A influência de Deep Space Nine sobre Ron Moore
O produtor Ronald Moore escreveu sessenta episódios, durante o seu mandato na franquia, dos quais metade foram para Deep Space Nine. Após sua saída da série, Moore passou a criar o reboot sombrio de Battlestar Galactica, que ele agora diz que nasceu na sala dos roteiristas de Jornada. Durante o MCM Expo em Londres, Moore foi entrevistado por HeyUGuys. Veja a seguir seus comentários.
Quanto controle você teve com o Deep Space Nine? É óbvio que escreveu muitos episódios, quanta influência você teve sobre a forma com que a série foi executada?
Moore: “Bem, você sabe, eu era parte de um grupo, havia uma equipe de roteiristas. Todos bolaram histórias juntos, era um grupo muito forte em Deep Space Nine. Ira Behr foi o escritor principal, e tenho certeza de que houve influência minha, mas seria difícil apontar qualquer um de nós e dizer “bem que você influenciou isso”, “e você fez aquilo”‘. Foi uma coisa muito colaborativa, nós nos sentamos em salas por horas a fio e argumentávamos e ríamos, apenas produzíamos as histórias dia após dia”.
“Foi difícil e olhando para trás agora foi muito mais intenso, uma coisa com prazo mais longo do que já tinha feito, porque estávamos fazendo 26 episódios de Jornada (por temporada), que no início da minha carreira fiquei pensando: “Bem, isso é apenas a TV”, e agora isso soa tão cansativo. Fazer treze é um número muito melhor: fazer dezoito ou vinte, você se sente como numa maratona. A idéia de fazer de oito ou seis a mais do que isso é simplesmente ruim”.
Moore fala sobre a briga com o estúdio com relação a aceitação do aspecto sombrio para a série.
“Minha luta com o estúdio nunca foi realmente filosófica. Eles eram mais específicos sobre as coisas, você sabe, as coisas de tonalidade: – ” Como é sombrio este episódio? “,” Quanto sangue você vai mostrar nesta cena?”, vocês sabem,”quão triste essa história particular vai ser?”. Então nós tínhamos grandes lutas: “Você não pode fazer isso, você tem que fazer aquilo”, então nós discutíamos e encontrávamos o melhor ponto de acomodação. Eu nunca tive argumentos macro com eles”.
Battlestar foi escrito da mesma maneira?
Moore: “É. Mudou um pouco, mas o fundamental ainda é o mesmo. É ainda um grupo de escritores em uma sala, colocando as cartas na mesa, e discutindo sobre qual cena deve ir primeiro, e qual é a melhor história. Pensávamos que estávamos contando essa história, mas estava se transformando naquela, ou esta não funciona, ou “Eu tenho uma idéia melhor”. O fundamental do trabalho em sala de escritores é a mesma coisa”.
Os paralelos entre a Battlestar Galactica e Deep Space Nine.
“Eu acho que muito de Battlestar nasceu em Deep Space Nine, já que Deep Space Nine iniciou mais episódico, devido à natureza da série, ela tornou-se mais uma estrutura permanente serializada. Eu realmente gostei, e descobri que realmente gostei desse estilo de contar histórias, e também, sobretudo, quando entramos no ano posterior do Deep Space, e começamos a contar a história do Dominion War (1997-1999), nós sentávamos, argumentávamos e discutíamos com os executivos que estavam no comando de Jornada sobre o que tornaria uma guerra mais realista, sobre o que tornaria mais corajosa, e feia, adicionando mais ambigüidade aos personagens, e um pouco de imperfeições, e fiquei batendo a cabeça contra as restrições à Jornada . A franquia não poderia acomodar as coisas que eu queria fazer, então eu passei a ter esse tipo de frustração em relação a - ”se estávamos realmente fazendo isso direito “, essas idéias ficaram cutucando minha cabeça. Quando Battlestar veio, eu pude fazer todas aquelas coisas que nunca me foi permitido fazer a Deep Space”.
Depois que reescreveu Galactica com David Eick, Moore trouxe uma série de outros escritores de Deep Space Nine. Ambos Bradley Thompson e David Weddle escreveram e atuaram como editores história para as duas séries. Além deles, Michael Taylor e Jane Espenson escreveram para ambas.
Fonte: Trek Movie e TrekWeb
32 Responses to “A influência de Deep Space Nine sobre Ron Moore”
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Assisti a Galactica, na primeira e segunda temporadas, depois desisti, a primeira foi perfeita, na segunda no meu entender a coisa ficou muito macabra, sem solução e de certa forma até angustiante, por isso não me interessei mais pela série, após ler a matéria acima percebí que não é o tipo de escritor que se pode dar liberdade, eu não daria se dono fosse de algum estúdio. Ele até é bom, mas, precisa de controle. Deep Space Nine sempre foi a série de Jornada mais baixo astral, agora sei porque.
