TAS 1×03: Yesteryear

Spock encontra sua jovem contraparte através do Guardião da Eternidade. Leia agora a revisão do Trek Brasilis para “Yesteryear”, de Jornada nas Estrelas: A Série Animada.

Sinopse:

Data Estelar: 5373.4.

A Enterprise está de volta ao planeta do Guardião da Eternidade, onde um grupo da Federação usa o portal do tempo para realizar pesquisas históricas sobre o planeta Ôrion. Kirk e Spock retornam de uma destas “viagens” no tempo, e descobrem que no presente Spock não existe mais. Ninguém a não ser Kirk lembra-se do 1º oficial da nave, que agora tem um Andoriano no posto, o comandante Thelin.

De volta a nave os registros de bordo mostram que neste futuro alternativo, Spock teria morrido aos sete anos de idade durante um ritual de passagem, chamado Kash-Wan em Vulcano. Spock lembra-se disto, e lembra-se também que na ocasião um primo distante chamado Selek havia salvado sua vida. Eles concluem que Selek era na verdade Spock, e que ele próprio havia salvado sua vida no passado.

Spock decide retornar ao passado, descobrir o que aconteceu para tentar restaurar a linha do tempo ao normal. Ele viaja pelo portal através do tempo até sua cidade Natal, ShiKahr, onde encontra a se mesmo, além de seu pai, Sarek e sua mãe Amanda. Ele se apresenta como Selek, e Sarek o convida para sua casa, onde acontece então o encontro entre os dois Spocks. Spock encontra também o seu animal de estimação, um sehlat chamado I-Chaya.

Chega dia do Kash-Wan, quando o menino Spock deverá passar sete dias no deserto com o mínimo necessário para sobreviver. O jovem Spock encontra-se em duvida sobre seu futuro, pois está pressionado de uma lado por seu pai, que pretende educá-lo de acordo como o modo de vida Vulcano, enquanto sua mão, humana, não se furta a demonstrar seu lado “emocional” em relação ao filho e a tudo o mais. Ele parte, mas seu Sehlat o segue. Spock manda que I-Chaya volte para casa e continua sozinho. Spock também segue o menino, pois finalmente se lembra do que aconteceu naquele dia.

O Spock adulto encontra a si mesmo sendo atacado por uma animal selvagem, mas o Sehlat se interpõe ao ataque. Na luta animal é gravemente ferido, mas permite a Spock tempo para que este ponha o animal fora de ação. I-Chaya vai morrer, é apenas uma questão de tempo. O jovem Spock corre de volta a cidade e convence um médico a acompanhá-lo, mas o animal está além de qualquer ajuda. O médico dá ao jovem Spock duas escolhas, prolongar a vida do animal mesmo que este sofra com isto, ou apressar sua morte. O menino escolhe a segunda opção, e ao fazer isto, abraça o modo de vida Vulcano para si. Missão cumprida, “Salek” se despede de seus pais, e retorna ao seu tempo para notar que tudo voltou ao normal.

Comentários:

“Yesteryear”, escrito por D.C. Fontana, é tido como um dos melhores senão melhor episodio da Série Animada. Partindo do conceito do “Guardião da Eternidade”, pinçado do clássico “The City on The of Forever” e juntando elementos da infância de Spock, estas trazidas do outro excelente episódio “Jorney To Babel”, D.C. Fontana consegue costurar um narrativa muito interessante em torno do nosso vulcano favorito.

Da mesma maneira que sua fonte inspiradora, este segmento da série animada não é um daqueles episódios sobre viagem temporais que pretendem explicar inexplicáveis paradoxos temporais, que existem somente na cabeça de fãs mais fundamentalistas, ou então do físico Stephen Hawking. Na verdade a viagem temporal é uma jornada pela alma de Spock, uma alma ímpar, sem dúvida. Até mesmo por que ficaria difícil de explicar como é que linha do tempo “correta” dependia de um evento futuro. Melhor deixar isto para lá e ir ao que interessa.

Ao longo da existência da Serie Original, muito foi dito a respeito das emoções de Spock, mas “Journey to Babel” (também escrito por D.C, Fontana) introduziu um elemento ainda mais interessante ao apresentar a mãe de Spock, uma humana em todos os sentidos. Sendo seu pai, Sarek. Vulcano, era lógico presumir que a infância de Spock seria no mínimo complicada.

É justamente neste ponto que o episodio toca, na escolha de um então jovem Spock em abraçar totalmente a filosofia de vida Vulcana, o que definiria uma série de outras escolhas em sua vida. Nos momentos em que Spock confronta a si mesmo, ele dá importantes conselhos a um então jovem e confuso Spock, assim como age junto a Amanda e Sarek para que estes vejam de forma positiva a situação de seu filho.

