Crédito: Fernando Penteriche)

Foto coletiva dos presentes reunidos no auditório do Senac Aclimação na TrekkerCon 2017; à frente, Thiago Maldonado, Salvador Nogueira, Fernando Afonso e César Cezaroni. (Crédito: Thiago Kirsten)
O Star Trekkers seguia ativo como fã-clube e estava naquele momento também atingindo seu auge (maré, barcos…). Sua quinta convenção, ConTrekkers V, aconteceu em 25 de novembro de 2017, no mesmo Senac Aclimação, mas ocupando menos ambientes. A de 2018 aconteceria em 19 de junho, no mesmo local, e em 2019 o grupo passaria a realizar suas convenções na Biblioteca Mário de Andrade, para cerca de 200 pessoas.

Foyer da ConTrekkers 2017, do grupo Star Trekkers, no Senac Aclimação. (Crédito: Fernando Penteriche)
A JORNADA BRASILEIRA DE DISCOVERY
Seguindo o acordo assinado entre CBS e Netflix, a primeira exibiria nos Estados Unidos os episódios da nova série, um por semana, em seu novo serviço de streaming, CBS All Access (apenas o primeiro foi ao ar pela rede de televisão aberta CBS como aperitivo), e a segunda faria a exibição, 24 horas depois, para o resto do mundo (188 países), excluindo-se Canadá (que tinha outro arranjo para exibição com a empresa local Bell Media, atendendo a peculiaridades tributárias ligadas ao fato de as filmagens da série serem em Toronto). Embora nascida nos Estados Unidos, a Netflix tinha uma atuação que a tornava de fato uma empresa global. Imagine a loucura de gerenciar traduções e dublagens para 188 países diferentes, com dezenas de idiomas a serem contemplados, mantendo consistência na qualidade e na “localização” (termo usado para identificar as adaptações específicas do produto para cada cultura local). O esforço da companhia provavelmente não tinha precedentes, e Star Trek foi tratada como uma das joias mais valiosas de seu acervo. (A Netflix até tentou tornar oficial o slogan “a casa de Star Trek” em sua campanha publicitária de lançamento de Discovery, mas foi vetada pela CBS.)
Quis o destino que um brasileiro fosse contratado para auxiliar nesse processo, lendo versões preliminares de roteiros da série e fazendo anotações detalhadas com a criação de um virtual dicionário técnico de Star Trek focado especificamente em Discovery. Era o documento que internamente na Netflix é chamado de KNP (Key Names and Phrases) e apresenta, em inglês, termos que figuram nos episódios e explicações deles, assim como diversas colunas para que os tradutores de cada país preenchessem com seu idioma a correspondência, de forma a se tornar um guia de referência universal não só para equipes responsáveis por legendas e dublagem como também por aqueles responsáveis por escrever as sinopses e os conteúdos que apareciam na plataforma.
O escolhido foi Salvador Nogueira, então incensado pelo lançamento, com Susana Alexandria, do enciclopédico livro Jornada nas Estrelas: O Guia da Saga, e por uma longa carreira jornalística não só com Star Trek, no Trek Brasilis, mas também com ciência, tendo sido por décadas repórter do jornal Folha de S.Paulo.

A equipe do Guia da Saga: Will (diagramador), Silvio Alexandre (editor), Salvador Nogueira e Susana Alexandria (autores), na Bienal do Livro, em São Paulo, em agosto de 2016. (Crédito: Susana Alexandria)
“Foi um dos trabalhos mais recompensadores que já fiz, sem sombra de dúvida. A oportunidade de trabalhar diretamente com Star Trek em uma nova série, poder ler e pesquisar diversas versões de roteiros ainda por serem filmados e colaborar para que a atração fosse bem adaptada não só para o Brasil, mas para o mundo todo, foi um sonho”, diz Nogueira, que foi contratado em 30 de maio daquele ano, após assinar densos contratos de confidencialidade, e era responsável não só por selecionar o léxico a constar do KNP, mas também sugerir a localização brasileira – e foi assim que o black alert de Discovery virou alerta escuro. O jornalista permaneceria nessa relação de colaboração com a Netflix até 2020, trabalhando não só na localização de Star Trek, mas também de press releases, sinopses e títulos de várias produções do streaming para o mercado nacional.
Discovery chegaria às telas brasileiras, via Netflix, na madrugada de 25 de setembro de 2017, segunda-feira, com os dois primeiros episódios, e a opção de dublagens e legendas. Pela primeira vez na história da franquia uma série de Jornada nas Estrelas chegava ao Brasil praticamente ao mesmo tempo que nos Estados Unidos, uma diferença de meras 24 horas. E o esmero e a criatividade da empresa do tudum foram tão grandes que até mesmo uma faixa de legendas em klingon, com traduções no idioma criado por Marc Okrand para as produções trekkers, estava disponível globalmente no lançamento via Netflix.

