Entrevista com o diretor Nicholas Meyer
Neste final de semana, o Laemmle Royal Theater, em Los Angeles, foi palco para o evento Simply 70 Star Trek movie series, onde os fãs puderam assistir seis filmes de Jornada, no formato 70 mm. E o convidado especial foi o diretor Nicholas Meyer. Num bate-papo com a platéia, ele falou sobre seu trabalho na franquia , bem como a reimaginação de J. J. Abrams e se estaria interessado em dirigir o próximo filme de Star Trek.
A palestra foi conduzida pelo editor do Trek Movie Anthony Thompson, que nos apresentou um video desse bate papo e um resumo do que foi falado por Meyer.
• Sobre o sucesso de A Ira de Khan: “Filmes são semelhantes a soufflés, eles podem crescer ou não, os ingredientes de cada filme mudam, há muitas variáveis … se der uma boa imagem, é um milagre”;
• Ele não quis pensar na Ira de Khan como uma sequência do primeiro filme, mas observou que é mais uma sequência do episódio da série original ”The Seed” (A Semente do Espaço);
• Não tinha visto muitos episódios de Jornada, e foi mais influenciado pelos romances de Horatio Hornblower;
• Sobre o diretor Robert Wise em Star Trek: O Filme, disse que foi mais influenciado pelo filme de submarino do Wise, Run Silent Run Deep (O Mar é Nosso Túmulo);
• Disse que não está interessado hoje em dirigir blockbusters, porque eles são como ”linhas de montagem”, observando que nenhum deles ”parece ter qualquer interesse ou convicções na história”;
• Não ficou feliz com o quinto rascunho do roteiro para A Ira de Khan, então ele reescreveu o filme (sem por seus créditos nisso) porque tinha que ser feito em tempo para manter a programação e não prestou atenção às regras da WGA (Sindicato dos Roteiristas Americanos), brincando, “talvez se eu tivesse prestado mais atenção, eu teria ganhado mais dinheiro”;
• Um mês antes da estréia, o executivo chefe da Paramount, Barry Diller, expressou profunda preocupação com a morte de Spock e a imagem de Kirk como o pai ausente, mas Meyer recusou-se a fazer qualquer alteração, ameaçando fazer piquete (manifestação), se o estúdio mudasse o filme”;
• Sobre o questionamento dos fãs na época dizendo: “você não pode matar Spock”, sua resposta foi, “sim você pode, você apenas tem que fazê-lo bem”, acrescentando, “a arte não é uma democracia”;
• E sobre revelar o roteiro de filmes antes da estréia: “A autoridade dos artistas em uma obra de arte termina quando a obra estiver concluída, os artistas são pessoas que enviam mensagens em garrafas e esperam que alguém ache a garrafa, puxe a rolha, e decifre o que está dentro , mas não vamos desprezá-los e explicar o que está dentro”.
A última pergunta (a pedido de muitos e-mails e via Twitter), considerando a sequência de Star Trek. Foi perguntado ao Meyer “Se J.J. Abrams não puder dirigir o próximo filme de Star Trek, você estaria interessado?”, pergunta essa que recebeu muitos gritos de aprovação da platéia. Resposta de Meyer (com um sorriso): “Isso depende do roteiro”.
10 Responses to “Entrevista com o diretor Nicholas Meyer”
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Ficaria imensamente feliz se Nicholas Meyer retornasse para um novo filme, JJ tem muito o que apreender com ele!
Brilhante. Sempre com um humor meio “velha guarda”, meio “auto-depreciativo”, bem característico. Saudades dele e também do Ira Behr.
Abraço
Castanehira
Eis alguém que honrou e acrescentou muita coisa a ST, muito diferente daquele picareta que sepultou Nêmesis. Não é mera coincidência que os dois dos melhores filmes tenham a sua mão.
Como já disse antes, parece que o Meyer foi feito para dirigir ST. Ainda mais com sua afirmação de que o roteiro tem que ter alguma profundida. Um diretor tem que ter muita coragem para dizer que não direge blockbuster devido à superficialidade do roteiro, ele pode ser segregado devido a isso.
Se ele fosse confirmado como diretor do próximo filme, garantiria um roteiro de nível para ST, o problema é que a Paramount quer grana e não reconhecimento artístico.
Esse é o problema …
Nicholas Meyer é do mesmo calibre de Nimoy. Ele é o cara. ST estaria salva nas mãos dele, com certeza. Cabra macho!
KHAAAAAAAAAAAAAAAAAAAANNNNNNNN!!!
Desculpem-me se eu parecer exagerado, mas de certa forma acho que encontrei alguém que pensa como eu, e acho também que muita gente está começando a ver que as coisas do jeito como vão não é Jornada nas Estrelas.
E só para dizer que eu não comentei o artigo em sí se depender do roteiro de Orci e Kurtzman o Meyer nunca que fará um novo ST. E nem adianta achar que o Lindelof pode mudar alguma coisa.
Padofull : concordo em parte com vc. Sim, esta ST 2.0 não é bem a nossa ST 1.0. Mas ela tem alguns elementos da original. O que precisa é corrigir algumas coisas que fica tudo bem. Melhorando o Scoty, tirando o bichinho dele, acabando com cervengenharia, não dar o enfoque “vou da porrada” que a Zoe quer e centrar a história no trio – a coisa melhora. Com bom rotiro, claro. Um pouco de ação não faz mal… isto pode ficar…
rotiro = roteiro
Nos extras dos DVDs dos filmes II e VI (acho que nesse tem também), tem umas entrevistas muito bacanas com o Meyer. Uma pena que ele parece estar numa “semi-aposentadoria”.