Um Cânon, Várias Cronologias
Observando toda a celeuma que está surgindo em torno do aspecto “cânon” do vindouro filme de Jornada nas Estrelas, eu acredito que é importante deixar claro um fator que o fandom não está considerando muito a respeito do “reboot” que o novo filme parece preparar: é perfeitamente possível existirem várias linhas de cronologia dentro do mesmo cânon. Desta forma, o reboot pode de fato ser no estilo “guardar o bolo e o comer também”.
Em um reboot tradicional, sem Spock velho e estes aspectos da trama proposta, seria tudo do zero total: o novo filme seria tanto uma cronologia nova como também um cânon completamente novo. Mas no reboot proposto, usando Nero e o Spock velho para criar uma linha temporal diferente, o cânon continua válido mas com uma nova linha temporal em adição as várias já existentes.
Qual a diferença? Muita, na realidade. Para entendermos a razão, precisamos considerar que todos os eventos de tradicionais linhas temporais alternativas, como dos episódios Yesterday Enterprise, The Visitor, Children of Time e vários outros são cânon. Não são como TAS ou o material do Universo Expandido; estes episódios ocorreram em linhas temporais alternativas, modificadas, diferentes da principal, mas são produções válidas pelas regras de cânon estabelecidas pela Paramount.
Assim, na primeira opção de reboot, todas estas linhas temporais alternativas cânones teriam que ser desconsiderados por completo juntamente com qualquer elemento regular do cânon. Mas na segunda opção, estes tradicionais eventos de linhas temporais alternativas continuam perfeitamente válidos enquanto elementos do cânon — já que ocorreram em tela em episódios válidos — mas são suas próprias linhas de cronologias alternativas em contraste à atual linha terminando em Jornada nas Estrelas: Nemesis. Com o novo filme, a atual linha cronológia principal passa a ter a categoria das demais alternativas, com o novo filme se estabelecendo como a linha cronológica principal.
Esta é a chave para se encarar as mudanças como um todo do filme: cânon e cronologia não são a mesma coisa. Isto é o que faz todos os episódios de linhas temporais alternativas feitos até hoje serem parte integrante do cânon de Jornada nas Estrelas — apenas seus eventos é que existem em cronologias próprias dentro do todo sem interferirem na principal. O novo filme vai estabelecer uma nova linha principal, colocando a atual na categoria das demais: cânone, mas diferente cronologia.
Uma ironia final é que isto tudo torna a especulação de Dulmur, o agente temporal visto no final de Trials and Tribble-ations, válida: após o novo filme de Jornada nas Estrelas, eles realmente estão em uma linha temporal alternativa, não mais a principal. Não a alternativa que eles pensam, mas alternativa, ainda assim.
58 Responses to “Um Cânon, Várias Cronologias”
Comments
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Belo artigo, Leandro! Penso que essa seria a explicação mais “inocentadora” para Abrams & Patota… é aguardar e ver!
Naaah.
Ele jogou o carro no precipício.
O Carro é o Canon.
O Canon está lá… no precipício…
GOOD BYE Canon!!!
O “canon” já tinha ido (parcialmente, admito!) pras cucuias com “Enterprise” já faz algum tempo…
O Canon está no Canyon!!!
Quebras de cânon realmente ocorrem quando são elementos que entram em contradição dentro da mesma cronologia. Mas, digamos, Tasha na Enterprise em Yesterday Enterprise e Tasha morta durante a 1T de TNG, são ambas Tashas cânones.
É isso aí, quem está preocupado que o filme vai “destruir” a cronologia TOS, TNG, DS9, etc. pode sossegar. O filme do Abrams cria uma nova linha temporal, ao mesmo tempo que mantém a tradicional intocada.
De qualquer forma, os episódios e filmes de Jornada nas Estrelas não sumiriam, mesmo que o Abrams e a Paramount “zerassem” a cronologia com o novo filme.
Esqueçam o cANON, O MOMENTO É DE RENOVAÇÃO E DE salvar A FRANQUIA DA MORTE.
Estou começando hoje a deixar recados. Demorei a tomar essa iniciativa. Mas sobre o canon, tinha que me cadastrar. São novos tempos e novas idéias. Acredito que ST precisa voltar a ter novo seriado e novos filmes, para isso, nada como um grande diretor para tornar ST interessante e capaz de captar mais trekkers. Que assim seja. Kaplah a todos e vida longa e próspera… sempre!