Só vi um episódeo de DS9, não dá pra falar. Mas, concordo com uma coisa: o “espírito” de Jornada é pra cima, por isso eu não suportaria algo pra baixo.
Não que seja necessário estar sempre com episódeos perfeitos em situações perfeitas, mas ser muito down não combina com ST.
Mas, percebo que o cara é bom, só tem essa mania “down”.
Quer down, vai ver Blade Runner.
Quando a Paramount Brasil liberar os boxes restantes de DS9 eu prometo que expresso uma opinião…
DS9 tem muitos méritos. O maior deles certamente foi ter se afastado daquela coisa “POLITICAMENTE CORRETA” de STTNG. Alguns episódios de Picard & Cia pareciam vídeos instrucionais: “Olhem crianças: não façam isso”!
Em DS9 os personagens não eram perfeitos (como em ST original – a minha preferida) e nem “sem graça” (como os de STTNG – gostei de poucos episódios). Cada personagem tinha lá suas imperfeições e o sucesso de suas empreitadas estava mais ligado à interação entre pessoas tão diferentes e de propósitos tão divergentes. Quark, Odo, Garak e Gul Dukat eram personagens mais tridimensionais.
Ainda assim, minha série preferida era a jornada original de Spock & Cia. DS9 encontra-se em terceiro lugar na minha preferência. ENTERPRISE me agradou mais.
DS9 foi uma boa série embora tenha as vezes mostrado em excesso as mazelas humanas, mas teve o mérito de não apresentar personagens tão policamente e utopicamente corretos como em STNG. Moore e cia tentaram mostrar algo mais próximo da realidade dos conflitos humanos, onde alguns defeitos humanos podem persistir mesmo em uma sociedade mais próspera e avançada.
Gosto de Deep Space, e achei Battlestar Galactica sensacional, o final foi surpreendente .
BSG foi pefeita!
Poderia ter sido melhor se nao fosse a intervenção do estudio, mas isso nao existe. Até escritores de livros de scifi tem a intromissão dos editores.
Mas BSG foi realmente isso, mostrou a imperfeição do ser humano, o o fim que essa imperfeição nos levaria. Diferente de ST que mostra os humanos num mundo perfeito, na utopia do Rondenberry, mas mesmo assim vemos algumas imperfeições o que acaba gerando um mundo um pouco artificial.
Pra quem gostou, sugiro lerem a serie de livros do lendario Arthur C Clark, chamada de RAMA.
Não consegui me apaixonar por DS9 se assisti uns 3 episódios foi muito nem me lembro, acho que o fato de ser mais “hard” é que me afastou da série na época, eu gostava de STNG mas tenho que concordar que em alguns momentos era bem chata mesmo. Talvez se visse DS9 agora tivesse outra opinião.
De BSG só não gostei dos sobreviventes terem mandado sua frota para ser destruída no Sol. Ficou claro que o futuro dos sobreviventes seria asimilarem os costumes nossos e desistir do da sua tecnologia. Seria muito bom se houvesse uma nova série, mas não como o 3° ano de BSG classica, e sim com eles chegando na terra e se mostrando para todo mundo dando início a uma nova era.
Sobre DS9 achei ótima, tinha muito mais conflitos psicológicos, questões políticas, militarismo mais real e outras coisas que faziam os telespectadores se sentirem mais familiarizados com a trama. O problema era que muitos dos produtores acham que as pessoas só veêm TV (e cinema) por vício e por isso exigem que as produções tenham restrições nulas, como se tanto as crianças acostumadas com o Barney e os adultos que assistiam programas policiais fossem sempre ver ST. Imfelismente esse tipo de gente está acabando com a boa qualidade de muitas franquias.
De BSG só não gostei dos sobreviventes terem mandado sua frota para ser destruída no Sol. Ficou claro que o futuro dos sobreviventes seria asimilarem os costumes nossos e desistir do da sua tecnologia. Seria muito bom se houvesse uma nova série, mas não como o 3° ano de BSG classica, e sim com eles chegando na terra e se mostrando para todo mundo dando início a uma nova era.
Sobre DS9 achei ótima, tinha muito mais conflitos psicológicos, questões políticas, militarismo mais real e outras coisas que faziam os telespectadores se sentirem mais familiarizados com a trama. O problema era que muitos dos produtores acham que as pessoas só veêm TV (e cinema) por vício e por isso exigem que as produções tenham restrições nulas, como se tanto as crianças acostumadas com o Barney e os adultos que assistiam programas policiais fossem sempre ver ST. Infelismente esse tipo de gente está acabando com a boa qualidade de muitas franquias.