Entretanto, neste processo, Spock revê seu caminho desde a infância até chegar a idade adulta, como oficial da Enterprise. Agora mais velho, ele compreende melhor a si próprio e a seus pais. Esta viagem ao passado, permite a Spock olhar para si mesmo, e perceber as mudanças que ele qual havia passado sem sequer ter percebido. Talvez seja esta a interpretação do trocadilho de Spock no último ato deste segmento, quando ele diz a McCoy, “O tempo muda, doutor, o tempo muda”.

O resultado é um retrato de um personagem com camadas muito interessantes, principalmente se partirmos de “Yesteryear” e passando por “Journey To Babel” e “Amok Time” (outro episódio importante na caracterização de Spock) chegarmos a “The Undiscovered Country”. Ou seja, este segmento da Série Animada contribui muito para enriquecer ainda mais o primeiro oficial da Enterprise, e sempre que Spock vai bem, temos um episódio vencedor em mãos.

Citações:

Spock – “Live long and prosperity, Sarek of the Vulcan.”
(“Vida longa e properidade, Sarek de Vulcano.”)
Sarek – “Peace and long life. You are of my family?”
(“Paz e longa vida. Você é da minha família?”)

Trivia:

  • Mark Lenard, assim como os membros do time principal, retorna neste episódio para dublar ser personagem, Sarek de Vulcano.
  • Este episódio estabelece que o nome das mãe de Spock é Amanda Greyson. Em “Journey to Babel” apenas é dito o primeiro nome.
  • Estabelece também o nome da cidade natal de Spock, ShirKahr.
  • O episódio “Tears of the Prophets” da sexta temporada de Deep Space Nine, faz menção a USS ShirKahr, NCC-31905. A nave foi destruída durante a batalha pelo sistema de Chin’toka.
  • Em “Journey to Babel” é feita uma citação ao “bichinho de estimação que Spock teria quando criança, mas o nome Sehlat só é citado em “Yesteryear”. Tal animal seria novamente citado em por T´Pol em “The Forge”, da quarta temporada de Enterprise.

Ficha técnica:

Escrito por D. C. Fontana
Direção de Hal Sutherland
Exibido em 18/09/1973
Produção: 03

Elenco:

William Shatner como James Tiberius Kirk
Leonard Nimoy como Spock
DeForest Kelley como Leonard McCoy
James Doohan como Montgomery Scott
George Takei como Hikaru Sulu
Nichelle Nichols como Uhura

Elenco convidado:

Mark Lenard como Sarek
James Doohan alferes Bates
Billy Simpson o jovem Spock
Keith Sutherland o jovem Sepek
Leonard Nimoy como Selek
Majel Barrett como Amanda
James Doohan como Healer
James Doohan como Thelen
James Doohan como Aleek-Om
Majel Barrett como Grey
James Doohan como Erikson
James Doohan como Guardião da Eternidade

10 Comments on "TAS 1×03: Yesteryear"

  1. Episódio não só fenomenal como muito complicado para a relação do cannon e não cannon da série animada. E até polêmica em relação ao filme atual. Por isso vou tentar não falar mais. Mais bem que poderiamos ter uma coletânia dos episódios do passado de Spock com direito a análise. Que tal a sugestão Leandro Martins, hein?

  2. cesar antonio r martins | 2 de janeiro de 2009 at 9:10 pm |

    ” … Até mesmo por que ficaria difícil de explicar como é que linha do tempo “correta” dependia de um evento futuro. …”.

    Sendo algo irônico, como ficaria difícil explicar???
    Já tivemos EXATAMENTE disso (a linha de tempo correta dependente de um evento futuro/uma incursão do futuro) em “Assignment: Earth”, lembra(m)?

    A-koo-che-moya, Gene …

  3. A principal falha do desenho nao foi comentada … lamentável.
    O Spock fala que está lá por que foi adorar os deuses deles, enquanto sabemos que os vulcanos nao eram politeistas e nem teistas, nao se fala mas dá a entender que nao acreditam em deuses ou em Deus.
    Nem sei como a Dorothy pode escrever falha tao gritante, enfim, era desenho bem infantil e nao consideraram sério o suficiente.