Tal conclusão não é nada complicada, tudo muito simples. É por isto que eu considero o tema um não-assunto a respeito do filme; tem peixe muito maior para ser fritado a respeito do resultado final, o qual estou aguardando para ver. C&C continua registrando bem baixo no meu Importanciômetro.
Alias o JJ está LOST! Fringe que sabe tudo do Canon… Ok a outra foi melhor.
Sou a favor do “reboot mascarado”.
Na verdade depois que acabou a TOS, sempre que mexeram na linha temporal deu meee….a. Muitas vezes o escritor usa isso como ultimo recurso para a sua falta de criatividade.
O que não dá pra engulir é o JJ enterrar a veia científica de TOS para transforma-lo em um filme de aventura.
Se fosse assim, ele que fizesse um reboot de BABYLON 5
“tem peixe muito maior para ser fritado a respeito do resultado final, o qual estou aguardando para ver. C&C continua registrando bem baixo no meu Importanciômetro.”
– Exatamente como eu penso!
“Na verdade depois que acabou a TOS, sempre que mexeram na linha temporal deu meee….a. Muitas vezes o escritor usa isso como ultimo recurso para a sua falta de criatividade. ”
– O que levanta uma questão polêmica: se o autor mexe com a linha temporal, alterando de modo leve ou significativo, uma turba de fãs se levanta contra as modificações feitas (que nem sempre são pra pior); agora se o autor resolve mexer na linha temporal como exercício de imaginação, valendo-se do famigerado “efeito reset” no final do episódio, ele é igualmente execrado por uma outra leva de fãs. Parece-me que criar uma história com o tema “viagem temporal” é garantia de impopularidade de boa parte do fandom (não me incluo aqui pois gosto da maioria dos episódios desse estilo, independente do efeito reset)
“O que não dá pra engolir é o JJ enterrar a veia científica de TOS para transforma-lo em um filme de aventura.”
– Ainda é cedo pra tirarmos esse tipo de conclusão.
Acho que tem neguinho confundindo o J.J Abrams como J. Michael Straczynski, criador de Babylon 5… que aliás apresentou de fato à Paramount uma idéia para retomar a franquia de Jornada. Quanto a “enterrar a veia científica de TOS para transforma-lo em um filme de aventura”, não se preocupe Edu – isso já aconteceu há vários filmes atrás.
VIVA J.J. ABRAMS!
VIVA o cânon!!
VIVA todo mundo!!!
Mim sabia… não tinha como ser relacionado a linha temporal original…
Post 15:
UGA! BUGA!
Não confundam… JMS – criador de Babylon 5 e JJ. Abrams! ^^
Esse é um filme que nega o passado (Enterprise construída no chão, mesmo o investimento e tecnologia de fazer a NX-01 80 anos antes, é isso?) e nega o futuro ( conforme a explicação de maluquinho). Sinceramente, o JJ fez o filme e colocou algumas coisas lá pra moçada lembrar que aquilo que estão assistindo seria Star Strek, simples.
“Canon”… Hunf!
Deixem StarTrek ser o quel ele é:
TV SHOW!
T.V. S.H.O.W. !!!!!!!!!!!!
TV SHOOOOOOOWWWWWW!!!!!!!!!!
mas o post 10 foi engraçado!
Será interessante ver que sigla pode virar consenso entre o fandom para se referir as produções que retratarem o mesmo período na nova cronologia resultante do filme. nTOS, talvez?
Este artigo é a maior bobagem que já li. Ele não esta em uma linha temporal diferente coisa nenhuma. É só mais um palhaço tentando ganhar dinheiro com o trabalho desenvolvido pelo Gene Roddenberry, assim com os palhaços que criaram esta “série” Enterprise, VG, DP9 e etc.
Usam o nome da série classica para ganhar grana com os probres fãs e seguidores do trabalho de Gene Roddenberry.
post 16.
Uga bagaaaa… uga buga??
Post 21.
Creio que, assim como foi adotado por todos para a Nova BattleStar Galactica (nBSG), acho que o mesmo pode ser adotado para a nova TOS, nTOS!
Já deve ter sido falado, mas o Nero, com esse lance de viagem no tempo, não estaria causando estragos em diversos períodos distintos?