Desculpem pelo erro, em BSG Cassic foi na 4° temporada que os colonos de Caprica chegaram na terra e a série caiu no ridículo. Mas a 3° também foi péssima.
É… eu teria que assistir DS9 pra ter minha opinião. Acho legal que DS9 seja mais próxima da realidade, mas não seria interessante (a meu ver) ser down demais. Haveria um equilíbrio nisto tudo? Gostaria de pensar que sim.
Post 4: SAREK – eu sou louco por TOS, mas não consegui enxergar nela esta questão de “…os personagens não eram perfeitos (como em ST original – a minha preferida)”. Vc poderia explicar?
post 04.
Sarek, me permite discordar quanto a “perfeição” dos personagens de TOS.
Eles tinham muitos defeitos e qualidades e isso é que era o charme da série.
Todas as séries tiveram erros e acertos, mas TOS, talvez até pela originalidade e carisma da tríade central, foi a melhor, mas, numa avaliação pessoal, é que teve melhores e piores notas.
DS9 eu gosto mas para mim fica em quinto (ainda não assisti os anos 5 e 6).
Galática é cheia de absurdos e incongluencias, mas vale originalidade da produção (depois dela não consegui mais assistir a antiga. Ela se perdeu nos terceiro e quarto anos, mas se recuperou no quinto.
Valeu pelo esforço, mas ST é infinitamente melhor.
Post 12 – RALPH: Acho que Sarek quis dizer imperfeitos…
POST 11:
Talvez não tenha sido muito claro ao me expressar, mas quis dizer que em TOS os personagens eram perfeitos sim (em DS9 é que os personagens NÃO eram perfeitos como eram TOS).
Desculpe se me expressei inadequadamente.
POST 12:
Perspectiva interessante.
Porém não consigo vizualizar essas imperfeições (vejo apenas diferenças de personalidades não imperfeições).
Spock vivia se equilibrando entre a lógica vulcana e a emoção humana. Parecia sempre ganhar do bom doutor McCoy nas dicussões, mas lembro de de um episódio em que este último diz (não lembro as palavras exatas) que em cada mísero dia de sua vida Spock temia falhar – esse era o preço de sua busca insensata pela Lógica Absoluta.
Ainda assim, todos os personagens centrais da série eram PERFEITOS em termos de honradez e honestidade. Erão tão IDEALIZADOS que eram PERFEITOS. Esse foi o sentido de minha afirmação.
Ds9, Começa a ficar bom, na 4 temporada pra frente. Ng também. Em relação a ser mas sombrio, mistérioso, eu prefiro jornada assim. Como por exemplo: na 3 temporada de Ng, quando “Q”., Apresenta ao Capitão Picard, os Borgs…simplesmente espetacular!
Post 18
Gilson
Esse episódio é do segundo ano.
Abraços
Graças a Deus ele nao pode escrever tudo que queria em DS9, pois Galactica é um lixo, assim como está sendo SGU dos manés q resolveram copiar Galactica e Lost.
Abraços!
Assisti DS9 até o fim e como ja foi dito no meu ponto de vista a coisa engrena a partir do 4°ano,ão que as temporadas anteriores tenham sido nada a ver.enquanto TNG era toda polida DS9 mostrou o que é vc estar sem apoio algum da federação e ter que fazer valer a 1ªdiretriz.Lembre-se que Voyager ainda não tinha ido ao ar.Decidir de que lado ficar durante uma guerra que é o que acontece nesta série.Ela mostrou o outro lado da federação que não tinhamos ainda visto mas apenas sido insinuado.
Por essas e outras que adora essa série e a coloco em 2ºlugar após a clássica.quem ainda não viu de uma olhada para uma melhor conclusão,ah isso sem falar no episódio em que eles interagem com a clássica no episódio dos pingos.Sobre BSG sempre gostei do original e sempre que vi o novo tinha a esperança de ver algum ator do original mas isso aconteceu apenas com o Richard Hatch(Tom Zarek).Ainda espero algum trabalho sobre a série original.
TOS é minha série preferida simplesmente porque é original (antes dela parece que não existiu nada igual), tem histórias fantásticas (tipo O Lamento por Adonis, soberbo aquilo!) e com personagens fantásticos (principalmente os três) que ainda tiveram um enorme sucesso no cinema.
É dificil imaginar o desenvolvimento de personagens nos anos 60 com as mesmas caracteristicas de humanidade (imperfeições) que dos anos 90 pra ca que temos na tv, portanto, é como comparar quem jogava melhor, Pelé ou Maradona.