  4. considero a série animada como a 4ªtemporada de tos.muitos elementos são acrescentados como por exemplo o holodeck.a animação podia não ser grande coisa(apesar de eu adorar)mas é inegável o respeito pela série original.se alguns não consideram esta série do “cânon”azar o deles.tos provou que ainda tinha muita lenha pra queimar e só malha quem não apreciou esses desenhos.para mim a missão de 5 anos continuou por causa da ´serie animada.hoje em tempos de cgi e coisas deste tipo onde a animação avançou bastante,não seria o momento de fazer um longa animado com todas as séries?pensem nisso

  5. Azar do Roddenberry, Paramount e meu. Apesar de q a Paramount ganhou um dinheirinho com ela, assim como o Roddenberry, na epoca de produçao, tb ganhou, azar mesmo foi o meu que assisiti todos para poder fazer uma análise consciente.
    Mas gosto é gosto …

  6. Mas, Verde (post 3),

    Os vulcanos, apesar de sustentarem a própria cultura através da doutrina Kolinahr, não teriam um símbolo religioso fundamentado na extstência de Shakaree? (Star Trek V)

    Abração!

  7. Jorge Rodrigues | 8 de janeiro de 2009 at 5:26 pm |

    Meu episódio favorito de TAS. E, como xiita e fundamentalista, reafirmo que o problema não reside, em absoluto, na utilização de viagens temporais e linhas do tempo alternativas, mas em roteiros com QI abaixo de 30.. Se STXI tiver um roteiro com 50% das qualidades do deste episódio de TAS, o filme será bom. Mas duvido.

    E duvido, dentre outros motivos, porque exatamente este personagem complexo, cheio de camadas e profundidades, foi tratado pelo diretor de STXI como uma “anomalia”, segundo palavras do mesmo.

  8. Jorge Rodrigues | 8 de janeiro de 2009 at 5:35 pm |

    A ANIMAÇÃO.

    Faltou comentar que a animação era ainda muito “durinha”, mas há um dado interessante. O mesmo estúdio e equipe que produziram TAS fizeram, poucos anos após, uma série animada de Flash Gordon que contava com bons roteiros, muito próximos das histórias originais de Alex Raymond. Na seqüência fizeram uma série de Tarzan pouco exibida por aqui, e, por fim, cometeram uma coisa chamada He-Man, seu maior sucesso, mas claramente dirigida mais para um público infantil que juvenil.

    Muito do material animado das 4 séries é comum. Há uma seqüência, não lembro se de Kirk ou Spock, de perfil, subindo uma escada vertical com mãos e pés, que foi “coberta” com adereços, traços e cores, para se tornar Flash Gordon, Tarzan e, depois, o “Barbie” saradão He-Man. Os seres plantas voadores, que aparecem em dois episódios de TAS – já comentados na resenha de “Infinite Vulcan” -, também apareceram nos céus de Eternia, ligeiramente modificados, e pór aí vai. Mas, reafirmo, TAS e Flash Gordon eram séries bem acima da média de suas épocas.

  9. Post 6>
    Desculpe, Raul, só vi agora.
    Veja, dentro da cultura vulcana existe variedade, como observamos em ENT.
    No caso, sabemos que o Spock e o Sarek não acreditavam numa Entidade Superior (deuses), como a maioria dos vulcanos na nova ordem seguem Surak, não havia culto aos deuses e nunca foi citado isso. O caso do Sybok não foi bem elaborado, o filme foi ruim e a conclusão já esperada. Na sequência das estórias não houveram repercussões como aconteceu com o Kolinarh ou o Katra.
    No entanto, esse é apenas um detalhe pois o nível dos episódios, na minha opinião, foram ruins. Eu me considero um trekker mesmo, conheço muita coisa do mundo de ST, mas não consigo gostar desses desenhos, embora os tenha na minha coleção.