Antes mesmo que possam dar um jeito no vilão (a partir da viagem temporal do velho Spock), ele já teria alterado uma série de coisas – o que explicaria uma série de modificações na história “oficial” – que seria substituída, como bem colocou o Leandro, por uma nova linha de tempo.
- A Enterprise sendo construída em solo poderia ser alguma precaução por conta de um ataque anterior (Kirk não fala sobre uma investida romulana – obra do Nero – no espaço terrestre similar ao que acontece em Vulcano em dado momento?).
- Kirk saber dirigir um carro implicaria que sua criação teria se dado de forma um pouco diferente da antiga linha temporal, uma vez que seu pai foi morto nessa nova linha – exatamente numa batalha com uma nave de outro período de tempo.
Só especulando. Talvez nada disso tenha passado pela cabeça dos realizadores do filme…
Parece que alguns colegas não entenderam: ST XI não irá invalidar o cânon, ele criará uma linha temporal diferente que será acrescentada ao cânon
Eu pergunto:
Mirror Universe não faz parte do cânon?
Yesterday Enterprise não faz parte do cânon?
Eu me lembro de um epsódio (esqueci seu nome, acho que é da sétima temporada) de STNG em que o Worf é pego em uma distorção quântica que o fazia “pular” entre várias realidades alternativas. No final do episódio, surgiam inúmeras “Enterprises D” dessas realidades alternativas. Em algumas, Picard estava morto, em outras Tasha estava viva e tinha uma em que um Ryker enlouquecido pedia ajuda, já que na sua realidade os Borgs tinham destruido a federação.
Pois é…todas essas versões fazem parte do cânon!
Estamos em uma situação diferente de “Enterprise” (que violava o cânon) e com certeza não estamos diante de um “reboot”. Foi uma solução muito inteligente e que usou um dos elementos da mitologia da franquia.
Cabe a nós agora indagarmos:
Realmente desejamos a continuidade da franquia?
Estamos diante do dilema de Kirk e Spock em ST VI “A Terra Desconhecida”? Até onde irá nossas intrasigências?
Vamos transformar esse filme na “Geni” dos trekkies? (vejam a letra da música do Chico Buarque, é muito esclarecedora).
Discordo totalmente. As linhas temporais distintas que existiram dentro de ST não foram levadas adiante, são linhas que podem até existir (como de fato isto é proposto). No caso do filme, não há uma auto referência, ou seja, nada do que existe atualmente está apontando para este novo filme como uma linha alternativa.
Explicando melhor: quanto vc vê uma linha alternativa num episódeo de ST, fica calro que ouve um evento que levou os personagens da linha “normal” a visitarem a linha alternativa e, depois disso, a linha normal seguiu serenamente. Não importa para nós o que esta acontecendo naquela linha alternativa e nada sobre ela foi continuado, pois era só um episódeo.
Então, é canon o fato que a linha alternativa foi “visitada” pela normal e os fatos lá ocorridos ficam por lá mesmo.
Agora, com este novo filme, conta-se uma hostória, onde um dos argumentos é “mostrar como tudo começou”. Ora, se vai contar como tudo começou, mas em uma linha alternativa, então não é o começo da linha normal, mas da alternativa. Então, é outra ST, outra linha, que derruba aspectos do canon, joga fora mesmo.
Como uma linha A pode querer mostrar como tudo começou na linha B, se quebra os preceitos de B?
Eca: meu post 26 – ouve –> houve
E o Bill Shartner hein? Antes o pessoal só falava dele e especulava sobre o filme. Agora esqueceram dele, mas continuam especulando sobre o filme. Não sabemos de quase nada. Apenas o pouco que lemos de entrevistas rápidas e os 120 segundos do Trailer.
Do jeito que as coisas estão indo, em Abril de 2009 JJ será linchado em praça pública. Mesmo que o filme seja ótimo !!!
Life Long and Prosper \\//_
Apenas uma modificação ao post 24 – a antiga linha de tempo não seria substituída/apagada por uma nova linha.
Apenas o foco seria, a partir de agora, a realidade alterada – mais ou menos como se, a partir do final da sétima temporada de TNG, acompanhássemos os eventos que levam ao que vimos em All good things, e não os eventos que resultaram na linha cronológica mostrada nos filmes.