Arte promocional do lançamento global de Discovery pela Netflix. (Crédito: Netflix)
Quanto à dublagem da série, por opção da CBS, ela estaria em boas mãos com o Grupo Macias, que promoveu as gravações no estúdio IDF Brasil, em São Paulo, iniciando uma longa colaboração com todas as produções que se seguiriam, nessa terceira era televisiva de Star Trek.
Para além das referências oferecidas pelo KNP da Netflix, o estúdio de dublagem contou mais uma vez com o inestimável trabalho de Anna Luísa Araújo nas traduções, egressa do antigo Jetcom e pupila de Cristina Nastasi, envolvida com a adaptação de Jornada desde a redublagem da Série Clássica, em 1991. Os textos não poderiam estar em melhores mãos.
A direção de dublagem ficou a cargo do jovem e competente Diego Lima, que já havia exercido a função na elogiadíssima versão brasileira da animação One Punch Man, considerada de forma unânime como excelente, melhor que a das vozes originais. Seu trabalho então apresentou as seguintes características: cuidado com os termos técnicos, atenção nas interpretações e ótima escalação de vozes. Com Discovery, seria a mesma coisa.

Diego Lima
Com a facilidade que temos hoje de comparar a versão dublada com a original, fica ainda mais notável a qualidade do trabalho. É impressionante como as vozes nacionais escolhidas por Lima “vestiram” bem os personagens ou “bonecos”. Não há exceções. E é maravilhoso poder ouvir palavras e expressões consagradas da linguagem trekker no Brasil: feisers, torpedos fotônicos, dobra espacial etc.
Nesse trabalho cuidadoso, Lima acabou conhecendo e se tornando amigo de Nogueira, o que facilitou o intercâmbio entre o esforço realizado pela Netflix para a localização da série e a equipe de dublagem do Grupo Macias, preservando a harmonia como raras vezes se viu na história das versões brasileiras de Star Trek.
Merecem destaque imediato Priscila Franco como Michael Burnham, entregando toda a complexidade emocional da protagonista com precisão e presença; Fábio Moura como o cauteloso e nobre Saru; e Ricardo Sawaya como o introspectivo e ácido Paul Stamets – vozes que não apenas combinam com, mas constroem os personagens em português.

Priscila Franco, a voz de Michael Burnham (Crédito: Arquivo Carlos Amorim)

Fabio Moura ao lado de Doug Jones; a voz brasileira e o intérprete original de Saru se encontraram por ocasião da StarCon realizada em 2 de fevereiro de 2019. (Crédito: Trek Brasilis)

Ricardo Sawaya, a voz de Stamets (Crédito: Arquivo Carlos Amorim)
Para a segunda temporada, outras vozes importantes chegariam à série, como Alexandre Marconato, que dublaria o capitão Christopher Pike, e Felipe Zilse, como voz brasileira de ninguém menos que Spock, em escolhas de Lima que reverberariam além de Discovery, conforme a franquia voltasse a se expandir na televisão. E a Netflix mantinha seu cuidado extremo com a série, a ponto de fazer uma exigência raríssima, ao solicitar a regravação de um trecho de diálogo com uma tradução problemática. Em questão de poucos dias após o lançamento do referido episódio (“New Eden”, segundo da segunda temporada), a fala estava corrigida.
O lançamento bem-sucedido da série, com a projeção que um canhão de comunicação como a Netflix poderia oferecer, reacendeu o interesse por Star Trek no fandom brasileiro. Houve muitos que estranharam os novos valores de produção e a linguagem visual modernizada de Discovery, para não falar em conceitos exóticos como a rede micelial e o motor de esporos, mas, apreciando ou não essa visão repaginada de Jornada nas Estrelas, os fãs não falavam de outra coisa. E, como toda publicidade é boa publicidade, o movimento voltaria a crescer.
A VOLTA DAS CONVENÇÕES INTERNACIONAIS
Mesmo com o balde de água fria jogado pela CBS sobre a turma da antiga Frota Estelar, havia a ambição de retornar. Em 11 de novembro de 2017, reuniram-se na casa do músico Marcos Kleine, em São Paulo, os quatro principais artífices da ressurreição, Luiz Navarro, Roosevelt Garcia, Paulo Gustavo Pereira e Edson “Zullu” Santos, somados a dois recém-chegados, convidados a participar da nova iniciativa: Salvador Nogueira, do Trek Brasilis, e Fernando Augusto Dias Afonso, então saído do Star Trekkers para se juntar ao grupo que ficaria conhecido como NovaFrota. A ideia partira de Nogueira, defendendo uma solução em que, a despeito do nome oficial alterado, todo mundo continuasse a chamar de Frota, mantendo a identidade com a marca anterior.
Com a vigilância da CBS, veio a decisão de ampliar o escopo do novo fã-clube, destacando fantasia, ficção científica e ciência como três pilares de atuação, dos quais Star Trek seria o mais importante, mas não o único foco. Para a largada, e para superar aquele teto de 200 pessoas que parecia limitar mesmo o mais inventivo dos eventos trekkers nacionais, ficou decidido que seria preciso algo grandioso, algo que não acontecia desde o longínquo 2003: a vinda de um astro de Star Trek para uma convenção.
O grupo trabalhou pensando em 2018 (de início maio, depois fixado em 18 de agosto) para a primeira das novas StarCons (o nome já havia sido usado antes pela antiga Frota), e o tema seria a celebração dos 25 anos de Deep Space Nine. O bom e velho Richard Arnold, ex-assistente de Gene Roddenberry e contato da Frota de outros carnavais, ajudou o novo-velho fã-clube a rapidamente fechar com René Auberjonois, o Odo. Uma campanha de financiamento coletivo chamada Um Pedaço da Ação foi lançada para arrecadar os fundos para a empreitada, atingindo com sucesso o intento. René e Richard estiveram, antes da convenção, no late-show The Noite, do SBT, com Danilo Gentili.
Os trekkers que foram ao saudoso Auditório Elis Regina, o mesmo que recebera Leonard Nimoy em 2003, viram um evento como há muito não se via. Aliás, como nunca se viu. Porque quase duas décadas de avanços tecnológicos se passaram, permitiram a realização de um grande espetáculos de luzes e paineis de LED, com show musical completo e outras atrações, além, é claro, de uma magnífica apresentação de René Auberjonois, ovacionado de pé pela plateia. A capacidade do Elis Regina era de 800 pessoas e pelo menos umas 600 (entre convidados e público pagante) estiveram lá. Foi, sem discussão, o maior evento do tipo desde Nimoy – a NovaFrota retomando de onde a antiga havia parado.