  10. Olá a todos. Esta é a minha primeira postagem no Trek Brasilis (a não ser que eu já tenha postado alguma coisa há alguns anos e não me lembre, já que tinha muito tempo que eu não entrava neste site). De qualquer forma, é o primeiro comentário que faço recentemente (em um momento em que me considero “mais maduro” em relação ao universo de Jornada nas Estrelas) e resolvi fazer esta postagem devido a algumas críticas feitas à série animada, série essa que somente adquiri há algumas semanas – e estou gostando bastante, apesar de ter assistido apenas a alguns episódios, um dos quais este que ora comento.
    Acredito que o último filme para cinema, Star Trek, tenha se baseado bastante neste episódio, já que a briga de Spock com outras crianças em Vulcano, ao chamarem Sarek de “traidor”, por ter se casado com uma humana, e a conversa de um adulto com Spock, falando das emoções dos vulcanos, são elementos que, até onde eu saiba, não apareceram em episódios de Star Trek, exceto neste episódio da série animada (me corrijam se eu estiver errado). Acredito que apenas a opinião de Gene Roddenberry não se justifica para retirar a série animada do cânone (ou nada mais poderia ter sido produzido após seu falecimento, já que a opinião dele seria indispensável). Na realidade, sabemos que, mesmo em vida, ele chegou a ser afastado da própria criação, em filmes para cinema, e chegou mesmo a ter sua opinião ignorada (por exemplo quando foi contrário à destruição da Enterprise em Star Trek III). Logo, existe muito mais na “história oficial” do que apenas o que ele concordava. A série animada foi produzida com a aquiescência dele, com a participação de roteiristas e atores da série original. Podem existir episódios ruins, mas se isso fosse o suficiente para retirar toda a animação do cânone, o que dizer de episódios como o do cérebro do Spock, da série original? Concordo com Musassy quando diz considerar a série animada como a quarta temporada de série original. O cuidado que a Filmation teve ao desenhar por cima das imagens originais, para manter a maior fidelidade possível (do interior e exterior da nave, por exemplo), sem “infantilizar” o desenho, além do que foi incorporado ao cânone (como o nome do meio do Capitão Kirk, o holodeck, a segunda entrada na ponte de comando, etc), bem como o fato de que o próprio Gene Roddenberry aprovou a série animada, na época, chamando DC Fontana, roteiristas e atores, já seria suficiente para a série animada ser vista, ao menos, com um pouco mais de admiração, pois é, definitivamente, parte de Jornada. Sem querer criar polêmica (mas criando, com certeza, caso meu comentário seja lido), acredito que a série animada possui mais elementos de Jornada nas Estrelas do que a ideia básica de Deep Space Nine e alguns de seus conceitos – por exemplo ao criar um “racha” na federação no momento de criação dos Maquis (os “niners” que me perdoem a franqueza, mas acho que muito do que está presente em DS9 não seria aprovado por Roddenberry, se ele pudesse, pois deturpa a sua visão de como se comportaria a humanidade no futuro). Nesse aspecto, Voyager (mesmo com vários episódios ruins) corrigiu essa falha, ao permitir que os maquis pudessem ser integrados a uma nave da federação, retornando ao conceito de Roddenberry de que os antigos rivais podem se tornar amigos e trabalhar juntos – ou talvez já fosse esse o objetivo ao serem criados os maquis, ou seja, utilizá-los na série que iria estrear; mas mesmo assim a ideia básica de DS9 é menos Jornada nas Estrelas do que a série animada (não vou tecer comentários sobre um episódio – BADDA-BING BADDA-BANG ou “Onze niners e um segredo” – no qual Sisko se refere à “nossa gente”, como se os negros e os brancos ainda não tivessem superado as diferenças que somente os americanos enxergam – para não tornar minha postagem mais extensa do que já foi, mas acredito que Roddenberry, que acreditava num futuro onde a humanidade conseguiria trabalhar até mesmo com seres de outras espécies, sem “especismo”, deve ter se “revirado no túmulo” quando esse comentário de “racismo” foi ao ar).
    Enfim, comecei com a série animada, comparei com o filme mais recente e a série original, passei por Voyager e DS9 (partindo da suposição de que DS9 é Jornada nas Estrelas, já que faz parte do cânone) apenas para tentar expressar minha opinião de que uma coisa é não aceitar alguns episódios absurdos de uma série (como o do exemplo do cérebro do Spock ou o episódio da segunda temporada de Voyager, “limiar”, no qual Tom Paris e a Capitão Janeway viram lagartos e abandonam sua “prole” em um planeta), outra coisa é rejeitar toda uma série, mesmo que animada e não com atores, por causa de um ou outro detalhe ou episódio. A propósito: teria sido possível à série original, com toda sua contenção de despesas, ter mostrado o planeta Vulcano com tanta riqueza de detalhe ou ter feito uma animação convincente do Sehlat, animal de de Spock (que já havia sido mencionado no episódio “Journey to Babel”, como sendo semelhante a um urso e possuidor de presas), como vemos neste episódio “Yesteryear”? De fato, a criação da série animada permitiu que fossem extrapoladas as limitações da série original, mostrando planetas, ambientes, alienígenas, animais ou naves que não seriam possíveis com a limitação financeira da série original.
    Espero que me desculpem pelo comentário extenso, mas peço a compreensão por ter sido minha primeira postagem (tentarei ser mais breve nas próximas, se vier a fazer novas). Até mais.

Leave a comment

Your email address will not be published.


*