CÂNONES, DOGMAS E RACIONALISMOS
Estabelecer uma nova linha temporal, alterar cronologias, tecnologias, formato das naves icônicas – personagens em si – quaisquer dessas transformações se dão apenas na forma do universo de ST.
A não ser que se creia em uma dogmática da forma, em uma canonicidade da casca vazia, essas alterações podem incomodar, mas pouco dizem a que vieram e, no fundo, se submeterão às exigências estéticas que se julgarem determinantes para que o filme tenha bilheteria (se isso significa sucesso ou não, como alguns aqui pretenderam afirmar, isso é outra discussão).
O busílis quanto ao incômodo do filme não reside na forma, na aparência, mas naquilo que era essencial em ST: os valores que afirmava (democracia, diversidade, pluralismo, expressos, dentre vários outros meios, no lema “infinita diversidade, infinitas combinações”), e a coerente personalidade dos personagens principais, estruturada naqueles valores. Enfim, ST possui um conteúdo ético que a diferencia de um mar de bobagens ficcionais, muitas apenas pretensamente científicas.
Assisti toda a TOS inúmeras vezes, TAS, TNG, DS9, VOY e ENT completas, e, mesmo estranhando diversos escorregões, e descontente com inúmeras variações de qualidade, posso afirmar que, no geral, se mantiveram coerentes com esse conteúdo, o que é um feito, considerando o tempo de duração da franquia (mesmo em TAS, aqui tão desconsiderada).
O incômodo que assalta a mim, e mais a alguns outros, são os indícios de que a próxima produção não guarda compromisso nenhum com esse conteúdo ético. No lugar de referências a Abrahan Lincolm, Gandhi, Martin Luther King, Herman Melville, Spinoza, Hemingway, Faulkner e Einstein, podemos esperar citações de Bill Gates, Donald Trump, George Bush Filho, Harold Robbins, Paulo Coelho et caterva.
Enfim, a cor dos olhos ou a idade do novo Kirk, o formato da seção de engenharia, ou o cumprimento das minissaias, são secundários. O esvaziamento do conteúdo não.
Resume-se:
A nova geração do scifi pede mais ação, menos emoção. Vá ao inferno o conteúdo, o que importa são os efeitos especiais, explosões e corpos sarados!
Eu espero que isto não atrapalhe o filme, mesmo que comercialmente. Você tem um papel em branco na frente e ao invés de contar bem uma história que mereça ser contada você convida esta (literal) infinidade de confusões potenciais.
BRECA ESTE TREM QUE EU QUERO DESCER!!!
Abraços
Castanheira
POST 30
Enfim, a cor dos olhos ou a idade do novo Kirk, o formato da seção de engenharia, ou o cumprimento das minissaias, são secundários. O esvaziamento do conteúdo não.
Concordo plenamente.
O incômodo que assalta a mim, e mais a alguns outros, são os indícios de que a próxima produção não guarda compromisso nenhum com esse conteúdo ético. No lugar de referências a Abrahan Lincolm, Gandhi, Martin Luther King, Herman Melville, Spinoza, Hemingway, Faulkner e Einstein, podemos esperar citações de Bill Gates, Donald Trump, George Bush Filho, Harold Robbins, Paulo Coelho et caterva.
Esta é a questão Jorge: nós não sabemos! Não podemos nos basear em um trailer de 120 s feito para chamar as pessoas para o cinema. Esse trailer não é um “making-off”, não é um documentário, não é um blog de produção…é somente um trailer. Para responder sua pergunta, devemos nos perguntar: quem é JJ Abrams? o que ele já fez? qual é seu estilo? Porque ELE é que vai definir esses aspectos.
Acho que a questao principal na franquia é conquistar um novo público e manter-se financeiramente. Sem isso nao havera novos filmes, ou series de TV.
Sinceramente, Jornada é um show de TV! Um otimo show de Tv! Nao entendo essa intransigência quase religiosa por detalhes como se a nave foi construida no chão ou não. Parece que isso é que vai definir se o filme presta ou nao. Isso não é relevante para um bom filme. O filme talvez seja até ruim (espero que não, sinceramente. São mais de 20 anos acompanhando a serie e seus spins), mas não sera por causa desses detalhes que vamos sair do cinema admirados ou horrorizados.
E vamos manter a perspectiva: É um show de Tv!