René Auberjonois no palco da StarCon em 2018. (Crédito: Fernando Rodrigues)

O Elis Regina volta a estar cheio para uma convenção de Star Trek, com René Auberjonois. (Crédito: Carlos Henrique Santos)
Para 2019, as ambições cresceram. Pela primeira vez, o fã-clube tentaria trazer um ator que estivesse em plena atividade com Star Trek ao visitar os fãs brasileiros. O astro Doug Jones, então celebrado por seu papel no filme ganhador de Oscar A Forma da Água (2017) e mais conhecido pelos trekkers como o kelpiano Saru, de Discovery, esteve no Brasil para mais uma StarCon, em 2 de fevereiro daquele ano – em plena temporada de primeira exibição da segunda temporada da série. Distribuindo abraços aos fãs reunidos no Teatro Eva Wilma (700 assentos, dos quais cerca de 450 foram ocupados), na Zona Leste de São Paulo, Doug encantou a todos com seu talento e simpatia, demonstrando no palco o andar de Saru e tomando todo cuidado para não revelar spoilers de episódios ainda não exibidos.

Salvador Nogueira e Doug Jones no palco da StarCon, em 2 de fevereiro de 2019, no Teatro Eva Wilma, em São Paulo. (Crédito: NovaFrota)

Foto de grupo com o público do evento; à frente Luiz Navarro, Roosevelt Garcia, Doug Jones, Fernando Afonso e Salvador Nogueira. (Crédito: NovaFrota)
A NovaFrota ainda voltaria à carga com mais uma StarCon naquele ano, a ser realizada em 5 de outubro de 2019, com a presença do ator Connor Trinneer, o intérprete do engenheiro Charles Trip Tucker, de Enterprise. Mais uma vez no Eva Wilma, o evento teve um público um pouco menor que o anterior, cerca de 350 pessoas, mas nem por isso deixou de ser uma ocasião muito especial, celebrando os 30 anos de fundação da antiga Frota Estelar. A comemoração contou com o lançamento de um livro chamado F30, resgatando a história do fã-clube com a colaboração de diversos autores, sob a coordenação de Salvador Nogueira e Fernando Penteriche.

Salvador Nogueira e Connor Trinneer no palco da StarCon F30, em outubro de 2019. (Crédito: NovaFrota)

Trinneer recebe o carinho do público brasileiro no Teatro Eva Wilma. (Crédito: NovaFrota)
Para 2020, o plano era sonhar com algo grande e trazer a um palco brasileiro uma estrela de A Nova Geração: Marina Sirtis, a eterna conselheira Deanna Troi. Contrato foi assinado, teatro foi alugado, ingressos começaram a ser vendidos… mas no meio do caminho haveria uma terrível pandemia, capaz de causar a morte de milhões de pessoas em escala global e colocando em suspenso eventos nacionais e internacionais. Quanto à produção de Star Trek, haveria impactos, mas nada capaz de congelá-la completamente. Foram anos em que o advento de Discovery se converteu no primeiro marco de uma terceira era televisiva da saga, com a introdução de outras séries e uma ambição do streaming americano CBS All Access se tornar o global Paramount+, usando Jornada nas Estrelas como um de seus principais alicerces.
Continua…
Carlos Amorim é advogado e pesquisador de dublagem e entretenimento, podendo ser encontrado nas redes sociais no Cinetvnews Virtual. Colaborou Salvador Nogueira.
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