Penso que os personagens da TOS (Spock, Kirk e Mckoy) são bem equilibrados, me parece que a TOS e a TNG mostra a rotina de uma tripulação sobre controle, eles não criam laços com qualquer raça, pois é tudo episódico, é cumprir uma missão e partir para outra, enquanto em DS9, a tripulação está presa numa estação, e submetida a rotina da região (quadrante), eles criam vinculos com a vida de Bajor por exemplo, como o Sisko, portanto acho que em DS9 o Capitão Sisko e sua equipe tem outro tipo de experiência e isso leva eles a agir de uma forma completamente diferente que por exemplo o Picard.
Eu adoro a racionalidade da Nova Geração, e apesar de serem meio engomadinhos as vezes, TNG ainda é melhor série que a BSG do Moore, que no quesito realismo e scifi foi muito bem, mas aquele final totalmente metafisico da Starbuck e o abandono da tecnologia tirou uns pontos.
Nunca tinha visto DS9 e graças ao Scifi Channel, pude acompanhar até o final da 5 temporada (eu acho) parece que foi ai que o canal parou de exibir SPOILER………………………………………………
quando o Odo é transformado em humano pelos fundadores e ele descobre que o lider Klingon é um metamorfo.
Gostei demais de DS9, sempre vi de relance as imagens na época do universal e não me chamava a atenção, mas agora virei fã desses personagens, é impressionante como tudo funciona. Aquela cena entre o Quark e o Cardassiano alfaite em que eles comparam a Federação a um refrigerante é uma das cenas mais emblemáticas de Jornada que já vi. Fantástico.
DS9 é uma grande série, pena que foi mal exibida no Brasil e seus DVD’s foram mal lançados.
Pois é, DS9 merece um tratamento melhor no Brasil, aonde estarão estas temporadas finais?
Quanto a assistir a quarta temporada no canal Sci-Fi, Deus do Céu, é propaganda d+ aquele canal (deve ter a maior razão de horas propaganda/programa da tv mundial !!)!!! Não rola não, perco a paciência com isso! Assisti somente até a teceira temporada (dvds lançados) e é a melhor série depois de TOS(opnião, obviamente).
nBSG é muito bem escrita! Como toda série, teve seus problemas. Um deles foi criar problemas, inimigos e situações que somente com muito esforço poderiam ser resolvidos (vide Starbuck!). De resto e com alguma suspensão de descrença é muito boa!
E o episódio: ” Mais problemas com Pingos! ”
Aquele episódio foi o estado de arte que qu acho que influenciou a remastrização de TOS (estou supondo, não sei se foi assim) Onde eles interagem com o Kirk & Spock na estação K7.
Esse episodio não tem nada de down e foi maravilhoso! Nem só de baixo astral, viveu DS9…
Depois de TOS é a minha preferida!
Jorge, concordo com você a respeito do episódio dos Pingos, mas, é justamente isso, a base vem da série Original, DS9, não tinha base para ser mais alegre. Tudo era muito paranóico, pior que isso só a terceira temporada de Enterprise.
Na realidade, DS9, sob qualquer aspecto “x”, tem mais “x” do que qualquer outra série de Jornada. E com comédias não é diferente. Existem dois artigos, no antigo TB, e escritos por um cara que por acaso tem o meu nome, que falam exatamente disto. Inclusive da obra-prima “In The Cards”, do qual cito:
“Mesmo nos momentos mais sombrios, sempre podemos encontrar algo… que nos fará sorrir.”
Os personagens da TOS eram largamente idealizados e maiores do que a vida (tendo sido vistos mais humanizados no cinema, graças aos esforços de Nick Meyer), mas de forma alguma eram “perfeitos” como os da TNG, série que sempre sofreu com a caracterização dos seus personagens.
Os personagens de DS9 foram de longe os mais falhos e mais humanos de toda a franquia e a série sempre foi sobre eles, o resto todo sendo largamente secundário. A série sempre foi pensada assim.
Nunca foi intenção do Ira Behr em “consertar jornada acabando com ela”. A idéia sempre foi desafiar a percepção sobre o que é Jornada, mas sem nunca esquecer o que é Jornada em primeiro lugar. E Ron Moore concordava com isto e assim afirmou em pelo menos uma entrevista anterior. O resto é besteira…
Abraço
Castanheira
Eu não consigo comparar DS9 com Galactica ou Stargate, são universos completamente diferentes, e na minha opinão, muito ricos. Curto muito Galactica (simplesmente AMEI o final), Stargate eu acho um pouco cansativo, apesar dos personagens carismaticos (curti tanto SG1 quanto Atlantis). Já DS9 não assisti mais do que os episódios que saíram em DVD no Brasil, e ainda assim adorei tb. Acho um crime comparar essas séries entre si, não faz o menor sentido. Cada uma é ÚNICA dentro do contexto da ficção científica.