Jorge (#30), não seria verdade que é exatamente o esvaziamento de conteúdo que deixou Jornada à beira do esquecimento nos últimos anos?
Entendo o que quis dizer, mas não seria precipitado afirmar que o próximo filme vai beber dos exemplos mais rasteiros que temos em termos de figuras públicas?
Por que você acha que seria assim?
Chrono (#31), não sei se concordo com vc, acho que qualquer geração quer é uma grande história – e sentir que ela é, em algum nível, verdadeira. Filmes feitos apenas de maquiagem não costumam faturar tanto. Claro, tem Piratas do caribe pra dizer o contrário, mas acho que isso é exceção à regra.
De qualquer jeito, quanto ao trailer, a ação fala mais alto mesmo. Aliás, mostre o trailer de Jornada I e logo depois o de Jornada XI para alguém que nunca viu Star Trek, e vc terá alguém em estado de choque ;o)
Gente se STXI for um tunel do tempo, alias isto vem permeando a franquia nas ultimas séries (Voyager, Enterprise) isso vai se tornar muito relativo.
Daqui uns dias nós iremos a televisão ou ao cinema e não saberemos mais se aquilo de fato é cÂnon ou se será alterado por uma nova linha temporal no próximo filme, série, animação, HQ ou sei lá o que mais.
Esse negócio de alteração de linha temporal tá mais para TUNEL DO TEMPO como já citei acima do que qualquer outra coisa.
A Paramount deveria comprar os direitos autorais da 20th Century Fox e fazer um reboot do TUNEL DO TEMPO, ai sim eu iria gostar, pois também fui fã da série. Agora misturar uma coisa com outra não dá, não dá mesmo. Isto está virando uma bagunça generalizada.
Creio que se as coisas continuarem assim em STXII Kirk apareça de olhos castanhos, os borgs voltarão do futuro e tentarão alter novamente a linha temporal, e o Sr. Picard terá novamente um encontro emocionado com o Kirk jovem no comando da Enteprise.
Aonde iremos parar gente, BASTA, BASTA.
CHEGA DE ALTERAÇÃO DE LINHA DO TEMPO.
Apesar de eu dar muita importância para a parte importante do canon, acho que o post 30 tá muito certo. O conteúdo é importantíssimo.
Quantos “importantes”…
Mas na nova linha temporal aparecem sutiãs…
26:
> Então, é outra ST, outra linha, que derruba aspectos
> do canon, joga fora mesmo.
Que derruba aspectos da cronologia atual, Luís. Mais uma vez: cânon não é cronologia.
O novo filme toma de TOS, TNG, DS9, VOY e ENT e dos dez outros filmes a condução daquilo que a Paramount considera como principal cronologia narrativa da franquia. Mas o novo filme não faz com que TOS, TNG, DS9, VOY e ENT e dos dez outros filmes passem a ter o status de TAS, por exemplo.
Mais uma vez: o que foi feito até agora não passa para a coluna onde fica TAS e o UE. O que foi feito até agora passa a ter o mesmo status de linhas temporais alternativas.
Mas se vocês querem continuar reclamando de alguma coisa neste aspecto contra o JJ, então passem a reclamar com a nomeclatura correta. Passem a reclamar daquilo que realmente acontece, e daquilo que realmente seria o… “problema”: a franquia ganha uma nova cronologia para considerar como principal palco de narrativas. A atual fica aposentada.
Quanto a mim, bem… vocês estão ouvindo este barulho?
Não?
Nenhum?
Pois é. É o barulho que faz eu me preocupar a respeito de se o C&C está sendo modificado.
Concordo com o Leandro que canon e cronologia são coisas diferentes.
Mas causa um certo desconforto saber que tudo o que acompanhamos até hoje passa a estar num “universo alternativo”.
Só acho que se queriam recontar ou recomeçar franquia ST ,não precisavam usar uma desculpa tão velha e manjada quanto viagem temporal.. só faltou um carro voador e um cientista maluco….
Na minha visão a única série que o “canon” é mantido é TOS!!!! Ou estou enganado?????
Nas outras séries ou filmes o “canon” é quebrado em algum momento não?
Post 39:
Certo… mas pra mim as coisas importantes do canon não podem ser desrespeitadas. Por exemplo: o fato da Enterprise ser construída no chão ou nas docas não faz muita diferença, mas o que é sabido da seqüência de comando da Enterprise, sim. Ambos ferem o canon, mas em diferente grau.
Volto ao ponto:
JJ e Cia (atores e produção) disseram que contariam como a coisa começou. Bem, só que este começo pode não ser na linha que conhecemos, mas de outra. Não parece estranho? Então não é como começou, mas um recomeço. Percebem a diferença?
É o que eu digo sempre: pode ser um ótimo filme, espero que continue e coisa e tal, mas pode ser que seja realmente outra linha, uma ST 2.0
O engraçado é que, se assim for, isto contrariará o que JJ sempre disse: não é um reboot, é mostrar como as coisas começaram…
Não foi isso que ele sempre disse?
Por outro lado, recentemente, ele afirmou que o novo filme é principalmente para os novos fans. Vejam a palavra principalmente.
Pra mim só existe um canon, com uma cronologia. No post 30 eu defendi esta idéia: o que é mostrado em episódeos e/ou filmes como linhas alternativas nada ferem o canon, na verdade se incorporam ao canon (ou seja, fulano foi ao passado fazer tal coisa – isto vira canon). Temos uma linha, digamos, normal, e as possíveis alternativas. Estas linhas alternativas morrem ali no episódeo onde começaram, e a linha normal segue adiante.
Claro, não sou desavisado a ponto de ignorar que deslizes foram cometidos ao longo destes anos todos (por exemplo Khan reconehcer Chekov – coisa sem importância), mas o que me intriga é o fato de JJ não ter dito o seguinte: olha pessoal, vai ser um reboot, o Nimoy tá aqui só pra dar um p. peso pro filme e vamos manter só o espírito da coisa, com mais ação.
Não creio que seja isso que ele (JJ) tenha dito este tempo todo.
É muito pessimismo e espírito de Regina Duarte.
ST deu certo e sempre dará, sempre continuará, com os fãs, fãs filmes, games etc, mod de games.
A franquia já possui uma inércia própria. A natureza odeia o vácuo ( acho que alguém disse isso num filme de ST), sempre há media ST para consumir. Degradar a qualidade sim faz desencantar e esse é o grande risco, não é ser esquecido, mas é ser odiado.
É isso que JJ não pode pensar em fazer.
^Post 30:
“Assisti toda a TOS inúmeras vezes, TAS, TNG, DS9, VOY e ENT completas, e, mesmo estranhando diversos escorregões, e descontente com inúmeras variações de qualidade, posso afirmar que, no geral, se mantiveram coerentes com esse conteúdo, o que é um feito, considerando o tempo de duração da franquia (mesmo em TAS, aqui tão desconsiderada).
O incômodo que assalta a mim, e mais a alguns outros, são os indícios de que a próxima produção não guarda compromisso nenhum com esse conteúdo ético.”
Lá vou eu ser esculhambado por alguns mas, pela fala acima, mesmo B&B não perderam a coerência canônica.
^ Post 44:
“… o grande risco, não é ser esquecido, mas é ser odiado.”
Não é isto que diz o adágio popular, senso comum, mas sim “Falem bem ou falem mal MAAAAAAS falem de mim”. Ou seja, não me esqueçam.
Tholanos (sim, tholanos) e a Cel. Samantha Carter utilizariam a teoria dos multiversos infinitos para justificar o “desvio temporal”. É o auxílio anterógrado de SG à ST, no quesito temporalidade/dimensionalidade da ação.
A-koo-che-moya, Gene …
Vou postar aqui o que escrevi em uma lista de discussão:
“eu gostei [do trailer]. promete. pode ate nao cumprir, mas vai levar muita gente ao
cinema. No minimo no minimo, vai ser um filme muito bonito.
eu tenho lido muitos foruns internet afora, e confirmado coisas que ja
tinham me ocorrido: tem gente que reclama de simplesmente todas as
series e filmes, gente que diz que nao tem um longa que preste, ou que
depois de TOS nao se fez nada de bom. Po, se nada eh bom, esse cara é fa
de que serie ????
Uns filmes e episodios ficam bons, outros nem tanto. Mas, bem feito ou
nao, Jornada eh sempre Jornada, e eu sou fa incondicional. Até de “o
cerebro de spock”. Com roteiro bom ou ruim aqui e ali, aprendi a gostar
dos personagens e da essencia, da mensagem que a serie traz, e mesmo com
a pirotecnia que precisam por em um filme hoje para vende-lo, ainda é
jornada. Jornada vive em nos, nao nos filmes. Filme bom ou nao, sempre
me dá um arrepio ao ver uma tomada externa de uma Enterprise, ou ao
ouvir as oito notas clássicas, ou oo som do transporte, do phaser ou dos
torpedos, ao ver e ouvir uma nave entrar e sair de dobra, ao sair de
orbita no fim do episodio, ao ver o capitao disparar o ultimo torpedo
que liquida o inimigo, ao entender um plano mirabolante com chancs
minimas de sucesso elaborado pelo Data ou pelo Spock, ao delirar com os
milagres do Scotty, ao ver cada resmungao do McCoy, ao ver um Picard
provando que um capitao nao precisa ser um cowboy (segundo a Tasha, com
coraçao de explorador, e alma de poeta), ao ver a Janeway e o sisko
atazanarem a vida de alguem por puro desaforo, ao compartilhar o
espirito explorador do Archer, com a gana de quem nunca saiu de casa e
vai à rua pela primeira vez, a cada saudacao vulcana, ao ver os olhos da
Dax (alias, das duas), ao ouvir “Captain’s log, stardate” “message from
starfleet, captain”, “on screen”, “make it so” ou “engage”, ao ver uma
ponte sacudir em QUALQUER filme espacial hoje, ao deslizar meu celular
N95 (quase um tricorder), ao ler sobre nanotecnologia, ao escrever em um
palmtop ou no notebook que uso agora, ao passar por uma portra
automatica ou entrar em um elevador rapido, ao falar em um fone
bluetooth, ao colocar um dvd ou pen drive e ver video, ao ler sobre
tomografias e ressonancias… isso tudo é Jornada.
Ao menos pra mim. Que venha o JJ com o file dele. Atorcida nao deixou de
ir ao estadio quando o time do Flamengo era ruim. A torcida era a força
do time.
vida longa e prospera.
Clovis”
Pessoal vocês não estão nem um pouco contentes de saber que os nomes: Kirk, Spock, Mckoy e cia serão ouvidos novamente na telona depois de (fora generations) 18 anos, algo que ninguém mais pensava que seria possível.
Tudo bem, podem dizer: os nomes são os mesmos, mas a personalidade não, mas…. o nome é eterno… não acabaram de modificar outro icone do cinema, James Bond.
Atualmente Jornada (principalmente TOS), só é lembrada pelos fãs das antigas, por aqueles fanáticos por scifi, pelo pai que ensina o filho, por aqueles que foram fisgados em reprises da tv, (e isso não tem mais) e só… ou seja, o legado está sendo passado, mas cada vez menos, afinal converter alguém em fã de ST convenhamos que é missão pra testemunha de Jeová.
Se eu oferecer os dvds da TOS ou os filmes ST pra meus amigos…levo pedrada, tipo: quem vive de passado é museu.
Post 30:
O incômodo que assalta a mim, e mais a alguns outros, são os indícios de que a próxima produção não guarda compromisso nenhum com esse conteúdo ético. No lugar de referências a Abrahan Lincolm, Gandhi, Martin Luther King, Herman Melville, Spinoza, Hemingway, Faulkner e Einstein, podemos esperar citações de Bill Gates, Donald Trump, George Bush Filho, Harold Robbins, Paulo Coelho et caterva.
Tenho mais de 30, mas acusar a nova geração de leviana por gostar de mais ação e menos conteudo nos filmes é o mesmo que chamar os jovens dos anos 50 de deliquentes, porque gostavam de Rock n roll em vez do Jazz.
Ninguém hoje em dia precisa ficar idolatrando Ganghi e cia, os seus valores estão disseminados na sociedade, basta ver o Cavaleiro das Trevas, por sinal o filme de maior sucesso do ano, carregado de valores altruistas e sacrificios.
Os filmes pipocas estão repletos de exemplos de que nem tudo que tem ação, é vazio.
“Ninguém hoje em dia precisa ficar idolatrando Gandhi e Cia, os seus valores estão disseminados na sociedade, basta ver o Cavaleiro das Trevas, por sinal o filme de maior sucesso do ano, carregado de valores altruístas e sacrifícios.”
Disse tudo.
O novo ST, imagino, será um filme mais acelerado.
Não irá perder a narrativa cientifica… Mas será dita em um contesto mais aventureiro e menos enfadonho (seguindo a premissa jovem de hoje).
Haverá uma mensagem dentro deste mar de pirotecnia que tantos odeiam e chamam de descerebrada… Mas será mais condizente com os dias de hoje no mundo do entretenimento.
O que me preocupa realmente – e que já foi eloqüentemente dito por outros colegas – é a essência… Essa não pode ser mudada.
A pirotecnia, a aventura também são importantes, mas tendo um bom roteiro. Seria bom se os roteiros fossem baseados em estórias escritas por bons escritores de ficção especialmente contratados para isso ou, até mesmo, trabalharem em conjunto com roteiristas. Antigamente tinhamos o Richard Matheson, mas hoje há uma carência. Existem nomes como Scott Card, que poderiam ser consultados, assim poderia haver um equilíbriu entre uma boa estória ficcional mesclado com aventura e cenas eletrizantes.
Eu me lembro de boas cenas em TOS, como o ataque klingon em Missão de Misericórdia ou a entrada na zona neutra do comodoro Decker em Os Anos Mortais”. Uma cena magnifica tivemos em ENT, quando o Archer foi obrigado a destruir a nave klingon ao entrar na EXPANSÃO, passando pelo meio dos destroços. Enfim, tudo depende de uma boa estória e bom roteiro.
E viva o novo !!!!!!!!!!
O RETORNO
Post 33. Ricardo, quando me refiro a indícios, estes estão exatamente na obra do J$J$, mas, de antemão, tomara que no dia 9 de maio eu possa vir aqui me retratar, o que faria de bom grado.
Post 35, Carlos, dou aulas em universidades, e concordo que as novas gerações também gostariam de boas histórias. Esta é a essência da coisa. Apenas estou cético por tudo o que já foi dito sobre o roteiro (pelos próprios roteiristas e pelo diretor).
Já se o esvaziamento de conteúdo foi o responsável pelo fracasso da franquia, não sei. Confesso que gosto de todas as séries, com variações, claro.
Post 45, César, olha, deixo bem claro que ante Roddenberry e alguns outros, B&B formaram uma dupla medíocre, que poderia ter cuidado melhor da marca, mas houve qualidade em alguns trabalhos também (mesmo em ENT, alguns episódios honram bem TOS, como “Cogenitor”, da 3a temporada). Referi-me à dupla pelo provável futuro contraste. E olha, “falem mal, mas…” não é um provérbio popular, mas um chiste inventado por Oscar Wilde.
Post 47, César. Você me entendeu mal. Não acusei a nova geração de fãs, ou espectadores. Essa é uma inversão da real discussão que infelizmente é comum em se tratando de cultura. Lembra uma brilhante propaganda do Afroreggae que está no rádio. A questão é: se observando um bom equilíbrio entre ação e conteúdo você oferecer à massa um produto de qualidade, ela o aceitará de bom grado. Um bom roteiro trabalhado com qualidade pode vender tanto quanto um “arrasa-quarteirão” desprovido de maior conteúdo. A questão é saber se quero ter sucesso de vendas com minha obra e ainda assim dar sentido à mesma (sentido perante o mundo) ou se quero fazer uma obra que apenas venda. Nos últimos anos surgiram produções (Crash, Boa Noite e Boa Sorte, O Labirinto do Fauno, só para não ir longe) que mostraram que se pode vender muito e fazer o público pensar.
No entanto, conseguir os dois intentos é mais difícil do que apenas vender, e J$J$ já mostrou quais são suas prioridades.
Tenho mais de 30, mas acusar a nova geração de leviana por gostar de mais ação e menos conteudo nos filmes é o mesmo que chamar os jovens dos anos 50 de deliquentes, porque gostavam de Rock n roll em vez do Jazz.
Ninguém hoje em dia precisa ficar idolatrando Ganghi e cia, os seus valores estão disseminados na sociedade, basta ver o Cavaleiro das Trevas, por sinal o filme de maior sucesso do ano, carregado de valores altruistas e sacrificios.
Agora, que ninguém hoje em dia precisa idolatrar os princípios de Gandhi, porque estão disseminados pela sociedade. Bem, olha, eu acho que vivo em outra sociedade, onde o que é idolatrado é o individualismo, a aparência, o ter, e não o ser.